Amorim quer retomar agenda dos caças para deixar ‘legado’ na Defesa

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    Ministro tenta trazer assunto de volta à lista de prioridades para 2014 — mas eleições podem travar escolha do fabricante

     

    Espadao 2011 - ministro celso amorim - foto Poder Aereo - guilherme poggio

    Ana Clara Costa

    ClippingNEWS-PAEm sua tímida passagem pelo Ministério da Defesa, Celso Amorim quer deixar um ‘legado’. Sua pasta foi uma das mais castigadas pelos contingenciamentos ao longo dos últimos três anos. Os recursos liberados pelo governo à Defesa representam, em média, 55% do que a pasta demanda para manter despesas, custeio e investimentos. Sem muito campo para atuar, Amorim quer retomar as discussões sobre o FX-2 — o projeto de substituição de aeronaves militares que teve origem há mais de 20 anos e jamais foi levado adiante por um governante. Como as atuais aeronaves usadas pela Força Aérea Brasileira (FAB), os Mirage 2000, da francesa Dassault, já ultrapassaram todos os limites da recauchutagem e serão aposentadas obrigatoriamente ao final deste mês, o ministro quer aproveitar para fazer do FX-2, também, a sua bandeira.

    Em conversas com oficiais e assessores, Amorim tem levantado a questão com certa frequência. Reconhece, contudo, que o tema de uma compra de 36 caças por mais de 5 bilhões de dólares não é o assunto mais apropriado para se discutir às vésperas do pleito eleitoral. Em período de deterioração das contas públicas, a presidente não teria muitos argumentos para explicar à população o investimento bilionário em aparatos militares — ainda que o impacto orçamentário desse gasto só seja sentido de um a dois anos após a compra. “Amorim quer fechar o negócio, mesmo que as negociações pós-compra e a chegada das aeronaves aconteça em outro governo. Ele quer deixar o legado”, afirma uma fonte próxima às discussões. Diferente de seu antecessor, Nelson Jobim, que fazia uma defesa deslavada pelo acordo com a Dassault, Amorim, até o momento, não tomou partido de nenhum fabricante. O Ministério da Defesa confirmou, por meio de sua assessoria, a vontade do ministro em dar sequência ao FX-2 em 2014, mas ressaltou que a decisão está nas mãos da presidente.

    As doze aeronaves Mirage (apenas seis estão em funcionamento) foram compradas em 2006 da França, usadas. Deveriam ter se aposentado completamente há dois anos, mas uma sobrevida foi dada às seis unidades que se aposentam este mês, graças ao trabalho de melhoria feito pela Embraer. Em 1º de janeiro, serão substituídas pelas F5, fabricadas pela Northrop, mais antigas e menos potentes — compradas em diversos lotes desde 1976. Os últimos caças F5 adquiridos pela FAB são usados e foram comprados da Jordânia. Estão em processo de modernização na Embraer desde 2011. A mudança deixa um hiato na Aeronáutica, que ficará com seu 1º Grupo de Defesa Aérea sem aeronaves. Caso Amorim consiga persuadir a presidente Dilma a tomar a decisão em 2014, a empresa vencedora do contrato também deverá se encarregar de encontrar soluções temporárias para equipar a FAB enquanto as máquinas novas são fabricadas. (Clique para continuar a leitura).

    A movimentação de Amorim reacendeu, também, a esperança das três companhias instaladas no Brasil e que disputam o contrato: além da Dassault, que fabrica o Rafale, há a sueca Saab, com o Gripen, e a Boeing, com o Super Hornet F18. Em vista ao Brasil nesta semana, o presidente francês François Hollande trouxe em sua comitiva o presidente da Dassault, Éric Trappier, que esteve presente tanto nas reuniões com a presidente Dilma, em Brasília, como com empresários em São Paulo. Trappier foi escolhido para assumir o grupo de defesa francês em janeiro deste ano. Antes disso, era responsável pelo consórcio fabricante do Rafale justamente na época em que as conversas com o governo brasileiro andavam promissoras. O então presidente Lula atrelou a compra dos caças franceses ao apoio da França à cadeira no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil. Como o ex-chefe-de-governo Nicolas Sarkozy voltou atrás no apoio, Lula retaliou e desistiu do Rafale.

    Durante o governo Dilma, nas poucas discussões consistentes sobre o tema, a nova favorita era Boeing. Não só a proposta de transferência de tecnologia da gigante americana havia agradado a presidente Dilma, como a vinda da empresa ao Brasil havia suscitado uma série de possibilidades de parcerias com a indústria que iam além dos F18. Segundo documentos sigilosos divulgados pelo Wikileaks, o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, também havia explicitado, em 2009, a superioridade técnica da aeronave americana. Contudo, a saia-justa causada pelas denúncias do ex-técnico da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, Edward Snowden, que revelaram práticas de espionagem do órgão a diversos governos — inclusive o brasileiro — colocaram a Boeing no fim da fila. “Agora, o páreo é entre franceses e suecos”, diz uma fonte ligada à Defesa. Procuradas, Dassault e Saab não quiseram comentar.

    Em entrevista ao site de VEJA, a presidente da Boeing no Brasil e ex-embaixadora, Donna Hrinak, afirmou que o F18 não só é tecnicamente superior, como também a proposta da empresa para o projeto foi aprimorada ao longo dos anos. Segundo Donna, o governo brasileiro tem toda a razão em condenar as ações da NSA, mas reafirmou que a força das relações comerciais entre Brasil e EUA vai muito além das denúncias. “É uma relação bilateral de muitos anos. Compartilhamos valores e interesses. E não podemos deixar que essa relação seja afetada por Edward Snowden”, afirmou.

    FONTE: Veja

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    Edgar
    Admin
    6 anos atrás

    Concordo que a FAB continuará usando aviões de caça legados por um bom tempo…

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_legado

    joao.filho
    joao.filho
    6 anos atrás

    Rsrs. Essa no link foi boa, Edgar!!! Mas falando sério, no que se refere à aviação de caça da FAB, já desisti. Depois de quase 20 anos sem ter a capacidade de efetuar a compra de apenas 36 caças de prateleira, vou esperar mais o que do Brasil? Só para ilustrar, em tanto tempo poderiamos ter projetado do nada, e já estar fabricando em série um caça capaz de pelo menos quarta geração. Daqui a pouco, se o J-21 realmente começar a ser produzido na Argentina, passaremos a ter a força aérea mais caduca e ridicula do continente, entrando para… Read more »

    Edgar
    Admin
    Reply to  joao.filho
    6 anos atrás

    João, o engraçado é que o link descreve PRECISAMENTE a situação da Aviação de Caça do Brasil! E este termo, Sistemas Legados, é algo bem corriqueiro em minha área, e quando postei o link foi mais como uma forma de explicar meu argumento, mas lendo melhor agora é possível ver como nossa situação se compara a isto. A diferença é que software não se deteriora e não tem vida útil.

    Lamentável.

    Baschera
    Baschera
    6 anos atrás

    João.filho,

    O caça que a FADEA da Argentina tenta negociar a co-produção não é o J-21…. e sim o Chengdu FC-1 ou também conhecido como JF-17 Thunder….

    Sds,

    Rinaldo Nery
    Rinaldo Nery
    6 anos atrás

    O único legado que o Celso ¨Félix¨ Amorim vai deixar são os babados na manga das camisas das fardas.

    Antonio M
    Antonio M
    6 anos atrás

    Mas fácil será deixar um “largado” do que um legado …..

    mdanton
    mdanton
    6 anos atrás

    kkkkkkkkkkkkkk….essa esquerda caviar tá querendo mesmo é puxar-saco de militar para ficar “a salvo” quando o “tempo quente” começarem a tomar as ruas….guardem esse ano 2015! #ocomeço

    Bogaz
    Bogaz
    6 anos atrás

    “E não podemos deixar que essa relação seja afetada por Edward Snowden”. Curiso esse comentário. Jogam a culpa na pessoa e não na própria espionagem.

    Iväny Junior
    Iväny Junior
    6 anos atrás

    Se a pessoa que ocupa a pasta dispusesse de qualquer autonomia, moral e personalidade, bateria na mesa de reunião, exigiria agilidade no processo, estabeleceria um prazo para decisão ao custo de abandonar o ministério e explicar em uma entrevista coletiva a negligência reservada à defesa.

    Mas o legado dele vai ser uma remessa de dúzia de f-5 usado do Irã, Coréia do Sul, Suíça, etc.

    juarezmartinez
    juarezmartinez
    6 anos atrás

    Isto aí não passa de um sem serventia, um merd….., um zé ninguém, um falso, um covarde, um homem a serviço desta ideologia burra que tomou conta deste país.

    Grande abraço

    Baschera
    Baschera
    6 anos atrás

    E desde quando “nefte paiff” há ou haverá algum ministro com culhões para bater na mesa ou chutar o balde ??

    Não há nem civil e infelizmente nem militar!

    Não há mais homens públicos desta estirpe…. só um bando de pelegos que adonisam os seus cargos e a si próprios.

    Sds.

    joao.filho
    joao.filho
    6 anos atrás

    Para que existe essa pasta de “Defesa”??? Vai sair esse pateta ai, e vai entrar outro igualzinho no lugar. A realidade e que a que manda em tudo mesmo e a bruxa da DIlma. Deveria ela abolir essa pasta, e assumir as funcoes oficialmente. Acha que ta enganando a quem???

    joao.filho
    joao.filho
    6 anos atrás

    “Não há mais homens públicos desta estirpe…. só um bando de pelegos que adonisam os seus cargos e a si próprios.”

    Realmente, Baschera. No Brasil infelizmente a unica coisa que eles querem saber e se “Ja caiu o seu na conta.”

    O pais que se dane…

    juarezmartinez
    juarezmartinez
    6 anos atrás

    Basca! Quem manda mesmo não é ela. é ele, o nine fingers, e todo mundo sabe disto, até os franceses sabem.

    De resto concordo contigo, se algum militar ainda tiver culhões, deveria honra-los e entregar o boné.

    Grande abraço

    Requena
    Requena
    6 anos atrás

    O legado que esse borra botas vai deixar é uma centena de tratados militares completamente inúteis. Nada mais do que isso.

    Gilberto Rezende
    Gilberto Rezende
    6 anos atrás

    Se o Ministro Amorim quiser deixar um LEGADO de verdade para a Aeronáutica Militar Brasileira* a solução é muito simples…

    BATALHE para que os russos fechem a adoção do radar Scipio-01 da Mectron-Odebrecht no seu YAK-130 e adote o YAK-130 com radar Scipio-01 e aviônica e painel made AEL e montado by Embraer como novo LIFT operacional do Brasil.

    INDEPENDENTE do que aconteça no FX-2, negocie AGORA a entrada do Brasil como parceiro da Rússia no novo programa de caça leve 5G russo recém anunciado…

    * para a Aeronáutica e não para o seu comando.

    Carlos Alberto Soares
    Carlos Alberto Soares
    6 anos atrás

    “Rinaldo Nery 16 de dezembro de 2013 at 12:14 # O único legado que o Celso ¨Félix¨ Amorim vai deixar são os babados na manga das camisas das fardas.” Já será muito para esse rascunho de estafeta. juarezmartinez 16 de dezembro de 2013 at 18:41 # “Basca! Quem manda mesmo não é ela. é ele, o nine fingers, e todo mundo sabe disto, até os franceses sabem. “Elle” mais o MAG (O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia) e a entourage do Zé Dirceu, Paloffi, Merdadante e outros da quadrilha. “De resto concordo contigo,… Read more »

    Mauricio R.
    Mauricio R.
    6 anos atrás

    “…do radar Scipio-01 da Mectron-Odebrecht no…”

    Creio eu os italianos da Selex, teriam uma ou duas palavrinhas a dizer a respeito.

    “…no seu YAK-130 e adote o YAK-130 com radar Scipio-01 e…”

    Os hindús montam a própria versão tunada do Flanker, serão mais de 200 células e nem assim conseguiram dos russos melhores concessões no projeto FGFA.

    “…e aviônica e painel made AEL e montado by Embraer como…”

    Aquele tal “complexo de viras-latas”, pouco é bobagem…

    Yluss
    Yluss
    6 anos atrás

    BREAKING NEWS: Dilma anuncia caças hoje as 17h00.

    Saiua na Bloomberg e no Terra!

    Enlouqueci total!!! 10 anos dessa ladainha… Deus nos ajude \o/