domingo, junho 20, 2021

Gripen para o Brasil

Sai o RFI para o F/A-XX, sucessor de sexta geração do Super Hornet

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

 

Caças norte-americanos Super Hornet com mais tempo de serviço deverão começar a dar baixa em 2030, quando atingirão 9.000 horas de voo – na mesma época, segundo o RFI (pedido de informações) divulgado na semana passada, espera-se que seu sucessor de sexta geração atinja a capacidade de operação inicial e começe a substituição gradual dos atuais cavalos de batalha da Marinha dos EUA

Segundo os sites Defense Tech e Flight Global (blog The Dew Line), na sexta-feira passada a Marinha dos EUA divulgou o pedido de informações (RFI) para as empresas que poderão oferecer propostas para o F/A-XX, o caça de sexta geração que deverá substituir o F/A-18E/F Super Hornet e o EA-18G Growler.

Espera-se que o novo jato, ainda a ser selecionado e desenvolvido, comece a substituir os Super Hornets / Growlers por volta de 2030, disse o vice-almirante Donald Gaddis na conferência anual de mar, ar e espaço da Liga Naval. Antes da Marinha dos EUA (USN) definir quais as capacidades finais que um avião do tipo deverá ter, ela precisa primeiro saber que tipos de tecnologias a indústria de defesa pode colocar na mesa para um novo caça que terá que iniciar sua operação em menos de duas décadas, disse Gaddis. 

Por volta de 2030, os primeiros Super Hornets que foram entregues à USN deverão estar atingindo o limite de sua vida útil de 9.000 horas de voo, assim espera-se que no mesmo ano seu sucessor atinja a capacidade de operação inicial, para gradualmente ir substituindo outros aviões do mesmo tipo. Gaddis ressaltou que esses Super Hornets precisarão ser substituídos, mas seu sucessor será definido tanto em relação ao que a indústria acredite que seja possível fazer quanto ao que a USN projeta ser necessário. O F/A-XX deverá ser capaz de sobreviver a ambientes não permissivos, possuir sensores de nova geração e até mesmo a capacidade de reabastecer outros caças (sistema buddy-buddy) e realizar tarefas de alerta aéreo avançado (AEW), de acordo com o vice-almirante. Mas o que ele desejaria dizer (segundo as fontes da notícia) é que esses requerimentos vão demandar maior desempenho cinemático e alcance.

No texto do RFI estão linhas básicas dizendo que “o objetivo dessa pesquisa é solicitar à indústria insumos sobre as soluções dos candidatos para aeronaves baseadas em porta-aviões de propulsão nuclear para prover supremacia aérea com uma capacidade de ataque multitarefa em um ambiente operacional com áreas de acesso negado (anti-access/area denied – A2AD). As missões primárias incluem, mas não estão limitadas a, guerra aérea (air warfare – AW), ataque (strike warfare -STW), guerra de superfície (surface warfere – SUW), e apoio aéreo aproximado (close air support – CAS).”

Outras capacidades encontradas em aeronaves de ataque existentes, como o já citado reabastecimento “buddy-buddy”, incluem reconhecimento tático, vigilância e aquisição de alvos, além de ataque eletrônico ( airborne electronic attack – AEA). Mas a USN não está estabelecendo limites em relação à aeronave ser pilotada ou não ou mesmo de ser um jato totalmente novo.

A esse respeito, o documento é bastante amplo, e as respostas podem incluir opções não pilotadas e opcionalmente pilotadas, ou somente pilotadas. O contexto para considerar os atributos do sistema será custo e assessibilidade. Conceitos poderão ser derivados de aeronaves existentes, ou novos projetos, ou de tecnologias inovadoras especificamente direcionadas para o contexto operacional.

Como requisitos mínimos, o novo jato deverá ser capaz de operar de porta-aviões de propulsão nuclear das classes “Nimitz” e “Ford”, e deverá também ser um ativo complementar no grupo aéreo embarcado para o F-35C e para um veículo não tripulado de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR)  com capacidade de ataque de precisão.

O RFI também vai considerar os riscos técnicos e o custo total de obtenção, embora ainda não haja um programa definido, apenas o pedido de informações. Essa fase de análise de alternativas promete ser longa, disse Gaddis.

FONTES: Flight Global (blog The Dew Line) e Defense Tech

Tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo

FOTOS: Marinha dos EUA

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alphasr71a

Contribuinte americano, se prepare, lá vem mais um nabo.

alphasr71a

Mas sobre o avião, eu acho que ainda vai ser tripulado, quais as apostas?

Vader

E cai por terra mais uma das estultices que costumavam falar algumas rafalechetes sobre o Super Hornet: a de que o avião estava em fim de carreira e seria retirado de serviço a partir de 2020.

Como visto é a partir de 2030. Mais de dezoito anos ainda.

Guilherme Poggio

Vader

2030 será o início do processo de substituição e não o final. Ou seja, pode colocar mais uns 30 anos de vida para a atual frota da USN. Isso com muita fé, trabalho e otimismo, pois não sebemos se o F-XXXX da USN virá na hora apropriada um terá mais alguns atrasos.

wallace

O que mais dói é saber que eles estão nos oferecendo esse avião (F-18) no FX-2 enquanto já estão planejando seu sucessor… Ou seja, quando “chegarmos lá” (se o fx realmente der em algo, e esse algo for norte-americano), teremos um vetor totalmente ultrapassado, descontinuado e já substituído…

Ou seja, mais um motivo para encarar o F-18 como a píor opção possível nessa “concorrência”…

Eu acho que nós brasileiros temos que olhar para o futuro (o presente de daqui a um pouquinho) e pensar em alguma forma de nos integrarmos a um projeto de caça de 5ª geração…

alphasr71a

O Brasil se aliar com um projeto de caça de quinta geração vai ser igual o Brasil na estação espacial…

wallace

“Nunão”, não temos certeza se um Gripen verão XX ou um Rafale versão YY existirão daqui a 50 anos, frutos de evolução dos modelos atuais (muita, inclusive com inclusão de características furtivas, a lá Silent Eagle, etc.). Quem sabe, nesse caso, com a escolha de um desses aparelhos, nós não “iríamos na onda” e compraríamos / nos associaríamos ao projeto das novas versões daqueles caças… Agora quanto ao F-18, “já era”. Será um novo avião do qual não participaremos… Além do que os F-18 em plena entrega nos EUA não são as mesmas versões que viriam para o Brasil… São… Read more »

ricardo_recife

O pedido de informações da (RFI) para propostas do F/A-XX, (6ª geração) é a primeira de uma longa fase de propostas e estudos até a primeiro caça a voar, nada garante que ele voe em 2030, pode atrasar. Os EUA sempre tem como estratégia estudar soluções para ameaças futuras. O F/A-XX vai substituir os Super Hornets/EA-18G a partir de 2030 construídos no início do século. Os SH que estão sendo entregues vão ser retirados de serviço lá para 2040/50. Hoje o Super Hornet tem melhor radar e sistemas de armas melhores que o Rafale F-3 e o Gripen C/D. Abs,… Read more »

Groo

Quero ver o que vai sair daí.

Aporto em furtividade contra radares de frequencia baixa, supercruzeiro e mísseis antimísseis.

Acho ainda cedo para armas lasers em caças, mas o laser pode ser usado para cegar mísseis IIR.

Ataques eletronicos (“jameamento” e Pulso Eletromagnético) com o radar AESA já são previstos em upgrades de aeronaves atuais.

A furtividade contra radares de baixa frequência em uma aeronave do tamanho de um caça acaba excluindo a supermanobrabilidade pois implica em um formato como o do demonstrador X-47 (muito arrasto em manobra de alto AOA).

Vader

wallace disse:
18 de abril de 2012 às 19:03

“Além do que os F-18 em plena entrega nos EUA não são as mesmas versões que viriam para o Brasil… São aparelhos mais sofisticados, para guerra eletrônica e tal…”

Prezado Wallace o Super Hornet oferecido ao Brasil é exatamente a mesma aeronave utilizada pela US Navy.

A versão de guerra eletrônica é o E/A-18G, vulgo “Growler”.

Sds.

Nick

O F-XX terá de ser obrigatoriamente grande (do porte de um F-14 ou F-15). E ser mais econômico, ou seja o motor terá um papel grande nos requisitos. Terá de ser mais leve. Ou seja um A320 NEO ou 737 MAX 🙂

Nos aspectos de capacidades, o mais importante será sem dúvidas seus sensores que deverão servir como um nodo de um rede, fornecendo dados para outros caças e restante da frota.

Furtividade deverá ser obviamente superior ao do F-22 e F-35, talvez no mesmo nível do X-47.

[]’s

Fabio ASC

Tá, pelo que entendi não precisa ser necessariamente um projeto novo, certo?

Só não entendo por que o F 35 não pode ser este substituto….. o que acontece com este vetor? Para que um novo projeto se o F 35 nem pronto está?

Optimus

“Porque não podemos ir de F-35, Su-50, etc ???” Por que é DEMAIS pra nós!!! (by Nelson Jobim) O que olha pro agora, o “realista” (ou anti-americano mesmo) olha essa notícia como: viu só.. vamos comprar um avião fim de linha, fim de carreira, etc… q ficará defasado (como se rafales e gripens não ficassem no mesmo estado de defasagem – ou até mais – em relação a este F-XX no mesmo período) O que olha a frente… com olhar de empreendedor, vê essa notícia com outros olhos: olha que interessante… se realmente efetuarmos uma boa parceria no programa global… Read more »

Nick

Caro Fabio ASC,

Talvez a LM apresente uma versão “super” do F-35 para essa concorrência. Mas a princípio, apesar de sua capacidade de emprego ar-ar, a missão básica do F-35 é Interdição e Ataque à superfície(lembre-se do nome do programa(Joint Strike Fighter). Agora o F-XX deverá ser um caça de dominância aérea, com capacidades de ataque à superfície. Será o F-22 A Raptor da US Navy. 🙂

[]’s

Ivan

Vader disse: 18 de abril de 2012 às 18:05 MiLord Vader, Esta “estultice” caiu por terra ano passado, quando o AEREO repercutiu notícias do FA-XX, conforme links acima, bem como outros canais de informação. Seu blog, como deve lembrar, também repercutiu este assunto. Se considerarmos um ritmo de produção anual de 60 (sessenta) FA-XX a partir de 2031, a substituição total do Super Hornet estará completa entre 2042 e 2045. Mas antes disso, entre 2020 e 2025, os programas JSF e PAKFA já deveram ter colocado centenas de caças de 5ª Geração no ar, que deve mudar a relação de… Read more »

wallace

Optimus disse: 19 de abril de 2012 às 2:47 “O que olha a frente… com olhar de empreendedor, vê essa notícia com outros olhos: olha que interessante… se realmente efetuarmos uma boa parceria no programa global super-hornet através do F-X2 com contribuição substancial dos dois lados, que excelente oportunidade para o Brasil entrar junto nesse programa como parceiro desde o início – não seria um ganho excepcional, tanto em poder dissuasório como ganho tecnológico?” É a maneira otimista de ver se o copo está meio cheio ou meio vazio, mas tomara que você esteja certo… Esse “é DEMAIS pra nós”… Read more »

joseboscojr

A fisiologia humana impõe duas limitações para um caça, que são o nível de manobrabilidade (em relação à força G) e à persistência. Sabe-se que a manobrabilidade não é e nem será fator primordial na sobrevivência/letalidade de um caça, portanto, o mesmo pode ser tripulado ou não tripulado. Já quanto a “persistência/autonomia” há limites para o quanto um piloto consegue permanecer dentro de um caça de forma a que não haja degradação de sua capacidade. Um caça com tempo de patrulha/alcance/persistência/autonomia extremamente grande necessáriamente terá que ser “não tripulado”, a menos que tenha copa, toalete e um colchãozinho e aí… Read more »

Blind Man's Bluff

Nem a marinha americana acredita mais no F-35! kkk

Mauricio R.

Esse RfI do F/A-XX é justamente p/ a aeronave, que fará parzinho c/ os F-35 e o X-47, nos decks dos porta-aviões americanos.

Marcos

F/A-XX é uma aeronave de 6ª geração, que provavelmente levará 10 anos para ter todas as suas definições prontas e levará outras 10/15 anos para ser desenvolvida e, talvez, só se torne operacional após cinco anos após sua primeira entrega. Em resumo, é um negócio para daqui trinta anos.

Como até lá ainda não teremos definido o que queremos, lançarão um FX-4 com exigências furtivas, onde entrarão nos ofertando os americanos, russos, suecos, sul-coreanos, japoneses, chineses, franceses e seja lá quem mais for. É provavel até que nos ofertem os F-22 estocados no deserto.

Vader

A propósito Nunão: gostei da 2a foto, essa que sai “vaporzinho” do Super Hornet… 🙂

RA5_Vigilante

Vader

Tiro o chapéu pra vc! O lado negro da força te deu superpoderes mesmo, e vc consegue até enxergar a forma de propagação do som gerado por um corpo em velocidade supersônica !!!

Nossa, vc é meu idolo! Vc consegue também enxergar a propagação das ondas de rádio?

Saudações!!

Vader

RA5_Vigilante disse:
19 de abril de 2012 às 18:08

Não, nesse caso não usei a Força não meu caro: apenas li a legenda da foto… 😉

RA5_Vigilante

Vader

Leia de novo a legenda, ih, acho que mudou!

“em demonstração nos limites da barreira do som”

Atmosfera:

Oxigenio + Nitrogênio + outros gases + vapor (umidade relativa do ar).

Lei de Lavoisier
“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”

Se não é vapor, é o que então? Oxigênio comprimido? Nitrogênio comprimido? Som visível? Raios cósmicos condensados? Aura do piloto do avião?

Me ilumine com sua sabedoria, Milord Vader

P.S. Decisão acertada Nunão

Vader

Num precisa se estressar, é “vaporzinho” parceiro… É “vaporzinho”… 🙂

Giordani RS

Belissima imagem a do “vaporzinho”…bela mesmo, ainda mais com o Sol no zenitê.

Sugestão de matéria: Possíveis configurações do F/A-50.

RA5_Vigilante

Estressar não, fiquei triste…

Achei que o Brasil teria um forte candidato ao Nobel de Física.

Fazer o que?

Penguin
Mauricio R.

Geração de vortex em show aéreo é parte deste RfI???

RA5_Vigilante

Nunão

Então me enganei, registrei na minha memória a legenda daquelas outras fotos do outro post que vc colocou.

Em todo caso, a legenda está de acordo com o que foi dito até agora, pois vc colocou “nos limites” o que não significa que passou.

Saudações cordiais

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