quinta-feira, janeiro 27, 2022

Gripen para o Brasil

Protótipo do ‘Shinshin’, o caça furtivo japonês, deve voar em 2014

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Reportagem da Associated Press que repercutiu em vários jornais e sites nesta terça-feira, 8 de março, diz que autoridades da Força Aérea Japonesa querem que o protótipo do novo caça furtivo japonês, o “Shinshin”, fique pronto para voar em  até 3 anos. Assim, o Japão se juntaria às lista de países com protótipos ou caças operacionais “stealth” (furtivos, menos propensos a detecção por sensores): os Estados Unidos, a Rússia e a China. Trata-se da resposta japonesa à intensificação da batalha pela superioridade aérea no Pacífico.

O Tenente General Hideyuki Yoshioka, diretor de desenvolvimento de sistemas aéreos do Ministério da Defesa do Japão, disse à Associated Press que o protótipo deverá voar em 2014. Ele afirmou que o Japão vem investindo no projeto 39 bilhões de yen (aproximadamente 473 milhões de dólares ou 778 milhões de reais) desde 2009. Foi nesse ano que ficou claro que os EUA não tinham intenção de vender o F-22 “Raptor”, o mais avançado caça a jato americano, devido à recusa do Congresso em exportá-lo. Yoshioka disse, na segunda-feira, que “estamos há dois anos no projeto, e estamos no cronograma”.

Segundo Yoshioka, a realização do primeiro voo do “Shinshin” (que significa Espírito) não significaria início imediato de produção de um caça furtivo. O protótipo tem como objetivo testar tecnologias avançadas e, sendo bem-sucedido, o governo decidirá os passos seguintes em 2016.

O Coronel Yoshikazu Takizawa, do instituto de pesquisas técnicas e desenvolvimento do Ministério da Defesa, disse que “se os países ao redor do Japão possuem capacidades ‘stealth’, o Japão precisará desenvolver essas capacidades por si, para garantir sua própria defesa.”

Apesar dos “bolsos relativamente fundos” do Japão, além da aliança com os Estados Unidos (que opera um número significativo de caças e outras aeronaves no país, além de ter aproximadamente 50.000 militares estacionados), nada disso foi suficiente para que Tóquio conseguisse os F-22.

Mas, enquanto o Congresso dos EUA negava a exportação do “Raptor”, mesmo a um aliado próximo como o Japão, os seus vizinhos China e Russia conseguiam grandes avanços em caças furtivos. São aeronaves que poderão rivalizar com o F-22, superar os caças japoneses e, combinados aos grandes avanços da marinha chinesa, mudar o equilíbrio de poder regional.

O J-20 chinês surpreendeu especialistas com seu primeiro voo em janeiro, durante uma visita do Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, a Pequim (Beijing). O caça lembra o F-22 em muitos aspectos e vem causando muita preocupação em planejadores militares americanos e japoneses, porque seu desenvolvimento parece ir mais rápido do que pensavam. Mesmo faltando alguns bons anos para que esteja pronto para combate, o J-20 poderia complicar os esforços em controlar conflitos potenciais, envolvendo Taiwan ou a Coréia do Norte, além de aprimorar dramaticamente a defesa aérea chinesa.

Já o novo caça russo, o Sukhoi T-50, fez seu primeiro voo no ano passado, e está sendo desenvolvido em conjunto com a Índia. Ele representa mais do que um grande impulso ao poder aéreo russo, o que preocupa o Japão devido a suas disputas com os russos sobre ilhas no norte do Pacífico: o T-50 indica claramente que a Rússia quer vender mais caças de última geração para outros países.

Por outro lado, a Força Aérea do Japão está envelhecendo rapidamente. O país quer substituir seus caças F-4EJ e F-15 por aeronaves mais modernas, como os norte-americanos F-35 e F/A-18, ou o europeu Typhoon. Uma decisão a respeito é esperada para breve. Mas o programa japonês ATD-X (advanced technologies demonstrator – demonstrador de tecnologias avançadas) não tem como objetivo suplantar esses planos de aquisição. Na verdade, um caça furtivo feito no Japão seria a alternativa a um outro caça atualmente em uso – o F2, produzido localmente.

Autoridades japonesas insistem que esse desenvolvimento é fundamental para manter a capacidade de seus engenheiros, produzindo um caça de última geração no caso de outros países se recusarem a vendê-los – como foi o caso de Washington com o F-22. Em 2009, quando se iniciava o desenvolvimento do ATD-X, o Ministro da Defesa do Japão afirmava ser “extremamente importante manter e aprimorar a produção doméstica de caças e a base tecnológica.” Além disso, o Ministério da Defesa espera que a pesquisa, o desenvolvimento e a produção do caça criem 240.000 empregos no Japão, num impacto econômico de 8,3 trilhões de yen (101 bilhões de dólares ou 166 bilhões de reais).

FONTE / FOTOS (divulgadas em 2006 pelo Ministério da Defesa do Japão): Associated Press – tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo

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Renato Oliveira

É isso aí, mais um 5 gen na parada. E nós fora disso tudo…

Baschera

É isto aí….

Lá no Japão é “shin shin”…. aqui é “não não”…. muito “calo” compá caxinha…nó !!

Enquanto eles também vão de quinta geração e F-35 ou F-15 S como tampão….. aqui vamos de remendão mesmo.

Falando mais sério, gosto muito do design deste ATD-X nipônico… mas leiam bem o valor investido….. o que daria para comprar toda a FAB umas 20 vezes.

No way…

Sds.

tplayer

Até hoje não entendo como os Japoneses não são uma potencia na fabricação bélica.

Teriam alguma restrição ainda da segunda-guerra? Ou simplesmente começaram tarde?

asbueno

Esqueçamos os 5a geração. Precisamos apenas de aviões que possam voar. Seja o NG ou SH ou um tampão de 1a grandeza para mais uma década.
E aí, se os cérebros políticos funcionarem (há esperança?) autorizar a participação ou compra de uma aeronave de 5a, 6a ou qualquer outra geração avançada. A impressão que dá é que os GF fazem um favor às FFAA. Parecem dar mesada.

asbueno

tplayer disse:
8 de março de 2011 às 21:10
A constituição japonesa proibe a venda de aeronaves militares ao exterior, se não me engano.

asbueno

A atitude japonesa pode ser vista como um passo para forçar os EUA a lhes fornecer os F-22. Quem sabe se sairem F-22 block II eles não forneçam os block I aos nipônicos?

Todavia é um grande esforço japonês para manter um poderio frente a seus vizinhos. O que é uma necessidade.

Já nossos vizinhos… Se a lógica for essa nosso poderio está em linha com as necessidades. Mas e o futuro, a doutrina, o gap tecnológico, o bonde perdido…?

Passo apalavras às autoridades deste país.

Baschera

tplayer disse:
8 de março de 2011 às 21:10

Sim… tem… suas forças armadas são (segundo a constituição imposta ao final da II WW) de auto defesa.

Oficialmente o Japão não pode vender para outros, nenhum tipo de equipamento bélico.

Existem, no entanto, discussões no parlamento sobre a possibilidade de se mudar a constituição e permitir-se tais vendas a terceiros. Mas os pacifistas ainda são maioria na atual sociedade japonesa….ao que outros retrucam afirmando a corrida armamentista dos vizinhos China e Coréia do Norte como motivos válidos para tal mudança.

Sds.

Sds.

Baschera

asbueno disse:
8 de março de 2011 às 21:22

Se for só “aviões que possam voar”…. é fácil…. é só desenterrar o projeto “XV Bis Stealth” e produzir centenas…..

Estamos é lascados…..ou melhor, sucateados !!

Sds.

Baschera

Se vocês lembram…os japoneses solicitaram formalmente a compra do F-22…ao que o governo americano negou.

Estão é mais perto do F-35…

Sds.

Mauricio R.

O nariz cumprido desse mock-up, lembra o U-2.
O ac espião, não a banda pop.

Nick

O ShinShin está sendo pensado como um “quase” 6ª geração, em tese deverá ser mais furtivo que o F-22 ou F-35, no sentido “broadband”. Ou seja, mais eficiente em termos de furtividade que todos os caças que existem ou são protótipos. E o foco dele ao contrário do F-35 por exemplo, é a Supremacia Aérea. Esse ATDX, será ótimo para o Japão, mas teria um problema semelhante ao Gripen C: é perna curta, adequado à realidade geográfica deles mas não para o nosso. Apesar de que, se viessem não ficaria triste não…. Nesse tópico no fórum BM tem mais detalhes:… Read more »

Vader

O Japão tá fazendo firula mas vai mesmo é de F-35. Esse Shinshin não vai para frente. Não será necessário; a hora em que eles botarem as mãos no F-35 verão isso.

Nick

Sei não Vader, a questão é que os japoneses desenvolveram muitas tecnologias no F-2, e as indústrias de lá querem manter os empregos deles, além de claro, toda expertise conquistada, como o radar AESA nativo deles.

Se os EUA não abrirem a tecnologia para os nipônicos, o ShinShin seguirá em frente, mesmo que os japas comprem o F-35.

[]’s

Rodrigo

Os japoneses vão leva este projeto adiante independente do custo, da mesma forma que fizeram com o F16 de Itu deles e para compor quantidade irão de F35.

edcreek

Olá,

Vejo que os Japoneses devem ter percebido que o F-35 downgrade(exportação)made in USA terá problemas para enfrentar caça similares mas com vocação mais ar-ar do que o F-35, imagino que em breve teremos o F-22 denovo em produção, e em versão de exportação para aliados nivel um.

Vamos esperar para ver, mas a Coreia do Sul tambêm não vai se contentar com F-35 com a ameaça de caça Chineses de 5º g bem a sua porta.

Abraços,

Wagner

Vejamos se é só pressão politica ou se de fato eles vão fazer mesmo…

Vader

edcreek disse:
9 de março de 2011 às 13:31

Prezado Ed, poderia nos explicar como é que a Lockheed-Martin e as demais parceiras do JSF, correndo contra o tempo para entregar o produto (F-35) pronto, e lutando com os custos crescentes do programa, irão reprojetar a linha de montagem para fazer um F-35 “downgrade” (sic)?

E como manterão isso em sigilo para as dezenas de empresas estrangeiras (Turquia, Austrália, Canadá, GB, Itália, etc) que participam do processo de construção do avião?

E como enganarão alguns dos maiores experts do mundo em aviação, como Israel, por exemplo?

No aguardo.

Vader

Ainda no aguardo, prezado Edcreek…

Rodrigo

Vader disse:
9 de março de 2011 às 20:03

Daqui a pouco ele aparece com uma situação de 100 anos atrás e vai distorcer distorcer e distorcer até “comprovar” o que ele diz.

Os anti-americanos folclóricos são úteis para o bom humor do fórum.

Vader

É Rodrigo, desisti… pelo visto ele não sabe explicar…

edcreek

Olá,

Amigos defensores do grande irmão então os aliados receberam a mesma versão do F-35 igual a Americana?

Engraçado os Ingleses reclamarem que não tem acesso aos codigos fontes da aeronave, isso mesmo estou falando dos escudeiros….

Rodrigo isso não é antigo é do ano passado, agora vcs acharem que o F-35 export….será igual o USA é a mais pura torçida ao estilo Rafale, devaneio….

Abraços,

edcreek

Olá,

Complementando Vader, a varios fornecedores mas o “coração” é americano e gostando ou não os aliados teram o F-35 Down, mesmo com a torçida de vcs…

Abraços,

Rodrigo

Me explica uma coisa…

Você que é um grande desenvolvedor de software, poderia esclarecer para mim que sou leigo.

O que tem a ver você ter acesso ao código fonte, com receber uma versão diferenciada dele?

Vader

edcreek disse: 10 de março de 2011 às 7:58 “Engraçado os Ingleses reclamarem que não tem acesso aos codigos fontes da aeronave” Dormiu cedo ontem hein Edcreek? 🙂 Prezado Edcreek, vou tentar te explicar então: Uma coisa é o comprador “estrangeiro” (lembrando-se que o JSF é um projeto multinacional) ter um produto que é tecnologicamente pior do que o seu “original”. Isso não ocorrerá com o F-35 pelo simples fato de que ele não é produzido apenas “peluzamericanu”, mas sim por um consórcio multinacional, e que o consórcio está correndo contra o tempo e os custos para entregar um projeto… Read more »

Rodrigo

Não é questão de qualidade, mas de engenharia do produto e um segredo comercial. Ao entregar os fontes e as bancadas de teste, um não serve sem o outro, você simplesmente entrega uma engenharia de anos de pesquisa e ajuda a criar um concorrente. Depois de compilado não existe maneira de provar que o fonte foi simplesmente copiado só alterando o nome do produto. Processos CIVIS de roubo/ cópia ilegal de sistemas levam anos e exigem análise minuciosa de milhões de linhas de código, comparando o dois sistemas. Para sistemas militares, não existe este tipo de segurança legal, tem que… Read more »

Vader

Rodrigo disse:
10 de março de 2011 às 9:36

Pois é Rodrigo. O vídeo do Brig Venâncio é a prova mais do que cabal que alguns militares brasileiros simplesmente não sabem do que falam, ou “jogam pra torcida” por interesses bem outros.

Sds.

Rodrigo

Vader, software é uma coisa tão doida neste ponto de controle, que eu nem garanto que seja inviolável nem com toda coleira do mundo. Os australianos hackearam o Hornet e p.. no c.. ficou por isto mesmo, os gringos com cara de trouxas, já que não tem maneira de processar legalmente. Igualmente os indianos quando hackearam o M2000, deixou os franceses com uma grande baguette de carne nas mãos. O que pode ser feito é a encriptação da encriptação e nada mais. Nenhuma tecnologia é inviolável. O conhecimento adquirido do profissional, não impede que ele seja usado em outro lugar,… Read more »

edcreek

Olá, Amigos

Vader eu a noite não costumo acessar a internet, fico o dia inteiro no PC então é meio complicado a noite…

Rodrigo parabens pela explicação, realmente muito boa….

Mas vejo como impossivel os EUA liberarem a versão identica a deles, historicamente eles fazem uma versão down para exportação, mas vejo que não será apenas em nivel de programas, vejo que alguns “acessorios” não estaram disponiveis, mesmo para aliados nivel um, quem viver verá.

Abraços,

Vader

edcreek disse:
10 de março de 2011 às 16:16

Bem, até aí é só a sua suposição, completamente desembasada de fatos.

Rodrigo

Pois é, se é para afirmar no mundo da fantasia…

O fórum perde a razão de ser.

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