terça-feira, agosto 3, 2021

Gripen para o Brasil

MMRCA: apesar de alegações alemãs e russas, MD indiano diz que está conversando só com a francesa Dassault

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Declaração foi dada depois que autoridades russas e alemãs disseram que estavam discutindo o contrato com a Índia e que a concorrência do programa MMRCA, que selecionou o Rafale, poderia ser recomeçada

Nesta quinta-feira, 23 de agosto, o Ministério da Defesa da Índia afirmou que está em conversações apenas com a francesa Dassault Aviation em relação à compra de 126 caças para o multibilionário programa MMRCA (programa indiano para aquisição de 126 aviões de combate multitarefa de porte médio).

Segundo informações do jornal “The Economic Times”, fontes do ministério disseram: “Não estamos conversando com ninguém mais além da Dassault Aviation, cujo Rafale foi selecionado como o ofertante de menor valor no contrato multibilionário.”

O ministério estava respondendo a alegações de autoridades alemãs e russas que, conforme notícias recentes, disseram que a Índia estava discutindo o contrato com eles e que haveria uma possibilidade da concorrência desse projeto ser reiniciada.

Mais cedo nesta quinta-feira, o jornal “The Times of India” (mesmo grupo do Economic Times) havia noticiado que a Alemanha, um dos principais países por trás do consórcio europeu Eurofighter, que fabrica o Typhoon, ainda está tentando negociar com a Índia para o programa MMRCA. O Typhoon chegou à seleção final do programa juntamente com o Rafale, mas o caça francês acabou sendo o selecionado para entrar em negociações.

Na quarta-feira, o líder do comitê para assuntos externos e defesa do Parlamento Alemão, Andreas Shockenhoff, disse ao jornal que a última palavra a respeito do programa MMRCA ainda não havia sido dada. O parlamentar, que é um aliado próximo da chanceler Angela Merkel (que está realizando uma visita de quatro dias à Índia)  afirmou:  “Tem havido discussões entre autoridades alemãs e indianas, e posso dizer que esse ainda não é um assunto encerrado. Até onde sei, não hã ainda um compromisso firmado do Governo Indiano para uma encomenda comercial. Os fabricantes do Eurofighter estão trabalhando novamente na oferta e esse é um tema de negociações entre o consórcio europeu e o Governo Indiano.”

Os comentários de Schockenhoff surgem pouco depois que um porta-voz do Governo Russo disse que a Índia estava propensa a reiniciar a concorrência pois as negociações com a França teriam falhado. Vale lembrar que o caça russo MiG-35 fez parte da disputa, mas não chegou à lista final.

FONTES: The Economic Times e The Times of India

FOTOS: Força Aérea Francesa, Força Aérea Alemã e RAC MiG

NOTA DO EDITOR: assim como no caso do Gripen para a Suíça, os concorrentes estão a postos na Índia, que selecionou o Rafale mas ainda não assinou o contrato. Provavelmente, mesmo quando os respectivos contratos forem assinados, ainda continuarão prontos para aproveitar qualquer brecha na guarda.

O mercado de caças é assim mesmo. Se você não comprou a nossa revista Forças de Defesa número 4, que traz uma matéria especial sobre todas as compras de aviões de caça deste século XXI que conseguimos pesquisar, não perca tempo. Resta apenas um punhado de exemplares para adquirir e saber mais sobre essas e outras disputas, onde vitórias acachapantes e derrotas surpreendentes estão ao lado de reviravoltas inesperadas e até indecisões frustrantes. Um drama que você pode conhecer em detalhes, clicando aqui para encomendar a sua revista.

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Nick

É duro largar um osso desse tamanho….. 🙂

Mas (a não ser que a francesada façam muita merla nas negociações) o Rafale já venceu o MMRCA.

[]’s

joseboscojr

Bela foto do único missil de cruzeiro supersônico ocidental propulsado por Ramjet, o ASMP francês.
Os russos possuem 3, o Moskit, o Yakhont e o Krypton.
Os indianos têm o Brahmos (Yakhont).
Taiwan tem o HF-3.
O Japão está desenvolvendo o ASM-3

edcreek

Olá,

Normal os perdedores tentarem desestabilizar o vencedor por qualquer meio seja com uma completa metira ou uma meia verdade, foi assim aqui no Brasil…

A diferença que em qualquer lugar do mundo não funciona, já aqui no Brasil, o presidente anuncia o vencedor e recua por lobby….Terra babanis….

Abraços,

Nick

Caro Ed, Existe uma pequena diferença, entre por exemplo o que ocorreu na Suiça e na Índia. Em ambas as concorrências, os processos de escolha foram até o fim mesmo recebendo acusações foram respeitadas as escolhas. Aqui, o processo recebeu “um anúncio vindo de cima” sem ao menos esperarem a FAB entregar seu relatório. Foi ae que *udeu. Se o ex-presidente não estivesse tão alegre naquele dia, com direito até a encoxada do Sarkozy, e recebido o conselho de segurar o anúncio do Rafale até ao menos protocolarem o recebimento do relatório da FAB, poderiam espernear à vontade os perdedores,… Read more »

Edu Nicácio

Ainda acredito que o que melou os ânimos pelo Rafale em Brasília foi o tapa na cara que a França nos deu após conseguirmos, com a Turquia, um acordo com o Irã.

Mas…

ricardo_recife

Os indianos não vão dar para trás apenas por causa da pressão russa.

Quando a conta “verdadeira” chegar o máximo que eles vão poder fazer é reduzir o número de pedidos.

Uê? Houve anuncio oficial do vencedor do FX – II para eterno? Não sabia disto! O que sei é que numa conversa de bêbado um destemperado falou bobagem antes da FAB terminar o relatório.

Edu tens toda razão. Mas isto é algo mais do que obvio, “pareceria estratégica” francesa é primeiro com Tio Samuel, depois, muito depois, com os outros.

Abs,

Ricardo

Vader

edcreek disse: 24 de agosto de 2012 às 10:58 “A diferença que em qualquer lugar do mundo não funciona, já aqui no Brasil, o presidente anuncia o vencedor e recua por lobby….Terra babanis….” Caro Edcreek, culpe o destrambelhado do Mulla pelo chafúrdio do Rafale no Brasil. Se ele tivesse sabido fechar sua imensa boca e aguardasse a entrega do relatório, ninguém jamais saberia que a FAB havia colocado a jaca em último lugar em sua avaliação, e que ele, do alto de seus “enormes” conhecimentos aeronáuticos, mudara o caça por pura ideologia. De modo que de certa forma podemos dizer,… Read more »

edcreek

Olá,

Amigos, gostem ou não o bebado e boca aberta é o chefe do estado maior das forças armadas, anuncio houve sim e do chefe da força aerea, mas lhe faltou peito para finalizar o negocio…O resultado está ai, o 1º GDA está condenado e vamos de f-5 adeternium….Mas……

Edu se fosse somente isso o projeto dos ECs e dos SBR e nucsub tinha ido para o espaço…
Ao Barba ai anuciando as negociações para a compra:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-confirma-compra-de-de-36-cacas-franceses-,431073,0.htm

Abraços,

Ivan

Edu e Ed, O Presidente da República comanda as Forças Armadas, assim como o país, durante seu mandato. Mas (graças a Deus e a constituição) não é ‘dono’ de nenhum dos dois, devendo prestar contas de seus atos e decisões, de acordo com as normas legais vigentes. Então, na minha opnião devo concordar com ressalvas com os amigos. SIM, o ex-presidente Lula decidiu de forma impulsiva pelo Rafale naquele fatídico 7 de setembro, mas faltou calma ou outra coisa qualquer para consolidar um desejo (ou decisão) em ação. SIM, aquele episódio diplomático em torno do Iran, com apoio da Turquia,… Read more »

Ivan

O Rafale foi escolhido pelos indianos muito antes do M-MRCA. É preciso lembrar da história (e não apenas da geografia com os mapas…rsrs…) para entender as decisões do presente. A Índia fez uma opção pelos aviões franceses ainda na década de 80 e 90 quando o vizinho Paquistão comprou e recebeu os ágeis F-16 americanos, o que iria desequilibribar a balança de poder regional, na visão hindu. A experiência da Bhartiya Vāyu Sena com o Mirage 2000H foi positiva, apesar do custo, sendo inclusive usado no Kargil (1999) com sucesso e cumprido sua primeira e principal missão, se contrapor (mesmo… Read more »

Ivan

Mas há outros interesses que ligam Nova Deli a Paris. O desenvolvimento da turbina KAVERI havia entrado em colapso, ou, para minimizar os problemas, estava enfrentando dificuldades vultosas. Há no mercado 4 (quatro) fornecedores de turbofans que poderiam resolver o problema: Klimov, General Eletric, Rolls Royce e Snecma. Obviamente a francesa estaria mais disposta a compartilhar tecnologia, mediante uma contraprestação pecuniária expressiva, evidentemente. Mas a questão é que a necessidade de recursos para desenvolver o turbofan M-88-3 pode ter ‘casado’ com a necessidade de uma ‘nova’ Kaveri para os Light Combat Fighters HAL Tejas. No futuro próximo poderemos confirmar ou… Read more »

Guilherme Poggio

Ivan escreveu

Há no mercado 4 (quatro) fornecedores de turbofans que poderiam resolver o problema: Klimov, General Eletric, Rolls Royce e Snecma.

E a Pratt Whitney não conta não?

Ivan

Por fim, mas por enquanto, há também a questão nuclear…
…ou deveria escrever as questões!

Se por um lado o Rafale é um vetor nuclear efetivo e pronto na Armée de l’Air, com óbvio potencial de tornar-se um vetor estratégico na Bhartiya Vāyu Sena, por outro os franceses não são tão castos como os anglo-saxões em compartilhar tecnologia nuclear.

Este potencial provavelmente está sendo explorado no momento, em termos comerciais por Paris e estratégicos por Nova Deli.

Mas tudo isso é apenas a opnião de um antigo entusiasta.

Abç,
Ivan, an oldinfantryman.

Edu Nicácio

Ivan, perfeitas colocações, mas você esqueceu um detalhe: a Índia também possui um amplo acordo de desenvolvimento de tecnologia nuclear com ninguém menos que os EUA. Sim, aquele mesmo que acusa o Irã (e meteu o dedo na cara do Brasil via AIEA) de ter um programa nuclear com fins militares. Veja só que situação: acusa-se o Irã, signatário do TNP, ao mesmo tempo que apoia-se o programa nuclear da Índia, NÃO SIGNATÁRIA do TNP… Não acretido em ortodoxia por parte desses países em relação ao TNP: fazem vista grossa com Israel, Índia, Paquistão, ao mesmo tempo em que pentelham… Read more »

Mauricio R.

Até o momento, a motorização do Hal Tejas, é americana:

Mk-1 -> F-404-GE-IN20

Mk-2 -> F-414-GE-INS6

Mauricio R.

Faltaram, por enquanto:

Honeywell
NPO Saturn (Lyulka)
Khatchaturov (Tumansky)
Soloviev
Ivchenko Progress
Aviadvigatel
Samara (Kuznetsov)
Shenyang
Carec
Guizhou
Xian

Ivan

Poggio e Maurício, Talvez não tenha sido claro. Pratt & Whitney tem tecnologia para atender um programa como o Kaveri, mas não tem um produto no porte da turbina indiana. Acredito que os turbofans militares compreendidos entre 7,5 e 9 toneladas de empuxo com algum sucesso operacional são: * General Electric F414 e F404; * Eurojet EJ200; * Snecma M88; e * Klimov RD-93. A Pratt & Whitney F100 é bem maior, mais pesada e mais potente. Mas com relação peso / potência inferior. A Guizhou WS-13 chinesa estaria descartada por ser de menor qualidade e, principalmente, por ser da… Read more »

joseboscojr

Esqueci o míssil Armiger, alemão.

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