sexta-feira, junho 18, 2021

Gripen para o Brasil

Lion Effort 2015: acidente no pouso com Gripen D da Força Aérea da Hungria

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Lion Effort 2015 - Gripen tcheco e hungaro - foto 3 via Base Aérea Caslav Rep Tcheca

Pilotos ejetaram e não se feriram. Segundo nota do Ministério da Defesa Húngaro, a aeronave ultrapassou a pista durante o pouso

Nota divulgada pelo Ministério da Defesa Húngaro às 16h37 (hora local da Hungria) desta terça-feira, 19 de maio, informou sobre acidente ocorrido com jato Gripen JAS-39D (biposto) que participa do exercício multinacional Lion Effort 2015 na República Tcheca.

Segundo a nota, cinco caças Gripen da Força Aérea Húngara participam desde 11 de maio do exercício. O acidente de hoje ocorreu à tarde, quando o caça inexplicavelmente ultrapassou a pista durante o pouso. Seguindo os protocolos de segurança, os dois pilotos decidiram ejetar, e não se feriram. Seguindo o procedimento padrão, foram submetidos a exames médicos.

Na nota, os pilotos foram identificados como o general brigadeiro Ugrik Csaba e o major Gróf Gergely. Está em andamento uma avaliação dos danos e o exame do acidente pelas autoridades competentes, e o Ministério da Defesa deverá fornecer informações adicionais quando forem completadas as investigações.

Lion Effort 2015 - Gripen hungaro - foto via Base Aérea Caslav Rep Tcheca

FOTOS: (em caráter meramente ilustrativo): Ministério da Defesa da República Tcheca – a imagem do alto mostra linha de voo que inclui os cinco caças Gripen húngaros participantes do Lion Effort 2015, com o modelo biposto (indicativo 43) em primeiro plano. A segunda foto mostra a mesma aeronave em voo.

ATUALIZAÇÃO: a foto abaixo, creditada a J. Vostarek / AP, foi divulgada pela Rádio Sueca (Sverige Radio) como sendo do Gripen húngaro acidentado durante o pouso na Base Aérea de Caslav, na República Tcheca.

Gripen húngaro acidentado no Lion Effort 2015 na Rep Tcheca - foto J Vostarek - AP via Sverige Radio

Já estas outras imagens, mostrando mais o panorama, são também creditadas a J. Vostarek / agência de notícias tcheca CTK. Ambas foram divulgadas pelo site Novinky, em reportagem que trouxe a informação de que os freios não teriam funcionado durante o pouso e que, ao chegar ao final da pista, os tripulantes ejetaram seguindo o procedimento padrão.

Gripen húngaro acidentado no Lion Effort 2015 na Rep Tcheca - foto CTK via Novinky Gripen húngaro acidentado no Lion Effort 2015 na Rep Tcheca - foto 2 CTK via Novinky

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Pangloss

É normal que oficiais generais tripulem aviões de caça?

Clésio Luiz

Nada que super bonder e um pouco de paciência não resolvam…

Mas falando sério, a quebra da fuselagem logo atrás dos pilotos não é uma imagem muito bonita não. Será uma fraqueza do projeto do biposto? O monoposto que se acidentou em 1989 me parece ter sofrido uma capotagem muito pior e a fuselagem permaneceu íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=k6yVU_yYtEc

Guilherme Poggio

Quebrar a fuselagem logo atrás do cockpit parece ser algo comum dos caças modernos e principalmente de projetos de caças em delta. Lembro que a Dassault não recomendava o pouso do Mirage com trem recolhido, pois no toque com o solo a fuselagem quebraria exatamente no ponto do cockpit e dificilmente o piloto sobreviveria. Mas como toda a regra possui sua exceção, teve um caso de um piloto israelense de Mirage que se ejetou pouco antes do avião atingir o solo. O planeio foi tão perfeito que o avião chegou inteiro ao chão. O Mirage foi reconstruído, voltou a voar,… Read more »

Marcos

Mig 29 se rompendo logo atrás da cabine:

https://www.youtube.com/watch?v=XhyUSnzClGk

Clésio Luiz

Mas Marcos, ali ele foi decapitado pela asa do outro aparelho. Resistência é uma coisa, ser Highlander é outra 🙂 A última foto que o Nunão postou é de uma queda de um Mirage 2000D no Afeganistão. Não sei porque, usaram explosivos para separar as asas da fuselagem, para depois tirá-lo dali. Me parece ser uma aterrissagem no deserto, pois a se tivesse rolado, as asas e a deriva estariam muito danificados. Poggio, teve também aquele caso do F-106 que entrou em parafuso chato, o piloto ejetou, com a ejeção ele entrou em voo plano e ao término do combustível,… Read more »

Alfredo Araujo

Uma dúvida…
A Hungria opera o Gripen por leasing. Quem arca com o preju ? Ou isso seria uma informação secreta ?

Vader

Toda a pinta de ter sido barbeiragem do tal brigadeiro…

O caça foi PT (perda total). Não serve nem pra empalar…

Marcos

Se há um leasing, muito provável há um seguro.

Guilherme Poggio

Ótima história Clésio.

Quem não se lembra do caso de corrosão do longeron do F-15? A parte frontal da fuselagem saiu voando. Baita susto para o piloto, que conseguiu ejetar-se.

Isso abaixo não é foto do incidente não. Apenas a simulação do que eventualmente ocorreu.

HMS TIRELESS

De toda forma, é importante ressaltar que a taxa de atrito do Gripen é baixa. E até onde sei nenhum piloto faleceu.

Anderson Petronio

Até a paisagem é bonita nesse acidente.
Falo isso apenas porque não houve vítimas fatais.

Pergunta para os entendidos: Há chance dessa aeronave retornar? Ou é melhor transformar em monumento, ou vai direto pra prensa virar panela?

sergiocintra

A falha estrutural nesse local, teria um componente agravante – sem excluir os demais – que seria agravada, pela detonação da cadeira de ejeção?

Elezer Puglia

Clésio, apenas uma pequena correção na curiosa históra que você bem lembrou. No caso do F-106, o pouso aconteceu logo após a ejeção, pois o avião estava “trimmado” para decolagem e com o throttle em idle. Consta que o piloto assistiu ao pouso enquanto descia de paraquedas, e que o avião ainda ficou com o motor em idle até acabar o combustível, mais de uma hora depois, derretendo a neve que cobria o milharal onde pousou. Por conta disso, o caso ficou conhecido como do “Cornfield Bomber”.

rommelqe

Um aspecto muito importante a considerar: os carnard impõe esforços significativos à “espinhal dorsal” da fuselagem, em particular durante as fases de decolagem. Nos diversos casos supracitados os bipostos ainda não dispunham desse recurso e o espectro de cargas dinâmicas são muito diferentes. Também é notável que a transferencia dos empuxos aerodinâmicos oriundos destas asas se faz para a estrutura como um todo através dos munhões (mancais) em torno dos quais são pivotadas . Este giro dos carnard são controlados por servomotores que, por sua vez, são fixados a uma parte da estrutura particularmente fragil devido à existencia da propria… Read more »

rommelqe

Mais uma observação: na terceira foto o ” coitado” está apoiado no carnard direito…Reparem que no local onde o eixo do munhão no cubo da pá há passa através da fuselagem há uma caracterísitica abertura por onde o mesmo é fixado à estrutura.

rommelqe

Prezados, São varios videos, todos interessantes. Notar que nos pousos apos o trem dianteiro tocar efetivamente a pista, os carnard que estavam mantidos em ângulo adequado para facilitar uma possivel arremetida são totalmente girados de forma a aumentar o efeito de frenagem, forçando a frente da aeronave contra o solo. Neste caso, como as rodas já estão em contato com a pista a estrutura dorsal não recebe uma flexão tão intensa. Por outro lado, se por qualquer circustancia houver um descolamento da frente em relação ao solo ( por exemplo devido a um buraco ou uma lombada na pista, ou… Read more »

Rinaldo Nery

Na RED FLAG de 2008, com a presença do nosso Esquadrão PAMPA, ao final do exercício houve um acidente com um F-15 do AGRESSORS, onde houve o falecimento do comandante do Esquadrão, o qual voava com um oficial da RAF, que ejetou sem ferimentos. Parece que foi, também, uma falha estrutural na fuselagem após o cockpit.
Respondendo a uma pergunta acima: oficiais generais também voam aeronaves de caça. Não é comum no Brasil. É comum na USAF.

rommelqe

Prezado Santana, também entendo que uma caderneta tão extensa não é normal. Caro Nery: sou um profundo neófito, mas o pouco que conheci sei que oficiais da FAB sempre performaram de forma espetacular (por exemplo o Cmde AMÉRICO, em Edwards). Voltando ao caso, parece que foi mesmo relacionado a um desconhecimento da dinâmica de voo do modelo. Nos algoritmos de controle das superficies aerodinâmicamente ativas, certas situações operacionais são conflitantes e nem sempre os softwares devem implementa-las in totun sob pena de redução de desempenho em combate, por exemplo,. Os carnard móveis resultam em economia enorme no proprio motor dispensando… Read more »

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