segunda-feira, maio 23, 2022

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F-X2: o semestre está terminando, as desculpas não

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Guilherme Poggiohttp://www.aereo.jor.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Nada de novo. O semestre está terminando (hoje é o último dia útil do mês) e o tão esperado anúncio do vencedor do F-X2, no prazo comentado pelo Ministro da Defesa, não ocorreu. E este foi só mais um dos prazos dados pelo governo e não cumpridos.

Agora espera-se que a decisão do F-X2 venha até o final de 2012. Não há nada oficial, mas começam a surgir rumores neste sentido e notícias na mídia. Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo noticiou que foi solicitada a prorrogação da validade das ofertas dos três concorrentes até 31 de dezembro. Outra notícia diz que no próximo capítulo dessa novela, a Presidente Dilma Rousseff irá à Europa no mês de julho, e aproveitará um encontro com o presidente francês François Hollande para falar sobre a oferta do Rafale.

No entanto, parece que ainda estamos longe dos últimos capítulos, ou de um final feliz (ao menos um final que deixe algum dos concorrentes felizes). O governo pode adiar a decisão pelo tempo que achar melhor, e essa novela pode ficar muito tempo no ar. O que tem data para realmente sair do ar, ou seja, do voo, é a atual frota de caças supersônicos da FAB, composta de Mirage 2000 e F-5M.

O primeiro, se continuar em atividade, necessitará de um volume grande de recursos para seguir operando. E estamos falando apenas em operar, não em ser competitivo. Uma soma muito mais significativa seria necessária para modernizá-los,  fazendo com que o caça de melhor desempenho dinâmico da FAB deixe de ser uma aeronave de tecnologia dos anos 1980 operando na segunda década do século XXI.

Já a frota de F-5M, espinha dorsal da aviação de caça da FAB, começa a sentir o peso da idade, das limitações do projeto e da resistência da estrutura, ainda que dotada de sensores, aviônica e armamentos competitivos para este século.

Deve-se lembrar que boa parte dos F-5 veio dos EUA no final da década de 1980, praticamente condenados após mais de uma década de usos e abusos em esquadrões “Aggressor”. Somente graças ao trabalho de recuperação feito pelo PAMA-SP eles voltaram a voar, recompletando gradualmente a frota ao longo da década seguinte, quando já se começava a pensar em seus futuros substitutos. Mas hoje, o que vemos são caças F-5 comprados da Jordânia, que ilustram este artigo mostrando parte de suas matrículas na FAB pintadas provisoriamente nas caudas, habitando o PAMA-SP para a mesma finalidade do lote de “ex-aggressors”. Em breve, os “jordanianos” deverão estar nos esquadrões, como uma solução provisória, embora necessária.

As perguntas são: até quando vão durar os paliativos? Até quando vão durar os F-5? O brigadeiro Burnier, quando comandava o COMGAR, deu o recado. Os primeiros começam a dar baixa dentro de cinco anos e, até lá, um novo caça já deveria começar a entrar em atividade para que, quando os últimos F-5 deixassem os esquadrões, outros lotes de novos caças estivessem prontos para substituí-los. Mas, pelo andar da carruagem…

O que podemos esperar, um novo caça “tampão” ? Ou realmente podemos acreditar que dentro de seis meses haverá uma decisão?

As desculpas voam em esquadrões enquanto a aviação de caça da FAB vai se acostumando, cada vez mais, com o chão.

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