-

Demonstrador, designado como 39-7, tornou-se efetivamente a plataforma de testes de aviônicos do Gripen E/F

 -

Segundo matéria do site AIN Online, a Saab levou seu Gripen de nova geração à recente feira internacional de Farnborough, na Inglaterra, não como um demonstrador de novas tecnologias em potencial. Isso já foi feito antes. Desta vez, a aeronave foi como um protótipo de sistemas para o planejado Gripen NG de produção, ou o Gripen E/F, como é também conhecido.

Designado como 39-7, o Gripen biposto tem novos aviônicos e novo painel instalado, e logo antes de chegar ao evento recebeu o radar AESA (varredura eletrônica ativa) Selex Galileo ES-05 Raven, em seu padrão completo, com o reposicionador da antena. Assim, o 39-7 tornou-se a plataforma de testes de aviônicos do Gripen E/F.

Para o final do ano que vem, a Saab tem planejado o primeiro voo de um protótipo completo do Gripen E/F, que receberá a designação 39-8. Será uma aeronave construída nova, dentro do padrão modernizado. Apesar da configuração final do Gripen E/F ainda estar para ser decidida, os principais elementos já foram selecionados: o jato terá um motor General Electric F414, possivelmente da versão EPE mais potente, uma fuselagem maior, com mais capacidade de combustível, e pilones de armamentos adicionais.

Após a entrega do radar Raven, as instalações da Selex Galileo de Nerviano deverão entregar, no final de 2012, o primeiro sistema Skyward G de busca e acompanhamento infravermelho. O sistema também deverá ser instalado no 39-7 para testes programados para o início do ano que vem. Segundo a reportagem do AIN Online, o Skyward G dá ao Gripen E/F uma sofisticada capacidade de acompanhamento de alvos múltiplos, podendo lidar com 200 alvos. Sua capacidade de varredura combina com a do radar, em azimute, e o sistema pode ser usado também para imageamento dos alvos e como um auxílio ao voo, produzindo uma imagem móvel no visor montado no capacete.

Um sistema desenvolvido para o Gripen E/F e que já foi testado em terra é o identificador amigo-inimigo (IFF) avançado SIT426, desenvolvido pela Selex Galileo. Porém, sua incorporação a uma célula de Gripen só deverá ocorrer no JAS 39E/F de início de produção, programado para voar em dezembro de 2014. Como se trata de um sistema separado do radar, ele não afeta o desenvolvimento do programa, na medida em que os testes em terra cumpriram a maior parte dos requerimentos do programa IFF.

Alinhamento sueco-suíço

A Suécia comprometeu-se com o JAS 39E/F, com pedidos que deverão compreender entre 60 e 80 aeronaves. Ainda há um processo político a ser seguido, mas o planejamento é que gradualmente as novas aeronaves substituam a frota existente das versões C/D, o que está programado para o período 2020 – 2030. É provável que todos sejam da versão monoposta JAS 39E.

Já o requerimento suíço é para 22 jatos, que deverão substituir o Northrop F-5. O processo político envolve a ratificação por parte das duas câmaras do Parlamento Suíço, e deverá também incluir um referendo público. Espera-se que esses processos sejam concluídos em 2014.

A Saab prometeu entregar o primeiro Gripen E/F quatro anos após a assinatura do contrato, mas não abandonou a possibilidade de acelerar esse desenvolvimento se algum cliente solicitar uma entrega antecipada. A Suécia e a Suíça já alinharam seus requerimentos para a produção de uma aeronave numa configuração básica comum, e esperam que a capacidade de operação inicial (IOC) seja atingida em 2018.

As aeronaves Gripen NG deverão, segundo a reportagem, ser construídas novas de fábrica, embora alguns elementos dos JAS 39C/D existentes sejam reutilizados, especialmente as asas. A AIN Online informou que isso seria possível devido ao projeto do Gripen E/F, que alarga a fuselagem para conseguir uma área de sustentação maior ao invés de alargar a área das asas.

Versão C/D continua a ser ofertada ao mercado

Nesse meio-tempo, a Saab continua a comercializar o atual Gripen C/D, destacando seu bom desempenho e o baixo custo de sua hora de voo, além de apoiar clientes atuais. A Hungria recentemente renovou seu “leasing” do Gripen para 2026, e negociações estão em andamento na República Tcheca para o mesmo fim. A Tailândia deverá receber seu segundo lote de seis caças no próximo ano, e a maior parte deles já está voando na Suécia.

A África do Sul deverá receber seus últimos jatos nos próximos meses, e no início do ano começaram as operações com o pod de reconhecimento DJRO (digital joint reconnaissance pod) da Thales. Oficialmente, todos os caças já foram entregues, mas quatro permaneceram na Suécia para que a África do Sul pudesse participar do exercício “Lion Effort” , que em maio reuniu operadores do Gripen na base sueca de Ronneby.

Quanto a novas oportunidades de vendas, o Brasil é a mais óbvia das que a Saab vem perseguindo. Se ganhar essa disputa com o Rafale e o F-18, é possível que outras oportunidades se abram na América Latina. Do outro lado do mundo, é possível que a Tailândia encomende um terceiro lote, enquanto na Malásia o Gripen pode ser um substituto para os russos MiG-29. Outras possibilidades no Extremo Oriente estão nas Filipinas, Indonésia e Vietnã. É possível, também, que países do leste europeu abram novas competições de caças.

Sea Gripen

O escritório da Saab no Reino Unido continua a realizar o trabalho conceitual numa versão do caça capaz de operar em porta-aviões, o Sea Gripen. Os alvos são Índia e Brasil. O trabalho para redução do risco do Sea Gripen deverão continuar até o ponto de um conceito de avaliação, quando se deverá “estacionar” esse desenvolvimento, segundo uma autoridade da Saab, aguardando novos desenvolvimentos.

FONTE: AIN Online (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

VEJA TAMBÉM:

Tags: , , , ,

About Fernando "Nunão" De Martini

View all posts by Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

11 Responses to “Novidades do Gripen: protótipo 39-8 da versão E/F deverá voar em 2013” Subscribe

  1. Augusto 25 de julho de 2012 at 0:55 #

    Segundo o porta-voz do Pentágono, está definitivamente resolvido o problema dos F-22: http://www.bloomberg.com/news/2012-07-24/oxygen-problem-with-f-22-now-solved-pentagon-s-little-says.html

  2. Augusto 25 de julho de 2012 at 1:46 #

    Sobre o Gripen… é muita idiotice o Brasil perder uma chance dessas.

  3. Vader 25 de julho de 2012 at 7:49 #

    Data marcada para acabarem-se os argumentos da corja rafalítica.

  4. Nick 25 de julho de 2012 at 7:55 #

    Mais uma oportunidade perdida para lamentar daqui 20 anos.

    []‘s

  5. champs 25 de julho de 2012 at 9:23 #

    Com esta configuração que o Gripen E/F esta projetando seria um excelente caça para a FAB, mas como único caça padrão nos próximos 30 anos acho pouco, Rafale e SH são melhores nestas condições, agora num HI-Low ele é imbatível.
    .
    Meu sonho de consumo até 2025:
    72 Gripens E/F operando no litoral [Canoas(2), Santa Cruz(2) e Natal(1)]
    32 Su-35S ou SH E/F operando no continente [Anapólis(1) e Manaus(1)]
    16 PAK-FA ou F-35 dissuasores [Anápolis(1)]
    .
    (quant. de esquadrões)

  6. Fernando "Nunão" De Martini 25 de julho de 2012 at 9:27 #

    Basicamente, essa matéria completa as informações corrigidas que o Poder Aéreo pegou junto à Saab em maio (após termos divulgado uma matéria com informação incorreta). Em maio, o que faltava era uma definição sobre o voo do 39-8:

    “Segundo Wilkinson, o demonstrador da nova geração do Gripen participou de duas fases de demonstração, a primeira envolvendo principalmente o novo tanque de combustível interno combinado ao reposicionamento do trem de pouso, e a segunda fase relativa aos novos sistemas de radar, SATCOM (comunicação por satélite) e RWR (receptor de alerta radar). A fase de demonstração foi finalizada e a aeronave, que recebeu a denominação 39-7, entrou para a fase de certificação, dentro do programa de desenvolvimento das novas versões do caça sueco.

    Assim, o código 39-7 não denomina uma nova aeronave de testes, e sim o próprio avião que antes cumpria o papel de demonstrador e que, agora, entra para a fase de certificação do programa da nova geração do Gripen.

    Nesta nova fase, o 39-7 deverá receber a nova versão do radar AESA, conforme já noticiado, para iniciar a campanha de certificação do radar, dos aviônicos e do sistema IRST (busca e acompanhamento por infravermelho). Uma nova aeronave, denominada 39-8 e nova de fábrica, deverá se juntar à campanha para a certificação de outros itens que compõem a nova geração do caça, como as novas asas e outras mudanças estruturais que foram demonstradas nas fases anteriores. Segundo as informações corrigidas trazidas por Wilkinson, a aeronave 39-8 encontra-se atualmente em projeto, e não em produção, e a data de sua finalização e primeiro voo ainda deverá ser divulgada.

    Demais informações trazidas pela matéria, como as negociações envolvendo a aquisição de aeronaves Gripen E/F de série pela Suécia e pela Suíça, assim como as modificações já cumpridas e demonstradas em relação à versão anterior, não receberam correções por parte da Saab.”

    Ao que parece, de dois meses para cá o que foi dito como informação correta está sendo realizado e definiram a meta para voo do 39-8. Vale a pena reler as duas matérias de maio, a inicial (que traz outras informações que não precisaram ser corrigidas) e a retificação.

    http://www.aereo.jor.br/2012/05/22/primeiro-gripen-ef-de-testes-ja-esta-montado-e-voara-no-meio-do-ano/

    http://www.aereo.jor.br/2012/05/25/saab-esclarece-e-corrige-informacoes-de-materia-do-poder-aereo-sobre-o-gripen/

    Já na nova matéria, o que estranhei um pouco foi a informação sobre aproveitamento da asa da versão C/D. Entendi que a raiz das asas / junção com a fuselagem é que deverá responder pelo aumento da envergadura e da superfície capaz de gerar sustentação. Mas acreditava que, devido à maior capacidade de carga de armamentos (a não ser que esse aumento fique restrito aos novos pilones da fuselagem) seria necessário uma nova estrutura da asa, reforçada:

    http://www.aereo.jor.br/2010/10/22/diretor-da-saab-no-brasil-esclarece-detalhes-do-gripen-demo-e-sea-gripen/

    Reprojeto que, segundo informações de tempos atrás, foi justamente um dos trabalhos da Akaer:

    http://www.aereo.jor.br/2010/10/20/entregue-primeiro-desenho-de-producao-do-gripen-ng-feito-no-brasil/

  7. Fernando "Nunão" De Martini 25 de julho de 2012 at 10:31 #

    Champs, complementando seu comentário:

    Independentemente do escolhido para o F-X2, a tendência bem clara é que, daqui a 15 anos, os caças de 4,5 geração acabem formando o “low” do “hi-low” mix das forças aéreas do mundo que estão desenvolvendo a quinta geração, ou de coalizões de forças aéreas com eles equipados com outras que tenham a quinta geração. Ainda assim, há forças aéreas respeitáveis que terão só caças de 4,5 geração formando sua aviação de caça, caso da França e da Suécia, por exemplo. Mas isso não quer dizer que a quinta geração seja a “proteção” da 4,5. Há casos diversos de emprego. O F-35, por exemplo, em forças aéreas como a do Reino Unido poderá ser daqui a 15 anos mais voltado ao “ataque do primeiro dia” do que a defesa aérea, que é a tarefa de um 4,5 geração, o Typhoon (sem falar na operação muito mais naval do F-35).

    Já a nossa necessidade de um quinta geração é algo discutível, dentro dos próximos 15 anos. Mas isso já é uma outra discussão.

    O que eu acharia estranho é, após recebermos um lote de 36 aeronaves de um dos vencedores do F-X2, o que para seria o suficiente para reequipar dois esquadrões com 18 caças cada um, continuássemos recebendo mais e mais e mais lotes para reequipar inteiramente nossa força de caças com esse modelo de 4,5 geração, isso pensando num processo que terminaria já no limiar da década de 2030, daqui a quase 20 anos. Acho que mais um lote de 36 seria o suficiente. A não ser que o modelo escolhido passasse por um desenvolvimento realmente interessante ao longo dos próximos 15 anos, para que um último lote destinado a substituir os A-1 fosse realmente compatível com a tecnologia que estará voando em 2030 nos cenários previstos de operação (seja aqui na região, seja em coalizões). Os 4,5 geração estarão operando nesse cenário, é certo, mas com a mesmíssima tecnologia de 2012?

    Assim, acredito como você que um total de 72 caças de 4,5 geração (os três concorrentes do F-X2), seria um número bastante interessante. Um segundo lote de 36 caças, para completar esse número de 72, poderia ser recebido já no início da próxima década, reequipando mais dois esquadrões com 18 aeronaves cada.

    Para completar a substituição do equipamento atual modernizado / em modernização, na forma do último representante que será o A-1M (operando em três esquadrões hoje, o que também pode mudar com o tempo), valeria a pena ter algo para formar o “hi”. E faz sentido que esse “hi”, por volta de 2025-2030, tenha mais a ver com a tecnologia a ser colocada em voo nos próximos 15 anos do que a que vem sendo desenvolvida nos últimos 15. Seria um bom uso do que se espera receber e desenvolver de “know how” e até de “know why” a partir do F-X2.

  8. champs 25 de julho de 2012 at 21:20 #

    Coerente seu raciocínio Nunão, complementando minha projeção no comentário anterior ao seu raciocínio:
    .
    - O A-1 não voltaria para a 1ª linha, passaria para a conversão e seria substituído pelo SU-35S ou SH E/F que tem uma capacidade de ataque infinitamente superior com a vantagem de ser multifuncional.
    - O F-5 seria substituído pelo Gripen NG como caça tático.
    - A 5ª geração, mesmo em pequena quantidade, seria uma forma de manter a Força Aérea atualizada na guerra aérea moderna.
    .
    Do jeito que somos lentos pra tomar uma decisão é capaz que a 5ª geração só chegue aqui em 2045 pra substituir o FX-2.
    Passando de 2025 não faz sentido comprar caça de 4,5ª geração, por isso acho necessário o A-1 sair de linha mas cedo, senão o que veremos é justamente isso que você colocou, lotes do FX-2 em 2030. Acho difícil uma grande modernização considerando que estes caças já são modernizações da 4ª geração.

  9. DrCockroach 26 de julho de 2012 at 14:49 #

    E a pobre Suica fez uma bela escolha considerando custo-beneficio; lembrei de materia recente da Forbes de que, no mundo, os recem graduados na Suica sao os que podem esperar o salario mais alto…

    http://www.forbes.com/sites/meghancasserly/2012/07/13/who-are-the-worlds-most-expensive-employees/

    []s!

  10. Nautilus 16 de outubro de 2012 at 19:29 #

    Para aqueles que diziam que o Gripen NG não tinha “nem um protótipo”, que o avIão não existia, etc. Está aí a resposta. Além disso, esses “especialistas” esqueciam do fato de o F-5E, que atendeu e continua atendendo muito bem nossa FAB, devidamente modernizado, também nunca teve um protótipo, tendo sido desenvolvido a partir de um avião pré-existente, o F-5A. Exatamente como aconteceu com o Gripen E/F. Espero que o Governo se decida por esta fantástica aeronave de combate. Sobre o número ideal de F-X2 a ser adquirido, fala-se em um ideal de 79 aeronaves, prevendo a taxa de atrito projetada.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Controvérsia sobre custo do Gripen E/F, na Suécia, respinga na mídia suíça | Poder Aéreo - Informação e Discussão sobre Aviação Militar e Civil - 17 de agosto de 2012

    [...] Novidades do Gripen: protótipo 39-8 da versão E/F deverá voar em 2013 [...]

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.

F-16 portugueses interceptam aeronaves russas (e não foi no Báltico)

Defesa de Espaço aéreo de responsabilidade nacional: duas aeronaves da Força Aérea Portuguesa (FA) realizaram uma missão de defesa aérea […]

Gripen para a FAB: Câmara questiona preço dos caças

Deputados convocam ministro da Defesa para explicar aumento de US$ 900 milhões no valor do contrato para compra de 36 […]

Índia quer novas negociações para quebrar impasse do Rafale, enquanto Eurofighter espreita

Impasse é devido a garantias sobre as 108 aeronaves que serão fabricadas na Índia, no programa MMRCA de 126 caças Rafale. […]

Para jornal indiano, contrato do Gripen no Brasil abre portas para versão naval na Índia

Segundo reportagem publicada pelo jornal indiano Business Standard na quinta-feira, 30 de outubro, a decisão brasileira de comprar o caça […]

Embraer certifica empresa colombiana para modernizar Tucanos

A Embraer certificou a Corporação da Indústria Aeronáutica Colombiana (CIAC) como centro de serviço mundial para modernizar os aviões Tucano T-27, informou […]

Compre agora sua revista Forças de Defesa número 11

Outra revista igual a essa, só daqui a 100 anos! A Revista Forças de Defesa 11ª edição de 140 páginas na versão impressa […]