domingo, maio 22, 2022

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Rafale na Índia: primeiro esquadrão irá para base já atacada pelo Paquistão

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Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Primeiro esquadrão de Rafale na Índia será baseado em Ambala, que o Paquistão atacou nas guerras de 1965 e 1971 – dois esquadrões ocuparão bases fronteiriças ao Paquistão e dois irão para bases perto da China

Segundo notícia publicada no jornal “The New Indian Express” nesta segunda-feira, 22 de outubro, o primeiro esquadrão do programa MMRCA (aeronave de combate multitarefa de porte médio) será baseado em Ambala. Atualmente, a Índia negocia os custos do contrato de aquisição de 126 caças deste programa, estimados em 10,2 bilhões de dólares mas que poderão chegar a 20 bilhões, no qual foi selecionado para negociações exclusivas o Rafale, da fabricante francesa Dassault. A expectativa é que o contrato seja assinado até o final deste ano fiscal.

Um alto oficial da Força Aérea Indiana (IAF) informou ao jornal que “a IAF planeja estacionar o primeiro esquadrão do Rafale em Ambala”, acrescentando que os planos são para basear dois esquadrões do MMRCA no Comando Aéreo Oeste (Western Air Command – WAC) na fronteira com o Paquistão e dois esquadrões no Comando Aéreo Leste (Eastern Air Command – EAC) fronteiriços à China.

Sobre Ambala, a reportagem do jornal destacou, logo no início, que  a base situada em Haryana foi atacada pelo Paquistão tanto na guerra de 1965 quanto na de 1971. A base é uma das mais antigas e maiores das herdadas da Força Aérea Real britânica, e deverá receber reformas na pista e em edifícios da infraestrutura para acomodar os novos caças que, espera-se, entrarão no inventário da IAF em 2017. Atualmente, Ambala abriga jatos Jaguar (de origem britânica) e MiG-21 (de origem russa).

Próximos estágios do MMRCA

Já sobre o MMRCA, o jornal informou que, após o término das negociações do contrato, ainda restarão oito estágios, quatro dos quais sob responsabilidade do Ministério da Defesa. Haverá um “escrutínio” por parte do setor de Finanças da Defesa e por monitores independentes da Comissão Central de Vigilância (Central Vigilance Commission – CVC). Só então o acordo irá para o Ministério das Finanças e de lá para o Conselho Nacional de Segurança (National Security Council – NSC) e o Comitê do Gabinete para Segurança (Cabinet Committee on Security – CCS).

Recebimento de caças Su-30MKI no Oeste e no Leste

O Comando Aéreo Oeste recentemente introduziu um esquadrão de caças de linha de frente Sukhoi Su-30MKI na base de  Halwara, em Punjab. Com os jatos MiG-21 e MiG-27 programados para dar baixa nos próximos anos e os caças MiG-29 passando por um programa de modernização, a IAF precisa reforçar seus meios na região. Outro esquadrão de Su-30MKI deverá em breve ser introduzido pelo comando, sendo seguido pelos caças Rafale.

Já no setor Leste, a IAF também vem realizando um grande programa de desdobramento e atualização, tendo em vista a modernização que é feita pela China em seu lado da fronteira. Já foram introduzidos dois esquadrões de Su-30MKI, e também estão sendo melhoradas muitas das pistas de pouso (incluindo pistas avançadas). Além disso, a IAF pretende estacionar na região dois dos esquadrões do “ainda a ser adquirido” Rafale para contrapor a uma China em ascenção e mais agressiva.

FONTE: The New Indian Express (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTO DE BAIXO: Força Aérea Indiana

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Gilberto Rezende

A colocação dos dois primeiros esquadrões do lado do Paquistão confere um planejamento de renovação de acordo com o inventário dos inimigos.

O Rafale é mais que suficiente para dar conta do mix de aeronaves da aviação paquistanesa.

Assim a FAI prioriza seus Su-30 MKI para a fronteira chinesa embora mais adiante tanto Su-30MKI serão alocados para as bases da fronteira oeste, como Rafales serão alocados para as bases da fronteira leste.

Uma implantação cruzada…

Ivan

Olha o mapa aí gente!

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Ivan

Este outro mapa destaca com cores diferentes os países vizinhos:

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Ivan

A Índia tem problemas no noroeste com o Paquistão, ao longo de toda a fronteira, mas também ao norte com a China e Paquistão com disputas acirradas (acirradas significa na bala) em torno das altas montanhas da Caxemira. Um mapa simplificado que encontrei: Todos alegam questões históricas, culturais e até religiosas, mas acredito que a essência da luta naquelas montanhas inóspitas e geladas é pelo controle da água… que pode valer mais que petróleo no futuro. Na sua fronteira leste está o paupérrimo Bangladesh, que já foi Paquistão Oriental e separado deste em uma das primeiras guerras indupaquistanesas. Porém logo… Read more »

champs

Bom comentário Ivan, tenho a impressão que conflitos por água doce devem começar naquela região mas depois tendem a se estender para onde tem água doce em abundância, é nesse momento que poderemos sofrer as consequências da negligência com que é tratada nossas Forças Armadas hoje.

Sobre a Índia fazem muito bem em não ficar de braços cruzados vendo a China crescer. Com um regime que não é democrático não se pode esperar decisões sensatas, tudo vai depender do que pensa o partido comunista no momento.

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