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Índia: aquisições de caças demoram, mas as desativações não esperam

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Painel parlamentar que analisou situação da Força Aérea Indiana concluiu que ela está sofrendo carências críticas, principalmente em jatos de treinamento, mas também em caças – número de esquadrões deverá cair ainda mais com as desativações pelo fim da vida útil de aeronaves mais velhas, e a taxa de acidentes também é preocupante

Ontem (sábado, 14 de abril) publicamos matéria sobre um provável atraso na assinatura, pela Índia, do contrato para a aquisição de 126 caças Rafale, devido aos diversos procedimentos e inquéritos que precisam ser seguidos. E perguntamos aos leitores se, com essa eventual demora, um outro cliente externo poderia se tornar o primeiro a efetivamente assinar um contrato de compra do caça. Mas uma notícia de hoje mostra um panorama ainda mais complexo quanto à necessidade de novos caças, por parte dos indianos.

O jornal The Indian Express trouxe os resultados de um painel parlamentar, na Índia, sobre as condições da Força Aérea Indiana (IAF). Uma das conclusões é que a taxa de desativação de velhos caças como os MiG-21 e MiG-27, está sendo muito maior que a de incorporação de novos, como o russo Su-30 produzido na Índia, o LCA (Tejas, desenvolvido localmente), ou mesmo a planejada para caças ainda não contratados, como o MMRCA (avião de combate multitarefa de porte médio, competição na qual o francês Rafale foi o vencedor) ou o caça de quinta geração FGFA, ainda sendo desenvolvido em conjunto com a Rússia.

Em resumo, o painel parlamentar foi informado de que a IAF está sofrendo “deficiências críticas” de aeronaves de treinamento e simuladores, que esquadrões de caças estão sendo esgotados e alguns aeródromos não têm algumas instalações para pouso. A IAF possui hoje 34 esquadrões de caça e esse número, ao invés de crescer para a força já autorizada de 42 esquadrões, provavelmente vai cair para 31 durante o 12º período do planejamento, segundo informações fornecidas ao Comitê de Defesa do Parlamento em apresentação recente realizada por altos oficiais da IAF e do Ministério da Defesa. O que os oficiais ressaltaram como “extremamente aparente” é que o processo de ativação de caças não está sendo comensurável com o de desativação.

Quanto às aeronaves de treinamento, o Comitê foi informado que a IAF tem um requerimento para 181 aviões de treinamento básico (BTA), 85 para jatos treinadores intermediários (IJT) e 106 jatos de treinamento avançado (AJT). A Força Aérea Indiana não tem hoje um BTA porque a frota de aviões HPT-32 foi proibida de voar após um acidente fatal ocorrido em 31 de julho de 2009. Os aviões Kiran  estão sendo utilizados hoje para treinar os pilotos no estágio I, os pilotos do caça no estágio II, assim como os instrutores. Assim, entre as 434 aeronaves de treinamento HPT-32, Kiran e Hawk no inventário, apenas 255 estão disponíveis. E, à exceção do Hawk, os demais são muito velhos: o HPT-32 já acumula 28 anos de serviço e o Kiran, 39.

Também há uma carência de simuladores, pois de 46 existentes apenas 30 estão disponíveis. O Comitê foi informado de que “a crítica deficiência de aviões de treinamento e simuladores é responsável, até certo ponto, pela não adequada ênfase no treinamento, levando aos acidentes com aeronaves da Força Aérea”. Foram 11 acidentes no período 2007-08, 13 em 2008-09, 14 em 2009-2010, 14 em 2010-11 e 12 em 2011-12, sendo que problemas técnicos foram a causa de 37.7% dos acidentes.

Também foi destacado que, de 52 aeródromos operacionais, 10 não têm o AFLS (static electrical airfield lighting system – sistema de iluminação elétrica estática do aeródromo), o que impede o uso regular da pista para operações noturnas. Eram oito pistas nessas condições no ano passado, e hoje são dez.

O Comitê recomendou fortemente que, em todos os futuros projetos, as condições de dividir informações relativas a acidentes, para ajuda em casos de defeitos técnicos, deverá ser colocada no próprio contrato. Também foi solicitado um estudo comparativo a respeito dos acidentes, para ajudar definitivamente o país a tomar ações corretivas.

FONTE: The Indian Express (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

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Se fizerem um estudo destes na FAB, __________!

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