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Grande contrato russo de mísseis ar-ar R-77-1 para combate BVR

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Su-35 com mísseis R-27 e R-77
Su-35 com mísseis R-27 e R-77

O jornal russo Izvestiya relatou em matéria de Anton Lavrov e Roman Kretsul um importante contrato de acompanhamento assinado entre o Ministério da Defesa da Rússia e a JSC Tactical Missile Corporation para o míssil ar-ar R-77-1 (Izd.170-1) de longo alcance com orientação por radar ativo no valor de 65 bilhões de rublos (US$ 860 milhões).

Esta encomenda deverá finalmente tornar possível para a Federação Russa – Forças Aeroespaciais (VKS) preencher a lacuna dos mísseis e eliminar a escassez de armamento ar-ar moderno de médio alcance com quase todos os tipos de caças no inventário da VKS. O novo contrato está atualmente em estágio inicial de execução e as entregas de mísseis já começaram, acrescentaram as fontes.

Este contrato, para circunstâncias russas, é a maior compra conhecida de munição guiada de precisão para a Força Aérea Russa, excedendo em muito a encomenda anterior de 2015 para o primeiro lote de mísseis R-77-1 no valor de 13 bilhões de rublos (US$ 172 milhões) que foram amplamente testados na Síria ao lado do tipo R-27 semi-ativo.

Enquanto o MoD russo não informou o número exato de munições encomendadas, com base nos parâmetros dos contratos de exportação de mísseis desta família, o novo contrato definitivamente opta por vários milhares de unidades que serão usadas em todos os caças russos modernos, como Su- 27SM/SM3, Su-30M2, Su-30SM, Su-35S, MiG-29SMT, MiG-29K embarcado, futuro Su-57 e MiG-35 e também em interceptores pesados ​​MiG-31BM e bombardeiros táticos Su-34.

Míssil R-77
Míssil R-77

O míssil R-77-1 (também conhecido pelo nome de exportação RVV-SD) é destinado a engajamentos Beyond-Visual-Range (BVR) no alcance máximo de lançamento do hemisfério frontal (FFR) de até 110 km (alvo com seção transversal de radar de 3m2) e atingindo alvos manobrando puxando até 12g. É adequado para destruir aeronaves, helicópteros, mísseis de cruzeiro, UCAVs e outros alvos com baixa RCS.

O novo tipo substituirá os mísseis ar-ar de médio alcance da família R-27, que há muito tempo deveriam ter sido trocados, pois são analógicos por natureza e não possuem a verdadeira capacidade “fire and forget”. Com o novo míssil, as coordenadas do alvo são transmitidas para o software e após o lançamento, o R-77-1 vai de forma independente para o ponto programado onde, a cerca de 30km de distância do alvo, liga seu próprio radar ativo 9B-1103M -200PA e determina autonomamente a direção de ataque mais eficaz.

Uma versão ativa-passiva (home-on-jam) do R-77-1 com o buscador 9B-1103M-200PS combinado é capaz de capturar alvos emissores no alcance de cerca de 200km.

Alcance do R-77

A versão original do R-77 foi desenvolvida pelo Vympel State Design Bureau no final dos anos 1980 como uma resposta ao americano AIM-120 AMRAAM. A intenção era que fosse produzida em série na empresa ucraniana Artem, mas esse plano não foi adiante após o colapso da URSS.

A empresa Artem ainda conseguiu fabricar várias centenas desses mísseis que foram exportados sob a designação RVV-AE para países como Índia, China, Vietnã, Argélia, Indonésia, Iêmen, Venezuela e Malásia, em pequenos números também para o Sudão, Uganda e Peru.

Lotes limitados de R-77s originais também foram montados na Federação Russa nas instalações de produção do desenvolvedor, em cooperação com empresas ucranianas, mas este tipo nunca foi oficialmente adotado na Força Aérea Russa, com apenas um pequeno número encomendado para os novos caças Su-35S em 2009.

Su-35BM com mísseis R-77/RVV-AE

FONTE: Scramble Magazine

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Wagner
Wagner
1 mês atrás

É… Todos os grandes tubarões com os dentes à mostra.

Antunes 1980
Antunes 1980
1 mês atrás

Este míssil R-77 já foi testado em combate?
Algum abate confirmado?

Antoniokings
Antoniokings
Reply to  Antunes 1980
1 mês atrás

Ainda não.
Está só esperando algum avião americano, da OTAN ou de Israel tentar fazer o que não deve para ser derrubado.
Cada coisa…….

Kemen
Kemen
Reply to  Antoniokings
1 mês atrás

Tentar derrubar aviões da OTAN em missão pela OTAN? Não aconselharia.

Antoniokings
Antoniokings
Reply to  Kemen
1 mês atrás

Primeiro a OTAN teria que se entender entre eles..
Depois, preparar alguma reação pífia.
Provavelmente uma nota de protesto.

Kemen
Kemen
Reply to  Antoniokings
1 mês atrás

Não apostaria nisso! Apostaria numa resposta no dia seguinte.

“Provavelmente uma nota de protesto” – a respeito dessa nota de protesto, acha que seria igual ao protesto da Russia quando teve um avião derrubado por um missil Sirio, depois de uma manobra engenhosa dos pilotos de Israel?

Last edited 1 mês atrás by Kemen
Antoniokings
Antoniokings
Reply to  Kemen
1 mês atrás

É muito complicado quando seu principal aliado na Europa considera que os EUA estão em ‘caos e declínio e a caminho do abismo’

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2020/08/alemanha-aponta-eua-em-caos-e-declinio-a-caminho-do-abismo.shtml

Sinto muito, mas é o que todos os analistas e economistas vêm alertando.

PauloOsk
PauloOsk
Reply to  Antoniokings
1 mês atrás

Principal aliado americano na Europa? England mandou lembranças.

Antoniokings
Antoniokings
Reply to  PauloOsk
1 mês atrás

Refiro-me ao maior e mais rico.
Não ao que fica agarrado à barra da calça do Tio Sam.

Defensor da liberdade
Defensor da liberdade
Reply to  PauloOsk
1 mês atrás

Tirando as nukes o que sobra aos ingleses? Nada, prefiro os alemães aos ingleses, tem muito mais base econômica que aquela ilha chechelenta decadente.

Kemen
Kemen
Reply to  Antoniokings
1 mês atrás

É possivel, afinal todo o imperio teve seu começo e seu fim, outros vieram, é só ler a história, mas o fim desse na minha opinião ainda esta bastante longe, quem sabe se o próximo não poderiamos ser nós, afinal regionalmente já somos.

Vinicius Momesso
Vinicius Momesso
Reply to  Antunes 1980
1 mês atrás

HMS Tireless, és tu menino?

Antoniokings
Antoniokings
Reply to  Vinicius Momesso
1 mês atrás

Esse é o famoso Comentarista Ninja.
kkkkkk

Zorann
Zorann
1 mês atrás

Quer independência? É assim que se faz.

Paga-se para desenvolver, testa-se, corrigem-se os erros/aprimoramentos são feitos e aí compra-se em quantidade suficiente para garantir que a industria permaneça ativa.

Aqui a gente paga para desenvolver e não compra. Ou quando compra, a quantidade é tão pequena que é insuficiente para dissolver os custos de desenvolvimento, resultando em um produto extremamente caro, não competitivo.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  Zorann
1 mês atrás

Compramos algo com ToT a preço de ouro, com a desculpa de “desenvolver nossa indústria”, pra construír-mos meia dúzia de equipamentos custando o dobro do triplo, e depois os deixamos pra lá, não evoluí-mos a plataforma, não compramos nem em quantidade suficiente pra nossas FA’s, e décadas depois, repetimos o ciclo de comprar algo com ToT, a preço de ouro.
Espero, sinceramente, que os Gripens e os Riachuelos finalmente quebrem essa maldição por aqui.

John
John
Reply to  Willber Rodrigues
1 mês atrás

Apenas um adendo, o AMX em parceria com as empresas italianas foram as raizes do Embraer Millenium, da linha de jatos executivos presente e da parte eletronica dos Tucanos.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  John
1 mês atrás

O AMX foi uma exceção, e mesmo assim o maior beneficiado nesse projeto foi a Embreaer ( não que isso tenha sido ruim, veja bem ).
Mas pra corroborar meu exemplo, tem a classe Niterói e os IKL alemães, que compramos o ToT a preço de ouro, fabricamos pouquíssimas unidades, e nem nos demos ao trabalho de evoluir o projeto e construir novas unidades ao longo das décadas.

Sagaz
Sagaz
Reply to  Willber Rodrigues
1 mês atrás

Continuar o debate sem falar da folha de pagamento, se não os corporativistas vem defendendo a boquinha.

Tutu
Reply to  Willber Rodrigues
1 mês atrás

As Niterói deram origem as Inhaúma, que por sua vez deram origem a Barroso, eu não diria que foi mal aproveitado, só não fizemos mais navios baseados nesse TOT por falta de dinheiro.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  Tutu
1 mês atrás

E quamtas Inhaúmas e Barroso nós temos hoje? E, novamente, só corrobora o que eu disse. Compramos o ToT a preço de ouro, fizemos meia dúzia de unidades, e deixamos o projeto morrer, por “falta de grana” ( e vocês sabem que não é falta de grana, e sim pra onde vai o dinheiro…. ) e por falta de uma política séria em defender nossa indústria e mão de obra especializada. Se, por exemplo, ao longo das décadas, nós realmente tivessemos pegado a Niterói e evoluíssemos o projeto e construído novas unidades ao longo do tempo, hoje a gente não… Read more »

MCruel
MCruel
Reply to  Zorann
1 mês atrás

Eu acredito que (opinião pessoal) terminado o lote inicial do Gripen, a maioria dos engenheiros envolvidos serão absorvidos ou assediados por empresas estrangeiras. As boas mentes brasileiras tem buscado no exterior, além de moedas fortes, a possibilidade de por em prática o que aprenderam com a ToT. Sem investimento, a ToT paga no Gripen resultará em alguns pontos de melhora na nossa indústria, mas abaixo do potencial.

Willber Rodrigues
Willber Rodrigues
Reply to  MCruel
1 mês atrás

Sobre isso, eu sou um pouco mais otimista, e acredito que a FAB conseguirá um 2° lote de Gripen.
Agora, quando será esse 2° lote, e se ele será na mesma quantidade de caças que o 1° lote, aí tenho minhas dúvidas…

Flanker
Flanker
1 mês atrás

Com 860 milhões de dólares, para comprar vários milhares de unidades do míssil, ele tem que custar menos de 300 mil dólares cada. Claro que são outros parâmetros, outras políticas econômicas, mas pelo que foi noticiado sobre a aquisição do Meteor pela FAB, o contrato para 100 unidades equivale a 200 milhões de dólares.

MCruel
MCruel
Reply to  Flanker
1 mês atrás

Tanto lá como cá, a “gorjeta” rola…

rui mendes
rui mendes
Reply to  Flanker
1 mês atrás

Material militar, é caro.
A França está comprando 3 E-2D advanced Hankeye, por $2 biliões.

Flanker
Flanker
Reply to  rui mendes
1 mês atrás

Eu sei disso. Só me referi à aparente grande diferença de preço entre esse míssil russo e o Meteor.

Luís Henrique
Luís Henrique
1 mês atrás

Sugestão de matéria para os editores: na mídia internacional informaram que a Grecia esta para acertar a aquisição de 18 Rafale, 10 do modelo F3R novos de fábrica e 8 seriam doados pela França, tirados da força aérea francesa e enviados para a força aérea grega sem custo.

Zeca
Zeca
Reply to  Luís Henrique
1 mês atrás

Doação de Rafale? Bela campanha do agasalho! Os ventos gélidos vindos do leste terão uma barreira respeitável para ultrapassar.

Fabio Araujo
Fabio Araujo
1 mês atrás

Eu pensei que esse míssil já era usado em bom número pelos russos, me surpreendeu essa informação que a maioria dos fabricados foi para exportação e que só um pequeno número foi comprado localmente, pelo que já tinha lido é um excelente míssil!

Clésio Luiz
Clésio Luiz
1 mês atrás

Falando em Flanker, durante um exercício de rodopista na Ucrânia um Su-27 colidiu com uma placa de trânsito, quando o piloto fez uma aproximação muito rasa e tocou a pista antes de onde deveria:

https://youtu.be/2wIPo2hOQ_c

Fabio Araujo
Fabio Araujo
Reply to  Clésio Luiz
1 mês atrás

E voltou para a base levando a placa presa na entrada de ar do caça, deve ter virado um suvenir na base!

cerberosph
cerberosph
Reply to  Fabio Araujo
1 mês atrás

Se for uma placa de limite de velocidade é um belo suvenir kkk

Fabio Araujo
Fabio Araujo
Reply to  cerberosph
1 mês atrás

No futuro não vão acreditar quando a história for contada aí vão mostrar uma foto do avião com a placa presa e a própria placa! KKKK

JSilva
JSilva
1 mês atrás

Em tese, essa nova versão corrige uma desvantagem da família Flanker no combate BVR. Um caça com um radar poderoso, mesmo Pesa, que term condições de ver primeiro mas que não podia lançar primeiro por causa do alcanve do R-77, e o R-27 não é dispare e esqueça… Somando com o alto RCS do Flanker você acabava tendo dois problemas, não poder aproveitar a vantagem de seu grande radar e aumentar ainda mais sua exposição para poder chegar no alcance do missil.

Last edited 1 mês atrás by JSilva
ANDRE DE ALBUQUERQUE GARCIA
ANDRE DE ALBUQUERQUE GARCIA
1 mês atrás

Transferência de tecnologia só faz sentido se for empregado o conhecimento para futuros projetos e produção de novos equipamentos. Se for para não fazer nada, ou se perde o conhecimento pelo desuso ou simplesmente ele estará defasado. A experiência brasileira tem sido de aproveitar pouco ou quase nada da tecnologia transferida. Ou seja, paga-se muito mais caro que a aquisição de produtos de prateleira e perde-se o conhecimento com o passar do tempo. É claro que há um benefício quando exige-se um percentual mínimo de componentes nacionais ou nacionalizados, mas isso é muito pouco diante do que pode ser realizado.… Read more »

Fabio Jeffer
Fabio Jeffer
1 mês atrás

Afinal, em que região da Rússia são produzidos esses mísseis.