Home Aviação de Caça Caças ‘cansados’ representam metade da frota de F-5 da FAB

Caças ‘cansados’ representam metade da frota de F-5 da FAB

4289
42

Apelidados de “Aggressors”, os F-5 comprados no final da década de 1980 deverão ser os primeiros a dar baixa

 

dia da aviacao de caca 2013 elemento de F-5 - foto 4 poggio
Um elemento de F-5EM sobre a pista da BASC. O exemplar em segundo plano é um F-5 do lote “Aggressors”. Ele pode ser facilmente distinguido dos F-5 originais da FAB (em primeiro plano) pela ausência da extensão na frente da deriva. Clique na imagem para ampliar. FOTO: G. Poggio

vinheta-exclusivoAutoridades da FAB já anunciaram que os primeiros F-5EM serão desativados em quatro anos. Não se sabe exatamente quantos e tudo depende de vários fatores, incluindo o número de horas que estas aeronaves voarão nos próximos anos e quando ocorrerão os períodos das grandes inspeções de parque (IRAN). Mas o que se sabe é que este será o “começo do fim” para os F-5 na FAB.

A FAB conta atualmente com 43 caças F-5E modernizados, além de 3 do modelo F, biposto. Destes, boa parte é composta dos remanescentes de um lote de 26 aeronaves usadas adquiridas no final da década de 1980 (22 do tipo monoposto e 4 do modelo biposto) com o propósito de repor perdas e aumentar a frota de 36 jatos F-5E (mais 6 F-5B) adquiridos novos e que haviam entrado em serviço em meados da década anterior. Ainda que algumas perdas por atrito tenham ocorrido entre os jatos desse segundo lote desde que foram adquiridos, a proporção dessas aeronaves na frota atual da FAB corresponde a praticamente metade do total.

Embora as aeronaves deste lote tenham menos “tempo de casa”, elas são mais antigas e foram empregadas de forma mais intensa. São elas as candidatas principais para deixarem as linhas de voo em 2017.

Como se sabe, estes jatos pertenciam à USAF e voavam nos esquadrões 425 TFS, 64 AS e 65 AS. O primeiro ficava baseado em Williams e os dois últimos em Nellis, ambos no estado do Arizona. A 425 TFS era uma unidade de formação de pilotos de F-5 e as outras duas eram unidades do tipo “Aggressors”.

Independentemente de qual unidades estes caças pertenciam anteriormente, sabe-se que os pilotos norte-americanos não tinham piedade dos aviões. Eles exigiam sempre o máximo dela em performance. E isto incluía manobras onde a aceleração da gravidade (o famoso “G”) chegava aos limites suportados pela aeronave. Tudo isso contribuía para o desgaste prematuro das células.

Quando a USAF resolveu se desfazer dos F-5, os Fuzileiros Navais e a Marinha dos EUA selecionaram as aeronaves que estavam em melhores condições. O que sobrou teve dois destinos: parte foi armazenada em Davis-Monthan e parte foi vendida para países aliados dos EUA. Dentre eles estava o Brasil.

Quando os aviões chegaram ao Brasil e os técnicos da FAB tiveram a chance de avaliar as células melhor e ficou claro para a comunidade do F-5 que aqueles aviões mal podiam voar. Mas graças ao trabalho intenso, principalmente do PAMA-SP, os aviões foram recuperados em um processo quase artesanal, voltaram a voar e praticar o combate como os demais. E, mais recentemente, passaram pelos trabalhos de modernização para o padrão “F-5M”, na Embraer, juntamente com os F-5 do lote original (exceto os F-5B, que deram baixa na década de 1990, substituídos pelos F-5F).

PAMA-SP 2012 - F-5EM 4856 em exposição - foto Nunão - Poder Aéreo
O F-5E mais antigo do mundo faz parte da frota da FAB: trata-se do F-5EM 4856, que recentemente completou 40 anos de seu primeiro voo, e que foi adquirido no lote dos “ex-Aggressor” no final da década de 1980. Na foto, a aeronave quando se encontrava no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP) para um novo período de inspeções. FOTO: Fernando “Nunão” De Martini

 

Não é segredo que aquelas aeronaves que deverão ser descarregadas em 2017 virão basicamente do lote dos “Aggressors”. Mas a pergunta que se faz é: em qual quantidade? Conforme mostrado acima, o número de células “Aggressor” representa hoje cerca de 50% da frota atual. É uma fração muito significativa do inventário da FAB, principalmente se considerarmos que a Embraer está modernizando somente 11 F-5 (oito modelos F-5E e três F-5F) que pertenciam à Jordânia.

Se a FAB decidir por aposentar metade dos “Aggressors” em 2017, eles poderiam ser substituídos pelos “Jordanianos” na base de um por um (considerando que o processo de modernização deles seja encerrado até lá). Mas qualquer coisa além disso significará que a FAB terá uma redução da quantidade de caças  em seu inventário (que já é pequeno).

PAMA-SP 2012 - células de F-5E e F ex-Jordânia com pintura primer - foto 2 Nunão - Poder Aéreo
Células de caças F-5E (monoposto) e F-5F (biposto) comprados da Jordânia e que passaram por processo de inspeções, revisões e reparos no PAMA-SP, aguardando entrega à Embraer para modernização ao padrão F-5M. Clique para ampliar. FOTO: Fernando “Nunão” De Martini

 

Na verdade, considerando toda a primeira linha da FAB, a redução de caças deverá começar ainda este ano com a desativação dos Mirage 2000, caso seja seguido o planejamento original, que consta até mesmo no nosso Livro Branco de Defesa. Realmente tudo indica que o período de “entressafra” na caça será longo e agonizante até uma nova aeronave (F-X2?) entre em ação.

VEJA TAMBÉM:

42 COMMENTS

  1. Poxa vida Poggio será que ninguém (com poder político e influência ) pode tomar partido pela FAB e tentar salva-la desta quase extinçao que se aproxima?
    Apenas te-la para transportar carga ( também com os futuros kc-390 ) é sacanagem, tantos pilotos,qualificados e dignos de caças no estado da arte voando caças recauxutados e prestes a perder até estes , é decepcionante .
    Deus abençoe que cheguem logo os SH (muuuuuito bem vindos )novos e principalmente uns usados como tampoes pra esperar a safra novinha .

    • Poxa vida Poggio será que ninguém (com poder político e influência ) pode tomar partido pela FAB e tentar salva-la desta quase extinçao que se aproxima?

      Caro Eduardo Pereira

      Isto tudo é falta de visão de Estado dos nossos parlamentares/governantes (não todos, claro). E o pior. Quem os colocou lá fomos nós.

      Nenhum governo no mundo civilizado precisa “salvar” sua Força Aérea quando se entende o papel desta.

  2. 12 Mirage em 2013
    22 F5 a partir de 2017

    então este FX2 mal cobre estas desativações… e o Saito ainda tem credibilidade com a presidenta ??? Só ser for como pessoa, pois como comandante da FAB não é…. se tivesse esta “credibilidade” teria coragem de chegar e pedir uma definição imediata para o bem do país e da força e não ficar quieto vendo a situação chegar a este ponto.
    Desculpem o desabafo mas cansa só ver notícia ruim e este governo a 11 anos destruindo meu país e suas instituições.

  3. Prezado Poggio, excelente matéria, parabéns

    O FX2 de fato não cobre toda aviação de caça brasileira. Mas o FX2 tem uma opção de até 120 aeronaves.

    Aliás, na minha modesta e precária visão a FAB não precisa de 10 esquadrões (120 aeronaves, sendo 12 por esquadrão) de caça. Até porque não possui isso hoje, e é bem discutível se terá algum dia.

    Precisava apenas de 6, nas seguintes localidades:

    – Anápolis, Campo Grande, Santa Maria, Rio de Janeiro, Natal e Manaus.

    Total FAB: 72 aeronaves.

    Mas a aviação naval da Marinha também precisava de caças, operando de bases no litoral, quais fossem:

    – Canoas, São Pedro da Aldeia, Recife e Belém.

    Total MB: 48 aeronaves.

    Total Brasil: 120 aeronaves.

    Com essa distribuição cobriríamos a totalidade do território nacional e controlaríamos totalmente o mar territorial brasileiro. Nenhum país da América Latina se compararia ao Brasil em poder aéreo.

    A aeronave ideal para isso sem dúvida alguma é o Boeing F/A-18E Super Hornet. Por suas qualidades e por seus custos/escala.

    Saudações.

  4. Nossa possibilidade de mudança está proxima( eleiçoes de 2014), ao menos algumas poucas coisas sempre mudam após uma eleiçao nao é? Me lembro de muitos anos atrás (ja estou no 3,4 p/3,5) quando meu pai me levou pra ver um show aéreo c/ Esq. da Fumaça, caças F-5 em rasantes pela pista do aeroclube além de formação com o kc-135,bacana, gostaria muito de levar meus filhos pra verem o mesmo com caças atuais em demonstraçao ( a Esq. Fumaça ja se atualizou com o A-29 ) aqui em BH nao se vê muito avioes de combate voando . Tomara que esta visao (hoje míope) de nosso GF se alargue e contemple as necessidades de nossas FAs tao carentes de equipamentos e extrutura adequados para bem cumprir suas atribuiçoes e funçoes.

  5. Lamentável essa situação da FAB.
    Fico impressionado com essa situação caótica que se encontra a FAB.
    Caso não saia o anúncio dos caças este ano as coisas vão se complicar !!!
    Políticos brasileiros são uns b_____.

    EDITADO

  6. Muito bem colocado lord Vader, em se tratando de nosso investimento(repasse) anual de verbas pra manter cada força ,esta quantidade enxuta de 6 esquadroes cai como uma luva ( também os 48 da MB). Bem colocado, e ,aproveitando, Poggio, meus cumprimentos pela excelente matéria,objetiva e bem explicada ( de facil entendimento para menos entendidos do assunto como eu) e extendo a todos ae do PA,PN e Forte. To aguardando ancioso pela próxima ediçao da revista !!

  7. Vader, eu já acho 120 caças para a FAB pouco tendo em vista a imensidão do território brasileiro, a enorme fronteira norte/noroeste ficaria desprotegida (não considero os ST).
    Se deslocar as unidades de Anápolis para cobrir a região em Porto Velho(RO), por exemplo, deixaríamos a capital sem proteção, além do tempo de desdobramento até o local que seria significativo.
    Não vejo a FAB nos dando proteção contra nossos vizinhos, nenhum deles, pois mesmo em coalizão não tem capacidade de enfrentamento conosco, mas vejo como possibilidade, o uso de territórios vizinhos como uma forma de chegar ao nosso território.
    Quanto a MB concordo com vc, talvez com mais meios, criaria-se assim um arco de defesa de nossa plataforma continental… mas pelo que andei lendo a MB quer PAs para um confrontamento longe de nosso território dando tempo de organização ao EB e FAB (pelo menos foi isso que entendi).

  8. Faço minhas as palavras do eduardo pereira, especialmente quanto à objetividade da matéria, sem que com isso se perdesse conteúdo.

    No mais, pelo visto, a aviação de caça da FAB entrará em processo de hibernação, o que talvez somente não ocorra, ao menos não totalmente, se ainda este ano seja anunciado o vencedor do FX-2.

    Sds a todos!

  9. Não foi nós que botamos aquela cambada que vive em Brasília. Eu não elegi governador, nem presidente, apenas deputado estadual o qual me decepcionei um pouco pelas bandeiras que levantou após eleito.

    Enxergo nos eleitores nordestinos boa parte da culpa nos corruptos eleitos no país, pois lá tem muito mais políticos eleitos por micro estados e estes têm grande “puder” no Congresso e no “guverno”. Se não fosse permitida a reeleição do Legislativo o Brasil seria uns 30 anos evoluído para melhor.

    Voltando aos caças, é uma vergonha essa situação, como os brigadeiros aguentam isso calados? Sugiro um grande motim na FAB e deveria contar com o apoio dos pilotos comerciais em geral.

    Como um país pode gastar ridiculamente mais de R$ 500.000.000.000,00 (isso mesmo, mais de Quinhentos Bilhões de Reais) em estádios para um evento de 20 e poucos jogos que pode atrair menos da metade de 1 mi de turistas e não pode gastar 10 bilhões de Reais para comprar equipamento moderno e com tecnologia para a segurança do país e para desenvolvimento da indústria respectivamente?

    É o legítimo pródigo, para festa tem dinheiro, e para saúde, segurança e defesa “no aí plata”.

  10. Vader:

    Eu incluiria ai Cachimbo, que hoje não conta com nada, sequer existe, mas para dar uma cobertura completa ao território brasileiro, deveria ali existir uma Base Aérea.

  11. Pois é Poggio tem horas que não dá pra aguentar e sai umas dessas, acabei sendo editado.
    Agora é esperar um aposição do governo, mas já sabendo que vai vim cortes no orçamento e ainda outras medidas podemos ficar sem o anuncio do FX2.
    Claro e evidente que se trata de uma desculpa descabida, pq sabemos que o pagamento não será de imediato e sim depois de 1 ano então temos tempo para se organizar e prevê o pagamento dos caças.

    Enfim vamos ver se chegaremos no talo mesmo com nosso caça.

  12. Além de um navio torto, temos então um caça torto. Muito bom!
    O primeiro por incompetência, má gestão e politicagem. O segundo por uso mesmo.

  13. Olhando esta foto, nao precebi um bicudo maior que o outro, o F5EM não deveria ter um bicão maior? Acompanhando a pintura e a sonda, parecem ser os dois do mesmo tamanho.

    E so pra não dizer que eu não falei das flores, vou dar minha cornetada tb.

    Tamos ai na palhaçada dos hoteis cobrando 400% mais do que o normal, realmente não da pra levar o pais a sério, imagina onde vai parar a imagem do país, e a Globo quando vai falar dos manifestantes do Brasil chama-os de vandalos e quando vai falar da Turquia chama os de manifestantes.

    sds
    GC

  14. Cometi um grande erro em meu comentário anterior, devido ao texto ser comprido e mudar as frases durante a escrita. No 4º parágrafo leia-se:

    “Como um país pode gastar ridiculamente mais de R$ 500.000.000.000,00 (isso mesmo, mais de Quinhentos Bilhões de Reais) em obras eleitoreiras e hiperfaturadas com materiais de má qualidade e que extrapolam os prazos de entrega e, ainda, gasta mais de 5 Bi de Reais em estádios para um evento de 20 e poucos jogos que pode atrair menos da metade de 1 mi de turistas e não pode gastar 10 bilhões de Reais para comprar equipamento moderno e com tecnologia para a segurança do país e para desenvolvimento da indústria respectivamente?”

    Este, sim, vem a ser o que queria escrever.

  15. Vader, discordo que a MB possua uma aviação de caça praticamente do mesmo tamanho que a da FAB. No máximo um esquadrão mesmo, para manter alguma proficiência.

    Já quanto ao número de esquadrões da FAB e suas localizações, concordo contigo. Mas aumentaria o número de aeronaves por esquadrão de 12 para 20, para manter a capacidade do esquadrão em sua área de proteção quando do envio de destacamentos para outras localidades mais remotas ou ainda missões no exterior. Total: 120 caças.

    O FX-2 poderia vir em 3 lotes: 36 pra ontem pra cobrir 3 bases/esquadrões, substituindo os Mirage 2000 e aliviando a situação dos F-5; mais 36 para substituir os demais F-5 nos 3 esquadrões restantes e padronizar a Força; e finalmente mais 48 para reforçar todos os esquadrões.

    Mas isso não vai acontecer nunca, ninguém neste país pensa estrategicamente e à longo prazo como nós aqui do blog.

  16. Milord,

    se vc ja teria uma base no Rio de Janeiro, pq alocar mais 12 caças em São Pedro da Aldeia, não é too close?

    Pq não em Çantos!!!?

    sds
    GC

  17. “Galeão Cumbica disse:
    13 de junho de 2013 às 13:43
    Olhando esta foto, nao precebi um bicudo maior que o outro, o F5EM não deveria ter um bicão maior? Acompanhando a pintura e a sonda, parecem ser os dois do mesmo tamanho.”

    Galeão, os “bicos” (ou melhor, narizes) do F-5E e F-5F à frente da cabine são iguais em tamanho, diferindo apenas no arranjo dos canhões (dois no F-5E que caíram para um no F-5EM e um no F-5F que caiu para nenhum no F-5FM).

    O que muda é o comprimento total dos caças, já que o F-5F tem pouco mais de um metro adicionado ao comprimento para instalação do segundo assento (grosso modo, “atrás” do assento do monoposto). Assim, o aumento do comprimento não se dá no bico de nenhum deles, e sim na parte da fuselagem logo à frente das tomadas de ar do modelo biposto (F).

    Talvez você esteja se confundindo com o que ocorria entre os antigos F-5A e F-5B, que tinham praticamente o mesmo comprimento. Naquele caso, a solução era diferente: mantinha-se o comprimento mas o segundo assento era instalado, grosso modo, “à frente” do assento do monoposto, tomando justamente o lugar do bico onde se instalavam os canhões.

    Para ver diversos desenhos de caças F-5 da FAB (incluindo o B que exemplifiquei acima) e tirar a dúvida, acesse esse ótimo link abaixo, e navegue para a parte de caças no menu, siga para o F-5 e vá até os diversos perfis no fim da página:

    http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html

  18. Ah, ia esquecendo:

    Suponho que você esteja falando da foto das células ex-Jordânia, onde em primeiro plano está um F-5E e em segundo plano um F-5F (e dá para distinguir pelo suporte que divide o espaço da cabine, de maior comprimento, em duas partes no caso do F-5F).

    Se você estiver falando da foto de abertura, trata-se de dois F-5EM, com “bicos” de tamanho exatamente igual. O que muda, para distinguir os lotes originais, é a aleta dorsal.

    Além disso, não há diferença no comprimento do “bico” entre um F-5E, não modernizado, e um F-5EM. O que muda é o comprimento da área ocupada pelo radome, à custa da área ocupada pela fuselagem metálica original e que foi cortada para que o radome pudesse crescer, como se pode conferir na matéria abaixo:

    http://www.aereo.jor.br/2011/11/08/pama-sp-2011-comparando-os-novos-e-os-velhos-bicos-dos-bicudos/

  19. “Galeão Cumbica disse:
    13 de junho de 2013 às 13:50 (Editar)
    Milord,
    se vc ja teria uma base no Rio de Janeiro, pq alocar mais 12 caças em São Pedro da Aldeia, não é too close?
    Pq não em Çantos!!!?”

    Não sei o que o Vader acha, mas posso dar meu pitaco: não vejo nenhum problema em ter dois esquadrões de caças F-X2 (um da Marinha e outro da FAB) no Rio de Janeiro. Pelo contrário. A Marinha deve ajudar na defesa de seus próprios ativos no Rio, como arsenal, base entre diversos outros, além da defesa de sua própria base aeronaval. Já a FAB também tem a mesma necessidade. E, somando tudo, há o tal do “Pré-Sal”.

    Assim, creio que o Rio deve ter mesmo dois esquadrões de caças a jato do quilate dos concorrentes do F-X2, pelo menos (hoje tem três no papel, o 1ºGAVCA com F-5M – que por tradição é composto por dois esquadrões mas na prática é um só – o 1º/16º GAV com os jatos de ataque A-1 e futuramente A-1M, e o VF-1 da Marinha com seus AF-1, ou A-4 Skyhawk, como preferirem). É justo e coerente que seja um da FAB e outro da Marinha, na minha opinião. A única diferença, também na minha opinião, é que talvez valesse a pena dada a proximidade das bases que ambos ficassem baseados em Santa Cruz, e não um ali e outro em São Pedro da Aldeia, o que ajudaria na manutenção, gerando economia.

    Quanto a Santos, não faria muito sentido nem para a FAB nem para a MB, creio eu. Santa Cruz é uma base muito mais equipada e maior, que pode também ser ampliada em sua infraestrutura, o que tornaria estranho uma mudança, e Santos já ficaria um tanto longe do principal núcleo logístico, de pessoal etc da Marinha, dificultando os contatos pessoais entre os integrantes do esquadrão e os integrantes da esquadra, do porta-aviões etc.

  20. Nunao obrigado pela aula, mas acho que ja li que estes narizes se diferiam por causa do acrescimo de um radar, vou dar uma procurada.
    Sobre santos eu mencionei por causa do nosso presal, mas como vc ja deu o pitaco e se baseou nos ativos da marinha que estao na sua maoria la na baia de guanabara, concordo 100%.

    Sds
    GC

  21. E vejo os colegas falando em “comprar” 72, 120, ou seja o número que for.

    O problema não é comprar, vai ser OPERAR, com o orçamento de custeio atual e o tamanho físico da força.

    Na minha modesta opinião deve haver primeiro uma redução, seguida de uma racionalização de estrutura física(bases, comandos, instituições de pesquisa, e parques de manutenção) e em seguida uma padronização de meios e de vetores, desde o automóvel administrativo,a pickup, o caminhão de transporte até os vetores, sem isto meus amigos podemos até comprar, mas logo ali vamos ter enfeites de hangar por falta de manutenção.

    Quanto as bases, hoje daria para fechar seguramente sete base e não ia mudar nada em termos de cumprimento da missão, porque somente no RJ a FAB tem três base, masi área no Santos Dumont, Comar, PAME e mais não sei o que. Poderia ficar tão somente a BASC, o resto fecha e aliena os terrenos para venda e põe o dinheiro no caixa

    Outra questão importante que eu não vejo amigos abordarem é a criação da doutrina e a sua manutenção, porque de nada adianta termos o F 18 SH e não sabermos tirar o máximo que aeronave ,pode dar, porque não conseguimos arma-lo adequadamente, não conseguimos efetuar um número mínimo de disparos reais para aferir o desempenho da arma e a doutrina de emprego da mesma e do piloto.

    Na FAB, na MB só se dispara um míssil real em dois momentos, quando o lote está para caducar,ou quando se compra para homologar, depois vai para o paiol e esquece.

    Senhores, junto com as compras deve vir a mudança de postura e de pensamento e da forma de agir, se não, tudo vai continuar exatamente igual, ou seja uma merd……..

    Grande abraço

  22. A matéria (excelente) está nos dando a agenda do desaparecimento da aviação de caça brasileira:
    – 2013: todos os Mirage 2000;
    – 2017: metade dos F-5;
    – 2020/2025?: o restante dos F-5 originais.

    Em mais uma década, a FAB não terá aviões supersônicos suficientes para formar um esquadrão, talvez com exceção dos “novos” F-5 jordanianos.

    O problema da saída de serviço destes aviões inclusive inviabiliza a escolha do vetor francês para o FX-2, se não estou enganado: como a Dassault produz apenas 11 aviões por ano e precisa atender as encomendas da França (e provavelmente da Índia), não haverá tempo útil para substituir os 34 aviões (Mirages e F-5) que saem de serviço até 2017, mesmo que a linha de produção francesa dobre de tamanho.

    E sobre o Gripen E/F, como ainda não possui produção seriada, penso que não se pode ter certeza do número de aviões a serem produzidos anualmente, embora deva ser algo similar a linha do caça francês.

    Ou seja, o único avião cuja cadência de produção poderia resolver o problema é o F-18.

    • “O problema da saída de serviço destes aviões inclusive inviabiliza a escolha do vetor francês para o FX-2, se não estou enganado: como a Dassault produz apenas 11 aviões por ano”

      Observador,

      Havendo encomendas externas, a Dassault e seus fornecedores podem aumentar a cadência de produção, sem problemas. Aliás, com um único problema: isso tem que ser feito com uns três anos de antecedência, mais ou menos (como você supôs quando falou de haver tempo útil). O que não é muito diferente de qualquer outra linha de produção, pois essa depende de itens que precisam ser produzidos antes, e aumento de pedidos etc precisa de previsão logística etc.

      Mas eu creio que esse prazo daria para entregas por volta de 2017 / 2018, caso a escolha fosse hoje e se levasse no máximo um ano para assinar um contrato. Isso porque (veja post que está alguns para baixo deste), no caso da Índia, se o contrato for assinado este ano, as primeiras entregas seriam em 2016.

      Digo mais: se vier uma encomenda brasileira, creio que não haveria problema algum na França desistir de praticamente todos os caças que pretende adquirir nos próximos anos para atender mais rápido ao nosso pedido. Eles estão até desejando isso, para poder investir em outros programas mais urgentes e esticar por mais tempo o recebimento (e consequente pagamento) de seus caças Rafale. Por isso eles esperam que em 2016 a Índia absorva uns 70% dessa cadência atual de 11 aeronaves anuais (vide o post ao qual me referi). Estaríamos fazendo, isso sim, um grande favor ao tesouro francês se comprássemos os 30% restantes!!!

      Quanto ao Gripen, de fato tem que levar em conta que ainda estão para iniciar a produção da nova versão (sem pressa no caso da encomenda sueca, e com mais pressa para a Suíça, se o contrato vingar). Mas eu creio que prazos similares aos oferecidos à Suíça, no acordo-quadro (procurando “acordo-quadro” no campo busca do blog, dá pra ler em detalhes) seriam possíveis. Seria mais ou menos a tempo de substituir os caças que dariam baixa em 2017-2018.

      Sobre o Super Hornet, o mesmo raciocínio do Rafale sobre desvio de aeronaves da linha de produção, vale aqui. É só saber o quanto a USN poderia postergar suas próprias entregas, pois ao contrário do MD francês não tem motivos para adiar suas entregas (pelo contrário, tem caças mais antigos para aposentar e volta e meia faz novas encomendas de Super Hornet). Mas não vejo problema aqui também.

      O problema maior, na verdade, é todo do Brasil, que não toma uma decisão!

      PS – vale acrescentar que estou falando aqui de caças “de prateleira”, sem qualquer modificação pretendida para uma versão “BR”. Se tiver que esperar que a primeira entrega urgente, de qualquer um dos concorrentes, já seja feita com grande parcela de conteúdo brasileiro fabricado aqui por meio de transferência de tecnologia etc, como previsto no longínquo ano em que o F-X2 nasceu, é melhor esperar sentado no hangar.

  23. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    13 de junho de 2013 às 20:21

    Mesmo que se dobre a produção anual (para 22 aeronaves), o que como você bem colocou não pode ser feito de uma hora para outra, ainda assim não haveria tempo útil para produzir 34 aviões em quatro anos para o Brasil, considerando a opção indiana.

    Primeiro porque mesmo que houvesse um “sim” para o Rafale, as negociações durariam mais um ano. Então, esqueçamos a produção do Rafale de 2013 e 2014.

    Na verdade, levaria ainda mais tempo. A própria Índia, se realmente comprar o avião, só receberá o primeiro em 2016. Então, talvez recebêssemos o primeiro só em 2017, ou em 2016, se os indianos pularem fora.

    Segundo, como já foi noticiado aqui, a Índia receberá os primeiros 18 aviões todos da França e os demais da indiana HAL. Ou seja, estes aviões estarão prioridade, pois fecharam a compra primeiro.

    Assim, mesmo que a França abra mão da produção de seus caças, a linha de produção estaria comprometida. Só se a França e a Índia deixarem de comprar é que haveria tempo para suprir a lacuna na FAB.

    E no seu segundo comentário você chegou onde eu ia chegar: se não formos comprar o SH, teremos que enfrentar um novo tampão, ou deixar a FAB com pelo menos um esquadrão a menos.

    • Observador,

      Não é necessário produzir todas as aeronaves do F-X2 para o Brasil num prazo de 4 anos. Bastam entregas de meia dúzia por ano, se tanto, desde que uma decisão não continue se arrastando. Senão, aí nem vai ser o caso de esperar produzir: vai ter que comprar já pronto!

      Quanto à Índia, não se preocupe. Bastaria adquirir as “sobras” do contrato indiano. Sobrariam das entregas anuais indianas (dentro da cadência de 11 Rafale por ano) 4 aviões mais ou menos, nas contas dos franceses, que ficariam ainda mais felizes se ao invés do tesouro francês ter que pagá-los, o nosso pagasse…

  24. Se, vejam bem “se” a Boeing realmente for a escolhida, a Navy abre mão de suas opções na linha de produção da Boeing para entregar até 12 células em um prazo curtíssimo.

    Grande abraço

  25. juarezmartinez disse:
    14 de junho de 2013 às 8:01

    Verdade, Juarez?

    Então fechei de vez com o Super Hornet. Sou “Vespão” desde criancinha.

    Abraços
    GUPPY

  26. Bom, adoro nossos F 5, de um jeito ou de outro. Ainda é um vetor respeitável, como caça secundário. Ele é ágil e barato.

    Com os Hornet, ele ainda terá um papel interessante.

    Tomara que coloquem os aposentados de exposição pelo país todo.

    Como posso me identificar como brasileiro, com uma FAB sem F 5 s ??

    kkkkkkkkkkkk !!

    🙂

  27. Conforme o Livro Branco de Defesa da França (edição 2013), que considera como fato o acordo de venda dos Rafale para a Índia, as entregas a Força Aérea Francesa do modelo cairiam para apenas quatro unidades por ano,a partir de 2015.

    Sds.

    • De fato, Baschera. Está em post um pouco mais embaixo deste. Sete unidades para a Índia, quatro para a França por ano, mas é a partir de 2016, segundo o jornal Les Echos.

  28. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    13 de junho de 2013 às 23:49

    Bom, tudo bem que serão aviões bem mais capazes, mas numericamente, considerando a substituição “um para um” acho complicado as linhas de produção do Rafale e Gripen darem conta de fornecer 34 aviões até 2017.

    Particularmente, vejo o Gripen como a opção mais barata e por isto mais acessível para a FAB, inclusive com a incorporação dos gripen A/B estocados para substituir os bicudos.

    Porém, considerando o avião que é e a escala em que é produzido, a melhor opção é mesmo o SH, mesmo que mais caro.

    Bom, vamos ver se realmente acontece alguma coisa. Acho difícil, mas…

    • Mas esse é o ponto, Observador, não vejo necessidade de se fornecer 34 aviões até 2017 (para substituir os F-2000 e os F-5 mais “cansados”). Lembrando que no ano de 2017 teoricamente começariam as desativações de cerca de 20 jatos F-5EM “ex-aggressor” da frota, não significando que de um minuto para outro todos eles deixassem de voar. Provavelmente alguns darão baixa em 2017, outros no ano seguinte, e mais alguns pouco depois. E parte, provavelmente, será compensada pela chegada dos “ex-Jordânia” após passarem pela modernização, que já começou.

      Seria preciso, isso sim, fornecer uma parcela desse total por volta de 2017 e, gradativamente, completar o lote de 36 caças até o início da década de 2020.

      Reduzem-se as aeronaves por esquadrão, diminuem-se as horas de voo dos caças atuais, fecha-se um esquadrão para reabri-lo depois, as soluções paliativas pra arcar com o “gap” são muitas e bastante conhecidas. Mas não creio que, além de um “sublote” inicial de uns 12 caças por volta da data que você sugeriu, algo possa realisticamente ser entregue, qualquer que seja o fornecedor, para resolver a questão na pressa que você coloca, de 34 jatos até 2017.

      O que não pode, friso mais uma vez, é continuar postergando uma decisão. E algum tipo de tampão pode ser necessário, de preferência ligado ao que existir no país do eventual fornecedor que vencer. Afinal, os F-2000 param bem antes, segundo as previsões (final deste ano), e este é o xabu imediato.

      • Nunão, a esta hora a Boeing já falou com o comando de operações aeronavais da US Navy e nossos 12 SHs “tampão” já estão sendo selecionados para o GDA.

        Deus me ouça.

  29. Fernando “Nunão” De Martini disse:
    14 de junho de 2013 às 14:21

    Este é o ponto. A falta de decisão levou ao atual quadro, o qual tem tudo para ser piorado e muito, com o adiamento da decisão para depois das eleições presidenciais em 2014.

    Espero me enganar e isto não acontecer, mas o que mais tivemos foram adiamentos baseados num rosário infindável de desculpas.

    Só faltou usarem a eleição do novo Papa para adiar.

  30. Sinceramente? Não ficaria nada chateado se um furacão varresse um base militar em dia da reunião da aviação de caça. Os militares se salvariam todos mas das aereonaves alinhadas na pista, só carcaça pra o Musal.

    Acho que só assim pra aparelharem a FAB novamente.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here