segunda-feira, maio 10, 2021

Gripen para o Brasil

Tenente-Coronel Ozires Silva, Oficial da FAB, completa 90 anos

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

A trajetória de sucesso do homem que sonhou grande e deu vida à indústria aeronáutica brasileira

No dia 8 de janeiro, comemora-se o aniversário de 90 anos do nascimento do engenheiro e fundador da Embraer, Ozires Silva. Responsável por criar e desenvolver a indústria aeronáutica brasileira, o Oficial Aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) e Engenheiro Aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) coleciona uma trajetória repleta de sonhos e conquistas, que marcam a história nacional da aviação.

Nascido no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Bauru, o menino que já demonstrava interesse por aviões questionava: “Se o inventor do avião é brasileiro, porque não podemos construir os nossos aviões?”. Com essa pergunta, ele e seu inseparável amigo, Benedito César (Zico), questionavam o desenvolvimento do Brasil por meio da aviação, uma vez que todas as aeronaves do aeroclube da cidade eram fabricadas por americanos e franceses. Começou assim a vontade de se tornarem Engenheiros Aeronáuticos.

Não havia no Brasil uma escola que oferecesse o curso e seus pais não tinham condições financeiras para enviá-lo ao exterior. Então, como ponto de partida, Ozires ingressou como cadete na Escola de Aeronáutica, em 1948, no Rio de Janeiro (RJ). Após formado, serviu na Amazônia, trabalhou no Correio Aéreo Nacional (CAN), no Rio de Janeiro e na Base Aérea de São Paulo (BASP).

Nesta mesma época, um visionário, o então Coronel Aviador Casimiro Montenegro Filho, começava a fundar as bases de uma indústria de aviação nacional. “Antes de produzirmos aeronaves, precisamos produzir engenheiros”, disse o Oficial-General. Foi sob este ideal que nasceu o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e o ITA, a primeira escola de formação de engenheiros aeronáuticos do Brasil, na cidade de São José dos Campos (SP).

Em 1958, um voo mudou sua vida. Ozires foi acordado de madrugada para acompanhar um amigo, que lhe falou dessa escola de primeiro mundo que formava engenheiros aeronáuticos. Já no ano seguinte, mudou-se para São José dos Campos (SP) para ingressar no ITA, onde finalmente iria concretizar o sonho. “Foi um processo vigoroso de transformação. Eu me transformei em oficial da FAB e construtor de aviões”, afirma Ozires Silva.

Quando o Brigadeiro do Ar Casimiro Montenegro Filho, em seu discurso histórico como paraninfo da primeira turma de Iteanos (como são conhecidos aqueles que são graduados pelo ITA) formados, declarou: “Não tenho condições de fazer agora a indústria aeronáutica. Vocês um dia a farão”. Não imaginava que o sonhador Ozires Silva tornaria realidade.

Logo após se formar, em 1962, Ozires foi convidado a liderar o Departamento de Aeronaves do então CTA, onde constatou que o país necessitava de aviões pequenos, que pudessem facilitar o tráfego aéreo entre as pequenas cidades, uma vez que a aviação comercial detinha apenas aeronaves grandes, com alto custo.

Ozires inicia o desenvolvimento do projeto IPD-6504 – futuro Bandeirante – ao lado de grandes nomes como o Tenente-Brigadeiro do Ar Paulo Victor da Silva e os engenheiros Max Holste, Ozílio Silva e Guido Pessotti. Após muitos desafios e anos de trabalho árduo o resultado foi um produto genuinamente brasileiro, desenvolvido, concebido e produzido nacionalmente pela empresa que mais tarde se tornaria a Embraer.

O Avião Bandeirante

YC-95 Bandeirante

Em 22 de outubro de 1968, ocorreu pela primeira vez o voo do protótipo, que aperfeiçoado, tornou-se o Bandeirante. A aeronave inaugurou a aviação regional no país e deu origem à Embraer.

“O Bandeirante foi uma resposta às nossas dúvidas, entre muitas, sobre qual tipo ou modelo de avião que poderíamos tentar fabricar no Brasil e que pudesse ser razoavelmente diferente daqueles que eram normalmente produzidos nos países mais desenvolvidos. Ele surgiu da ideia de que as pequenas cidades do futuro deveriam ter à disposição o transporte aéreo”, declarou Ozires Silva, criador e fundador da Embraer.

Com a criação da Embraer, em 1969, abriram-se novos caminhos e ideais para os Engenheiros do ITA. Os sonhos do Marechal Montenegro se concretizavam com a implantação de uma indústria aeronáutica brasileira, que tornava possível colocar em prática toda pesquisa, ensino, desenvolvimento aeronáutico em sistemas e alavancar o país no campo aeroespacial.

O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), antigo CTA, carrega consigo o legado do desenvolvimento do projeto Bandeirante em um de seus hangares, o Hangar X-10. Além disso, o orgulho de ter um Oficial Aviador e Iteano responsável por tal feito. “Falar de Ozires Silva é falar do Iteano que revolucionou a indústria aeronáutica brasileira. São 90 anos da história daquele que ousou sonhar, planejar, projetar e construir o primeiro avião genuinamente brasileiro, o Bandeirante, que mais tarde deu origem à Embraer, uma empresa nacional, que se tornaria a terceira maior empresa de aviação e referência mundial na produção de aviões civis e militares”, ressaltou o Tenente-Brigadeiro do Ar Hudson Costa Potiguara, Diretor-Geral do DCTA.

O engenheiro e aviador Ozires Silva, durante estas nove décadas, trilhou um caminho de sucesso. Foi presidente da Petrobras e da Varig, ex-ministro de Infraestrutura, criou a Pele Nova Biotecnologia, empresa focada em saúde humana e reitor de universidade. É reconhecido como um importante empreendedor no país, e possui mais de 50 condecorações e prêmios nacionais e internacionais.

EMB-110 Bandeirante

Linha de montagem do Bandeirante

EMB-110P2 da Brit Air

EMB-110P2 da Masling

EMB-110 no antigo Museu da TAM – Foto: Alexandre Galante

EMB-110 Bandeirante preservado no MAB – Memorial Aeroespacial Brasileiro, em São José dos Campos-SP – Foto: Alexandre Galante

FONTE: Força Aérea Brasileira

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Frederick

A preclara Comunicação Social da Força Aérea Brasileira, outrora famosa pela sua capacidade de pesquisa e informação, derrapa em repetir e replicar fontes imprecisas; “Não havia no Brasil uma escola que oferecesse o curso e seus pais não tinham condições financeiras para enviá-lo ao exterior.” A Escola Técnica do Exército (EsTE) iniciou suas atividades de ensino voltadas à Engenharia Aeronáutica em 1939. Das suas carteiras, formou-se, dentre tantos, o então Major Casimiro Montenegro, em 1941, idealizador do CTA/ITA. TB Potiguara também parece não conhecer muito da história da aviação nacional, atribuindo ao Bandeirante uma marca que não tem. Confusão curiosa para… Read more »

Last edited 4 meses atrás by Frederick
nonato

Fiquei curioso sobre essa cronologia. O problema está no próprio vídeo da Embraer. Se antes já havia escola de aeronáutica, se desde criança Osires Silva frequentava aeroclube, se ele era do interior de São Paulo, se sempre quis ser engenheiro, se era piloto da FAB, como soube do ITA por meio de um colega, piloto igual a ele? Ficou confusa essa cronologia. Afinal de contas, quando surgiu o ITA? E quem eram os professores? Havia outras escolas antes? Então na década de 1930, o Brasil já havia produzido aeronaves em série? Qual e por que ninguém fala? Então o sinhô… Read more »

Fernando EMB

Nonato… A resposta as suas perguntas estão todas no livro “A decolagem de um sonho” recomendo a leitura. Já se produzia suaves em série no Brasil muito antes da Embraer. O problema é que ou eram aeronaves pequenas e simples de projeto nacional, ou eram montadas em pequeno número, ou ainda produzidas sob licença. Antes da Embraer tivemos, por exemplo, a fábrica do Galeão, a Neiva, e várias outras. Chegamos a produzir mais de 1.000 aeronaves Paulistinha. Mas para você ter uma ideia, nada do que tivemos antes de compara ao que a Embraer se tornou com apenas alguns anos… Read more »

Frederick

Se antes já havia escola de aeronáutica, se desde criança Osires Silva frequentava aeroclube, se ele era do interior de São Paulo, se sempre quis ser engenheiro, se era piloto da FAB, como soube do ITA por meio de um colega, piloto igual a ele? Nonato, não sei. Qualquer coisa que eu escreva sobre isso será pura especulação minha. Fato é que o Centro Técnico de Aeronáutica, que incluía o ITA e outros institutos, era mastodôntico, e desde o seu projeto, de 1947, era muito bem divulgado na FAB. Nada tinha de sigiloso. Existem reportagens de jornais que contam desde a… Read more »

Willber Rodrigues

Uma das maiores fabricantes de aviação do mundo
Um dos maiores polos tecnológicos nacionais
Super-Tucano
KC-390
Vários jatos de passageiros que foram/são sucesso de vendas
E, em breve, o Gripen.
Fico feliz que um VERDADEIRO patriota como o Ozires Silva esteja vivo, pra ver as sementes que ele plantou, dando frutos.

Demarchi

Sem palavras!!!
Deixo minhas continências a estes gigantes brasileiros 🇧🇷🙋🏻‍♂️

Last edited 4 meses atrás by Demarchi
Joli Le Chat

No parágrafo abaixo da terceira foto, está sobrando a frase “Clique aqui para baixar a imagem original”.

José C. Messias

Sem palavras para reconhecer o que esse insigne brasileiro fez pelo Brasil.
Parabéns Ozires Silva!

Foxtrot

Está aí um grande militar, oficial e brasileiro.
Com uma visão estratégica e de nação sem igual.
Criador da maior e se não todas as indústrias de defesa nacional.
Acho que os militares da FAB da atualidade tinham que aprender muito com esse senhor (não só da FAB, mas todas as FAAs ).
Quem me dera telo como comandante de FAB novamente.

Rodrigo Maçolla

Parabéns ao Sr. Ozires, sua contribuição é inestimável para a Embraer , FAB e Brasil , Seria muito bom ter mais brasileiros com essa vontade e competência !!
Não se faz nada sozinho mais é preciso que alguém sonhe que alguém queira e que seja capaz de fazer que todos juntos tornem uma vontade em realidade.

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