segunda-feira, agosto 2, 2021

Gripen para o Brasil

Boeing conclui novo laboratório no país

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

boeing logo noturno

ClippingNEWS-PAA Boeing pretende iniciar ainda este mês a operação do seu novo centro de pesquisa e tecnologia, o sexto fora dos Estados Unidos, que está sendo instalado no Parque Tecnológico de São José dos Campos. Desde setembro, os engenheiros da empresa trabalham em um espaço temporário cedido pelo parque, para desenvolver pesquisas nas áreas de biocombustíveis para aviação, gestão avançada de tráfego aéreo, metais e biomateriais.

O resultado da concorrência dos caças F-X2 da Força Aérea Brasileira (FAB), que favoreceu a empresa sueca Saab, com seu avião Gripen NG, não fizeram a Boeing mudar seus planos de investimentos de longo prazo no Brasil, afirmou Antonini Puppin Macedo, diretor de Operações e Coordenador de Pesquisas da empresa no Brasil.

“Estamos expandindo nossos projetos, pois conseguimos bons parceiros no país, onde vemos um grande potencial de crescimento na colaboração existente hoje com empresas e instituições de pesquisa e ensino, especialmente nas áreas de ciências do voo, energia, meio ambiente, materiais e educação em engenharia”, ressaltou.

Em 2013, a fabricante americana fechou três acordos com a Embraer, na área de biocombustível e cooperação para o desenvolvimento do avião de transporte militar KC-390 e para o fornecimento de sistemas para a aeronave Super Tucano. Também assinou dois acordos com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Com o Inpe, segundo Macedo, o foco da parceria é na área de sensoriamento remoto e agricultura de precisão para safras energéticas sustentáveis. “A ideia é envolver outras instituições e criar uma massa crítica nessa área, servindo de fonte para biocombustíveis sustentáveis para aviação”, comentou.

No caso do DCTA, Macedo explica que a Boeing tem interesse em promover uma interação entre o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e as universidades estratégicas americanas, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Califórnia Institute of Technology (Caltech) e a de Stanford.

A Boeing também estuda com o ITA a possibilidade de uma parceria na área de gestão de tráfego aéreo. Segundo o executivo, a Jeppesen, subsidiária da Boeing especializada em gestão de tráfego aéreo, está apoiando a empresa neste projeto no Brasil.

“A ideia é trazer ferramentas profissionais para o desenvolvimento do projeto e a instalação de um laboratório de simulação e análise de tráfego aéreo dentro do ITA”, afirmou Macedo.

Outro projeto estratégico da Boeing no Brasil está relacionado à Plataforma Brasileira de Bicombustível, lançada em agosto, com o objetivo de implementar uma cadeia de valor integrada de biocombustível e de energias renováveis. O projeto é uma iniciativa que conta com participação da Gol, General Electric, Amyris, Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO).

O primeiro voo com biocombustível, produzido a partir de óleo de cozinha e óleo de milho não comestível, foi realizado em outubro, em um avião Boeing 737-800, da Gol. “O próximo passo é viabilizar um novo voo comercial com biocombustível durante a Copa”, informou.

FONTE: Valor Econômico, via Notimp

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Carlos Alberto Soares

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