domingo, maio 16, 2021

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Rafale na Índia: primeiro esquadrão irá para base já atacada pelo Paquistão

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Primeiro esquadrão de Rafale na Índia será baseado em Ambala, que o Paquistão atacou nas guerras de 1965 e 1971 – dois esquadrões ocuparão bases fronteiriças ao Paquistão e dois irão para bases perto da China

Segundo notícia publicada no jornal “The New Indian Express” nesta segunda-feira, 22 de outubro, o primeiro esquadrão do programa MMRCA (aeronave de combate multitarefa de porte médio) será baseado em Ambala. Atualmente, a Índia negocia os custos do contrato de aquisição de 126 caças deste programa, estimados em 10,2 bilhões de dólares mas que poderão chegar a 20 bilhões, no qual foi selecionado para negociações exclusivas o Rafale, da fabricante francesa Dassault. A expectativa é que o contrato seja assinado até o final deste ano fiscal.

Um alto oficial da Força Aérea Indiana (IAF) informou ao jornal que “a IAF planeja estacionar o primeiro esquadrão do Rafale em Ambala”, acrescentando que os planos são para basear dois esquadrões do MMRCA no Comando Aéreo Oeste (Western Air Command – WAC) na fronteira com o Paquistão e dois esquadrões no Comando Aéreo Leste (Eastern Air Command – EAC) fronteiriços à China.

Sobre Ambala, a reportagem do jornal destacou, logo no início, que  a base situada em Haryana foi atacada pelo Paquistão tanto na guerra de 1965 quanto na de 1971. A base é uma das mais antigas e maiores das herdadas da Força Aérea Real britânica, e deverá receber reformas na pista e em edifícios da infraestrutura para acomodar os novos caças que, espera-se, entrarão no inventário da IAF em 2017. Atualmente, Ambala abriga jatos Jaguar (de origem britânica) e MiG-21 (de origem russa).

Próximos estágios do MMRCA

Já sobre o MMRCA, o jornal informou que, após o término das negociações do contrato, ainda restarão oito estágios, quatro dos quais sob responsabilidade do Ministério da Defesa. Haverá um “escrutínio” por parte do setor de Finanças da Defesa e por monitores independentes da Comissão Central de Vigilância (Central Vigilance Commission – CVC). Só então o acordo irá para o Ministério das Finanças e de lá para o Conselho Nacional de Segurança (National Security Council – NSC) e o Comitê do Gabinete para Segurança (Cabinet Committee on Security – CCS).

Recebimento de caças Su-30MKI no Oeste e no Leste

O Comando Aéreo Oeste recentemente introduziu um esquadrão de caças de linha de frente Sukhoi Su-30MKI na base de  Halwara, em Punjab. Com os jatos MiG-21 e MiG-27 programados para dar baixa nos próximos anos e os caças MiG-29 passando por um programa de modernização, a IAF precisa reforçar seus meios na região. Outro esquadrão de Su-30MKI deverá em breve ser introduzido pelo comando, sendo seguido pelos caças Rafale.

Já no setor Leste, a IAF também vem realizando um grande programa de desdobramento e atualização, tendo em vista a modernização que é feita pela China em seu lado da fronteira. Já foram introduzidos dois esquadrões de Su-30MKI, e também estão sendo melhoradas muitas das pistas de pouso (incluindo pistas avançadas). Além disso, a IAF pretende estacionar na região dois dos esquadrões do “ainda a ser adquirido” Rafale para contrapor a uma China em ascenção e mais agressiva.

FONTE: The New Indian Express (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTO DE BAIXO: Força Aérea Indiana

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Gilberto Rezende

A colocação dos dois primeiros esquadrões do lado do Paquistão confere um planejamento de renovação de acordo com o inventário dos inimigos.

O Rafale é mais que suficiente para dar conta do mix de aeronaves da aviação paquistanesa.

Assim a FAI prioriza seus Su-30 MKI para a fronteira chinesa embora mais adiante tanto Su-30MKI serão alocados para as bases da fronteira oeste, como Rafales serão alocados para as bases da fronteira leste.

Uma implantação cruzada…

Ivan
Ivan

Este outro mapa destaca com cores diferentes os países vizinhos:

https://beityaacov2010.wikispaces.com/file/view/mapa-da-india-4.gif/180060117/mapa-da-india-4.gif

Ivan

A Índia tem problemas no noroeste com o Paquistão, ao longo de toda a fronteira, mas também ao norte com a China e Paquistão com disputas acirradas (acirradas significa na bala) em torno das altas montanhas da Caxemira. Um mapa simplificado que encontrei: https://www.grupoescolar.com/a/b/B9188.gif Todos alegam questões históricas, culturais e até religiosas, mas acredito que a essência da luta naquelas montanhas inóspitas e geladas é pelo controle da água… que pode valer mais que petróleo no futuro. Na sua fronteira leste está o paupérrimo Bangladesh, que já foi Paquistão Oriental e separado deste em uma das primeiras guerras indupaquistanesas. Porém… Read more »

champs

Bom comentário Ivan, tenho a impressão que conflitos por água doce devem começar naquela região mas depois tendem a se estender para onde tem água doce em abundância, é nesse momento que poderemos sofrer as consequências da negligência com que é tratada nossas Forças Armadas hoje.

Sobre a Índia fazem muito bem em não ficar de braços cruzados vendo a China crescer. Com um regime que não é democrático não se pode esperar decisões sensatas, tudo vai depender do que pensa o partido comunista no momento.

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