segunda-feira, outubro 25, 2021

Gripen para o Brasil

O AT-6, na visão da Lockheed Martin

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Num momento em que se discute possibilidades de negócios envolvendo a aquisição do Super Tucano pelos EUA, vale a pena dar uma olhada no seu maior concorrente, na visão de um parceiro do principal fabricante.

A Lockheed Martin  trabalha em parceria com a Hawker-Beechcraft para desenvolver o AT-6 e destaca, em seu site, a necessidade de uma alternativa ao A-10 no Afeganistão. A USAF (Força Aérea dos EUA) está consumindo horas de voo valiosas do A-10 em operações de vigilância e ataque onde o espaço aéreo não é contestado. Daí a proposta de se empregar, nessas situações, uma aeronave turboélice.

Para converter dois treinadores Hawker Beechcraft T-6 Texan em aeronaves sofisticadas de vigilância com capacidade de ataque leve, o AT 6, a Lockheed Martin incorporou à aeronave sistemas de missão do A-10C Thunderbolt II (no caso, “precision engagement mission systems”). Os computadores de missão, os data links para ampliar a consciência situacional, tecnologia de mira montada no capacete e outros sistemas fazem do AT-6, segundo a empresa, o “irmão menor” do A-10.

Pontos fortes do AT-6, segundo a empresa:

  • Plataforma capaz, acessível esustentável para desempenhar missões múltiplas: treinamento de tripulações, treinamento de armas, NetCentric operacional, ISR e ataque leve em conflitos irregulares.
  • Desenvolvimento espiral do comprovado T-6A, da USAF, e T-6B, da USN, com reforço estrutural e um motor mais poderoso de 1.600 cavalos, o  Pratt and Whitney PT6A 68D.
  • O maior alcance em sua classe, podendo acomodar 95% dos tripulantes da USAF.
  • Arquitetura de sistemas de missão “plug-and-play”, com novas capacidades integradas, nivelando as atualizações de programas de voos operacionais do T-6B e do A-10C. 
  • Pilones flexíveis e reconfiguráveis, num total de sete estações externas.
  • Longa persistência, carregando dois tripulantes e armas
  • Integração de armas de emprego geral, guiadas a laser e internas.
  • Infraestrutura logística global de uma frota crescente, que inclui mais de 600 aeronaves, e que já ultrapassou a marca de 1,2 milhão de horas de voo.
  • Atendimento à demanda de requerimentos de missões de ataque leve e de reconhecimento armado, ao redor do mundo.

 

E você, qual a sua visão? Lendo os pontos acima e vendo o vídeo, dê a sua opinião: quais os pontos fortes do Super Tucano para se contrapor a esses, além das questões econômicas e políticas? As maiores chances de conquistar uma venda estão na Força Aérea dos EUA ou na Marinha / Corpo de Fuzileiros Navais? Veja também matérias anteriores sobre esse assunto, a seguir:

FONTE / FOTOS / VÍDEO: Lockheed Martin e Aviation Week

VEJA TAMBÉM:

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Rodrigo

Coisas que eu achei interessante… Vendo a quantidade de modificações para transformar o EMB312 no EMB314, que de comum manteve praticamente somente o formato básico e parte do nome. Da para deduzir, que se transtormaram o Texan em um avião de combate de verdade, grande parte das modificaçoes feitas no ST precisarão ser feitas no Texan também o que mata totalmente a vantagem da escala e da maturidade da plataforma. Neste ponto o ST está anos luz a frente dele. O resto estão em pé de igualdade, a diferença é que o ST está diariamente sendo usado em combate e… Read more »

Vader

Essas concorrências estão muito enroladas, para quem precisava de aviões “para ontem”. Não sei não, mas acho que o “timing” do ST está passando. A única vantagem do ST é que ele está pronto e já é testado em combate, com algumas boas armas já integradas. O AT-6 também será uma excelente plataforma e tem uma vantagem: o rótulo “made in USA” em seu projeto… Ninguém duvide que “uzamericanu” podem fazer um monomotor tão ou mais capaz que a Embraer. Enfim, se a pressa falar mais alto, vai dar ST. Senão, podem esquecer. Mas o que está parecendo é que… Read more »

Ivan

As vezes a escolha de um parceiro é essencial para o sucesso (ou fracasso) de um negócio. Se a poderosa Lockheed/Martin está com a Hawker-Beechcraft é melhor a Embraer rever seus parceiros nos EUA. É óbvio que penso na igualmente poderosa Boeing para enfrentar a LM. É briga de ‘cachorro grande’… Em tempo: Continua acreditando que é uma medida válida ‘jogar no colo’ do presidente americano uma proposta SuperH x SuperT. Se eles concordarem faremos um bom negócio; Se não concordarem a responsabilidade será deles pelo distanciamento entre as 2 (duas) maiores economias das Américas. O que precisa ser melhor… Read more »

edcreek

Olá,

Essa concorrencia começa a pareçer a do novo “reabasteçedor” onde o que ganhou não levou…Com a desvantagem de o Super Tucano ainda não ter ganhado….
Nesse periodo os Gringos tendem a uma solução caseira, a cada mês que passa o ALX fica mais distante….Uma pena sem duvida…..

Abraços,

Antonio M

“…é melhor a Embraer rever seus parceiros nos EUA. ..”

Pois é. Me fez lembrar da “brincadeira” abaixo:

http://www.aereo.jor.br/?s=supertucano+northrop

Se a Embraer mantesse estreitos os laços com a Northrop desde a época em que fabricou partes do F5, quem sabe seria tudo mais fácil.

Nick

O mais interessante é saber que tem Super Tucanos voando com muitos sistemas exclusivos para a US Navy e USAF, ou seja ele vem sendo extensivamente testado por lá, além de já ter sido provado em combate aqui e na Colômbia.

O AT-6 é menor, mas o lobby é maior. Talvez as FAs deles tenham de engolir o AT-6 , mas eu diria que eles querem o ST , e para ontem.

[]’s

Rodrigo

Quando o desempenho técnico é semelhante…

Os gringos politicamente tendem a dar como vencedores, quem tem menos encomendas do Pentágono.

Boeing e Lockheed não correm o risco de ficarem sem carga de trabalho…

Northrop Grumman, sempre tem algo blackops em desenvolvimento…

Não sei até onde este parceiro da EMBRAER tem força política.

Gozado a charla anti-america afirmar que o ST não tem chances, devido a “solução caseira”, esquecem que o próprio Texan é estrangeiro, venceu soluções caseiras e próprio Tucano.

Mauricio R.

Vcs ficam nessa polarização ST X T-6, e se esquecem do Airtractor.
Não vejo os americanos alterando a célula do T-6, na mesma extensão que a Embraer alterou a do Tucano p/ criar o ST.
Vão trocar alguns sistemas, incorporar outros, trocaram a motorização e será somente isto.
Qnto maiores os custos de desenvolvimento que o AT-6 incorrer, maiores as chances do ST, cujo desenvolvimento já está praticamente pago.

edcreek

Olá,

Rodrigo não me considero anti-americano, mas posso dizer que a epoca era outra….

Abraços,

Rodrigo

A época era outra também quando a Dassault vendeu o Falcon e a Lixocopter o Dauphin e Lakota? O último é bem recente…. Por mais que digam que um projeto é estrangeiro, na hora da verdade ele será montado lá que é o que interessa aos gringos. Empregos por empregos o MRTT ia criaria mais empregos que o 767 que vai usar a mão de existente na Boeing. Perdeu porque a EADS é careira e ainda por cima ofereceu um produto problemático, não porque a Boeing é americana. Se você não faz parte da ala dos anti-americanos folclóricos que distorcem… Read more »

Mauricio R.

Os Falcon da USCG??? HU-25???

Estão sendo substituídos pelos CN-235(HC-144) da EADS-CASA.

Apesar de eu ter gostado da vitória do Next Gen Tanker, acho que a discussão não é por aí.
Os europeus vendem o avião completinho, 3500 pecinhas, mas ocorre que destas, 3499 são de procedência americana.

Tadeu Mendes

A pergunta que eu tenho e a seguinte:

Os ST seriam produzidos aqui (EUA), ou na Embraer em SP???

Como a palavra emprego tem um poder politico enorme para os congressistas, se os ST forem fabricados aqui, as chances de que sejam escolhidos sera bem maior.

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