domingo, maio 16, 2021

Gripen para o Brasil

Gripen E terá fuselagem mais longa

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Gripen F em Axalp - foto 3 Depto de Defesa da Suíça

Integração entre os sistemas de radar e de contramedidas é outra novidade do protótipo do Gripen E, atualmente em construção nas instalações da Saab em Linköping, na Suécia

Reportagem do jornal sueco  NyTekni publicada no mês passado trouxe uma entrevista com o chefe da área de produção da Saab, Ulf Nilsson. Resumimos abaixo algumas das principais informações divulgadas por Nilsson em relação ao protótipo do Gripen E, que recebeu a numeração de fábrica 39-8.

A aeronave teve sua produção iniciada recentemente e, juntamente com outros dois protótipos a serem construídos (39-9 e 39-10), prosseguirá a campanha de testes que hoje conta com apenas um jato, o 39-7 (anteriormente designado demonstrador, por ser utilizado para demonstrar a viabilidade da nova geração do Gripen, e agora servindo como avião de testes).

Ulf Nilsson - foto NyTeknikSegundo Nilsson, o jato 39-8 está sendo produzido nas principais instalações da Saab em Linköping, na Suécia, com uma célula totalmente nova de alumínio e materiais compostos. Para equipar a célula, serão reutilizados vários sistemas do Gripen C, destacando-se o sistema hidráulico, parte do sistema de combustível e o assento ejetável.

O comprometimento com o programa e com o Governo Sueco é tal que, segundo Nilsson, a montagem da nova fuselagem foi iniciada no tradicional mês de férias da indústria sueca, julho. Mesmo em plenas férias da indústria, todas as partes necessárias já chegaram.

A principal diferença do jato 39-8 para o atual 39-7 utilizado por alguns anos como demonstrador, e que é uma conversão de um biposto Gripen D (por sua vez convertido a partir de um Gripen B), no que se refere ao programa, é que o 39-7 foi empregado para demonstrar tecnologias e práticas. Agora, a tecnologia está sendo implementada com a utilização integral de nova metodologia. O Gripen E (designação do modelo monoposto) deverá incluir novo radar e motor, e sua célula será mais longa e mais pesada. Nilsson afirmou que a fuselagem é mais comprida devido a questões de equilíbrio. A aeronave deverá ser equipada com o novo motor e o novo radar.

Gripen com Raven ES-05 AESA - foto SAAB

radar Raven ES-05 com Skyguard no alto - Laad 2011 - foto 2 Nunão - Poder Aéreo

Outra novidade é que o sistema de contramedidas e o sistema de radar foram integrados para trabalharem juntos, no que se chama MFS, ou “Multifunction System” (sistema multifunção). Na prática, isso dá “olhos na retaguarda” para o piloto quando ele precisa se defender de um ataque. Nilsson afirmou que se trata de um grande passo tecnológico.

O jato 39-8 será propriedade do Governo Sueco. Perguntado sobre o comprometimento da Suécia com o programa, em caso da venda de 22 jatos Gripen E para a Suíça não se concretizar, Nilsson respondeu que nada mudaria, afirmando que há um compromisso junto ao Governo Sueco para completar o trabalho.

FONTE: NyTeknik (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em sueco)

FOTOS: Departamento de Defesa da Suíça, Saab, NyTeknik e Poder Aéreo

NOTA DO EDITOR: quanto ao parâmetro de comparação para a fuselagem mais longa, isso não está muito claro no texto original, que a compara simplesmente à do “NG”, o que dá margem a mais de uma interpretação (vale lembrar que o texto original está escrito em sueco, o que também traz dificuldades para nossa tradução para o português).

Isso porque “NG” é tanto a forma promocional de designar a nova geração do Gripen (operacionalmente E/F) quanto a maneira pela qual costuma-se chamar o atual jato 39-7,  convertido a partir  de um Gripen D (biposto) e chamado, durante anos, de demonstrador do Gripen NG. Este, por ser biposto, já tem uma fuselagem mais longa que a do atual monoposto operacional, o C. Como o acordo de desenvolvimento do novo caça está focado no modelo monoposto, a ser designado Gripen E, pode-se supor que o citado comprimento maior toma, como comparação, o atual monoposto Gripen C, e não o biposto.

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Nick

E pensar que a Embraer, Akaer, Mectron e outras indústrias nacionais poderiam estar envolvidas na produção dos componentes desse 1º protótipo do Gripen E…. [Facepalm]

[]’s

Clésio Luiz

Vamos ver se esse alongamento da fuselagem (provavelmente para o mesmo comprimento do biposto) seja acompanhado de um aumento do tanque central da fuselagem. Isso seria muito benéfico para um caça pequeno como o Gripen.

Guilherme Poggio

O que já foi dito é que o aumento da fuselagem será acompanhado de um aumento da envergadura para manter a relação entre ambos.

Justin Case

Amigos,

Segundo os comentários acima, será mais longo, mais largo, mais pesado; mas terá a mesma área alar e o mesmo tamanho nas superfícies de controle.
Resultado lógico: pior desempenho aerodinâmico.
Em algumas situações, como na recuperação ou manutenção de energia, o motor mais potente pode compensar. Em outras, como na manobrabilidade, não.
Abraços,

Justin

Guilherme Poggio

Segundo os comentários acima, será mais longo, mais largo, mais pesado; mas terá a mesma área alar e o mesmo tamanho nas superfícies de controle.
Resultado lógico: pior desempenho aerodinâmico.

Verdade Justin

Por isso imagino que eles queiram manter a relação comprimento/envergadura aumentando a envergadura também.

Já que o assunto é este. Naquele post que eu coloquei sobre o Sea Harrier FA2, este ficou mais comprido que o FRS1 (que era muito próximo do AV-8A do USMC). Porém, segundo uma entrevista com o piloto, este comprimento pouco afetou o desempenho aerodinâmico da nova versão.

Clésio Luiz

Complementando o comentário do Nunão, outra aeronave que teve melhora na agilidade foi o F-5, do A para o E, por exemplo, houve aumento da largura da fuselagem. Houve também um aumento no LERX, mas a maior parte do aumento da área alar veio do alargamento da fuselagem. Somado a motores mais potentes, resultou em grande melhora na agilidade e desempenho geral. E não é preciso nem comentar o salto que foi o F-5G/F-20.

Justin Case

Nunão,

Não creio que vá existir uma mudança de conceito em termos de comandos de voo, como aquela que foi consequente ao à concepção de um “fly by wire” suficientemente confiável. Aquela evolução não foi exatamente relativa ao método de controle, mas à possibilidade de se voar com estabilidade estática neutra (com o CG próximo ao CP), aproveitando ao máximo a sustentação. Acho que isso o Gripen já faz desde sua versão original, como todos os caças de quarta geração.
Abraço,

Justin

Marcos

A aeronave pode ou não ganhar mais área de asa, pode ou não perder manobrabilidade, mas considerando-se que haja alguma perda, ainda assim a aeronave poderá ser mais manobrável que os concorrentes.

Marcos

Piloto da AviationWeek testa Airbus A-400M:

>> http://www.youtube.com/watch?v=oRQw7T4eUD4

Joner

Essa “era” minha opção para a FAB, depois do F-16 (questão de produção em serie, disposição de peças), mas o Brasil perdeu esse bonde, como é de costume.
Bom para nós, barato de adquirir, barato de operar, na realidade, muito bom para nós, e para que raio de ação maior, basta posicionar as bases de maneira adequada!

rommelqe

Manter a mesma asa não significa, obrigatoriamente, que serão mantidas as mesmas dimensões. Pode ser que se esteja falando em manter a mesma geometria. As famílias de perfis NACA são um exemplo desta suposição – representam geometrias chamadas homotéticas. Isso vale para a relação envergadura/comprimento da fuselagem, carnards, superfícies de controle em geral. Mas isso também não significa que a dinâmica de voo seja obtida por mera extrapolação, pois as relações de escala, step-ups, distribuição de massas, potências dos motores etc podem e serão certamente fatores mandatórios a serem verificados/certificados nos protótipos. Olhando deste ponto de vista, a Saab estaria… Read more »

Hamadjr

Isto não impede de ser o caça adequado para FAB

Joner

Concordo que o NG é um bom projeto, e será um bom caça, inclusive acredito que devido a seus custos, seria uma boa para o Brasil, mas não posso concordar em dizer que pode oferecer o mesmo que o SH ou Rafale. Os americanos tem AESA, só ai o resto do mundo esta alguns anos atrás, os caças bi motores oferecem um certo nível de segurança e resposta que um mono motor não pode oferecer, mas por isso, obviamente paga-se mais. Resumindo, tem dinheiro? Vá de SH, não tem? Vai de F-16! Não tem mas deseja participar do seleto grupo… Read more »

Antonio M

Na família Mirage eram relativamente comuns o mesmo caça com versões de fuselagens alongadas/modificadas.

Vader

Acho complicado comparar o Gripen E com o Super Hornet. Do ponto de vista aerodinâmico não tem nada a ver um com outro. Na verdade quanto a este aspecto o NG deve ser comparado ao Rafale e Typhoon.

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