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GAO: F-35 sofre de escassez de peças sobressalentes

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F-35A saindo do hangar de manutenção

Segundo o Government Accountability Office (GAO), o Departamento de Defesa dos EUA precisa enfrentar os desafios substanciais da cadeia de fornecimento

O desempenho da aeronave F-35 está aquém dos requisitos de combate – isto é, as aeronaves não podem realizar tantas missões ou voar quantas vezes forem necessárias.

Este desempenho de aeronaves abaixo do desejado se deve em grande parte à escassez de peças sobressalentes do F-35 e à dificuldade de gerenciar e movimentar peças em todo o mundo:

  • Falta de peças de reposição e capacidade limitada de reparo. As aeronaves F-35 não conseguiram voar quase 30% do período de maio a novembro de 2018 devido à falta de peças de reposição.

Além disso, o Departamento de Defesa (DOD) teve uma carteira de reparos de cerca de 4.300 peças de F-35. O DOD está tomando medidas para corrigir esses problemas, como melhorar a confiabilidade das peças. No entanto, não determinou completamente as ações necessárias para fechar a lacuna entre os requisitos dos combatentes e o desempenho que a cadeia de suprimentos do F-35 pode oferecer.

  • Peças incompatíveis no desdobramento de aeronaves. A DOD compra certos conjuntos de peças do F-35 anos antes do tempo para dar suporte a aeronaves em desdobramentos, inclusive em navios. Mas as peças não correspondem totalmente às necessidades dos serviços militares porque as aeronaves F-35 foram modificadas ao longo do tempo. Por exemplo, 44% das peças compradas eram incompatíveis com as aeronaves que o Corpo de Fuzileiros Navais assumiu em um desdobramento recente. Sem um processo para modificar os conjuntos de peças para desdobramentos, o DOD pode não conseguir atender às necessidades operacionais dos serviços.
  • Uma rede global imatura para movimentar peças do F-35. As redes do DOD para movimentar partes do F-35 em todo o mundo são imaturas, e os clientes estrangeiros do F-35 passaram por longos períodos de espera por peças necessárias para reparar aeronaves. Sem um plano detalhado para a rede, o DOD pode não estar pronto para dar suporte a uma frota em expansão.

Ao abordar esses desafios, o DOD precisa lidar com a acessibilidade. A Força Aérea e o Corpo de Fuzileiros Navais identificaram recentemente a necessidade de reduzir seus custos de manutenção por aeronave por ano em 43 e 24 por cento, respectivamente.

O DOD gastou bilhões de dólares em peças sobressalentes do F-35, mas não possui registros de todas as peças que comprou, onde estão ou quanto custam.

Por exemplo, o DOD não está mantendo um banco de dados com informações sobre as partes do F-35 que os EUA possuem, e ele não possui os dados necessários para poder fazê-lo. Sem uma política que defina claramente como acompanhará as peças adquiridas do F-35, o DOD continuará a operar com um entendimento limitado das peças sobressalentes do F-35 de sua propriedade e de como elas estão sendo gerenciadas.

Se não forem abordados, esses problemas de responsabilidade impedirão a capacidade do DOD de obter disponibilidade suficiente dentro de restrições de acessibilidade.

Por que o GAO fez este estudo?

O caça F-35 do DOD fornece recursos básicos de aviação para apoiar a Estratégia Nacional de Defesa dos EUA. O F-35 também é o sistema de armas mais caro do DOD, com custos de manutenção estimados em mais de US$ 1 trilhão em um ciclo de vida de 60 anos. A cadeia de suprimentos do F-35 tem um projeto exclusivo. Em vez de possuir as peças sobressalentes para suas aeronaves, a Força Aérea, Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais – juntamente com oito parceiros internacionais e outros clientes de vendas militares estrangeiras – compartilham um conjunto global (pool) de peças do F-35 que são gerenciadas pelo contratante principal.

Conforme o pedido para revisar a cadeia de suprimentos do F-35 este relatório avalia, entre outras coisas, até que ponto:

  1. O desempenho do F-35 está atendendo aos requisitos de combate e quaisquer desafios relacionados à disponibilidade de peças de reposição;
  2. O DOD pode gerenciar e movimentar com eficácia as peças sobressalentes do F-35 para dar suporte a aeronaves em todo o mundo; e
  3. O DOD pode contabilizar as peças sobressalentes do F-35 e seus custos dentro da cadeia de suprimentos. O GAO examinou a documentação do DOD e do contratado, analisou os dados de desempenho e entrevistou funcionários relevantes.

O que o GAO recomenda

O GAO está fazendo oito recomendações, incluindo que o DOD determine ações para fechar a lacuna entre os requisitos dos combatentes e o desempenho da cadeia de suprimentos do F-35; e abordar os desafios com implementações, movimentação de peças globais e responsabilidade de peças sobressalentes.

O DOD concordou com todas as recomendações do GAO.

Para acessar o relatório completo (81 páginas em PDF) do GAO clique aqui.

39 COMMENTS

    • E se fosse um caça Russo ou Chines ai diriam olha como é o pós venda, vejam que bosta, e querem que o Brasil compre isto. Pois é, vou ter que concordar com os comentários, vejam que bosta e queriam que o Brasil comprassem essa merda sem peças sobressalentes.

      • E pior, quem comprou antecipado as peças não servem, prejuízo dobrado e outro tempo de espera para as apropriadas. Deu ruim.

        • Pior que desta vez concordo com os haters…

          Sem registro das peças compradas ? Compraram peças erradas ?

          Já é incrível haver um problema de falta de peças num projeto tão grande e caro… Imagine isso !

          Nao ha controle ? Codigos ? Em qquer carro comum, existe !

          Assim da até medo de voar no avião !

  1. Caramba, que bagunça, não tem um simples controle de estoque de peças já compradas? Isso é caso de demissão por incompetência.

    • O DoD explicou o motivo disso não funcionar.

      “Peças incompatíveis no desdobramento de aeronaves. A DOD compra certos conjuntos de peças do F-35 anos antes do tempo para dar suporte a aeronaves em desdobramentos, inclusive em navios. Mas as peças não correspondem totalmente às necessidades dos serviços militares porque as aeronaves F-35 foram modificadas ao longo do tempo.

      Por exemplo, 44% das peças compradas eram incompatíveis com as aeronaves que o Corpo de Fuzileiros Navais assumiu em um desdobramento recente. Sem um processo para modificar os conjuntos de peças para desdobramentos, o DOD pode não conseguir atender às necessidades operacionais dos serviços.”

      • Não, ele está falando desse trecho:

        “O DOD gastou bilhões de dólares em peças sobressalentes do F-35, mas não possui registros de todas as peças que comprou, onde estão ou quanto custam”

        Ou seja eles nem sabem o que compraram e esse essas peça podem ou não servir… Fora que devemos lembrar que no projeto estava a possibilidade de imprimir peças em 3D será que eles estão fazendo controle? Se considerarmos que o controle de compra é mais fácil….

  2. Sabem o que isso significa?

    Mais um cheque em branco pra LM.

    E esse cheque em branco será feito, porque não há alternativa.

  3. No começo da década de 1950, na corrida para colocar na linha de frente aeronaves mais modernas que os soviéticos (depois da surpresa do MiG-15 na Coreia), inventaram esse estúpido sistema de construir unidades de série antes mesmo da entrega do primeiro par de protótipos. O F-100 foi o primeiro e até o final da década, parte da série Century foi feita dessa forma. Não é preciso dizer que foi o maior fracasso na época.

    Desde então a USAF exige a construção de protótipos antes do início da produção em série.

    Aí, em plena era pós Guerra Fria, sem nenhum motivo nem necessidade de urgência, uma série de iluminados no Pentágono, que logicamente nunca pegaram num livro de história de aviação militar, acharam que era uma boa ideia aplicar, no mais importante programa militar do século 21, conceitos de produção da aviação civil. O que podia dar errado…

    Sabem o que é pior? Nenhum deles devem ter sido processados. Pelo contrário, devem estar recebendo uma bolada num empreguinho pós carreira militar na Lockheed-Martin, pelos brilhantes serviços prestados aos acionistas da mesma.

    • Na verdade os custos da simultaneidade (valor para corrigir problemas da produção antecipada) do F-35 estão em pouco mais de 1 bilhão até a aeronave 500 se não me falha a memória. Lembro que dá pouco mais de 2 milhões por aeronave (que dá cerca de 2% do custa da aeronave). A vantagem é que a produção em larga escala mais rápida está levando a uma redução rápida dos custos de produção, já se fala em 75 milhões por um F-35A no lote 14.

      • Os custos não são apenas financeiros Ricardo, mas de prontidão operacional da frota.

        O programa do F-35 está muito atrasado. Toda a velocidade que se ganharia foi perdida na demora em achar soluções para os problemas que seriam triviais se houvesse apenas uma pequena frota de protótipos, mas a engenharia teve que rebolar muito para corrigir problemas sem afetar a área de produção.

        O resultado está aí. Inventário infernal, sobressalentes inúteis em blocos mais avançados, capacidade operacional de aeronave em fim de carreira por falta de peças.

        • F-15 no início dos anos 80 sofreu mesmo problema (50% de prontidão) e Rafale em 2016 tinha prontidão igual a do F-35 (48,5% de prontidão).

          • A taxa do F-35 agora é de míseros 27%. Não está aumentando está diminuindo.

            O resultado desse desastre será o que foi feito 60 anos atrás: uma custosa reforma numa frota novinha apenas para evitar gargalos na área de manutenção.

            É como dizem: quem não conhece a história, costuma repetir os memos erros do passado.

          • Não, o valor de referência é a Capacidade de Missão que está em 52%, os números de F-22 e Rafale que dei foi de Capacidade de Missão, ambos inferior ao F-35. Typhoon nem se fala.

        • Lembrar também que ainda em início de vida operacional o F-35 já possui prontidão superior ao F-22. Segundo o próprio GAO, basta um incremento na linha suprimentos que é possível chegar a 70% de prontidão.

    • Não sei, tem gente que está simplificando algo que não é, vou tentar explicar em poucas linhas algo MUITO complexo.
      Trabalho com projetos (de TI e não de defesa) então posso colocar aqui os meus pitacos, obviamente são universos diferentes, mas as melecas tendem a ser as mesmas.
      DUVIDO e coloco aqui em letras maiúsculas, que a LM desejou ou deseja este processo de construção, que é montar as linhas de produção (em plural mesmo) antes que o caça esteja relativamente bem testado. É claro que a preferencia seria por ter um quantidade grade de protótipos e os mesmos sendo testado e aprovado ANTES de começar produção em série.
      Por que isto acontece?
      Quem paga, deseja o produto para ontem, pois o produto que tem, é caro, não te atende hoje ou em um futuro próximo, precisa de algo “novo” que lhe garanta um futuro estável, não “pegou” no gosto dos clientes ou e principalmente, a concorrência está te cafungando no seu cangote/tem um produto melhor. Além do fator “para ontem”, qualquer projeto, vai consumir recursos (seja humano, financeiro etc) no qual a empresa vai ter que tirar do bolso dos acionistas (no caso eleitores), se a justificativa não for boa, a coisa não rola.
      Imagina, como seria complicado justificar Bilhões de dólares investidos (aos eleitores), por anos de testes de protótipos (digamos 8-10 anos), convencer centenas de parceiros (imagino que a maioria sejam de risco, que fabricam e principalmente drenam recursos da empresa) que terão que esperar anos de testes de protótipos para conseguir faturar (e lucrar), para depois disto esperarem 2-3 anos para montar as linhas de produção para finalmente conseguirem produzir em massa? Lembro que este aprouch significa que o projeto pode ser cancelado a lá canetada.
      Então você junta a fome (no caso os militares que precisam do novo caça de qualquer jeito) com a vontade de comer (as industrias), dá se a promessa que vai entregar o caça (em uma curva de tempo civilizada) antes, mesmo que isto tenha o risco de ter que alterar algo depois e as empresas, se comprometem em entregar o mais rapidamente possível.
      Virgem é quem acredita que quem comprou não sabia que problemas iriam acontecer e que a LM não colocou estes riscos, dentro do planejamento. Não achem que quem assinou (cabra MACHO, não menininho) não sabia que os custos iriam ser bem mais altos que o proposto (aqui entra o finja que está certo que eu finjo que acredito). O maior desafio é saber no início do projeto, qual o tamanho do caroço que você terá que engolir, e para isto, você tem que se fiar na experiencia do seu vendor (no caso a LM), muitas vezes, não é o melhor produto que leva e sim quem vai te entregar é o fator determinístico.
      Ficou longo e chato, mas é basicamente isto.

  4. Problemas inerentes a ter-se começado a fabricar um projeto que ainda não está/estava pronto. E vai ficar ainda mais caro.

    Não vou ficar nem um pouco surpreso se em uma década ainda estiverem caçando “Gremlins” técnicos nas unidades LRIP.

    E ainda tem gente caindo no “conto da carochinha” de declaração de FOC…

  5. Teoria da conspiração:
    Não vejo como a maior e mais desenvolvida indústria militar do planeta pode errar assim.

    Para mim sempre é planejado o erro para ter lacunas no intuito de desviar bilhões de dólares para programas que o congresso americano saberá daqui 30 ou 40 anos que existe e necessita de recursos para se produzir em escala industrial.
    Isso se as peças de reposição não viram algumas dezenas caças montados sem registro para realizar missões clandestina. (Pois caso perder a aeronave podem checar o inventário estamos com todos os aviões aqui)

    “O DOD gastou bilhões de dólares em peças sobressalentes do F-35, mas não possui registros de todas as peças que comprou, onde estão ou quanto custam.”

  6. Eu sempre fiquei curioso sobre como os EUA restringiriam a frota de F-35 de aliados que mudem de lado e deixem de ser aliados. Bem, aí está.

  7. No lugar de escrever que o desempenho não está sendo correspondido, deve ter escrito que a disponibilidade não está boa, pq em desempenho esse caça já mostrou que realmente é eficaz. É uma nova tecnologia, um projeto ambicioso, a logística terá de evoluir muito para atender melhor o uso dos F-35. Eles estão sendo pacientes, e um dia colherão os frutos do projeto JSF.

    • Exatamente, vai evoluir assim como outros problemas vão aparecer e estes serão corrigidos, essa transparência incomoda principalmente se olharmos projetos russos e chineses que parecem sair perfeitos de fábrica mas pra quem tem mais que dois neurônios sabe que não é assim mas no final só sobra dor de cotovelo no famoso “quem desdenha quer comprar”!

  8. Lendo todos os comentários, acho que agora sei o porque de ainda usarmos o velho F-5. Dá para fazer umas gambiarras e deixar o bicho voando em 15 minutos com alguns clips de papel, fitas isolantes, parafusos e pedaços de pneus de bicicleta…

  9. Este link sobre a “concurrency” no programa do F-35 é muito bom: https://www.pogo.org/analysis/2017/10/21-billion-worth-of-f-35-concurrency-orphans/

    “Concurrency, as a RAND Corporation analyst explained in testimony before the House Committee on Government Reform on May 10, 2000, is rooted “in the politics of the acquisition process.” (…) this practice serves to limit the available political options for restructuring programs experiencing significant test failures or cost overruns. When the Pentagon makes substantial procurement commitments well before development or testing is complete, it severely increases the political costs of cancelling the program due to all the money already invested and all the jobs already created.”

  10. How can this be in the most technologically advanced country, for the last 10 years on this blog, lovers of the United States and all Westerners assured us that problems with logistics can only be in Russia

    Kkkkk

    • Yeah!
      The russians dont have any problem with This with the overwhelming 12 Pak fa.

      You dont have problems If you dont have airplanes!

      • Primeiro não de 12, mas de 15.
        Em segundo lugar, este é o primeiro contato.
        Em terceiro lugar, os Estados Unidos não experimentaram uma crise como a da Rússia.
        Em quarto lugar, ao contrário da Rússia, não há correspondência nos EUA. Comunistas e o ditador Putin. Então a Rússia pode.

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