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Caças F-16 na mira da FAB podem não estar no deserto

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F-16C Block 40

Possível novo tampão da FAB poderá vir de unidades da USAF em atividade, reforçando a alegação de serem caças do modelo Block 40/42

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vinheta-exclusivoNo final do mês de agosto o Poder Aéreo publicou uma matéria, baseada em fontes dentro da Força Aérea Brasileira (FAB), sobre uma viagem de militares da FAB aos Estados Unidos para avaliar o estado de caças F-16 estocados, que eventualmente funcionariam como um novo “caça-tampão”. O objetivo seria cobrir a desativação dos jatos Mirage 2000 e compensar a contínua indecisão do Governo por um vencedor do programa F-X2, o que tem adiado cada vez mais a perspectiva de entrada em operação de um caça definitivo. Essa viagem, segundo outras fontes a que tivemos acesso, teria sido antecedida por voos de testes realizados por um piloto (ou pilotos) da FAB em aeronave semelhante, em esquadrão da USAF (Força Aérea dos EUA). Informação semelhante sobre o interesse de caças F-16 pelo Brasil também foi divulgada recentemente pela edição 234 da revista Aeromagazine, publicada neste mês de novembro.

No entanto, tanto a matéria do Poder Aéreo quanto a reportagem publicada na revista Aeromagazine citam o interesse da FAB por caças F-16 do modelo Block 40/42. Segundo levantamento feito aqui no Poder Aéreo, não existem caças Block 40/42 estocados no 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group (AMARG), localizado na Base Aérea de Davis-Monthan, próximo de Tucson, Arizona.

Porém, novas informações obtidas pelo Poder Aéreo dão conta de que estes caças poderiam vir não do deserto do Arizona, mas sim de esquadrões em atividade. Neste caso, a hipótese de serem Block 40/42 ganha força.

‘Sequestration’

A USAF, assim como as demais Forças Armadas dos EUA, está passando por um processo de enxugamento e drástica contenção de despesas em função dos cortes orçamentários que ocorrerão nos próximos dez anos (processo também conhecido como “sequestration”). Existem programas militares em desenvolvimento que, por questões técnicas ou  políticas, não serão afetados ou eventualmente pouco afetados, mas que precisam ter seus recursos garantidos. E de onde vêm esses recursos? Da contenção de despesas.

Para manter o fluxo de recursos para estes programas, assim como o equilíbrio orçamentário, a USAF está avaliando cortar unidades em atividade. Dentre as diversas opções existentes (nenhuma delas fácil, diga-se de passagem) existe a possibilidade de aposentar todos os bombardeiros B-1B e/ou todos os aviões de ataque A-10.  Também existe a possibilidade de reduzir a quantidade de esquadrões de caças F-15 e F-16. Tudo isso ainda está sendo avaliado.

Este processo de enxugamento da USAF suporta a hipótese de que alguns caças F-16 Block 40/42 poderiam ser enviados para o AMARG em breve (assim como mais outros de versões anteriores). No entanto, esses jatos poderiam continuar sua vida operacional em outras forças aéreas antes do descanso definitivo no deserto.

caças F-16 na Base Aérea de Hill nos EUA afetados pela Sequestration - foto USAF

Se a eventual transferência de caças já estocados no deserto para a FAB parecia remota em função da urgência da situação (as aeronaves estocadas, de versões mais antigas, deveriam passar por um processo de recuperação antes de serem colocadas em atividade, consumindo um tempo precioso que a aviação de caça da FAB não possui), a transferência de caças F-16 lotados nos esquadrões da ativa da USAF, diretamente para a FAB, representaria um solução de curto prazo. Isso dispensaria modernizações, bastando “apenas” as formalidades da negociação dos  jatos, sobressalentes, treinamento e adaptação dos pilotos e das equipes de manutenção ao “novo” aparelho.

Mas é preciso lembrar que a “solução F-16” resolveria apenas uma situação emergencial vivida pelo País neste momento. Uma solução definitiva ainda aguarda uma definição, há anos postergada pelo Governo e que, pelos acontecimentos recentes, não parece estar próxima do momento de decisão. Em setembro deste ano, conforme revelado pelo Poder Aéreo, as propostas dos três finalistas do programa F-X2 precisaram ser revalidadas por mais seis meses, valendo até março do ano que vem, que por sua vez é um ano eleitoral. Ao mesmo tempo, o caça que era tido recentemente como favorito deixou de sê-lo.

Espionagem

Com é de conhecimento amplo, houve um desgaste nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos recentemente, em função da divulgação de que a agência de espionagem norte-americana NSA teria acessado mensagens eletrônicas da cúpula política brasileira, incluindo a própria presidente Dilma, assim como a interceptação de conversas telefônicas.

Uma das consequências deste episódio foi o cancelamento (inicialmente anunciado como adiamento) da visita de Estado que a presidente Dilma faria à Casa Branca em outubro deste ano. Porém, alguns setores da imprensa nacional davam como certa o anúncio da escolha do caça F/A-18E Super Hornet da Boeing como vencedor do programa F-X2 durante a visita. O governo brasileiro nunca se manifestou oficialmente sobre este eventual anúncio, mas o que realmente aconteceu foi mais um adiamento da decisão do F-X2.

Por parte dos Estados Unidos, o que poderia estar por trás de uma eventual disponibilização de caças F-16 Block 40/42 à FAB seria a possibilidade de Washington se reaproximar do Governo do Brasil, amenizando as consequências desgastantes do episódio onde ambos os países saíram perdendo.

Também não é do interesse de Washington que a capacidade de defesa aérea do Brasil seja duramente degradada, principalmente nos próximos anos, quando ocorrerão eventos esportivos de caráter internacional no País, e que demandam proteção aérea de credibilidade. Apesar da Copa do Mundo ser daqui a pouco mais de seis meses, praticamente descartando a entrada em operação efetiva de um “caça tampão”, deve-se ressaltar que no grande evento seguinte, os Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil receberá  diversas delegações estrangeiras. E uma das maiores delegações será justamente a dos Estados Unidos.

F-16 de unidade da Carolina do Sul decola de Nellis - foto USAF

Vertentes

Ainda segundo fontes do Poder Aéreo, essa questão dos caças atualmente divide a FAB (e, em parte, setores do Governo) em três vertentes. Existe um grupo dentro da FAB que trabalha incansavelmente para que o programa F-X2 seja definido o mais breve possível, para que os prejuízos da defesa aérea sejam mínimos. Este grupo atua constantemente junto à esfera política do País, buscando convencer as autoridades da importância do programa e dos prejuízos crescentes advindos da não decisão.

Paralelamente, um outro grupo atua nos bastidores, bem longe dos holofotes, com o propósito de definir um novo tampão para a FAB, como solução emergencial. Esta hipótese vem ganhando força com o passar do tempo, uma vez que o adiamento da decisão do F-X2 coloca em cheque todo o planejamento da FAB, reduzindo também a capacidade de dissuasão do País. Os caças Mirage 2000 sairão de cena no final do ano e os primeiros F-5 modernizados deverão dar baixa em 2017, conforme já foi dito por altos oficiais da FAB. Para essa vertente, está claro que um hiato ainda mais grave do que a baixa dos jatos Mirage 2000 ocorrerá na Aviação de Caça, em breve, se um tampão não for adquirido no curto prazo.

Há também um terceiro grupo, composto por elementos do Governo e que ganhou adeptos na FAB, que defende o cancelamento do programa F-X2 e a compra de caças russos (muito provavelmente da família Flanker, e de forma combinada a uma parceria futura e de longo prazo no programa do Sukhoi T-50, de quinta geraçÃo). Foi dito que essa proposta, feita no mês passado por uma delegação que visitou o Brasil, “balançou” alguns setores dentro e fora da FAB.

KC-X2, outra pendência

A FAB teve a oportunidade de entrar para o mundo do reabastecimento aéreo (REVO) com a compra dos F-5E, em meados da década de 1970, seguida primeiramente da aquisição de quadrimotores turboélice KC-130H, com capacidade de reabastecer os novos caças no ar, e depois de quadrimotores a jato KC-137. Desde então, a FAB conhece bem as vantagens táticas e estratégicas desta operação e não quer perder a expertise adquirida ao longo de tantos anos.

No entanto, com a desativação das últimas aeronaves KC-137 do esquadrão “Corsário” no dia 10 de outubro, a Força Aérea conta atualmente com um único KC-130H disponível para missões REVO. Na verdade, durante a Operação CRUZEX 2013, a FAB teve que se apoiar nas aeronaves de reabastecimento da Colômbia e da USAF devido à diminuição drástica de seus próprios aviões reabastecedores, mostrando a atual deficiência da força nesta área específica. Em breve, deverá voar o novo KC-390, jato de transporte da Embraer com capacidade de reabastecer os caças da FAB em voo. Porém, até a entrada efetiva em operação e em quantidade suficiente, naturalmente vão se passar longos anos.

O problema poderia ser totalmente contornado se o governo aprovasse a compra de dois jatos 767 (com possibilidade de um terceiro) que seriam convertidos pela empresa israelense IAI. Esta proposta foi a vencedora do programa KC-X2, gerenciado pela COPAC, conforme anunciado oito meses atrás.

KC-135 na CRUZEX 2013 - foto Icaro

No entanto, algumas fontes do Poder Aéreo (assim como de outras publicações) informaram que a proposta da IAI está “engavetada” porque o governo negocia, em segredo, a compra de um avião presidencial de longo alcance de segunda mão, atrelado à aquisição de aviões reabastecedores, de forma totalmente dissociada da seleção do KC-X2.

Porém, essa eventual compra poderia ser “atropelada” por outra proposta tentadora, de baixo custo e que proveria solução quase imediata. Fontes do Poder Aéreo informaram que a USAF estaria disposta a transferir três KC-135 Stratotanker para a FAB já no ano que vem. E essa negociação (sempre lembrando que são informações das fontes do Poder Aéreo, ligadas a possibilidades em estudo, e não uma verdade absoluta a se confirmar) independe de qualquer acordo sobre a compra de caças F-16 usados.

Nada ainda está muito claro (nem sobre os caças e nem sobre os aviões de reabastecimento) e existem alguns desencontros em relação a informações fornecidas pelas fontes, quando comparadas entre si. No entanto, o que parece muito claro é que o Governo está pouco interessado nas avaliações técnicas feitas pela FAB, querendo decidir por conta própria como a Força Aérea Brasileira deve ser mobiliada, ou simplesmente não querendo decidir nada.

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Edgar
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A ANG espera ansiosamente pela nossa compra.

Edgar
Admin
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A propósito, acho bom sermos rápidos na tomada de decisão (se é que isso existe no Brasil) pois senão podemos ter de disputar os F-16 “no tapa” com a Colômbia

Marcos
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Marcos

1) Será o tampão do tampão.

2) Não há nenhum sentido emburrar com os EUA por conta de uma suposta espionagem, não comprando aeronaves novas, mas comprando usadas.

3) Falta de verba? A arrecadação federal acaba de bater R$ 100 bi no mês de outubro.

Marcos
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Marcos

Vamos voar um ano e depois teremos de dotar as aeronaves com asa novas. Vamos comprar aeronaves sucateadas. Ou eles vão dar as aeronaves de graça como fazemos com a s nossas?

Marcos
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Marcos

Pergunta:

Por que abrem um processo licitatório se não vão comprar?

Marcos
Visitante
Member
Marcos

E os jornalistas chapa branca vão babar: “Governanta compra caças e aviões de reabastecimento para a FAB”.

Esse é um país atrasado, sob todos os aspectos que se olhe.

E o que vão fazer com as empresas brasileiras que investiram milhões, tudo incentivado pelo governo federal, para participarem do programa FX2?

eduardo pereira
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eduardo pereira

Vindo algum caça pra suprir a Fab mesmo que minimamente e um reabastecedor pra segurar a onda até o kc 390 ficar no geito já ta bom demais, melhor que nada , temos que nos adaptar a provavel realidade que deverá nos assombrar por mais 4 anos pois em todas as pesquisas a Dilma ta ganhando de lavada cada vez mais, feliz ou infelizmente isto é um fato.

Sds. Eduardo o observador.

Ever o F-16 de pertinho e nas cores da Fab pra mim será um sonho realizado !!!

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

“2) Não há nenhum sentido emburrar com os EUA por conta de uma suposta espionagem, não comprando aeronaves novas, mas comprando usadas.” Marcos, Para mim, uma coisa está mais ou menos clara na questão dos impactos da espionagem americana quanto à FAB e ao Governo: o que é impactante ou fundamental para um é diferente do que é para o outro. O que você está escrevendo pode muito bem ser a visão de setores importantes do Governo, preocupados com reeleição, imagem da presidente, em ter um “inimigo externo”, o espião americano, para desviar a atenção de outros assuntos etc –… Read more »

thomas_dw
Visitante
thomas_dw

nestas horas é que se descobre quem são os seus verdadeiros amigos – aqui não se trata apenas de vender, mas de demonstrar que se tem a vontade de apoiar a FAB e suprir as necessidades imediatas. Se a França assim desejasse fazer, poderia transferir outros 12 Mirage 2000, nao faz por que nao quer.

Apollo
Visitante

Não adianta, perdi as esperanças. Enquanto estes ___________________ estiverem no poder a única coisa na FAB que vai continuar crescendo é o acervo do Museu Aeroespacial……..

COMENTÁRIO EDITADO

Marcos
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Marcos

Carro com vazamento de óleo no motor. Opções:

(a) comprar um carro novo;

(b) mandar na oficina para arrumar;

(c) amarrar um pedaço de estopa no protetor do cárter para “segurar” o vazamento.

Marcos
Visitante
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Marcos

Opção correta: c

eduardo pereira
Visitante
Member
eduardo pereira

thomas_dw
19 de novembro de 2013 at 14:20

Meu caro tenho que concordar contigo, mas tem gente que quer fazer algazarra com a tal da espionagem pra tampar coisas piores e deixar as Faas desprovidas de meios decentes .

Galeão Cumbica
Visitante
Galeão Cumbica

Eu nao acho isso amizade nao, acho que tao receosos dos russos tomarem conta.

Sds
GC

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Galeão,

Independentemente de “amizades” ou não, há tradições. A da relação da FAB (com seus altos e baixos) com aeronaves e doutrinas da USAAF, depois USAF, vem desde a década de 1940. Já com aeronaves e doutrinas russas, vem desde a década passada, quando muito.

Isso com certeza pesa para vários setores dentro da FAB, independentemente da qualidade das ofertas russas. Há todo um relacionamento a se criar, para o bem ou para o mal, que é difícil de ser comparado.

Justin Case
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Member
Justin Case

Thomas, boa tarde.

Acho que nenhum dos concorrentes vai propor a venda de tampão enquanto não for decidido o F-X2. O motivo é que qualquer venda (ou leasing) de aeronave (tampão ou até mesmo um treinador) para a FAB daria chance de o Governo dizer que “a necessidade imediata foi atendida”.
Com uma decisão sobre o F-X2, qualquer que seja o escolhido, acho que rapidamente pode aparecer uma solução TAMPAX 2.
Abraço,

Justin

Marcos
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Marcos

A solução é fazer um leasing de um tampão similar ao vencedor do FX-2. Não há disponibilidade de Rafale. Não sei há disponibilidade de Gripen ou F-18.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Marcos, Disponibilidade de Gripen deve haver, pois 11 caças da versão C/D deverão operar interinamente na Força Aérea Suíça (caso seja assinado o contrato no ano que vem) por uns cinco anos, entre 2016 e 2020 (quando terminarem as entregas para um primeiro esquadrão de Gripen E suíço e começar a do segundo esquadrão, serão devolvidos). Além disso, nos últimos anos a Saab e o Governo Sueco ofereceram caças Gripen usados tanto à Croácia quanto à Romênia, se não me engano (esta última preferiu F-16 MLU de Portugal) e, se também não estou enganado, à Malásia. Assim, deve haver uma… Read more »

Galeão Cumbica
Visitante
Galeão Cumbica

Nunão,

mais uma vez obrigado pelo esclarecimento, mas eu tava me referindo aquela historia de interesses e nao amizade, coisa que eu acredito mesmo ter um fundo de verdade, ao menos se fosse eu na decisão eu analizaria esta possibilidade sim de a Russia e seus politicos (tao parecidos com os nossos), e eu tambem concordo com o que vc fala de doutrina de equipamento, apesar de eu não entender mto de avião, entendo de equipamentos e uma vez vc tendo ferramentais no sistema imperial (standard) trocar tudo pra milimetro da uma dor de cabeça $$$ enorme.

sds
GC

Justin Case
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Member
Justin Case

Marcos disse:
19 de novembro de 2013 at 15:08 #

Marcos, boa tarde.

Quem disse que não há disponibilidade de Rafale?
As forças francesas receberam mais aviões do que estava na programação, devido à demora em concretizar vendas ao exterior.
Em princípio, isso revela uma disponibilidade.
Abraço,

Justin

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Justin, boa tarde. Acho mais fácil uma disponibilidade de caças Rafale “de prateleira” novos de fábrica, nos próximos anos, do que realmente de caças em operação. Mas, de fato, pode haver uma certa quantidade excedente que poderia ser disponibilizada. Façamos as contas. Até onde sei, há cerca de 120 caças Rafale entregues, entre a Marinha e a Força Aérea francesas. Desses, mais ou menos 10 são do lote F1 e estão em modernização. Sobram 110. Creio que uns cinco foram perdidos em acidentes até hoje (conta de cabeça, não lembro do número exato). Arredondemos então para 105. Cada esquadrão da… Read more »

Nick
Visitante
Member
Nick

Interessante essa nota que diz que existem 3 vertentes dentro da FAB, cada uma trabalhando em uma direção. Talvez isso explique essa não decisão.

[]’s

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

“Nick em 19 de novembro de 2013 at 15:50 Interessante essa nota que diz que existem 3 vertentes dentro da FAB, cada uma trabalhando em uma direção. Talvez isso explique essa não decisão.” Nick, eu discordo. Uma das vertentes, aliás a principal, estaria justamente trabalhando para o F-X2 sair, e a “não decisão” tem que ser colocada inteira nas mãos da Presidência, que não decide nada há cerca de 3 anos. Por que não decide? Por culpa da divisão da FAB? Mas não é a FAB que decide, é a Presidência! A não ser que a FAB mandasse no Governo… Read more »

thomas_dw
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thomas_dw

a USAF pouco esta interessada em vender isto ou aquilo – este tipo de transferência ocorre quando a USAF quer, eles notificam o governo, que aprova ou nao. No caso, o Governo deles quer, a USAF sabe do valor de manter os laços de amizade da FAB no contexto da America Latina, veja o caso das vendas de F-16 ao Chile. Os EUA, de longa data, gostam de investir em alianças. E se a Marinha Americana tivesse mais influencia na FAB, vinha F-18E, mas eles nao tem, dai que vem F-16. Alias, se FAB tivesse como pagar, vinha F-15C. Quanto… Read more »

Justin Case
Visitante
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Justin Case

Thomas,

Acho que trazer avião de última geração para a Cruzex é fria.
Vai dar uma despesa enorme, e ainda vai-se dizer que os nossos pilotos (os melhores do mundo), com seus poderosos F-5M, derrubaram todos “de ruma”. E então, para que F-X?
Também é possível que, ao mesmo tempo, ocorra uma visita de autoridade (que investiu apenas o preço da passagem) para fazer propaganda de aviões-projeto baratinhos, os únicos capazes de vencer F-16, Rafale, Mirage, F-18, Typhoon, F-15 e até F-5M!
Abraço,

Justin

eduardo pereira
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eduardo pereira

O importante é vir , melhor pra nós mantermos as relaçoes com o titio Sam .

Justin Case
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Justin Case

Thomas,

Relendo, entendi mal seu comentário. Pensei que você estava falando em “vinha” para a Cruzex, mas era “vinha como tampão”. Mas a minha observação, apesar de deslocada, talvez não seja de jogar fora.
Sorry!
Abraço,

Justin

Alfredo Araujo
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Alfredo Araujo

“Marcos
19 de novembro de 2013 at 13:13 #

3) Falta de verba? A arrecadação federal acaba de bater R$ 100 bi no mês de outubro.”

Não adianta a arrecadação aumentar se os gastos do governo aumentarem na mesma proporção…
A torneira nunca esteve tão aberta como agora

Alfredo Araujo
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Alfredo Araujo

Como faço para colocar os comentários em Itálico e/ou em negrito ?

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

“Como faço para colocar os comentários em Itálico e/ou em negrito ?”

Alfredo,

Os negritos são prerrogativas dos editores*, assim como as maiúsculas, para avisos de edição e moderação nos próprios comentários.

Os itálicos são permitidos, mas eu não ensino mais a colocá-los.

Volta e meia temos que desfazer lambanças de itálico de um ou outro comentarista, que acabam deixando a coluna de comentários inteira em itálico…

Perdão!

*Também conhecidos como “los negritos”, para quem ainda se lembra. Vuuuuuuch vuuuuuuuch…

Galeão Cumbica
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Galeão Cumbica
Leonardo
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Leonardo

A notícia é boa, mas alguém sabe o estado destas células por mais quantos aos poderão ser utilizadas?

Nick
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Member
Nick

Caro Nunão, O problema é que com a “não decisão” da Dilma e a FAB esperando, e esperando, e esperando…. Deve ter gerado algum descontentamento e com razão. Sinceramente já passou da época de ficar “aguardando decisão”. Acredito que sou da vertente dos tampax…. 🙂 As propostas originais do FX-2 apesar de que melhoradas com vários BAFOs, estão perdendo a atratividade essa é a verdade. Os caças de 5ª geração deverão dominar o cenário a partir de 2025, e é meio estranho ficarmos amarrados ao FX-2 enquanto o mundo recebe caças de outra geração. Então, uma solução de caças que… Read more »

Marcos
Visitante
Member
Marcos

Nick

O descontentamento não é só na FAB. Por conta do FX2, suas contra-partidas e cartas de intenções, empresas brasileiras também investiram muito dinheiro na esperança de alguma coisa. Tudo jogado por água abaixo.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Roberto, Navegando a partir do link do AMARG, achei onde estão os F-16 que a Itália operou por leasing no programa “Peace Cesar”. Voltaram pro AMARG entre 2010 e 2012. Tem 24 remanescentes lá, pelo que entendi. São velhinhos, F-16A Block 15, mas receberam upgrades para poder disparar AMRAAM e passaram por revitalização há cerca de 10 anos, que os preparou para a operação na Itália: “After total refurbishment at Hill Air Force Base, UT, which entailed the strenghthening of the airframe and the testing, repair and upgrade of the avionic computers and equipment, the aircraft were delivered to the… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Roberto,

Ao longo desse ano, vi várias notícias sobre esquadrões de F-16 praticamente parados devido à “Sequestration”, o que reforça a possibilidade.

Uma dessas notícias eu transformei em matéria (apesar de ser um caso específico, de esquadrão Aggressor, com caças que, sinceramente, deveríamos passar longe…):

http://www.aereo.jor.br/2013/06/15/agressores-de-simuladores/

Não faltaram mais fontes sobre isso no próprio site da USAF, de esquadrões diversos. Aos poucos, as unidades têm voltado à atividade, desde outubro, mas ainda assim leio notícias sobre atividade reduzida.

Tadeu Mendes
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Tadeu Mendes

A setima economia do mundo (?????) vai comprar de prateleira e usado. Porque nao compra os F18 SH, com meia TOT, ou sem TOT, mas pelo menos e novo, saido da linha de producao, ao inves de comprar os F-16 usados. O F16 e uma maquina espetacular, mas vao comprar jatos usados ate os ossos. Os Boeing F-18 Super Hornets, seriam novinhos em folha. Novos turbofans, estruturalmente solido, pacotes de municao avancada, suite eletronica de primeira linha. Portugal e Grecia possuem F-16s. mas olha a posicao economica deles no mundo. O Brasil e um colecionador de sucatas profissional. Alguem aqui… Read more »

juarezmartinez
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juarezmartinez

Senhores! Esqueçam estas histórias de F 16, Gripen ou Su 35. Não vai sair absolutamente NADA, o orçamento de 2014 é uma piada. A única coisa que se surgiu uma luz no fim do túnel foi o KCX depois da Cruzex, e as responsabilidades de transporte que estão por vir com retorno de contingentes do Haiti, possível envio de contingente ao Líbano. Ahh, não se surpreendam se o Brasil ficar com comando da Unifil sem navio, a MB estuda um plano B de mandar um dos Amazonas para lá, mas tudo co campo dos sonhos ainda….. Apartir de agora a… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

“O Brasil e um colecionador de sucatas profissional. Alguem aqui no site poderia me dizer se os F-5 comprados na decada de 70 vieram da fabrica? E os Mirage, tambem foram sucatas francesas, tanto os Mirage III quanto os atuais em servico na FAB?” Tadeu Mendes, A resposta ficou longa, mas vale como resumo histórico para quem não conhece os fatos. Os F-5 comprados na década de 1970 vieram novos de fábrica, entregues em 1975-76 (42 unidades, 36 F-5E e 6 F-5B – estes últimos porque o F-5F ainda só existia como protótipo, à época). Os Mirage III comprados na… Read more »

Tadeu Mendes
Visitante
Member
Tadeu Mendes

Amigos, Fernando de Martini, obrigado pelo extenso e exaustivo (para voce) relatorio.Valeu….e tinha a minhas supeitas de que essa epoca maravilhosa de jatos de combate novinhos em folha, foram adquiridos na epoca do regime militar. Eles, militares de outrora, tinham uma visao e uma plano estrategico para o Brasil, e fizeram o que foi possivel para tirar o Brasil da era agricultural e empurralo a um nova era tecnologica. O Brasil tinha planos de crescer, e cresceu. Tiveram que endividar o pais, mas nao havia outra solucao. Pelo menos o pais saiu do abismo terceiro mundista em que vivia, e… Read more »

champs
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champs

Sobre o tampax: Não é o tampax que deve influenciar o F-X2 e sim o F-X2 que deve influenciar o tampax. Sobre as vertentes: Se eu sou o comandante da FAB minha proposta para o governo seria: – Ok, vocês querem os russos, mas vai ficar muito feio cancelarmos agora e decidir por um caça que foi eliminado nesta mesma seleção, além de não termos orçamento para operar um Su-35 hoje. Podemos fazer o seguinte, decidam pelo de menor custo da nossa avaliação (Gripen NG) e negociemos com os russos a entrada no programa T-50. Atenderia à FAB e ao… Read more »

Roberto Bozzo
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Roberto Bozzo

Srs por gentileza. Falamos tanto em compras de tampão e/ou novos que me surge uma dúvida:
– considerando as dimensões do Brasil qual a quantidade ideal de aeronaves que deveríamos ter ?
Pergunto porque um país como a França, que é aproximadamente, do tamanho de MG pretendia ter, antes das revisões de seu Livro Branco de Defesa, 300 caças (incluindo os navais). Sempre tive esta curiosidade e não encontro uma referência do assunto. Existe uma “fórmula matemática” para isso ?
Pelo que entendi as famosas 120 unidades seriam o mínimo necessário mas queria saber a quantidade ideal, se possível; independentemente do vetor utilizado.

Tadeu Mendes
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Member
Tadeu Mendes

Roberto Bozzo, Ta dificil a sua proposta.Voce usou a Franca como exemplo, pensando nas dimensoes geograficas. Deve ser uma variavel importante, mas existem outras a serem consideradas; penso eu (populacao,a ser defendida, proximidade a potenciais inimigos, centros industriais e populacionais de maior densidade, areas extrategicas a serem defendidas, e projecao de poder), Como podemos analisar o caso de Isarel por exemplo? Area total inferiror ao tamanho do Estado do Espirito Santo, populacao pequena, cercados por inimigos declarados, areas estrategicas, centros industriais e urbanos extremamente densos. Serao estes os fatores pelos quais Israel possui um numero de jatos de combate aproximando… Read more »

Oganza
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Oganza

Nunão
em 19 de novembro de 2013 at 21:37

Execelente, maravilhoso resumo…

e isso não dá um post não, isso dá um manifesto e uma denuncia a prevaricação para com as FFAA, no caso a FAB e sua responsabilidade constitucional primária.

Parabéns.

Ps.: depois das contas, é de se ficar deprimido mesmo, mas depois vem a ira afff.

Sds.

nunes neto
Visitante
nunes neto

Tadeu Mendes, a diferença é que naquela época os próprios militares decidiam e executavam a compra, hoje os militares tem visão e plano estratégico de defesa,mas são os civis do governo que decidem, e isso independe de partido,lembrar que o FX começou com o FHC!Não estou defendendo partido nem um mas temos que ser justos,sem ideologias e com os militares, denho certeza que se eles decidisem as compras nos já tinhamos os caças, os relatórios já foram entregues faz tempo,a decisão é politica, tanto para o FX como para o FX2!Abçs

Control
Visitante
Control

Srs Considerando as informações contraditórias disponíveis, a opção pela desativação do M2000 sem substituto a vista, a realidade orçamentária atual e os possíveis cortes que devem vir quando passar a eleição e a Copa, a prospecção de F16 do AMARG sinaliza mais a busca de uma solução para a substituição dos F5 que começarão a sair de cena em 2017 do que a solução para o GDA, senão vejamos: • Os M2000 saem de cena este ano, o que implica que sua substituição teria que ser imediata, não possibilitando perda de tempo com revisões e “upgrades” demorados. Isto tira qualquer… Read more »

juarezmartinez
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juarezmartinez

Roberto Bozzo 19 de novembro de 2013 at 23:41 # Srs por gentileza. Falamos tanto em compras de tampão e/ou novos que me surge uma dúvida: – considerando as dimensões do Brasil qual a quantidade ideal de aeronaves que deveríamos ter ? Pergunto porque um país como a França, que é aproximadamente, do tamanho de MG pretendia ter, antes das revisões de seu Livro Branco de Defesa, 300 caças (incluindo os navais). Sempre tive esta curiosidade e não encontro uma referência do assunto. Existe uma “fórmula matemática” para isso ? Pelo que entendi as famosas 120 unidades seriam o mínimo… Read more »

Edgar
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Roberto, se formos dotar cada base aérea da FAB com um mínimo de 01 esquadrão de 18 caças, número ideal proposto, se não me engano, pelo Nunão, e levarmos em conta a quantidade de bases aéreas que operam caças (http://www.aereo.jor.br/destaques/2-as-bases-aereas-da-fab-e-a-defesa-do-espaco-aereo-brasileiro/), que, suponho, serem algo em torno de 20 destas da página, chegaríamos a um total de 360 aeronaves, sendo que, nesta minha estimativa, apenas duas bases aéreas já estariam dotada com todo o contingente de caças do FX-2, o que acredito que não acontecerá no Brasil nem em tempo de guerra. Nas previsões mais otimistas teremos 10 esquadrões com 12… Read more »

Iväny Junior
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Iväny Junior

Caros Senhores A meu ver, a melhor solução, já supra citada, seria a aquisição de Gripen NG via FX-2 e operação por leasing no GDA de Brasília até a entrega; F-16Q (Q de qualquer block) chegando para o lugar dos f-5, que são uma vergonha para a FAB. Como já foi falado aqui, eles foram produzidos em grandes quantidades, e no deserto existem grandes números deles, de F-15C Eagle e F-14. Se Obama tivesse senso de humor, ele ofereceria F-14 “de graça”, banânia só arcando com a manutenção. Os F4 alemães cairiam muito bem na marinha, também dá uma pena… Read more »

Marcos
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Marcos

Primeiro tem de ser anunciado o vencedor do FX2.

Segundo, o tampão tem de ser o mesmo avião do vencedor, para minimizar custos de transição.

ou

Cancela-se o FX-2 e compra-se o que quiser.

Alguém perguntou sobre o mínimo de caças?
Para essa conta de boteco é necessário ver as dimensões do país e o raio de ação da aeronave, isso simplesmente para policiamento aéreo. E ai, para cobrir todo o espaço aéreo e ainda deixar alguns furos, pelo menos oito bases com 12 caças.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Senhores, atendendo à pergunta do Roberto Bozzo, vou comentar por partes algumas respostas antes de dar opinião: “…levarmos em conta a quantidade de bases aéreas que operam caças (http://www.aereo.jor.br/destaques/2-as-bases-aereas-da-fab-e-a-defesa-do-espaco-aereo-brasileiro/), que, suponho, serem algo em torno de 20 destas da página” Menos, Edgar. Bem menos. Não faz sentido algum ter esquadrões de caças em cada uma das bases ou núcleos de bases da FAB. Há hoje 10 esquadrões de caça afeitos à III Força Aérea (equipados desde o A-29 até o F-2000) em 8 bases (9 se contássemos Natal,mas o 2º/5º GAV, equipado com A-29, está afeito à I Força Aérea,… Read more »

Iväny Junior
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Iväny Junior

No fim, acredito que veremos a aquisição dos piores mirage 2000 que estejam nas prateleiras francesas. Ninguém se empolgue com o traço 5 ou 9. Na melhor das hipóteses o “D”.

A única vantagem seria a incorporação imediata uma vez que os pilotos já estão familiarizados com a máquina.

Marcos
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Marcos

Yvany

Não vejo como adquirir os Mirage pé de boi franceses, que precisariam de atualizações, que é o caso que os nossos precisam e por isso mesmo estão sendo desativados.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Famed Member

Iväny, O Mirage 2000 D é uma versão especializada em ataque, último dos modelos Mirage 2000 a sair da linha de montagem para equipar a Força Aérea Francesa (os Mirage 2000-5 da Força Aérea Francesa são velhos modelos C modernizados e versões mais modernas, de fábrica, foram para exportação). Para as missões de ataque realizadas pelo Mirage 2000 D, já temos hoje o menos avançado A-1 e teremos nos próximos anos o A-1M, com aviônica superior. Ou seja, Mirage 2000 D não supriria a lacuna da FAB, além do que a França não pretende se desfazer deles tão cedo. Muito… Read more »