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O ‘plano B’ da Dassault e da DGA francesa para pagar o Rafale

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Dassault

Com a assinatura de um contrato de exportação atrasada em pelo menos um ano, o Ministério da Defesa da França enfrentará desafios para cumprir a lei de programação militar francesa – solução envolve negociar os primeiros pagamentos de eventuais clientes externos

Assim como outros grandes fabricantes de equipamentos de defesa, a empresa aeronáutica Dassault está negociando com a Direção-Geral de Armamentos (DGA) francesa. O objetivo, segundo reportagem publicada no jornal Les Echos em 15 de outubro, é rearranjar os cronogramas de pagamento do caça Rafale, dentro das restrições impostas ao orçamento de defesa. Porém, diferentemente de outros fabricantes, a negociação não envolve apenas o cliente doméstico pois, com pelo menos um ano de atraso para a assinatura de um contrato de exportação, o Ministério da Defesa francês terá que dar conta do pagamento de centenas de milhões de euros que não esperava fazer.

Quando elaborada no início deste ano, a Lei de Programação Militar para o período 2014-2019 levava em conta um contrato de exportação do Rafale a ser assinado com a Índia ainda neste ano de 2013. Os indianos negociam a aquisição de 126 caças Rafale (nota do editor: 18 dos quais seriam fabricados na França e o restante montado na Índia com gradativa inserção de conteúdo local) para entregas a partir de 2016. Assim, considerou-se que, da cadência mínima anual de 11 caças produzidos pela Dassault, ao longo de três anos sete exemplares seriam reservados para exportação, enquanto os quatro restantes seriam comprados pela França. Com um valor de aproximadamente 100 milhões de euros por aeronave, esses sete caças exportados representariam uma economia de cerca de 700 milhões de euros anuais ao orçamento de Defesa.

Ainda é possível entregar sete caças Rafale para um cliente externo em 2016. Isso porque apenas os doze a dezoito meses finais de todo o processo de produção de um Rafale envolvem a integração de seus sistemas na configuração final. Em outras palavras, a Dassault tem até meados de 2014 para direcionar, de forma irreversível, exemplares na linha de produção para configurações francesas, indianas ou mesmo do Qatar, outro cliente externo em vista.

Rafale - painel - foto A Paringaux - Dassault

O problema é que, recentemente, faleceu o principal negociador indiano envolvido no processo de compra do Rafale pela Índia, ao passo que o país também tem uma eleição legislativa se aproximando. O ministro da Defesa da França, Jean -Yves Le Drian, em entrevista feita ao Les Echos em 3 de outubro,  expressou otimismo quanto à assinatura do contrato, mas para 2014. Tudo isso acaba tornando a agenda financeira bastante apertada.

Por que? O fato é que todo o processo de fabricar um Rafale leva três anos, e também são três os anos que se leva para pagar por cada aeronave.  A França (via DGA), que é até hoje o único cliente, paga cada unidade que recebe ao longo de três anos. Embora essa agenda de pagamentos não seja informação pública, sabe-se que a maior parte da conta é paga nos dois últimos anos de fabricação.

A partir daí, pode-se deduzir que a DGA já começou a pagar pelos onze caças Rafale que a Dassault vai fabricar em 2016, dado que a produção dos mesmos já foi iniciada, embora se assuma que irá receber apenas quatro deles. Além disso, deverá fazer significativos pagamentos adiantados em 2014 e 2015, que é o período em que um cliente de exportação assina e realiza seu primeiro pagamento.  Assim, o ano que vem promete ser bastante tenso quanto a este assunto.

Infográfico de entregas de Rafale para a França e exportação - Les Echos

Segundo uma fonte próxima à Dassault, vários cenários estão sendo estudados pela empresa para reagendar esses pagamentos: “Há um plano B, relacionado à data em que um cliente estrangeiro começará a pagar”.

O tempo corre contra a DGA, havendo risco de ter que fazer “acrobacias financeiras” com potencial desestabilizador: quando o dinheiro falta em algum lugar, precisa ser tirado de outro. Para pagar por caças que já deveriam ter sido exportados, o Governo Francês adiou a modernização dos jatos Mirage 2000 e o recebimento de aviões reabastecedores.

FONTE / INFOGRÁFICO: Les Echos (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em francês)

NOTA DO EDITOR: o infográfico do jornal Les Echos traz um dado interessante que, eventualmente, pode ser somente um erro em sua execução ou uma nova distribuição da relação esperada entre caças exportados e adquiridos para a França. Ao invés de mostrar a exportação de sete caças ao longo de alguns anos a partir de 2016 (como dá a entender o texto), com a absorção de quatro pela França, o infográfico mostra essa divisão apenas em 2016, mostrando que entre 2017 e 2019 todos os 11 caças da produção mínima anual serão exportados. Matérias anteriores indicavam que a França desejava diminuir seu recebimento de novos jatos Rafale já em 2014, perseguindo um objetivo global de adquirir apenas 26 desses caças ao longo de seis anos. Com a eventual absorção de 22 jatos em 2014 e 2015 e mais 4 em 2016 como mostra esse infográfico, a conta dá exatamente 26 aeronaves.

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10 COMMENTS

  1. Mas olha…. que pechincha…. apenas Eur$ 100 milhas por cada Rafale….. ou “apenas” R$ 300 milhões…. poxa gente…. tem que fazer a feira…. cadê meu cartão de crédito !

    Sds.

  2. Fazendo novas contas (já havia feito na nota do editor) em relação ao infográfico mostrado.

    Somando as aeronaves que, pelo infográfico, se espera exportar entre 2016 e 2019, dá 40 (7+11+11+11).

    A Índia, se assinar o contrato do MMRCA, vai ficar com 18 desses caças (e montar outros 108 localmente). Então sobram 22.

    Hum, mas essa é justamente a conta do programa Suíço!!!

    Só que lá é melhor perder as esperanças, pois na Suíça deverá haver um referendo que, na verdade, diz mais sobre a compra de qualquer modelo de caça do que do Gripen em particular. Se o Gripen não emplacar na Suíça, nenhum outro caça saído de fábrica deverá herdar o programa.

    Dos Emirados, há muito tempo que não se fala mais nada. Não têm pressa alguma.

    Bom, tem o Qatar na fila. Dizem que querem até mais do que os necessários para substituir seus Mirage 2000-5, que seriam usados como parte do pagamento.

    Ah, e tem o Brasil. Vinte e dois dá e sobra para as primeiras entregas do programa F-X2. Só que o Brasil não tem esse costumo de comprar caças supersônicos novos, como os outros países. O que o Brasil sabe fazer é programa para dizer que vai comprar e, na hora de da autoridade responsável pela decisão final realmente decidir, empurrar com a barriga.

    Apostaria mais em sobrar uma dúzia de caças Mirage do Qatar…

  3. A propósito,

    O que o Brasil mais sabe fazer também é cancelar programa antigo e começar um novo mais grandioso.

    Foi assim com o F-X de 12 caças, cancelado, para nascer depois o F-X2 de 36 caças.

    E pode acabar sendo o caso do F-X2, de 36 caças, que após anos de enrolação corre o risco de ser cancelado em troca de um novo programa – a tal da oferta “por fora do F-X2” dos russos, de que se vem divulgando várias versões, conforme a fonte e a origem da notícia, na esteira da visita da delegação do MD russo ao Brasil.

    Será que vão chamar de F-X3?

    Pra falar a verdade, se a proposta russa por fora do F-X2 vingar, nem precisa dar novo nome ao programa, já que não seria uma concorrência como os anteriores.

    Mas, para não perder o costume, seria um plano ainda mais grandioso do que o anterior, com mais de uma centena de caças de quinta geração, depois de um punhado de tampões novos de fábrica, preteridos anteriormente.

    E não é pra menos: afinal, com tanta enrolação, cada programa cancelado tem que dar origem a outro pelo menos três vezes maior devido à perspectiva de baixas do serviço da frota atual:

    http://www.aereo.jor.br/2012/12/12/presidenta-nao-deixe-a-bola-de-neve-do-f-x-triplicar-de-tamanho-outra-vez/

    Se a opção russa um dia vingar, será a confirmação de que a presidente achou mais negócio deixar a bola de neve triplicar de tamanho!

    Apostas?

  4. Juarez,

    Na minha opinião, um cavalo de pau desses, ou melhor, uma cobra de Pugachev dessas na trajetória de fornecedores de caças para o Brasil, de repente, poderia acarretar desafios de valor muito grande (financeiro) em se readequar cadeias logísticas locais e internacionais, em padrões totalmente diferentes. Acho que, mesmo com todas as qualidades técnicas dos caças russos (e não são poucas), a questão logística não seria de agrado da FAB.

    Mas, como sabemos, não é a FAB que toma a decisão final.

    Voltando agora ao assunto principal da matéria, algo que eu gostaria de destacar, e estava conversando isso com o Poggio agora, é a quantidade de informações interessantes que o texto traz, como o tempo total de produção do Rafale, o período em que os sistemas (que podem ser customizados) são instalados, estabelecendo um ponto de não retorno (ao menos econômico) da customização a eventuais clientes diferentes, entre outros dados.

    É muito difícil, mas muito difícil mesmo, ver uma quantidade de dados como esses, detalhados de uma forma compreensível ao leitor comum, ou pelo menos interessado em economia, em reportagens da imprensa brasileira em geral, mesmo a parcela da imprensa que é voltada a assuntos econômicos e financeiros (como é o caso do Les Echos).

    Algumas boas reportagens do Valor Econômico seguem essa linha, mas normalmente o detalhamento dos programas militares trazido pelos jornais franceses em geral (e nesse caso ultrapassa o Les Echos) surpreende.

  5. Nunão, apesar de eu não simpatizar com o “Eurobambi” em questão na matéria, a que se dizer: Foi a primeira vez que vi algo claro, com números precisos e factiveis sobre o programa Rafale, e não aquelas viagens ao mundo maionese como é de praxe da Dassault.

    Grande abraço

  6. Tudo bem que tudo que envolve Rafale é caro pacas ,mas que o bicho é bonito e está no estadíssimo da arte , está sim e nas cores da Fab ficaria 10 !!rs

  7. Caro Juarez, por falar em algo claro note que não houve qualquer menção ao Brasil como possível cliente. Para mim a Dassault já jogou a toalha no FX-2.

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