Home Aviação de Transporte Executivo da Boeing diz que Embraer KC-390 poderia ser adquirido pela USAF

Executivo da Boeing diz que Embraer KC-390 poderia ser adquirido pela USAF

1072
14

Em Farnborough, o presidente da Boeing Military Aircraft (BMA), Chris Chadwick, disse que o avião de transporte Embraer KC-390 poderia, potencialmente, ser vendido à Força Aérea dos EUA (USAF) na medida em que cortes orçamentários afetam alguns dos outros aviões de transporte de asa fixa da força. A declaração foi dada em 10 de julho. Segundo o executivo, a aeronave seria uma boa pedida para a USAF já que ela busca ajustar alguns de seus custos operacionai.

Chadwick disse: “Ele (KC-390) vai vender para os Estados Unidos? Eu acho que nos próximos 12 meses haveá adicionais cortes em custos (da Defesa dos EUA) além do confisco, e desse jeito, não dá pra saber. Toda força aérea precisa de transporte aéreo, e não há muitas opções por aí. O KC-390 é praticamente um produto COTS (commercial off-the-shelf – de prateleira). Eu acho que há uma boa possibilidade de que o KC-390 seja analisado (pela USAF).”

Além disso, o executivo disse que o anúncio de parceria da Boeing com a Embraer vai além de seus esforços para vender o F/A-18E/F Super Hornet para a Força Aérea Brasileira: “Não é mais um assunto apenas de vendas, você precisa ter relações de negócio de longo prazo numa base global. A Boeing está de olho em qualquer boa oportunidade que dure mais do que apenas uma venda.” Já sobre o KC-390, Chadwick disse que a Boeing vai colocar na mesa seu “entendimento de classe mundial sobre transporte e logística” e que o acordo com a Embraer é uma “situação em que ambos os lados ganham” (win-win situation”).

O site da Jane’s comentou a declaração a respeito de possibilidades do KC-390 na USAF, mostrando que é algo intrigante. Isso porque a USAF já opera três principais tipos de aeronaves de transporte de asa fixa, o C-17 Globemaster III da própria Boeing, além do C-5 Galaxy e do C-130 Hercules, ambos da Lockheed Martin. A frota de Hercules atualmente está sendo renovada com o C-130J, as entregas de C-17 estão em andamento e a frota de C-5 passa por um programa de modernização.

Assim, é difícil ver, no curto prazo, uma brecha que o KC-390 possa aproveitar. Ainda mais com o recente cancelamento do programa “Joint Cargo Aircraft” do C-27J Spartan, sob o argumento de ajustar a quantidade de modelos de transporte em uso e seus custos associados.

Mas, no médio e longo prazos, especula-se que a USAF faça um requerimento de um sucessor para o C-130, já que os equipamentos militares atuais ultrapassam o espaço disponível na velha plataforma (costuma-se dizer que o compartimento de carga do Hercules enche antes, em volume,  que sua capacidade em peso seja atingida). Esse requerimento foi identificado como oportunidade pela própria Lockheed Martin, com uma versão ampliada do Hercules, o C-130XL, pela Airbus Military com seu A400M e, agora, pela Boeing e Embraer com o KC-390.

FONTE: Jane’s

IMAGENS: Embraer

VEJA TAMBÉM:

14 COMMENTS

  1. Só uns pitacos…

    a) com o fim das campanhas americanas no Iraque e Afeganistão, as necessidades por transporte aéreo tático diminuiram, assim como a necessidade por aeronaves p/ faze-lo.
    Eis pq o C-27J está a caminho de Tucson, a USAF já não necessita mais dele.

    b) aquilo que o C-130 não carrega hoje, baseado na experiência americana no Iraque e Afeganistão, o KC-390 tb não carrega.

    c) não seria melhor esse executivo da Boeing, esperar a USAF enviar um RfI ao mercado, c/ as características pretendidas pela força; p/ um eventual substituto ao C-130???

  2. Agora os meus pitacos

    “costuma-se dizer que o compartimento de carga do Hercules enche antes, em volume, que sua capacidade em peso seja atingida”

    O Hercules é uma aeronave cheia de virtudes, mas este é um problema antigo dele.

    Em função da idade (velha) do projeto, as asas atravessam a fuselagem e limitam o tipo de carga que pode ser transportado.
    Em função disso, todo e qualquer veículo tático ocidental aerotransportável, de 1955 para cá, foi projetado com base nessas limitações.

    E isto gerou um dilema. Há necessidade de veículos táticos maiores, só que eles não podem ser projetados caso necessitem ser transportados por C-130.

    Hoje, aviões maiores como o C-17 são empregados para transportar veículos que poderiam e deveriam ser transportados por um cargueiro tático, mas o Hercules não dá conta.

    Como resultado, aviões maiores (e consequentemente mais caros) são em algumas vezes sub-empregados porque o Hercules não é capaz de fazer algo que um avião da sua classe deveria fazer.

    O Hercules é hoje comparável a uma Kombi. Um projeto antigo e que todos conhecem os seus defeitos. Mas muitas de suas virtudes ainda são muito úteis e pode ser adquirido por um preço razoável para fazer, se não todas, muitas das tarefas que o seu dono quer.

  3. “…com o recente cancelamento do programa “Joint Cargo Aircraft” do C-27J Spartan.”

    O cancelamento foi só por parte da USAF ou o fabricante cancelou a produção?
    É que torci para que a FAB escolhesse o C-27J Spartan no lugar do C-295 (C-105 Amazonas).

    Guilherme Poggio,

    Excelente comentário mas o último parágrafo (comparação com a Kombi) matou a pau.

    Abraços

      • Poggio,

        A comparação é interessante. Ainda mais que, na última década, a Kombi teve duas atualizações importantes: aumentaram a altura do teto um tanto, o comprimento um outro pouquinho e trocaram o motor. Qualquer semelhança com o C-130J é mera coincidência (menos na altura do teto, que no C-130 não foi mudado por causa da fixação da asa…)

    • Ivanildo,

      Cancelado para a USAF. O programa do fabricante da aeronave C-27J continua, pois ela é oferecida (o que inclui encomendas já feitas) para outros países.

  4. É somente a USAF é quem está retirando de serviço ativo seus C-27J, o programa foi reduzido de 72 p/ 38 exemplares, 13 destes são operados por uma unidade de ANG.
    Pessoalmente acho que essas aeronaves deveriam ir, como aliás era o escopo original do JCA, p/ o US Army.
    A Austrália encomendou 10, substitutos de seus veneráveis DHC-4 “Caribou” e a Alenia está expondo uma versão “gunship” em Farn 2012.
    O “Spartan” na FAB, seria uma maneira de prescindirmos do “Gordo” p/ as tarefas de transporte aéreo e de cooperação c/ o EB e economizarmos recursos.
    Mas como ocorre na maioria dos casos, de quem adquire o C-295, a capacidade de carga não é o principal motivo, as versões especializadas, SAR, MPA e agora ASW, é que são o atrativo.

  5. Obrigado Guilherme Poggio, Nunão e Maurício R. pelas respostas e/ou comentários.

    Agora, uma pergunta meio off-topic:

    Por que o EB ainda não possui aviões de asa fixa, tanto cargueiros como executivos para efetuar os deslocamentos dos seus militares e cargas, como outros exércitos da própria América Latina, e a MB ficou limitada aos A-4 de São Pedro da Aldeia? Apenas falta de dinheiro ou algum impedimento legal? Pelo que eu sei, a exclusividade da FAB para operar aeronaves de asa fixa já era há muito tempo.

    Abraços aos três!

    • Ivanildo.

      Melhor pensar que a coisa é um tanto mais complexa do que o impedimento legal que por anos deixou a asa fixa como “monopólio” da FAB, numa situação criada desde sua origem incorporando aeronaves do Exército e da Marinha, em 1941, até toda a celeuma da operação no Minas Gerais, nos anos 60 – e que no caso da MB foi resolvida em parte: ela pode operar asa fixa de meios com capacidade de operar embarcados, até onde sei. Mas não sei de qualquer impedimento sério para aprofundar isso.

      Só que há outras questões que vão bem além disso: quais são as prioridades de cada força e o que elas podem assumir de custos? Se a FAB transferisse o transporte tático em asa fixa para o EB e a patrulha marítima para a MB, será que as verbas para operação das aeronaves iriam junto? Ou sumiriam da FAB e não apareceriam mais nas outras forças, e as três “perderiam” nesse sentido? E a passagem de uma forma de se fazer as coisas (por exemplo, a FAB abastecendo pelotões de fronteira) para outra forma (o EB fazendo isso), como fazer a transição? Treinar pilotos do EB para operar Bandeirante, por exemplo? Quanto isso vai custar? Vale a pena fazer toda essa transição? Vai trazer vantagens no futuro? Quais?

      E operar asa fixa não é só receber o avião, mas toda uma estrutura de apoio, de treinamento, doutrina. É claro, essa estrutura pode ser compartilhada (por exemplo, pilotos da MB treinam na FAB), e bases estão também sendo compartilhadas. A questão toda é bem complexa e, na minha opinião, questões bem mais urgentes em todas as três forças (e no próprio Ministério da Defesa) não devem ajudar para que seja atacada extensivamente, e sim paulatinamente.

      Saudações!

  6. Mesmo nos EUA esse assunto é controverso, a USAF é bastante ciumenta, qnto a Aviação do US Army e a US Navy terem alguma capacidade logística relevante.
    O JCA foi o exemplo acabado disto.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here