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MMRCA: pode sobrar para o próximo

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Questionamentos de parlamentares e eleições na Índia devem retardar a assinatura do contrato final

 

Rafale 1 - FOTO JF AURAN

Há uma notícia desanimadora para o ministro da Defesa francês Jean-Yves Le Drian assim que  ele chegar a Nova Delhi para tratar do negócio que envolve a venda de 126 caças 126, o maior acordo militar da Índia.

Dada a situação no Ministério da Defesa, é improvável que o acordo seja finalizado antes do final do mês de setembro. Até lá, época da campanha eleitoral, nenhum burocrata vai querer assinar o acordo [haverá eleições para a Câmara baixa do Parlamento Indiano – Lok Sabha -, cujo mandato atual vence em maio de 2014. Os membros da Lok Sabha elegem o Primeiro Ministro Indiano]. Em tal eventualidade, o acordo é susceptível de ser decidido pelo próximo governo, disseram fontes altamente colocadas.

Duas cartas enviadas por parlamentares para o ministro da Defesa, AK Antony, estão passando no momento por um trabalhoso “pente fino”. A que mais incomoda é a do ex-ministro de Assuntos Externos, Yashwant Sinha, que questiona os critérios de custo do “ciclo de vida” da aeronave. Ele alegou também que dois dos sete critérios mencionados na Política de Compras da Defesa não foram aplicados.

A segunda carta alega que houve manipulação de todo o processo de escolha. A “Responsabilidade patriótica” do parlamentar MV Mysoora Reddy obrigou-o a falar contra a opção de uma empresa que não vendeu um único avião deste tipo a um cliente no exterior.

Antony encaminhou as duas cartas para diferentes grupos especialistas.  Enquanto as alegações de Sinha sobre os custos do ciclo de vida estão sendo examinadas por funcionários do governo, está muito difícil refazer os cálculos. A carta de Reddy foi enviada para a unidade que recebeu as propostas avaliadas por todos os cinco competidores. Mas houve mudança na equipe original desde então, e o novo conjunto de funcionários enfrenta a difícil tarefa de fazer os cálculos novamente. É improvável que eles terminem as avaliações antes que a temporada de pesquisas eleitorais comece e os burocratas poderiam hesitar em tomar novas iniciativas.

Enquanto isso a França espera que as autoridades indianas cumpram a promessa de não abrirem a concorrência de caças novamente. O consórcio europeu de quatro nações, que juntamente com os americanos e os russos perderam para os franceses, já se ofereceu para baixar o preço de sua oferta. Mas isto não assusta os franceses, acostumados com os processos no Ministério da Defesa indiano desde o nascimento do País. Além disso, eles têm um monte de projetos pendentes na mão e serão concorrentes de duas grandes propostas.

Uma das escalas do ministro francês será Gwalior que hospeda os caças Mirage sendo atualmente atualizados pela Dassault. A França também celebrou um contrato de pesquisa e desenvolvimento de mísseis de curto alcance, juntando-se, assim à Rússia e Israel, que são os únicos até o momento que participam de projetos de transferência de know-how militar com a Índia.

Um mega projeto para a construção de submarinos franceses também está em andamento em Mumbai, apesar de ter sido atingido por tempo e custos.

Fontes confiáveis ​​disseram que a visita do ministro não tem a intenção de finalizar o contrato e Paris estaria disposta a esperar o tempo que for preciso.

Há outras complexidades, bem como as questões de transferência de tecnologia e questões que estão sendo levantadas sobre o preço por causa da desvalorização da rupia e a decisão do Ministério da Defesa francês em reduzir encomendas da mesma aeronave à Dassault.

“Nunca houve uma concorrência deste tamanho, com tantas complexidades”, disseram as fontes sublinhando que a virtual reabertura da disputa, juntamente com o tempo gasto para discutir outras questões, não seria uma boa notícia, pelo menos para a Dassault, que está enfrentando tempos difíceis em um momento de desaceleração econômica.

FONTE: The Hindu (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

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Fernando "Nunão" De MartiniGuilherme PoggioJustin CaseMax Recent comment authors
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Justin Case
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Justin Case

Amigos, boa noite.

No link que segue, há uma entrevista do Ministro Le Drian ao “Hindustan Times”. Vale a pena ler para conhecer a posição oficial francesa.
http://www.hindustantimes.com/editorial-views-on/InterviewsNews/Rafale-is-as-good-as-any-5th-generation-aircraft/Article1-1098852.aspx
Abraços,

Justin

Max
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Max

Boa noite Justin. Com todo o respeito, não acredito que o Rafale seja superior ao Eurofighter ao Su-35 ou mesmo ao Super Hornet . Como acreditar que ele seja “TÃO BOM” quanto o F-35 ou F-22 como afirma o ministro de defesa Frances Jean-Yves Le Drian ! Voyagé en mayonese! 🙂 . Seguindo seus próprios argumentos,então tanto o F-16 como o F-15 seriam muito superiores ao Rafale por já haverem participado de inúmeros bombardeios e combates aéreos. É como dizer nas primeiras décadas do seculo passado que um biplano é superior a um monoplano mais moderno porque este último ainda… Read more »

Justin Case
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Justin Case

Olá, Max. Inicialmente, parabéns por ter lido o documento. É interessante conhecer as várias visões de um assunto polêmico. O que determina se um avião é melhor do que outro é o conjunto de condições específicas de cada cliente. Dentro do ambiente indiano, foi feita uma competição em duas fases, na busca de aeronaves que atendessem aos requisitos daquele país. A primeira fase foi focada nos aspectos operacionais, técnicos e logísticos. Dessa fase emergiram Typhoon e Rafale, que superaram Super Hornet, Gripen NG, F-16 e Mig. A fase seguinte verificou como Rafale e Typhoon atendiam aos aspectos comerciais, tecnológicos, políticos,… Read more »

Justin Case
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Justin Case

Amigos,

Nos aspectos sob avaliação na Índia, eu esqueci de citar o industrial e o de offset.
Lembrei também que a escolha do Gripen na Suíça foi feita dois meses antes do anúncio do Rafale na Índia.
Não há contrato efetivo ainda e o assunto será reavaliado pelo parlamento suíço a partir de agosto, se não me engano.
Será que pode sobrar para o próximo?
Essas negociações já são complexas para os parceiros que querem implementar o projeto. Com a pressão dos derrotados, que ainda lutam para que aquele que venceu não seja contratado, o processo fica ainda mais longo.
Abraços,

Justin