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O ‘Dynamic Flight Simulator’ do Gripen na Suécia

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Voar caças de última geração como o Saab Gripen não é para qualquer pessoa. É preciso possuir o preparo e as condições físicas para voar com segurança e suportar as elevadas cargas G que esses aviões produzem, quando realizam manobras de combate aéreo.

A Força Aérea Sueca possui um simulador de voo combinado com um centrifugador que serve como treinador para pilotos de Gripen e como laboratório médico, para pesquisas sobre os efeitos das elevadas cargas G nos pilotos.

O sistema permite aos pilotos “puxar” 9 G e comandar a aeronave simulada em qualquer atitude de “pitch” e “roll”, com uma experiência muito próxima da encontrada num caça de verdade.

Projetado visando o realismo, o Dynamic Flight Simulator (DFS) fica em Linköping, Suécia, sendo considerado o primeiro equipamento de quarta-geração, um sistema baseado em terra capaz de puxar Gs e replicar as condições de voo de um caça tático moderno.

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O DFS é basicamente um mock-up da cabine do Gripen montado na ponta de  um braço centrifugador. O sistema representa um enorme salto no treinamento de pilotos e nas capacidades de pesquisas de fisiologia.

O sistema foi projetado pela Wyle Laboratories da California e possui uma série de características para emular o voo com altas cargas G:

  • Um motor de corrente contínua que movimenta um braço de cerca de 10m;
  • Uma grande gôndola esférica, suspensa por cardans e configurada com os displays e controles do cockpit do Gripen, com três telas;
  • Um sistema de controle baseado no Gripen, com modelo de voo que simula com precisão as características dinâmicas de resposta da aeronave;
  • Algoritmos de percepção no sistema de controle que “enganam” o sistema vestibular do piloto, provendo um grau de realismo que não é possível de ser alcançado em centrífugas convencionais, de acordo com o fabricante;
  • Um sistema de controle fechado, no qual o piloto voa o DFS e comanda totalmente movimento. Modos pré-programados também estão disponíveis;

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Aeromedical and Survival Training - Swedish Air ForceA Força Aérea Sueca viu-se obrigada a adquirir um simulador de altos G quando incorporou o JAS 39 Gripen, um caça capaz de puxar 9 G quase que instantâneamente e sustentar este nível por longos períodos.

Reconheceu-se que aeronaves e pilotos poderiam ser perdidos pelo fenômeno “G-loc” (perda de consciência induzida por G), que faz com que alguns pilotos desmaiem em voo.

Alguns incidentes ocorridos no início do programa de desenvolvimento do Gripen levaram a  Força Aérea Sueca a concluir que não havia pesquisa suficiente para altos Gs na área de fisiologia de aviação.

Consequentemente, decidiu-se adquirir o simulador, para desenvolver a expertise na área e treinar os pilotos suecos para lidar com voos em alto G.

Voar um caça rotineiramente, permite ao piloto desenvolver a capacidade de lidar com as condições de alto G. Ele instintivamente firma as pernas e os músculos abdominais, auxiliado pela inflação do traje G (G-suit), que espreme as pernas e o abdômen.

Pilotos também são treinados na respiração anti-G, que consiste de respiração curta, enquanto se mantém os músculos tensionados.

DFS PatchO esforço é essencial para manter o fluxo de sangue na cabeça, enquanto as cargas G aumentam. Se o sangue sai da cabeça enquanto se puxa Gs numa curva, a visão do piloto diminui a partir das bordas, formando a chamada “visão de túnel”.

Altos Gs ou a relaxação da manobra no tempo errado, pode fechar o túnel completamente e mesmo que o piloto tenha os olhos abertos, ele não consegue enxergar nada, além uma tela cinza.

A próxima fase é a do “blackout”, quando o piloto perde totalmente a consciência. Pode levar até um minuto para um piloto conseguir voltar ao normal, depois de sair de um “blackout”.

O DFS é um meio efetivo para os pilotos treinarem a resistência na visão de túnel ou o “black out”, realizando a respiração curta anti-G sob condições controladas.

Alguns pilotos podem aprender rápido, outros demoram mais e 1% deles são reprovados para o voo em caças. Por isso o DFS também é usado para testar a resistência de futuros candidatos a voar o Gripen, que têm que suportar 15 segundos voando sob 9 G, para serem aprovados.

Piloto brasileiro suporta 9 vezes a força da gravidade no centrifugador na Suécia

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Clésio Luiz
Clésio Luiz
1 ano atrás

O (falecido) autor do livro “Semper Viper”, Joe “Bill” Dryden, piloto de testes da então General Dynamics (divisão Fort Worth, antiga Convair), se gabava de aguentar até 45s à 9G no F-16. É um esporte para poucos, realmente.

Aqui um dos pilotos de teste da Saab fazendo os testes e só respondendo “sim” se queria mais. Respeito pro careca aí:

https://youtu.be/_0nbRYIBVDQ

Fabio Araujo
Fabio Araujo
1 ano atrás

Já adquirimos o simulador? Se sim quando chega?

BR Paraná
BR Paraná
Reply to  Alexandre Galante
1 ano atrás

FAB vai adquiri algum tipo de simulador, para o treinamento dos pilotos?

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Reply to  Alexandre Galante
1 ano atrás

Esse é o problema do Brasil! Não adquirir por ser muito caro, ou seja : Não ver tal aquisição e implementação como um investimento e sim como gasto.

Algo que poderia poupar o uso de aeronaves e horas de voo e querosene.

Poderia se adquirir e criar ou por em um centro de treinamento já existente.

Infelizmente nessa vila algumas coisas são vistas como gastos e outras não, quando são convenientes aos senhores feudais da terra Brasilis…

Aerococus
Aerococus
Reply to  Adriano Madureira
1 ano atrás

Eventualmente, é mais econômico contratar o uso do simulador para o treinamento (ou validação) fisiológico dos pilotos de Gripen da FAB, do que investir em um equipamento próprio. Este tipo de modus operandi é comum pelo mundo afora.

Se quiser dar uma voltinha no simulador, acho que da pra contratar, se você puder pagar.

https://www.fmv.se/en/Our-activities/Flight-Physiological-Center-FFC/

Rinaldo Nery
Rinaldo Nery
Reply to  Adriano Madureira
1 ano atrás

Ninguém vai gastar horas de vôo ou querosene pra ¨treinar puxar G¨. Acho que você está confundindo com Full Flight Simulator, que é outra coisa.

nonato
nonato
1 ano atrás

Eu ia fazer algumas perguntas, que foram parcialmente respondidas pelo texto. Mas falas-ei, assim mesmo, para completar as respostas e pra permitir aos colegas do ramo trazer mais detalhes. Presume-se que os candidatos a pilotos precisam ter uma saúde próxima de 100%. Nada de labirintite ou hipertensão. Mas como é feita a seleção antes da formação? O que é exigido? E quanto a esses 9 g? Há pilotos que naturalmente suportam e outros não? Esses treinamentos físicos e nesse simulador “ensinam” essa habilidade para quem não a tem naturalmente? Ou é só uma maior exposição a situação por quem é… Read more »

Rinaldo Nery
Rinaldo Nery
Reply to  nonato
1 ano atrás

Amigo, a seleção de capacidade física é realizada no ingresso na AFA (e no final do 3° ano pros alunos da EPCAR). Está no edital do concurso. Os requisitos são definidos pela DIRSA (Diretoria de Saúde), constando de instrução específica. Todo aviador (civil e militar) possui um Certificado Médico Aeronáutico (CMA), que é renovado anualmente. A resistência à carga G varia de indivíduo para indivíduo, e esse simulador ¨ensina¨ como aumentar a resistência. Treinamento físico específico (musculação, pois aumenta a irrigação periférica) auxilia nessa resistência. Por isso a Ala 2 assinou uma parceria com a UniEvangélica, de Anápolis, para um… Read more »

Rinaldo Nery
Rinaldo Nery
Reply to  Rinaldo Nery
1 ano atrás

A exposição continuada a elevadas cargas G pode acarretar problemas futuros, sendo os mais comuns hemorróidas e problemas de coluna. Juntamente com a sinusite, chamamos ¨doenças ocupacionais de pilotos¨.

Denis
Denis
1 ano atrás

O desenho do Gripen na bolacha ficou bem feínho…