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Parceria Embraer-Boeing no KC-390 é tema de nota no site da FAB

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Segue abaixo a nota da Agência Força Aérea, publicada nesta terça no site da Força Aérea Brasileira

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KC-390 – Novo avião de transporte da FAB tem agora parceria da Embraer com a Boeing

Criado pela Embraer a partir de um requisito operacional da Força Aérea Brasileira de um novo avião de transporte e reabastecimento em voo, o projeto do KC-390 conta agora com a participação da Boeing. As duas empresas assinaram hoje (26/6), em São Paulo (SP), um acordo de cooperação para troca de conhecimentos técnicos e avaliação conjunta de oportunidades de mercado para o KC-390.

“Este acordo reforçará a posição de destaque do KC-390 no mercado global de transporte militar”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente da Embraer Defesa e Segurança. O avião já conta hoje com cerca de 60 intenções de compra do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca, mas a expectativa das empresas é de alcançar mais vendas. “A Boeing tem grande experiência em aeronaves militares de transporte e reabastecimento em voo, assim como profundo conhecimento de clientes potenciais para o KC-390, em especial nos mercados que não foram incluídos no nosso plano de marketing original”, completou Aguiar.

O primeiro protótipo do KC-390 deve voar em 2014, e está prevista para 2016 a entrega das primeiras unidades. O desenvolvimento do projeto foi iniciado após a assinatura do contrato com a Força Aérea Brasileira, em abril de 2009. Entre os pré-requisitos estabelecidos pela FAB está a capacidade de cumprir todas as missões realizadas hoje com aviões C-130 Hércules, como transporte de cargas, lançamento de paraquedistas, busca, reabastecimento em voo e possibilidade de operar em ambientes como a Antártica e a floresta amazônica.

O KC-390, no entanto, terá vantagens frente ao Hércules, como uma velocidade maior e sistema de controle de voo computadorizado (fly-by-wire). A cabine do avião terá os equipamentos mais modernos para modelos do tipo, incluindo Head Up Displays (HUD), o que vai permitir aos pilotos conhecer os dados de voo sem precisarem olhar para dentro da aeronave. A cabine também será compatível com o uso de óculos de visão noturna (NVG). Todos os KC-390 sairão de fábrica prontos para cumprirem também missões como reabastecedores em voo, além de eles próprios também terem sondas para serem reabastecidos por outras aeronaves. “Nosso maior objetivo é fazer um produto inovador no mercado de aeronaves de transporte militar de médio porte”, finalizou.

Já o Presidente da Boeing Defense, Space & Security, Dennis Muilenburg, reconheceu as capacidades da indústria aeronáutica brasileira e ressaltou que o acordo assinado hoje reforça a parceria já firmada com a Embraer, que envolve as áreas de aviação comercial, pesquisa, novas tecnologias e desenvolvimento de biocombustíveis para a aviação. “A Embraer é uma líder global em inovação e ambos reconhecemos o valor de trabalhar em parceria para fornecer soluções acessíveis e de alta qualidade para os nossos clientes”, afirmou. Com o acordo de hoje, as equipes da Embraer e da Boeing vão analisar juntas o mercado de aeronaves militares e buscar novas possibilidades de mercado para o KC-390. Futuramente, as empresas devem anunciar resultados desse trabalho conjunto.

Características do KC-390

  • Comprimento: 35,20m
  • Envergadura: 35,05m
  • Altura: 12,15m
  • Peso máximo de decolagem: 81 toneladas
  • Carga máxima: 23 toneladas
  • Velocidade máxima: aproximadamente 950 km/h
  • Alcance máximo com 23 toneladas de carga: 3.700 Km
  • Alcance máximo: 6.000 Km

FONTE: FAB (Agência Força Aérea)

NOTA DO EDITOR: é fato que a aeronave deve suas especificações à FAB, com a qual a Embraer tem um contrato de desenvolvimento, recebendo aportes financeiros para o projeto. Mas não é comum, na área de notícias do site da FAB (não confundir com o Notimp, que é uma seção de clippings), encontrar notícias desse tipo, ou que não sejam relacionadas diretamente a operações e unidades da própria Força. Assim, achamos digno de nota replicar aqui essa repercussão não tão comum, de modo a se analisar sob esse prisma a importância da notícia.

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A Embraer acredita que a parceria firmada com a Boeing no projeto do cargueiro KC-390 permitirá aumentar sua projeção inicial de vendas para a aeronave. Segundo a estimativa inicial da empresa brasileira, há mercado nos próximos 20 anos para cerca de 2 mil aeronaves do porte do KC-390, sendo que, desse total, descontando países que fabricam produtos concorrentes ou que adquiriram recentemente esse tipo de avião, a Embraer teria acesso a um mercado de 700 unidades. Desses 700 aviões, a expectativa da Embraer era conquistar entre 15% e 20%. “A parceria com a Boeing nos permitirá aumentar muito esse número, mas ainda não sabemos quanto”, disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar.

A Embraer anunciou hoje acordo com a americana Boeing para o projeto do cargueiro KC-390 para compartilhamento de conhecimentos técnicos e também análise de possíveis parcerias para comercialização. Segundo Aguiar, países que haviam sido excluídos inicialmente dos cálculos da Embraer, como os Estados Unidos, a Rússia, a Índia e o Canadá, poderão agora fazer parte do mercado alvo da companhia com o KC-390. “Vai depender da nova análise de mercado que faremos junto com a Boeing”, disse o executivo.

O presidente da Boeing Defense, Space & Security, Dennis Muilenburg, disse que o acordo não prevê remuneração por parte da Embraer para a empresa americana. “É um acordo de parceria, onde os dois lados ganham”, afirmou. Aguiar, porém, em conversa com jornalistas ao final do evento, disse que o acordo ainda não está detalhado a ponto de definir essas questões.

A Boeing comercializa no mercado o avião de transporte militar C-17, que é de grande porte, enquanto o KC-390 da Embraer se enquadra no mercado de médio porte.

O jato cargueiro militar KC-390 tem previsão de chegar ao mercado em 2015. Ele deve começar a ser produzido em 2013 (primeiro protótipo) e o primeiro voo deve ser programado para 2014. A expectativa da Embraer é que a produção seriada do jato seja iniciada no final de 2015 e a primeira entrega ocorra em 2016.

O projeto é da Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer foi contratada para desenvolvê-los. A FAB tem a intenção de comprar pelo menos 28 unidades do cargueiro, para substituir a frota de aeronaves. A Embraer disse também que já tem 60 cartas e intenção de compra para o KC-390, cujo preço deve ser definido em 2013.

Aguiar e Muilenburg negaram que a parceria anunciada hoje também esteja relacionada com a disputa da qual a Boeing participa para a venda de caças à Força Aérea Brasileira (FAB), dentro do Programa FX-2. O governo brasileiro deve voltar a discutir nos próximos meses a compra dos caças para a FAB. O processo está suspenso desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff. Os concorrentes são o avião Rafale, da francesa Dassault, o Gripen, da sueca Saab, e F-18 Super Hornet, da Boeing. Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita do presidente francês Nicolas Sarkozy, anunciou a opção pelo Rafale – o que acabou ainda não se confirmando.

FONTE: Estadão

IMAGEM: Embraer

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A Embraer divulgou nota à imprensa nesta terça-feira, 26 de junho de 2012,  informando que assinou com a Boeing um acordo de cooperação para o programa KC-390. O acordo prevê o compartilhamento de conhecimentos técnicos específicos e a avaliação conjunta de mercados onde poderão estabelecer estratégias de vendas no segmento de aeronaves de transporte militar de médio porte.

“A Boeing tem grande experiência em aeronaves militares de transporte e reabastecimento em voo, assim como profundo conhecimento de clientes potenciais para o KC-390, em especial nos mercados que não foram incluídos no nosso plano de marketing original”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança. “Este acordo reforçará a posição de destaque do KC-390 no mercado global de transporte militar.”

A cooperação para o programa KC-390 é parte de um amplo acordo assinado pela Boeing e pela Embraer em abril deste ano, quando as empresas anunciaram cooperação em diversas áreas, incluindo funcionalidades para aeronaves comerciais que aumentem sua segurança e eficiência, pesquisa e tecnologia, bem como bio-combustíveis sustentáveis para aviação.

Boeing e Embraer vão analisar, em conjunto, o mercado de aeronaves militares de transporte de médio porte e possíveis parcerias comerciais. Essa análise de mercado incluirá potenciais clientes que não haviam sido considerados nas projeções iniciais de mercado para o KC-390. “A Embraer é uma líder global em inovação e ambos reconhecemos o valor de trabalhar em parceria para fornecer soluções acessíveis e de alta qualidade para os nossos clientes”, disse Dennis Muilenburg, Presidente e CEO da Boeing Defense, Space & Security. “Essa colaboração combina a comprovada excelência da Boeing em aeronaves de transporte militar com as realizações do KC-390 da Embraer, de forma a avançar ainda mais com esta aeronave altamente capacitada.”

O KC-390 é um projeto da Força Aérea Brasileira, para o qual a Embraer foi contratada para desenvolver a aeronave, em abril de 2009. Trata-se do maior avião a ser produzido pela indústria aeroespacial brasileira e estabelecerá novos padrões para aeronaves de transporte militar de médio porte em termos de desempenho, capacidade de carga, flexibilidade e custos de operação.

A Boeing mantém uma sólida e longa parceria com o Brasil, por mais de 80 anos, que teve início com a entrega dos primeiros caças F4B-4 para o Governo Brasileiro, em 1932, e fornece aeronaves comerciais para empresas aéreas brasileiras desde 1960. A Boeing inaugurou seu escritório em São Paulo em outubro de 2011.

FONTE / IMAGEM: Embraer

Colaborou: Ivan

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Seleção pela Elbit proporcionará oportunidades adicionais para sua subsidiária no Brasil, a AEL Sistemas

 

São Paulo, 14 de junho de 2012 – A Boeing [NYSE: BA] selecionou a Elbit Systems para fornecer o Head-up Display de Baixo Perfil (Low-profile Head-up Display – LPHUD) que fará parte do Sistema Avançado de Cockpit (cabine) para aviões de caça da Boeing. Esta decisão proporcionará oportunidades adicionais para a Elbit desenvolver capacidades de aviônicos para cabines avançadas em sua subsidiária brasileira, a AEL Sistemas.

“A escolha da Boeing pela Elbit trará mais oportunidades para a AEL em trabalhos de tecnologia de ponta e ajudará a expandir o conhecimento e capacidades no Centro de Excelência Tecnológico de Cabine Avançada da AEL,” disse Susan Colegrove, diretora de Parcerias Estratégicas Internacionais da Boeing Defesa, Espaço & Segurança. “Estas atividades ampliam o envolvimento da Boeing no Brasil e nossa proposta de participação industrial, em particular, no programa F-X2.”

A Boeing está oferecendo o F/A-18E/F Super Hornet no programa F-X2 da Força Aérea Brasileira.

A seleção do LPHUD segue o acordo anunciado em março último para a Elbit fornecer o sistema de Large Area Display (LAD) que fará parte do Sistema Avançado de Cockpit a ser oferecido nos aviões de caça F/A-18E/F Super Hornet da Boeing e na família de aviões F-15, incluindo o Silent Eagle.

“O anúncio de hoje demonstra ainda mais a abrangência de oportunidades que a Boeing e seus fornecedores estão criando para a indústria brasileira,” disse Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil. “Através de colaborações industriais como esta, a Boeing e seus parceiros estão alavancando seus negócios, inovando seus produtos e expandindo suas capacidades”.

Além das oportunidades de software e hardware do Large Area Display, a AEL agora participará no design, desenvolvimento, produção e suporte dos componentes do LPHUD. A Boeing, Elbit e AEL também colaboram em um projeto conjunto de simulação distribuída. Os conhecimentos e capacidades adquiridos com estas atividades apoiam os esforços da Elbit e AEL para estabelecer o Centro de Excelência Tecnológico de Cabine Avançada no Brasil, o qual proporcionará a AEL a expandir seu mercado de aviônica de cabine avançada para outras aeronaves, assim como helicópteros.

O Large Area Display da Elbit (uma tela de 27,9 x 48,2 cm) é a peça central do Sistema de Cockpit Avançado da Boeing, um programa de atualização para as aeronaves F/A-18 e F-15. O LPHUD terá tamanho e formato mais simplificado, exigindo menos espaço que os típicos designs de HUD e permitindo mais espaço para a tela.

O Sistema de Cockpit Avançado irá melhorar a forma como o piloto interage com a aeronave e permitirá crescimento para geração visual, melhorará a consciência situacional e o aumento da eficácia da aeronave.

A Elbit Systems é uma empresa global de eletrônica que envolve uma vasta gama de programas de defesa inovadores e aplicações comerciais. A AEL Sistemas S.A., uma subsidiária integral da Elbit, localizada em Porto Alegre, serve como um centro de engenharia, produção e logística de suporte para programas de eletrônica avançada de defesa no Brasil e no mundo.

Uma unidade da Boeing Company, a Boeing Defesa, Espaço & Segurança é uma das maiores empresas do mundo no setor espacial, de defesa e segurança, especializada em soluções inovadoras desenvolvidas sob medida para as necessidades dos seus clientes. É ainda a maior e mais versátil fabricante de aeronaves militares do mundo. Sediada em Saint Louis, nos Estados Unidos, a Boeing Defesa, Espaço & Segurança é uma empresa com negócios que totalizam US$ 32 bilhões, empregando 61 mil pessoas em todo o mundo.

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Segundo agência de notícias  da Coreia do Sul, pilotos sul-coreanos só poderão avaliar o F-35 usando simuladores, sem poder voar aeronaves de verdade – os outros concorrentes, porém, não trazem essa limitação

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A controvérsia entrou em erupção a respeito de testes simulados do F-35 na compra de caças, diz a chamada de matéria da agência de notícias sul-coreana Yonhap News de quinta-feira, 7 de junho. A questão vem à tona quando o país se prepara para comprar uma frota avançada de caças furtivos, e os testes de desempenho do concorrente F-35  não poderão ser feitos em voos reais, por parte de pilotos da Coreia do Sul, mas somente usando simuladores

O F-35 da Lockheed Martin concorre com o F-15 SE da Boeing e o Eurofighter Typhoon da EADS por uma grande compra que poderá superar os 10 trilhões de w0n (aproximadamente 8,5 bilhões de dólares). A Coreia do Sul pretende adquirir 60 caças de combate, e a escolha do fornecedor está prevista para outubro deste ano.

De acordo com autoridades da agência estatal de aquisição de armamentos da Coreia do Sul, a DAPA (Defense Acquisition Program Administration) os testes de desempenho do F-35 estão marcados para junho. Os do F-15 SE e do Eurofighter estão marcados para agosto e setembro, respectivamente.

Mas, enquanto Boeing e EADS concordaram com a realização de testes de desempenho em voos reais, com um piloto sul-coreano a bordo, segundo a reportagem a Lockheed se recusou, dizendo que sua aeronave de combate furtiva aos radares ainda não entrou em serviço e ainda está em desenvolvimento. O cronograma de voos de teste do F-35, que é um monoposto, vem sendo atrasado, o que levanta preocupações sobre os custos crescentes e que o avião poderá não estar disponível até 2020.

Segundo uma autoridade da DAPA, “Devido ao fato do F-35 estar agora em desenvolvimento, apenas pilotos de F-35 podem voá-lo”.

Ao invés disso, a DAPA solicitou à Lockheed para conduzir testes de desempenho com simuladores, e um piloto sul-coreano a bordo de um outro tipo de jato, acompanhando o F-35, segundo a autoridade.* O plano, porém, levantou questões sobre testes de desempenho apropriados.

O Governo dos EUA é o principal cliente e contribuinte financeiro para o programa do F-35, estimado em mais de 300 bilhões de dólares. Além dos Estados Unidos, oito países, incluindo o Reino Unido, Canadá e Turquia, estão fazendo parte do maior programa de armas da história dividindo alguns dos custos de desenvolvimento.

A Coreia do Sul já adquiriu 60 caças Boeing F15 desde 2002 nas duas primeiras fases do programa de modernização de caças, cujo nome código é “FX”.

FONTE: Yonhap News (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Lockheed Martin e USAF

*NOTA DO EDITOR: essa parte do texto original que indicamos com asterisco dá alguma margem a interpretações ambíguas (no original, lê-se “Instead, the DAPA asked Lockheed to conduct performance tests with simulators and a Korean pilot on board a different fighter jet and tracking the F-35″). Ao que parece, além da avaliação em simulador, o que a Coreia do Sul quer é acompanhar um voo real de F-35 com um piloto sul-coreano em outro caça, buscando acompanhar o F-35.

Essa questão de avaliações apenas por simuladores parece não ter impedido outro comprador, o Japão, de anunciar o F-35 como vencedor de seu programa de compra de caças no final do ano passado, numa compra de 42 jatos avaliada em 7 bilhões de dólares. Você pode conhecer mais detalhes sobre os programas “F-X” da Coreia do Sul, do Japão, e de mais de 80 outros programas realizados por mais de 60 países, neste século XXI, em matéria especial do número 4 da nossa revista Forças de Defesa. Se ainda não adquiriu seu exemplar, aproveite agora antes que se esgote!

Na segunda-feira, 4 de junho, a Boeing informou a entrega do sexto e último avião de Alerta Aéreo Antecipado e Controle (Airborne Early Warning and Control – AEW&C) “Wedgetail” para a Força Aérea Real Australiana (RAAF). A entrega foi feita no último sábado, 2 de junho.

Com a entrega desta sexta aeronave, foi atingido um novo marco no programa do Wedgetail, segundo o diretor do mesmo na Organização de Material de Defesa da Austrália, vice-marechal do ar Chris Deeble. A entrega, segundo Deeble, “permitirá que seja declarada, mais à frente neste ano, a capacidade de operação inicial (IOC).”

A Boeing já entregou todos os segmentos de terra para apoio à frota, que opera a partir da Base Williamtown da RAAF, em Newcastle, Austrália. O 737 AEW&C Wedgetail é baseado no avião de passageiros Boeing 737-700 Next-Generation, e foi projetado para prover capacidade aérea de gerenciamento do campo de batalha com um radar multitarefa de varredura eletrônica. A aeronave é equipada com 10 consoles no estado da arte, que expõem aos tripulantes de missão os dados de alvos aéreos e marítimos simultaneamente.  Assim, podem ser direcionadas tanto forças de defesa quanto de ataque, ao mesmo tempo em que se mantém a vigilância da área operacional.

Segundo a Boeing, também foram entreguse três aeronaves “Peace Eye AEW&C” para a Coreia do Sul, com mais um programado para este ano.  Já a entrega do primeiro “Peace Eagle AEW&C” da Turquia está programada para o final do ano.

FONTE: Boeing 

FOTOS: Ministério da Defesa da Austrália

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A Boeing informou hoje que entregou à Marinha dos EUA no dia 3 de maio o primeiro EA-18G Growler com um subconjunto produzido pela Bharat Electronics Limited (BEL) da Índia. O subconjunto fornece iluminação para o painel compatível com NVIS (Night Vision System Imaging).

A Boeing havia concedido à BEL um contrato inicial em março de 2011. Esse contrato incluía opções de renovação anual por até quatro anos. Como resultado do desempenho demonstrado pela BEL, a Boeing recentemente exerceu uma opção para renovar o contrato por mais um ano.

“A BEL continua a demonstrar as suas capacidades e sua posição como um parceiro valioso para a Boeing”, disse Dennis Swanson, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Boeing Defense, Space & Security, na Índia. “O trabalho da BEL no P-8I, nos Super Hornets e nos Growlers é outro exemplo de como as empresas indianas estão se tornando uma parte da cadeia de abastecimento global, enquanto a Boeing ajuda a expandir as suas oportunidades em toda a indústria aeroespacial global.”

Outras peças produzidas pela BEL para o Growler incluem um painel  para o conector do cabo do JHMCS (Joint Helmet Mounted Cueing System) e um painel com interruptor de teste do fan do sistema de arrefecimento de aviônicos compatível com o sistema NVIS. Alguns desses subconjuntos também serão instalados no Boeing F/A-18E/F Super Hornet.

Além dos trabalhos no F/A-18E/F e EA-18G, a BEL fornece interrogadores IFF e enlace de dados e sistema de comunicação Data Link II para os P-8I. A Boeing e a BEL também são parceiras na implantação do Centro de Análise e Experimentação em Bangalore.

FONTE: Boeing

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aereo

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Bem, para responder a esta pergunta são necessários alguns esclarecimentos. A Academia da Força Aérea (AFA) recebeu a visita de dois caças bipostos Boeing F/A-18F Super Hornet pertencentes à Marinha dos Estados Unidos (USN) durante as comemorações dos 60 anos da Esquadrilha da Fumaça.

Um desses aviões possui o “tail code” NJ-135 e pertence ao esquadrão VFA-122 ‘Flying Eagles’. Segundo os dados levantados por nós do Poder Aéreo, este avião foi fabricado e entregue em 2007. Foi visto com muita frenquência em shows aéreos pelos Estados Unidos em 2008 e 2009. Foi também em março de 2009 que o 135 visitou a Austrália e realizou uma série de apresentações por lá. Naquela época a Austrália já havia escolhido o Super Hornet como o caça que substituiria os F-111.

Em 2011 o 135 realizou um ‘tour’ pela Ásia e foi demonstrado na Malásia e na Índia. Foi durante estas apresentações na Ásia que o 135 apareceu com uma nova “roupa”. Primeiramente, a grande maioria das suas marcações externas foi removida. Somente através de uma pequena identificação no topo da deriva (com o famoso 135, visto na imagem abaixo divulgada à época da exposição na Índia) foi possível saber que se tratava da mesma aeronave.

Além disso, tanques conformais (conformal fuel tank – CFT) destacavam-se no topo da junção da asa com a fuselagem. Sob a fuselagem, no pilone central, foi instalado um casulo aerodinâmico e com formas furtivas para transporte de armamentos.  Um pouco recuado do domo da antena do radar havia um sensor IRST integrado e as antenas do SM/LW (spherical missile laser warning). Outro par de sensores também estava instalado no topo da fuselagem, logo atrás do canopi.

Na verdade todos estes itens adicionados externamente ao Super Hornet 135 não eram componentes funcionais e tinham apenas como objetivo “simular” o aspecto externo do que a Boeing pretende para o “international super hornet roadmap”, ou como alguns preferem, o “silent hornet”.

Nós, da equipe do Poder Aéreo, esmiuçamos o 135 de todas as maneiras. Chegamos perto. Olhamos rebite por rebite. Fizemos malabarismos para fotografar locais de difícil acesso, mas não detectamos nenhum ponto que tenha deixando alguma prova, como uma nova chapa ou uma mudança de coloração (ou algo que denunciasse mais do que mockups presos com fita adesiva ou coisa do gênero), de que o 135 realmente tenha sido utilizado como “mock up” do Silent Hornet.

De qualquer forma o 135 é um dos caças que a Boeing tem utilizado para adaptar e demonstrar algumas das suas “novidades”. Fica o registro da passagem desse possível ex-Silent Hornet (que na verdade nunca passou de um mock up de Silent Hornet) pelo Brasil. Na próxima matéria, você vai saber um pouco mais sobre essa aeronave e o outro exemplar de Super Hornet que a Boeing trouxe para o Brasil na festa dos 60 anos da “Fumaça”. Enquanto isso, clique nas imagens abaixo para ver mais detalhes deste “ex-Silent Hornet”.

 

 

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Um tributo ao F/A-18E/F ‘Super Hornet’

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Mariana Barbosa

Assegurar a venda dos caças Super Hornet (F/A-18) para a Força Aérea Brasileira (FAB) é uma das principais apostas da divisão de Defesa da Boeing para continuar crescendo em um cenário de cortes de gastos militares nos Estados Unidos.

A expectativa é a de que o Brasil anuncie até o final de junho a sua decisão sobre o melhor avião militar para reequipar a FAB, uma concorrência de mais de US$ 2 bilhões. Também concorrem a francesa Dassault (caça Rafale) e a sueca Saab (Gripen).

“Estamos muito confiantes. Nossa oferta atende muito bem aos requisitos com o menor custo”, disse o presidente da Boeing Defesa e Segurança, Dennis Mullenburg, em conversa com jornalistas brasileiros em St. Louis, onde o Super Hornet é fabricado. “Nossa proposta também proporcionará a melhor oportunidade de colaboração para a indústria aerospacial brasileira.”  O Brasil pretende adquirir 36 caças, que devem substituir aviões usados pela FAB.

A proposta da Boieng (sic) conta com a simpatia da Embraer, que seria uma grande beneficiária de programas de transferência de tecnologia.

Os EUA já deixaram claro que não vão abrir os códigos-fonte do software do avião, considerado o cérebro do equipamento, mas vão transferir o máximo de tecnologia.

A repórter viajou a convite da Boeing.

FONTE: Folha de São Paulo

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Notícia divulgada pela AFP nesta quarta-feira (25 de abril) traz declaração do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, de que o Brasil terá a transferência de avançadas tecnologias dos EUA caso compre o caça F/A-18 Super Hornet da Boeing. Num claro sinal dos desejos de Washington em ganhar o lucrativo contrato, Panetta disse: “Esta oferta, que tem o forte apoio do Congresso dos Estados Unidos, contém um compartilhamento sem precedentes de tecnologias avançadas, que são reservadas apenas para nossos parceiros e aliados mais próximos.”

Falando numa academia militar, Panetta acrescentou que “esta oferta é muito mais do que apenas fornecer ao Brasil o melhor caça disponível. Com o Super Hornet, as indústrias de aviação e defesa do Brasil serão capazes de transformar suas parcerias com empresas  dos Estados Unidos, e poderão ter melhores oportunidades de se inserir em mercados mundiais.”

No dia anterior, Panetta encontrou-se com Celso Amorim, ministro da Defesa do Brasil, para inaugurar o “Diálogo de Cooperação de Defesa” entre os países. Amorim deixou claro, após o encontro, que o maior interesse de Brasília era garantir a transferência de tecnologia a partir da nova aliança proposta por Washington.

Além da transferência de tecnologias, Brasília também quer que alguns dos caças sejam montados no país. De acordo com analistas, isso poderia favorecer o francês Rafale da Dassault, um dos três concorrentes na disputa do novo caça brasileiro. Os outros dois são o próprio Super Hornet da norte-americana Boeing e o Gripen da sueca Saab.

Segundo o chefe da Dassault no Brasil, Jean-Marc Merialdo, o consórcio francês Rafale International assinou três acordos com empresas do Sul do Brasil para ampliar sua cooperação tecnológica, no caso do Rafale ser o escolhido. Merialdo disse à AFP, em Porto Alegre: “Estamos dando mais um passo para ampliar nossa cooperação”.  Desde o final de 2010, o consórcio já organizou quatro seminários em diversas cidades brasileiras para aumentar sua quantidade de parceiros no caso de seleção do Rafale. A França oferece total transferência de tecnologias em sua oferta para o contrato.

Voltando às declarações de Panetta, o secretário norte-americano também disse que o Governo dos EUA está satisfeito com a emergência do Brasil como um poder global. “Este é um relacionamento entre dois poderes globais, e nós damos as boas vindas ao fortalecimento do Brasil. Nós apoiamos o Brasil como um líder global e desejamos uma cooperação mais próxima em defesa”, disse Panetta.

O secretário acrescentou: “Nós não vamos concordar em todos os assuntos – nenhuma dupla de países, nem mesmo os aliados mais próximos, fazem isso. Mas eu acredito que nossos interesses comuns são tão grandes, e as possibilidades provenientes de nossa cooperação são tão tangíveis, que nós devemos segurar essa oportunidade de construir uma parceria de defesa mais forte para o futuro.”

O diálogo entre o Brasil e os EUA também tem como objetivo resolver outras questões como a decisão norte-americana, em 2008, de reativar sua Quarta Frota no Atlântico Sul, uma área estratégica e rica em recursos, onde os países da região não desejam nenhuma presença militar externa. A visita de Panetta à América Latina é a primeira desde que assumiu o cargo de secretário de Defesa, iniciando-se na Colômbia. Após o Brasil, o secretário deverá visitar o Chile.

FONTE: AFP, via Yahoo (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Marinha dos EUA (USN)

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Uma ‘poltrona’ espaçosa, uma tela grande à frente, e uma situação tática digna de filme de ação – só estava faltando a pipoca para a diversão ser completa – Mas eu estava lá a trabalho, bem mais interessado nas características do novo painel do que em brincar de ‘top gun’ do século XXI – ainda assim, pude me divertir com algumas manobras de combate aéreo

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Na parte 1 desta matéria, apresentamos aos leitores do Poder Aéreo algumas das facilidades proporcionadas pela tela única sensível ao toque (touchscreen) demonstrada por um exemplar de uso comercial adaptado ao sistema do simulador do F/A-18 Super Hornet, que voamos na última sexta-feira (20 de abril). Nesta segunda parte, continuaremos a tratar dessas características do sistema da LAD (large area display – tela de grande área), mas também vamos “voar” um pouco.

John Keeven, o engenheiro da Boeing que demonstrava os modos de visualização e vantagens do novo painel, perguntou se já queria ver outros recursos enquanto voava, já que até aquele momento estávamos no modo “pausa”. Concordei, mas como não queria perder muito tempo com decolagens e pousos, já comecei o voo de onde a simulação estava “parada”: voando a uns 20.000 pés e à velocidade indicada de 350 nós (observação: estes números e os seguintes são aproximados, por estar escrevendo de memória).

Assumindo o controle, empurrei as manetes para máxima potência militar (um “dente” antes do acionamento da pós-combustão) e experimentei um pouco as respostas do manche. Escrevi “as manetes” porque se trata de um caça bimotor, mas por todo o voo eu as acionei conjuntamente (aplicar potência assimétrica também não é difícil, mas o movimento natural, dado pela ergonomia das manetes, é o acionamento conjunto). As manetes do simulador são bastante leves, e pode-se “vencer o dente” que separa a potência máxima militar da pós-combustão sem praticamente fazer força.

No ano passado, havia “voado” no simulador da versão C do caça sueco Gripen (veja os dois últimos links da lista ao final da matéria), e posso dizer que a experiência “manche e manete” do Gripen é o inverso da que experimentei no simulador do Super Hornet: enquanto a manete de potência do simulador do Gripen era bem mais “pesada” para mover, com um curso relativamente longo e requerendo alguma força para passar para a pós-combustão, a do Super Hornet estava levíssima. Já o manche do Super Hornet tem um “curso” longo, fazendo a pilotagem parecer com a de uma aeronave convencional (em que se segura de maneira firme o manche nas manobras), ao invés das alavancas tipo “joystick” de amplitude mais curta e respostas aparentemente mais rápidas de caças como o F-16 ou o Gripen (em que até se pode comandar uma manobra,  “largar” a alavanca e depois corrigir para o outro lado para terminá-la). E, ao menos na configuração pesada em que o Super Hornet estava (oito mísseis ar-ar, tanque central externo, quatro bombas e dois pods), as manobras me pareceram um tanto “preguiçosas”.

Após alguns tunôs (tonneau, ou rolamento), leves ascensões e mergulhos para “sentir a máquina” e também perceber a perda de energia, coloquei o caça em voo nivelado a 200 nós e empurrei as manetes para pós-combustão máxima, a pouco menos de 20.000 pés de altitude. O caça bastante carregado, simulando o arrasto de toda aquela carga externa, começou a acelerar de forma inicialmente tímida, mas em alguns segundos os números da velocidade no HUD começaram a se mexer mais rapidamente, e não demorou tanto quanto eu esperava para chegar a 400 nós. Ainda assim, não foi uma aceleração rápida.

John comentou sobre a aceleração ser baixa devido à grande quantidade de cargas externas e perguntou se gostaria de “aliviar” o caça de uma forma interessante: com um ou dois toques na tela, mudou o padrão de visualização da situação tática para 3D, onde o ângulo de visão do campo de batalha pode ser mudado, o que na minha opinião conferiu um grande ganho na consciência situacional. De maneira clara, num rápido olhar, pode-se ver todos os “inimigos” prontos para receberem os mísseis do Super Hornet e aliviarem seu peso. Também é vista a representação do alcance do radar, a atitude e manobras do Super Hornet, dados como o alcance ideal para lançamento dos mísseis (“no escape zone”) entre outros. Caso a aeronave fosse um EA-18G Growler, de guerra eletrônica, daria para ver quais inimigos estariam sendo “jameados” e quais estariam tentando “jamear” (interferir nos sistemas eletrônicos do adversário). Esse modo de visualização da situação tática em 3D está sendo aperfeiçoado, mas ainda não foi aprovado pela Marinha dos EUA, segundo John.

Encostando o dedo na indicação de um VANT (veículo aéreo não tripulado) à esquerda do caça, passei a ver a representação da área do campo de batalha que o mesmo cobria com seus sensores (veja foto abaixo). Ao mesmo tempo, numa “subtela” no canto superior direito do vídeo, pude ver a mesma imagem captada pelo VANT. Segundo John, no caso de um Super Hornet biposto, uma das possibilidades a ser integrada ao sistema será  o tripulante do assento traseiro (weapons systems officer – oficial de sistemas de armas) assumir o controle do veículo aéreo não tripulado.

Como também pode ser visto no canto superior esquerdo da tela, eu estava num Super Hornet repleto de mísseis (como já havia adiantado na parte 1 desta matéria) e com “inimigos” se aproximando. E a forma mais interessante de “aliviar” o peso do caça seria usar os mísseis para derrubá-los. John deu alguns toques nos comandos do manche e da manete (conceito HOTAS – hands on throttle and stick), que também podem controlar algumas funções da tela, e preparou um míssil BVR (além do alcance visual) AMRAAM para disparo. Um toque no “gatilho” e pude ver o míssil deixando seu pilone sob a asa direita para, em questão de segundos, acertar um dos “inimigos” que havia entrado no alcance da arma.

Dei-me por satisfeito quanto à demonstração, porque não era esse o meu foco no momento – assim como quando “voei” o Gripen no ano passado, tenho consciência de que minha falta de conhecimento dos comandos HOTAS e de todos os dados das armas faria com que, na verdade, o “abate” dos inimigos fosse feito muito mais pelo conjunto simulador / operador (no caso, o John) e não por mim. Assim, preferi que o engenheiro acertasse a simulação para que os inimigos simplesmente ignorassem meu caça, porque ainda queria fazer mais algumas manobras  naquela configuração pesada, sem ficar me preocupando em ter que atirar ou fugir de disparos.

Partindo de uns 400 nós, puxei o manche com força e mantive um alto ângulo de ataque até chegar a 35.000 pés, quando a velocidade já era inferior a 200 nós. Durante a ascensão, percebi uma boa resposta no plano horizontal, mesmo quando as manobras laterais, que não me pareciam gerar perda de controle, fizessem a velocidade cair rapidamente para 170 nós. Nivelei de maneira brusca e logo fiz um “Split S” partindo daquela baixa velocidade, como se estivesse precisando desesperadamente ganhar energia ao custo da altitude e reverter o curso. O rolamento demorou um pouco, mas, já com o caça em voo invertido, o comando para apontar o nariz para o solo foi rapidamente respondido. O Super Hornet, simulado com toda aquela carga externa, imediatamente ganhou velocidade no mergulho. Com os números disparando no HUD, por instinto eu cortei a pós-combustão para que a velocidade elevada não resultasse em mais perda de espaço vertical na saída da manobra, atrasando o final do mergulho. Passava de Mach 1 quando nivelei 10.000 pés abaixo, com energia suficiente para, novamente com a pós-combustão acionada, apontar o nariz para o alto e, numa ascensão com larga curva à esquerda, atingir de novo os 35.000 pés, agora a 350 nós, e no mesmo curso anterior.

Nessa e em outras manobras mais “fortes”, puxando ou empurrando o manche bem para trás ou para um dos lados, percebi uma maior resistência ao final do curso da alavanca, justamente quando se puxa mais “Gs”. Mas ainda assim o comando “Fly-by-wire” não deixa passar do máximo de “Gs” permitidos com os pilones repletos de cargas externas, nas manobras mais “radicais”.

Ignorando os caças “inimigos” ou os alvos em terra daquele padrão de simulação, explorei mais algumas características da tela grande à minha frente. Usando os dedos como quem manipula um “tablet”, pode-se ampliar qualquer uma das subtelas, como mostram as fotos acima, em que ampliei bastante a imagem trazida pelo FLIR (sensor infravermelho) ou do modo SAR – Synthetic Aperture Radar do sensor principal tipo AESA (varredura eletrônica ativa) que era simulado.

As imagens a seguir mostram outras formas de se dividir a tela, que experimentei tanto antes quanto depois das manobras descritas acima.

Pode-se ver, abaixo, a simulação da arena de combate tomando conta de praticamente toda a tela, deixando para o HUD (visor ao nível dos olhos) as demais informações de voo – uma pequena faixa na parte inferior mantém à vista alguns comandos e, no canto inferior esquerdo, dados básicos dos motores. Com uma leve “escorregada” dos dedos, pode-se passar da imagem vista “de cima para baixo”, (foto acima), para um ângulo que mostra um panorama 3D da situação tática (foto abaixo). Cada manobra da aeronave pode também ser acompanhada pela sua representação na tela, o que (na minha opinião) ainda permite uma maior precisão nas manobras quando se intercala a visão para buscar os inimigos tanto na imagem gerada na tela quanto no céu, assim como na simbologia do HUD. Também é divertido ver a representação do caça, na tela, manobrando – mas acredito que isso possa ser útil, por exemplo, em situações de baixa visibilidade externa.

Perguntei a John se é esperado algum problema de foco do olhar do piloto, em voos reais, intercalando visões “head down” com “head up” (para o painel ou para fora), ao que ele respondeu desconhecer problemas operacionais nesse sentido, mesmo com uso de visores montados no capacete – e o sistema do display de grande área, ainda a ser testado em voo, foi pensado para não gerar problemas de foco. Perguntei também se estão pensando no futuro em abolir o HUD, como é o caso do F-35, ficando só com a tela e o visor montado no capacete (HMD). O engenheiro me disse que os pilotos de Super Hornet da Marinha dos EUA têm defendido uma perspectiva mais “conservadora” a esse respeito – o desafio, nesse caso, não está relacionado ao foco do piloto, e sim à quantidade e organização das informações à sua disposição. Os pilotos, que geralmente se mostram mais conservadores em suas escolhas que os engenheiros, querem o HUD até como “backup” para alguma falha no HMD e, no uso simultâneo dos dois sistemas (três, contando a tela do painel), será mais uma questão de doutrina a divisão das informações mostradas por cada um para não “poluir” o campo visual.

Falando nesse assunto de mostrar apenas o que é necessário e solicitado, a foto acima e a ampliação abaixo mostram um exemplo. Escolhi aleatoriamente um dos caças inimigos mostrados na representação 3D da arena de combate. “Tocando” o inimigo com a ponta do dedo, um retângulo branco o destacou e, no canto superior esquerdo da tela (clique para ampliar a imagem acima), apareceram as informações de sua posição e distância, conforme os dados disponibilizados pelos sensores do próprio Super Hornet ou de outras fontes, que são fundidos na representação tática mostrada. Evidentemente, esta é só uma simulação e capacidades estão sendo gradativamente desenvolvidas para esse sistema de apresentar as informações. Mas, como já escrevi na parte 1 desta matéria, o engenheiro da Boeing afirmou que uma primeira versão do sistema real de tela única deverá ser testada em voo no ano que vem.

Clicando na ampliação abaixo, pode-se apreciar um pouco mais o visual 3D de representação da arena de combate, que poderá ou não ser aprovado pela Marinha dos EUA.

Já satisfeito com a experimentação da tela, resolvi repetir as manobras que já havia realizado, porém com o caça mais leve. Mas, a essa altura, depois de tanto mexer no display e ouvir explicações, os “inimigos” já estavam bem longe – era preciso uma forma mais rápida de fazer desaparecer a carga externa, do que o seu lançamento em inimigos. Com alguns toques nos controles da simulação, John mudou a configuração do armamento para apenas dois mísseis nas pontas das asas.

Repeti o “Split S” a partir de 35.000 pés, porém a uma velocidade inicial maior que da primeira vez e em potência militar. O rolamento foi rápido e, já invertido, a resposta ao comando para apontar o nariz para baixo também. Mantendo a potência militar, recuperei com facilidade sem perder muita altitude e superei Mach 1 no final do curto mergulho. Acionei a pós-combustão e embiquei, subindo em velocidade supersônica e voltando rapidamente à altitude inicial.

Realizei mais alguns mergulhos e curvas de alto G, em que é necessário colocar alguma força no manche, como já descrito. Fazendo algumas  curvas apertadas a baixa potência, perdi energia para nivelar a 20.000 pés e a 200 nós, para simular novamente uma aceleração com pós-combustão máxima – só que agora com o caça leve. A resposta obviamente foi muito mais rápida do que quando acelerei simulando um avião repleto de cargas externas, com os números crescendo num ritmo muito maior no HUD. Ainda assim, lembrando-me da experiência com o Gripen no ano anterior, me pareceu que a resposta imediata de aceleração do leve monomotor sueco (que também foi “voado” com apenas dois mísseis ar-ar) foi melhor. Porém, é fato que a aceleração varia muito conforme a altitude e, no caso do Gripen, lembro-me de ter feito essa “corrida” acima de 30.000 pés, enquanto no Super Hornet eu estava voando pelo menos 10.000 pés abaixo.

Nessa configuração “leve”, o simulador do Super Hornet é tão divertido quanto o do Gripen C que experimentei no ano passado, oferecendo agilidade nas curvas e rápida recuperação da energia perdida. As ascensões são feitas com bom controle a altos ângulos e os “Immelmans” e “ioiôs” são feitos com facilidade. Comparativamente, mesmo com meses de diferença entre os “voos”, a impressão  é que o Gripen é mais rápido nas manobras horizontais em que se deseja uma rápida curva instantânea, enquanto o Super Hornet me pareceu mais estável nas manobras ascendentes.

Obviamente, estou falando só de simuladores, e trata-se apenas de uma impressão pouco profunda, pois não leva em conta variações de altitudes ou do nível de combustível simulado em cada ocasião. Em geral, achei o Super Hornet “leve” um caça com boa manobrabilidade nas curvas apertadas – porém, para “puxar mais G”, é necessário fazer força no manche, quando este se aproxima de seu curso final, e retomar a potência para recuperar a energia. Quanto à configuração “pesada”, não é possível uma comparação com as impressões do Gripen C pois este último foi voado apenas na configuação leve. Mas a controlabilidade do Super Hornet pesado foi digna de nota, na simulação.

Porém, o que mais guardei dessa experiência com o simulador de tela de grande área do Super Hornet foi justamente… a tela! Acredito que o slogan “touch the future” da “bolacha” acima à direita, que recebi no final, condiz com o que senti após o voo simulado. Será interessante saber das novidades de integração do sistema aos Super Hornets, e se a parceria recentemente divulgada da Boeing com a Elbit /AEL vai fazer realmente parte desse “futuro” anunciado.

Duas últimas observações: a primeira vindo já de fora do simulador. O engenheiro John Keeven me disse que outra vantagem do novo sistema de tela única é o seu menor peso global, representando uma economia de dezenas de libras em relação às telas múltiplas utilizadas hoje. A simplificação da logística e da manutenção também foi destacada, mas uma redução de peso é sempre bem-vinda, pois trata-se de um dos objetivos mais perseguidos por qualquer engenheiro aeronáutico – e um menor peso de um sistema pode compensar um acréscimo em outro, já que tradicionalmente os caças ganham peso ao longo das modernizações em seu ciclo de vida.

A segunda observação veio quando já me despedia de John, e perguntei se os engenheiros que desenvolvem os sistemas de aviônicos (ou mesmo de simuladores) costumam fazer voos reais para “testar” suas criações. Ele me confessou que os voos dos engenheiros nos caças das unidades de teste da Marinha têm sido raros – apontou para mim e disse que era mais fácil um jornalista voar num Super Hornet do que um engenheiro. Prometi a ele que, caso consiga finalmente conversar com calma com a presidente da Boeing no Brasil, Donna Hrinak (isso se a presença de um simulador não “atrapalhar” novamente), vou pedir para que ela leve adiante o pedido do Poder Aéreo:  que os engenheiros possam voar mais em caças de alto desempenho como o Super Hornet. Sem prejuízo dos voos dos jornalistas, é claro.

VEJA TAMBÉM:

A presidente da Boeing no Brasil, Donna Hrinak, classificou nesta terça-feira de “lenda” a justificativa brasileira de que a maior dificuldade para compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB) é a resistência do governo americano em autorizar a transferência de tecnologia.

“Eu não entendo o porquê desta justificativa. Talvez vocês da mídia possam me ajudar a entender. Na realidade, temos oferecido para o Brasil a mesma tecnologia que oferecemos para nossos melhores aliados, ou seja, os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), por exemplo. Então, acho que essa questão já está superada”, disse Donna Hrinak, que participou do seminário “Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil Frente à Nova Configuração dos Blocos Econômicos Mundiais”, realizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo. “Para mim, isso é uma lenda e não vai atrapalhar”, afirmou.

Donna Hrinak, que também foi embaixadora dos Estados Unidos no País entre 2002 e 2004, disse entender a importância da transferência de tecnologia, mas ressaltou que é preciso falar também do desenvolvimento de tecnologias no País. “O avião não é estático. O avião evolui com as demandas dos clientes. E essas mudanças e inovações podem acontecer aqui, com a indústria brasileira trabalhando junto com a Boeing”, afirmou a executiva,

Questionada sobre o que estaria faltando para que o projeto seja concluído, a presidente da Boeing respondeu que espera apenas uma decisão do governo brasileiro. “Estamos esperando uma decisão do governo para o País inteiro, e não só para a indústria ou para a Força Aérea”, disse. Donna Hrinak evitou comentar se a questão do projeto F-X2 foi um dos temas da conversa entre a presidente Dilma Rousseff e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, em Brasília, na semana passada.

O processo de compra dos caças brasileiros se arrasta desde 1996. Atualmente chamado de F-X2, o programa prevê a compra de 36 caças, um negócio estimado entre US$ 4 bilhões e US$ 6,5 bilhões. Houve vários adiamentos, o último deles no início do governo da presidente Dilma Rousseff, em 2011. Os concorrentes são o avião Rafale, da francesa Dassault, o Gripen, da sueca Saab, e o F-18 Super Hornet, da Boeing.

FONTE: Estadão

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O ministro da Defesa, Celso Amorim, levou novamente ao conhecimento das autoridades americanas a decepção do governo brasileiro com a interrupção do processo de compra dos aviões Supertucanos da Embraer.

“Por seguro eram os melhores, a própria força aérea considerou que eram os melhores. Ele (o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta) me garantiu que o processo será retomado de maneira isenta e sendo assim, e lavando em consideração a qualidade, temos muita certeza da nossa capacidade de competição”, disse.

Panetta esteve reunido com o ministro brasileiro durante quarenta minutos na tarde desta terça-feira (24) para tratar sobre a cooperação dos dois países na área de segurança. “Não posso dizer que toda nossa relação vai depender disso (da venda dos aviões da Embraer], mas é um exemplo de coisas que podem ocorrer [durante aproximação dos dois países)”, completou o ministro. O secretário de Defesa americano se limitou a concordar com Amorim e evitou entrar em detalhes sobre o processo de compra do governo americano.

Aquisição brasileira

Segundo Amorim, três helicópteros americanos, que foram encomendados pelo Brasil, chegaram hoje ao país, mas um indício de que o governo está disposto a aprofundar negociações neste campo com os americanos. No entanto, o ministro destacou a importância dos Estados Unidos deixarem de ser parceiros para compra e venda de produtos e passar a cooperar na transferência de tecnologia.

“O Brasil importa muito dos Estados Unidos e vai continuar importando, mas precisa também de componentes, partes e sistemas para projeto mais amplos brasileiros“, disse.

De acordo com Amorim, os projetos brasileiros tem natureza pacífica e por isso, há uma expectativa de que o clima de tranquilidade que está se criando entre os dois países “possa se refletir na facilitação da aquisição desses bens”.

Caças

Durante discurso sobre a importância da parceria entre Estados Unidos e Brasil, o secretário americano, Leon Panetta, citou a venda dos caças americanos para o governo brasileiro como uma das formas de permitir essa troca de conhecimento e tecnologia. “Fizemos a oferta do Super Hornet e pensamos que pode ajudar o Brasil com a tecnologia que precisa para o futuro“, disse.

O secretário não esclareceu, no entanto, se os termos para essa transferência de tecnologia será dada de acordo com as exigências e necessidades brasileiras, mas garantiu que o diálogo permanecerá aberto. Por este motivo, ele fez, inclusive, um convite para o ministro brasileiro, para um novo encontro, desta vez em Washington. Amorim adiantou que aceitou prontamente, mas que a data para a viagem ainda não foi fechada.

Amorim destacou que a escolha entre os caças americanos, franceses e suecos ainda não foi definida e que é preciso tempo para fazer a escolha. “Compreendemos que quem apresentou a oferta fique ansioso, mas a decisão será feita de maneira segura e coerente com nossas necessidades. Se já houvesse uma conclusão, não teria cometido a indelicadeza de permitir que ele (Leon Panetta) falasse sobre o assunto. É uma decisão a ser tomada”, destacou Amorim.

FONTE: Folha de São Paulo

FOTOS: Ministério da Defesa

NOTA DO EDITOR: nesta terça-feira, 24 de abril, o Ministério da Defesa divulgou nota (clique aqui para acessar o informe original) a respeito do encontro:

O ministro da Defesa, Celso Amorim, e o secretário de Defesa norte-americano, Leon Panetta, conduziram o primeiro Diálogo de Cooperação em Defesa (DCD) Estados Unidos-Brasil hoje em Brasília. O DCD foi criado sob a orientação da presidenta Dilma Rousseff e do presidente Barack Obama durante o encontro deles em Washington D.C., em 9 de abril de 2012.

Ao criarem o DCD, os presidentes notaram a importância de um diálogo reforçado para possibilitar uma maior cooperação bilateral, baseado em respeito mútuo e confiança, entre os Estados Unidos e o Brasil. Os presidentes também observaram que o DCD ofereceria um fórum para trocar pontos de vista e identificar oportunidades para colaboração em questões de defesa ao redor do globo.

O secretário Panetta e o ministro Amorim observaram o fortalecimento da cooperação em defesa entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos, conforme previsto no Acordo de Cooperação em Defesa Estados Unidos-Brasil, assinado em abril de 2010.

Conforme o Acordo de Cooperação em Defesa, o secretário Panetta e o ministro Amorim declararam durante o DCD que pretendem focar nas seguintes categorias prioritárias de atividade em 2012 para a cooperação em defesa entre Estados Unidos e Brasil:

  • Ciência, Inovação e Transferência de Tecnologia;
  • Logística;
  • Comunicação;
  • Assistência Humanitária e resposta a desastres;
  • Cooperação em apoio a nações africanas;
  • Segurança cibernética;
  • Apoio da Defesa às autoridades civis para para grandes eventos internacionais.
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O avião norte-americano é o F/A-18E Super Hornet – Ele concorre com JAS-39 Gripen, da sueca SAAB e o Rafale, da francesa Dassault

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A companhia norte-americana Boeing já gastou mais de US$ 5 milhões na campanha para vencer a licitação do governo brasileiro para a compra de 36 caças, o chamado projeto F-X2, da Força Aérea Brasileira.

O avião norte-americano é o F/A-18E Super Hornet. Ele concorre com JAS-39 Gripen, da sueca SAAB e o Rafale, da francesa Dassault. A concorrência gira em torno de US$ 5 bilhões. Espera-se que até o fim de junho deste ano haja uma decisão do governo brasileiro.

“De 2009 até hoje, gastamos mais de US$ 5 milhões com uma série de visitas de militares brasileiros para fazer testes, entre outras coisas”, afirma Dana Dacharoeden, gerente o campanha F-X2 da Boeing. De acordo com ele, houve investimentos para enviar especialistas ao Brasil para explicar detalhes do Super Hornet.

O projeto F-X se arrasta desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). No segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto ganhou sufixo 2 e a disputa afunilou-se entre os norte-americanos, suecos e franceses. Em 2008, Lula chegou a dar uma declaração em favor da Dassault, mas ele terminou o mandato sem comprar os caças.

Com a manutenção de Nelson Jobim no Ministério da Defesa no começo da administração Dilma Rousseff, acreditava-se que os franceses se seriam confirmados como vitoriosos da licitação. No entanto, dois novos adiamentos para compra dos caças e saída de Jobim do governo reacenderam a disputa e motivaram a Boeing, que se mantém otimista na vitória da concorrência.

Além dos seus próprios esforços, Boeing tenta contar com a ajuda do governo norte-americano para convencer o Brasil a comprar os Super Hornets. Do ponto de vista diplomático, os Estados Unidos têm repetido que o Brasil tornou-se um aliado mundial do mesmo nível de Japão, Reino Unido e Alemanha.

Contudo, o principal ponto questionado no pacote da Boeing é a transferência de tecnologia. Os EUA têm de pedir autorização do Congresso norte-americano para repassar determinadas informações para outros países. O problema, no entanto, é que até agora não está claro o que de fato poderá ser compartilhado.

A transferência dos códigos fontes do caça norte-americano é outro ponto de discussão. Principal secretário assistente do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Kelly afirma que nenhum aliado norte-americano recebe códigos fonte de aeronaves produzidas pelo País. “Não podemos dar código fonte para nenhum país”, afirma.

FONTE: IG (reportagem de A. Ceolin, enviado a Washington a convite da Boeing)

FOTOS: USN (Marinha dos EUA)

Colaborou: Vader

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Experimentamos o simulador do Super Hornet e as novas capacidades que a tela única, sensível ao toque, deverá oferecer para o caça norte-americano produzido pela Boeing – um dos concorrentes ao programa F-X2 da FAB

 

Onze e meia da manhã de sexta-feira, 20 de abril de 2012. Passando pelo meio de uma multidão de estudantes de engenharia que se inscreviam num evento de iniciação científica da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), chego ao fundo de um galpão, após atravessar por um labirinto de divisórias e bâneres dos diversos programas de estudo. É lá que está o simulador de voo do F/A-18 Super Hornet, trazido pela Boeing para exposição à comunidade acadêmica da maior universidade do Brasil.

Bem ao lado, está a visão mais familiar de pessoas engravatadas que se costuma encontrar em eventos corporativos,  próximos à presidente da Boeing no Brasil, Donna Hrinak. Autoridades da Universidade, um ou outro jornalista e alguns estudantes cercam a executiva, todos espremidos num canto do galpão. Cheguei meia hora atrasado, e naquelas condições a conversa que planejava ter com Hrinak seria mais disputada e desconfortável do que eu previa, e certamente menos longa e abrangente. A assessora de imprensa, que gentilmente me guiou da entrada do galpão até o simulador, pergunta: quer voar? Penso durante um segundo, enquanto rememoro os eventos das duas horas anteriores.

 

 

Ainda eram nove e meia da manhã quando liguei tardiamente o computador, naquela sexta-feira. A última checagem de e-mails tinha sido na noite anterior, às 19h, quando também desliguei o celular para comparecer a um evento com  espetáculos de música e dança turca – ótimo show, mas que, junto com a leitura de madrugada de textos de meu curso de pós-graduação, me fizeram acordar mais tarde que o normal, naquela sexta-feira. Ou seja, a mensagem mandada às 19h30 pela assessoria de imprensa da Boeing, convidando para um evento na Escola Politécnica da USP às 11h da manhã do dia seguinte, só foi vista em meio aos últimos goles de café daquela manhã, enquanto também ligava o celular. Começou então a correria para preparar câmera fotográfica, carregar baterias, materiais diversos, atravessar a cidade e tentar chegar a tempo.

No caminho, em meio ao trânsito pesado, já anotava uma série de perguntas a Hrinak, pensando nas dúvidas mais frequentes de leitores do Poder Aéreo sobre a proposta do Super Hornet da Boeing para o programa F-X2, a aproximação da empresa (que recentemente anunciou a implantação de um centro de pesquisas no Brasil) com a comunidade acadêmica, entre outras.

Estava com essas questões frescas na mente quando finalmente cheguei ao galpão e a assessora, às 11h30, me perguntou se queria voar. Apontava para o simulador vazio, logo à esquerda, cuja grande tela do posto dianteiro parecia dizer “me toque”. À minha direita, a aglomeração de pessoas em volta de Hrinak. A abertura do simulador para os estudantes e público da USP seria só às 14h, e todas as atenções naquele momento ainda estavam com a presidente da Boeing no País (e ex-embaixadora dos EUA no Brasil entre 2002 e 2004), já quase de saída, assim como os diretores de departamentos da Universidade e demais executivos da Boeing.

Pensei comigo mesmo: o simulador só está aqui hoje e, para não ter que “furar” filas que estressam e apressam seus operadores, a oportunidade é só nesta manhã. Já a presença de Donna Hrinak no Brasil se configura como uma relação de longo prazo, segundo a própria executiva. Não precisei de mais de um segundo para decidir. As perguntas a Hrinak ficaram para uma outra ocasião, ainda a ser marcada, e o simulador foi só “meu” por mais de meia hora.

Fui apresentado ao executivo responsável, na Boeing, pelo desenvolvimento de negócios internacionais de programas de armas, Rob Figge, que deixou o simulador à minha inteira disposição e me levou a John Keeven, gerente de programas navais de simuladores de voo da empresa. Antes de me ajudar a subir no assento, já esperava que John me perguntasse sobre minha experiência de voo, para logo receber a resposta de que a maior parte se resume a muitas e muitas horas de combates simulados “voando” caças da Segunda Guerra Mundial.

Não me surpreendeu sua réplica de que esta seria uma experiência de “perder velhos hábitos”, mas em troca eu o surpreendi dizendo que o que menos me interessava, naquele momento, era fazer acrobacias com o Super Hornet. Já bem instalado na cabine espaçosa, disse que meu maior interesse era entender os recursos do imenso display, que tomava conta de quase todo o painel  à minha frente. Um sorriso do tamanho da grande tela se abriu no rosto do engenheiro, que tem justamente aquele sistema como um de seus objetos de trabalho.

“Fico extremamente feliz em saber isso”, disse John. Manteve o voo da aeronave em pausa e começou a me dar uma verdadeira aula das funções do sistema LAD (large area display – tela de grande área). Começamos pelos ajustes do HUD (Head Up Display – visor ao nível dos olhos), que no simulador é projetado na grande tela semicircular (180º) onde também é mostrado o “ambiente externo” do voo. Mas a projeção, para quem está sentado no assento, simula perfeitamente a transparência de um HUD posicionado à frente.

Como pode ser visto na foto acima, o ajuste das funções do HUD é feito na própria tela, dispensando o tradicional UFCP (Up Front Control Panel – painel de controle frontal), um console repleto de botões e bem proeminente, logo abaixo do HUD, e que ocupa um espaço considerável nos painéis digitais “convencionais”.  O UFCP é mostrado de forma “virtual”e somente quando necessário, e o ajuste é feito tocando nos “botões” virtuais (delineados em verde e com fundo preto na foto acima) tocando a tela com os dedos (touchscreen). Assim, o display de grande área pode ocupar todo o espaço do painel, e o HUD fica colocado de forma praticamente contínua, imediatamente acima, sem ter o UFCP ocupando o valioso espaço intermediário.

No alto do display, uma série de  “botões” virtuais retangulares dá acesso às mudanças nas telas virtuais menores que podem ser mostradas. Na foto acima, bem no centro, podemos ver um desses “botões” com a sigla “UFC”, indicando o acionamento do controle do HUD. A marca comercial “HP” da tela grande, gravada na moldura logo acima, obviamente chamou minha atenção, ao que John aproveitou para dizer se tratar de um monitor provisório, apenas para efeito de demonstração. A versão final está sendo desenvolvida e terá, em sua “moldura”, toda aquela série de botões reais (físicos) de controle das funções que normalmente se vê em telas menores. No caso, servirão como “backup” para uma eventual falha na capacidade “touchscreen”. A esse respeito, uma das vantagens da tela única, substituindo várias menores, é a ampliação do espaço útil total,  dado que cada tela menor no sistema “convencional” tem sua própria moldura coberta de botões de acionamento, sem falar no UFCP. Agora, a moldura é uma só, onde serão instalados todos os botões de acionamento de backup necessários.

Falando em “backup”, a imagem acima (ampliação de uma foto tirada do lado de fora da cabine), mostra onde será instalada a instrumentação de reserva para o caso de uma falha total da tela e de seus sistemas. Trata-se do console onde se vê um pequeno display azul, visto na foto entre o manche e a logomarca do Poder Aéreo. Esse console reunirá os mostradores que permitem uma capacidade “bring back” (voo de volta à base) no caso de uma falha do tipo. Respondendo a uma pergunta minha, John disse que o sistema que trará os dados dos sensores para o pequeno conjunto de mostradores, por segurança, será totalmente independente do sistema da tela única.

Pergunto também quando deverá voar um Super Hornet equipado com a tela definitiva. A resposta é: no ano que vem.

Embora não possa ainda precisar se será mais para meados ou o final do ano, John disse que esse sistema está entre as maiores prioridades de novos desenvolvimentos do chamado “international roadmap” (plano de incorporação de melhorias na aeronave) do Super Hornet. Ele divide o topo dessa hierarquia com uma nova versão, mais potente, dos motores GE F-414 e o casulo externo (pod) furtivo de instalação de armas. John não estava autorizado a dizer de forma mais detalhada qual dessas três novidades ficava em primeiro, segundo e terceiro lugares. Mas podemos supor que a nova tela, seus sistemas e softwares, até mesmo pelo prazo indicado dos testes em voo, deve ser a primeira ou a segunda das prioridades.

A foto acima mostra um padrão rotineiro de divisão das “subtelas” virtuais no espaço oferecido pelo grande display. Clicando na imagem para ampliar, vê-se nos “botões virtuais” do alto, em verde, as siglas dos sistemas mostrados (vale lembrar que todas as fotos desta matéria podem ser clicadas para ampliar).

Podemos ver ao centro um grande mapa em 2D mostrando a situação tática geral, no padrão hoje em voga – na matéria de amanhã, vamos mostrar mais detalhes desse mesmo mapa na versão 3D. No alto, à direita, um exemplo de imagem do terreno gerada pelo radar no modo SAR (Synthetic Aperture Radar – radar de abertura sintética) enquanto, no canto superior esquerdo e inferior direito, mostram-se duas vistas (no plano horizontal e vertical) dos alvos aéreos que estão sendo acompanhados. No canto inferior esquerdo, pode-se ver uma imagem gerada pelo sensor infravermelho (FLIR) carregado em um casulo (pod) externo.

Falando em cargas externas, o caça estava bem “recheado” delas. Um clique na tela mudou a imagem superior esquerda para mostrar o que o caça simulado carregava, como pode ser visto na foto abaixo.

Contei nada menos que seis mísseis BVR (além do alcance visual) AMRAAM em pilones sob as asas (com lançadores simples nos externos e duplos nos intermediários), dois mísseis WVR (dentro do alcance visual) AIM9L Sidewinder nos trilhos das pontas das asas, quatro bombas Mk83 nos cabides internos duplos sob as asas, além de designador laser / FLIR na estação esquerda da fuselagem e um NFLIR (de navegação) na direita. Se não me engano, também é mostrada a presença de um tanque central externo de 400 galões (embora o número 400 também possa indicar a quantidade de munição de 20mm do canhão do caça, indicado pelo aparecimento do termo “gun” nessa subtela, quando se aciona o sistema de combate). Não é à toa que, naquele momento em que saímos da “pausa” da simulação e comecei efetivamente a “voar” o caça, senti que ele estava um pouco lento nas acelerações e manobras.

Mas as impressões desse “voo” ficam para a segunda parte desta matéria  que publicaremos amanhã, junto com muitos detalhes da operação da tela única do Super Hornet, seu desenvolvimento e suas possibilidades. Não perca!

(clique aqui para acessar a segunda parte)

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