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Força Aérea dos EUA compra dois AT-6 Texan II para o experimento de ataque leve

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Textron Aviation Beechcraft AT-6 Wolverine

A Força Aérea dos EUA (USAF) comprou por US$ 70,2 milhões duas aeronaves Textron Aviation Beechcraft AT-6 Wolverine para continuar seu experimento de ataque leve.

Os turboélices foram adquiridos usando uma “Outra Autoridade de Transação” – um processo mais rápido e menos burocrático que o procedimento convencional de aquisição do Pentágono – e virão com treinamento de pilotos, serviços de engenharia e até quatro anos de suporte de manutenção e peças sobressalentes, afirmou a Textron em 16 de março.

As aeronaves serão construídas em Wichita, Kansas.

A compra segue um acordo semelhante com a Sierra Nevada Corporation anunciado em 3 de março. A Sierra Nevada ganhou um contrato de US$ 129 milhões para fornecer duas aeronaves de ataque leve Sierra Nevada/Embraer A-29.

Tanto a Sierra Nevada quanto a Textron estão participando do experimento de ataque leve da USAF.

O experimento de ataque leve evoluiu e diminuiu de escopo ao longo de vários anos. Originalmente, a USAF pretendia encontrar um avião de ataque ao solo barato para voar. Pretendia comprar dezenas de aeronaves de ataque leve. No entanto, recentemente, a iniciativa se transformou em um esforço para desenvolver uma plataforma aérea para transportar equipamentos de comunicação que ajudariam os aliados a coordenar ataques ar-terra com os EUA.

Esse kit de comunicação é chamado de Airborne Extensible Relay Over-Horizon Network, ou AERONet. A USAF prevê um sistema capaz de fornecer vídeo, voz, bate-papo, comando e controle às nações parceiras por menos de US$ 500.000 por unidade.

O Textron AT-6 deve ser usado pelo Comando de Combate Aéreo da USAF na Base Aérea de Nellis, em Nevada, para testes e desenvolvimento contínuos de táticas e padrões operacionais da AERONet.

O Sierra Nevada A-29 será usado no Hurlburt Field, na Flórida, pelo Comando de Operações Especiais da Força Aérea para desenvolver um programa piloto de instrutores para sua missão de Consultoria de Aviação de Combate. A USAF diz que está recebendo mais pedidos de treinamento de pilotos militares estrangeiros no uso de aeronaves de ataque leve.

Os países que operam aeronaves de ataque leve tendem a ter forças aéreas menos sofisticadas com orçamentos limitados. Aviões de ataque leve, como o AT-6 e o ​​A-29, custam em torno de US$ 1.000 por hora de voo.

Os operadores A-29 incluem as forças aéreas do Brasil, Colômbia, Afeganistão, Equador, República Dominicana, Indonésia, Líbano e Nigéria.

A aeronave Beechcraft T-6 Texan II, na qual o AT-6 se baseia, é usada como aeronave básica de treinamento de pilotos para países como EUA, Canadá, Reino Unido, Israel, Grécia e Marrocos. A USAF é o cliente de lançamento da variante de ataque leve.

A-29 versus AT-6

FONTE: FlightGlobal

NOTA DO PODER AÉREO: As ilustrações abaixo, da época da concorrência LAS, mostram algumas das vantagens do A-29 sobre o AT-6.

Clique no infográfico para ampliar

62 COMMENTS

  1. Olá Colegas. Com esse contrato, em média, eles compraram dois AT6 pelo preço de um A29. Parece que, em média, o custo “Brazil” seria o dobro. Deve ser, em média, o peso dos impostos. Por esses valores, em média, seria melhor colocar os F16A esticados funcionarem com controle remoto no modo kamikaze.

    • Não só isto. Os infográficos mostram bem que o ST é uma aeronave superior, projetada com requisitos mais rigoroso. A tributação é bem relativa. Seria necessário verificar, em contrato, se realmente entraram todos os impostos foram aplicados. Grandes indústrias tem alto poder de barganha a nível municipal e estadual, mas baixo a nível federal. Já o custo de produção e logística nacional sem dúvida influencia, macredito que a maior parte desta diferença seja as especificações da aeronave.

        • Serão montados nos EUA. Com exceção dos mesmos componentes importados, presentes também no ST ou incrementados a pedido da USAF, as demais partes serão construídas aqui.

      • Olá MMerlim. Fiz uma brincadeira em relação a postagem sobre o A29. Os contratos devem envolver muita coisa inclusive os ensaios de desempenho. Um Supertucano ou Texan deve custar uns US$ 10 milhões cada, exagerando. US$ 128 milhões por dois A29 ou US$ 70 por dois AT6 parece aquela lista de peças da oficina da PM em Tropa de Elite”. “Peça pra caramba, aspira”. Fica tranquilo. Por outro lado, um F16A com controle remoto no modo kamikaze pode ser útil para muita coisa…nem que seja para afundar fragata de segunda-mao de pais produtor de petróleo.

        • “Peça pra caramba, aspira” e “Quem quer rir tem q fazer rir” são duas frases clássicas de um filme que, junto com Cidade de Deus, popularizaram de vez o cinema nacional.
          Pena que o setor não aprendeu a importância de viabilizar comercialmente a produção nacional sem dependência dos governos estaduais e federais. Mas o setor empresarial tem sua culpa, estereotipando de forma genérica diretores e produtores pelo seus viés político.
          Não a toa, Padilha tomou outros rumos.

          • Olá Merlin. “Vai dar merda, comandante” e “Põe na conta do Papa” também são ótimas. Uma vez, em uma festa, eu e os colegas imaginamos o que aconteceria se o Robocop fosse enviado para trabalhar no Bope… seria o Robobope. Depois de algum tempo, ele começou dar problemas e fez uma OS para revisar. Quando o comandante da tropa viu o orçamento, virou e gritou no meio do pátio “É peça para caramba, Rocobope”.

          • Meio off topic, mas relacionado à EMBRAER e Boeing.
            Hoje a Boeing entrou com um pedido de socorro junto ao Governo americano de US$ 10 bi.
            Se essa situação do coronavirus perdurar por mais pouco tempo, todo o setor aéreo americano (e de outros países) deve ir à falência.
            É grave a crise.

      • O AT-6 é uma adaptação do T-6, não foi concebido desde o início para essa missão.
        Até por que essa necessidade, que nem existe mais nos EUA, qndo necessário foi atendida pelo que estava no inventário e por drones armados.
        Aliás, ainda é.
        O A-29 foi concebido da maneira que foi, devido ao SIVAM, não a necessidade dos norte americanos na Guerra ao Terror.

    • Tem coisas que não tem comparação, uma delas é o super tucano A-29 e o AT-¨6 Wolverine. A diferença de preço entre os dois é um reflexo desse diferença.

  2. Se no Afeganistão os Estados Unidos já tiveram várias aeronaves de alto desempenho perdidas, não vejo a utilização de turboélices como realmente algo lógico.

    Cenários de alta complexidade exigem uma doutrina de emprego a grande altitude e velocidades bem superiores.

    A Rússia não utiliza turboélices e conseguiu perder 19 aeronaves em 38.000 surtidas.

  3. Na boa, nem leio mais matérias sobre esse assunto. Os produtos já estão mais que testados, o ST já participou de combates reais na Colômbia e no Afeganistão, ou esse lobby da Textron é muito forte, ou a USAF está com uma tremenda falta de capacidade em escolher um avião! Novela mexicana!!! Já encheu o saco esse assunto!

    • Concordo. Nos EUA o lobby é legal, inclusive entrando com item em planos de projetos e planos orçamentários. Mas importante não confundir lobby com propina (independente do formato).
      Sierra Nevada trabalha com uma ampla gama de produtos e deve ter certa abertura no congresso e FA. Sem dúvida, o lobby da Textron deve forçar exatamente no ponto do ST não ser um produto nacional. Mas, devido a superioridade do produto brasileiro, acabaram por dividir as compras.

    • Os combates reais na Colômbia e no Afeganistão são os mais divulgados. Mas o ST também “toca o terror” na Mauritânia e no Líbano. Aliás, no Líbano, tem matéria bem interessante na revista Força Aérea deste mês. Recomendo.

      Em breve entrará em serviço Nigéria e pode anotar que a ficha de serviço vai aumentar bastante. O cenário ali é tenso e o ST vai passar o carro…

      Abraços.

  4. A Beechcraft levou duas aeronaves para as avaliações e a Sierra Nevada levou uma aeronave. Durante a prova de voo de formação do A-29 tiveram que usar um dos AT-6 para compor a formação, segundo um piloto de testes da Beechcraft, o AT-6 apresentou uma melhor performance nesses voos.

    • O que faz sentido, afinal de contas o AT-6 é um treinador com um monte de equipamentos extra. Já o AT-29 é mais ‘arisco’ por assim dizer, que o T-27, até porque é uma aeronave COIN que também faz treinamento. Pelo menos essa é a minha impressão e sei que tem gente que pode afirmar caso positivo ou negativo com propriedade. Mas aparentemente nossos pilotos não tem qualquer problema em manter formatura com eles, então… sei lá.

      • O AT-6 muito possivelmente deve ter o manejo mais facil e ate mais seguro.
        Entretanto, o piloto em questao se referia a performace em velocidade, razao de subida e alcance. Ele tambem, muito oportunamente obviamente, destacava a caracteristica do AT-6 em voar e fazer acrobacias com cargas assimetricas…
        O relato e pertinente, nao obstante o piloto ser um representante do fabricante, se o resultado nos testes de formacao favorecessem o Super Tucano ele simplesmente omitiria a informacao.

      • P.S. Off-topic.
        Existe agora um video muito bom sobre uum walkaround no Gripen E.
        Procure por Saab JAS 39E Gripen E Walkaround.
        Os videos desse canal Siivet Wings sao bons.

      • Na verdade o ST não tem nada de arisco mas de atolado, devido a asa adaptada usada, é uma aeronave pesada.
        E isso vem desde o ALX e uma época em que a Embraer de então não podia se dar ao digamos luxo, de gastar 24 milhões USD em um design de asa específico e mais adequado ao desempenho pretendido.

  5. Os valores incluem várias coisas.
    Por ser uma encomenda minúscula de 2 unidades, os custos extras acabam impactando bastante o valor final.
    Digamos que no contrato do A-29 U$ 70 mi foram cobrados para implantar estruturas, simuladores, etc. Outros U$ 30 mi para treinamentos, assistência por X anos, etc.
    E talvez U$ 30 mi seja o valor das 2 aeronaves (U$ 15 mi cada).

    Em uma encomenda maior, para 20 ou 30 unidades, o custo unitário ficaria bem abaixo.

  6. Com essa diferença de preço realmente não vale a pena comprar o tucano mesmo que seja superior, é muito dinheiro , quase 2X1, inacreditável.

  7. Caro Paulo. Já coloquei legenda na piada. Mesmo tendo escrito “em média” quatro vezes para reforçar a falta de seriedade do comentário, parece que, em média, ninguem entendeu. Sobre o custo Brazil (com Z) foi uma piada sobre o ST brasileiro made in US com peças enviadas do Brasil que foram fabricadas nós EUA. Ou coisa assim. Bem, quando fica necessário explicar a piada já perdeu a graça. Em latim ficava mais engraçado.

    • “…com peças enviadas do Brasil que foram fabricadas nós EUA…” isso sim parece brincadeira. Primeiro, porque não condiz com a realidade. Segundo, porque se fosse verdade, as peças USA não seriam transportadas para o Brasil para o reenvio aos EUA.

  8. Lobby do congresso norte-americano trabalhando a favor das indústrias norte-americanas. Sem dúvida nenhuma já foi provado que o ST é o melhor.

  9. Tucano avião combate, At6 treinamento e com alterações para capacidade minima combate. Vejam emprego de quem jautiliza estas aeronaves. Lobby muito poderoso pro at6. Usa vai usar at6 treinamento e desenvolvimento e Tucano doutrina forcaespeciais e treinamento combate paises aliados. Diferença preço esta no uso que sera feito das aeronaves.

    • Salim. O que pode não estar sendo levado em consideração, e sem classificar o pensamento como prepotência (ou advogando a favor do diabo) devido ao ST ser nacional, o AT-6 pode não ser tão bom quanto o EMB-314, mas já atenda aos requisitos necessários para o cenário de combate planejado. Sendo assim, porque os EUA forneceriam um equipamento melhor que o necessário?

      • O fato, o At6 sera esta a primeira venda na configuração armada. Vendas via FMS tucanos para Afeganistão e líbano, o o at6 foi Iraque como treinador para os f16. Pode ate ser no futuro, mais hoje e bem claro, tucano combate e at6 treinamento. Eu malho bastante nossos erros e incapacidades, mas neste caso Tucano melhor aeronave nesta categoria

  10. “…com peças enviadas do Brasil que foram fabricadas nós EUA…” isso sim parece brincadeira. Primeiro, porque não condiz com a realidade. Segundo, porque se fosse verdade, as peças USA não seriam transportadas para o Brasil para o reenvio aos EUA.

  11. Bom, em essência, o super tucano é superior, então nao da pra entender porque nao foi escolhido para uma grande compra;
    Alem disso, me parece que a USAF vai usar o AT-6T para ataque leve e o nosso A-29ST para treinamento.

    • Isso não faria qualquer sentido porque o T-6 já é o treinador padrão deles. A grande vantagem do AT-6 é justamente essa, devido ao fato de que já há uma logística funcionando a bastante tempo e apoiando centenas de aeronaves, o que torna a adoção do AT-6 não apenas mais barata como bem mais tranquila em relação aos mantenedores que eles já tem.

      Já o Super Tucano é uma aeronave maior e muito mais capaz no cenário de ataque leve do que o AT-6, mas vai precisar de toda uma logística nova, treinamento de pessoal, etc. O que parece muito, mas em se tratando que já há um núcleo com a expertise necessária em Moody AFB, e por se tratar de uma aeronave projetada para operação rústica e de simples manutenção, não é tanta coisa, mas ainda assim é mais cara.

  12. Eita que protecionismo chato!! Declara logo o Super Tucano vencedor. O A-29 é superior em praticamente todos os aspectos e tem uma ampla e bem sucedida experiência no campo de batalha

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