Opinião: o acordo Embraer-Boeing

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    Os desdobramentos do acordo entre Embraer e Boeing

     

    Roberto Godoy

    O acordo entre a Embraer e a Boeing é um feito e tanto. Terá efeitos importantes de curto prazo em duas vertentes, apenas uma das quais – a dos benefícios diretos para o programa do cargueiro militar e avião tanque KC-390 – foi admitida durante a conferência de imprensa. A outra, mais delicada, é a da influência que o compromisso entre as empresas americana e brasileira possa vir a ter na escolha F-X2, a aquisição do novo caça de alta tecnologia e múltiplo emprego, negócio que a presidência da República encaminha para a fase de definição final. Não por acaso, na reunião de ontem a Boeing estava representada por Dennis Muilenburg, presidente e CEO da unidade de negócios do grupo voltada para os mercados de Defesa, Espaço e Segurança.

    A corporação americana participa do processo com o F-18E/F Super Hornet. Os outros dois finalistas são o francês Rafale, da Dassault, e o sueco Gripen NG, da Saab. A encomenda de 36 aviões, mais armamento, peças, componentes, documentação técnica, treinamento e custo da ampla tecnologia que o governo fixou como condicionante na seleção, tem valor estimada em cerca de R$ 10 bilhões – em regime de longo financiamento. A presidente Dilma Rousseff quer encerrar até dezembro a pendência que se arrasta por 16 anos. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse em várias ocasiões que esperava revelar o resultado em junho. O mês, porém, tem apenas mais dois dias úteis.

    A cooperação entre as duas maiores indústrias aeronáuticas das Américas é objetiva. Muilenburg e Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança (EDS), destacaram que o procedimento será mantido qualquer que seja o resultado da F-X2. O compromisso abrange o compartilhamento de conhecimento tecnológico e avaliação conjunta de mercados. É um bom modelo. A Boeing produz transportadores de carga e reabastecedores em voo há não menos de 45 anos. A Embraer é inovadora e imbatível em redução de custos.

    Mais do que isso: segundo Aguiar, a análise dos mercados potenciais incluirá clientes que não haviam sido considerados nas projeções iniciais para o KC-390. É uma forma cuidadosa de dizer que os alvos passam a incluir países como a Itália e mesmo os Estados Unidos, excluídos anteriormente por disporem nos portfólios de sua indústria de produtos semelhantes. Não há como negar que, mesmo diante dessa circunstância, a chegada à mesa de discussões com a chancela dupla da Boeing e da Embraer faz diferença. A demanda mundial por aeronaves de médio porte, com capacidade na faixa das 24 toneladas, pode chegar a 700 unidades. Até agora, o KC-390 acumula pouco mais de 32 intenções de compra vindas de fora do Brasil e mais 28 que podem ser consideradas pedidos firmes, feitas pela Força Aérea Brasileira (FAB). O primeiro avião, será entregue em 2015. A EDS vai produzir o grande jato na fábrica de Gavião Peixoto, região de Araraquara, a 300 km de São Paulo.

    FONTE: O Estado de São Paulo

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    Fernando "Nunão" De Martini
    Editor
    7 anos atrás

    “A presidente Dilma Rousseff quer encerrar até dezembro a pendência que se arrasta por 16 anos. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse em várias ocasiões que esperava revelar o resultado em junho. O mês, porém, tem apenas mais dois dias úteis.” Como quem manda é a presidente, então o novo prazo agora é dezembro (confiando-se no que diz o texto acima). Para quem fazia a contagem regressiva faltando poucos dias, pode reiniciá-la em pouco mais de 180 dias, a partir de domingo que vem. Ou seja, a decisão virá: Depois das Olimpíadas Depois das nossas eleições municipais Depois das… Read more »

    Almeida
    Almeida
    7 anos atrás

    Justiça seja feita, esta matéria do Godoy está muito bem embasada, argumentada e escrita. Bem diferente do que estamos acostumados a ler vindo dele.

    E Nunão, sensacional sua citação do Zé Carioca, bateu a maior nostalgia aqui! 🙂

    Marcos
    Marcos
    7 anos atrás

    Quem mando ainda é o Barbudo e pelo que sei a negociata com os franceses ainda está valendo. A demora está em tentar justificar a aquisição, dado que os outros vetores ofertados são melhores e muuuuito mais baratos.

    Quando falo em Barbudo, não estou falando no daqui, falo naquela lá da Ilha, a famosa, já que todo evento, todo problema, todo qualquer coisa, vai todo mundo lá para a Ilha consultar o tal Barbudo.

    Marcos
    Marcos
    7 anos atrás

    E vamos ser sinceros, se os EUA resolveram fazer uma encomendas “pequena” de aeronaves KC-390, no mínimo será de cem unidades.

    thomas_dw
    thomas_dw
    7 anos atrás

    ´´ E depois da famosa feijoada de fim de ano na casa do Pedrão, lá na Vila Xurupita, sempre tão aguardada pelo Zé Carioca e pelos seus arqui-inimigos da Anacozeca, que não perdem uma boa oportunidade para emboscar o papagaio caloteiro.´´

    😀 !!!

    Nick
    Nick
    7 anos atrás

    Alguém ouviu a presidente Dilma dizendo em alto e bom som que quer encerrar a enrolação, digo o FX-2 em Dezembro?

    Quem fala por ela deveria ser esse Ministro da Defesa, e o prazo termina em 2 dias. Depois disso, ninguém sabe.

    []’s

    Mauricio R.
    Mauricio R.
    7 anos atrás

    “…se os EUA resolveram fazer uma encomendas “pequena” de aeronaves…”

    A última concorrência p/ a compra de aeronaves tática nos EUA, foi a JCA; seriam 72 unidades mas acabou ficando por somente 38.
    E no momento não há nenhuma concorrência, visando a compra de aeronaves de transporte, pelas ffaa dos EUA.

    asbueno
    asbueno
    7 anos atrás

    Nunão, obrigado pela lembrança da Vl. Xurupita,Zé carioca, Pedrão e sua feijoada e da ANACOZECA: Associação nacional dos Cobradores do Zé Carioca!

    T – 3 days and holding. Countdown will be restarted at 3 days from the anouncement of the… marmelade!

    Temos muitas dúvidas sobre o que realmente está acontecendo. São muitos “SEs”. E o SE não joga.

    Se sentissem estar fora do páreo, a Boeing já teria tirado o time de campo. Acontece o contrário atualmente.

    Enfim, absolutamente tudo parece poder acontecer.

    Corsario137
    Corsario137
    7 anos atrás

    Nunão,

    Já tá mais que na hora de organizarmos um bolão! kkkk…

    Se formos frios e calculistas esse FX2 tem tudo pra ficar pra dezembro mesmo, dado os eventos políticos que você bem citou, porém o coração fala mais alto e a fofoca também. Vamos acreditar em 1° de Agosto, pelamordedeus!

    Daglian
    Daglian
    7 anos atrás

    Mas quem é que poderia imaginar que seria adiado de novo o tal do FX-2!! Imagina só!

    Que piada pronta esse meu país, meu Deus do céu…

    Justin Case
    Justin Case
    7 anos atrás

    Amigos, No link que segue, há um artigo do Flight Global sobre o assunto: http://www.flightglobal.com/news/articles/kc-390-partnership-may-signal-coalescing-of-earlier-agreement-373439/ O Sr. Richard Aboulafia do Teal Group (that supplies reliable, accurate, independent aerospace and defense industry market analysis) comenta o acordo anunciado entre as empresas Embraer e Boeing e julga este representa uma proposta antecipada de offset ligada à possível aquisição do F-18, e que, “para a cooperação de longo prazo, além da necessidade imediata de fornecer offsets, o prognóstico é sombrio”. Ou seja, soma-se aqueles que imaginam que esse acordo anunciado tem, como foco principal, fortalecer a posição do F-18 no Projeto F-X2. Abraços,… Read more »

    Tadeu Mendes
    Tadeu Mendes
    7 anos atrás

    Amigos,

    Respondam com a mao no coracao, qual o interesse da Boeing em formar uma parceria com a Embraer por causa de um vetor de transporte aereo, quando eles (Boeing) poderiam desenvolver e produzir por si mesmos, aeronaves melhores e mais baratas???

    Sera que sao apenas negocios (just business??). A resposta e nao.

    Para a Boeing fazer um movimento desses (ir parar no Brasil, formar uma parceria com a Boeing e oferecer o pacotao do SH), e porque algo bem maior esta sendo costurado por baixo dos panos.

    36 miseros cacas nao compensariam um esforco desses.

    alessandro
    alessandro
    7 anos atrás

    Tadeu a resposta a sua pergunta poder se chamar 14-X!
    Procure no google esse nome pq é muito extenso para falar aqui.
    Sobre o Fx-nunca, acho que a FAB deveria tentar colocar pelo menos 4 esquadrões de F-5M em prontidão e modernizar os 12 F2000 e derepente comprar mais uns 12 junto a França e modernizar tb.
    Melhor isso do que nada!!!

    Mauricio R.
    Mauricio R.
    7 anos atrás

    “Tadeu a resposta a sua pergunta poder se chamar 14-X!”

    Mas a Boeing já tem o X-51 Waveraider, eles então tb não precisam de um experimento no quel teriam que investir sabe-se lá qnto, até este chegar a algum lugar; se é que vai chegar.

    “…e modernizar os 12 F2000 e derepente comprar mais uns 12 junto a França e modernizar tb.”

    Melhor os Gripens C/D excedentes e novos em folha, que os suecos têm disponíveis.

    Andrew Martins
    7 anos atrás

    Pelo que eu me lembro , o projeto original da FAB era uma compra inicial de 36 caças, que poderiam chegar a 120. Não daria para ficar só nestes 36, pois eu imagino que a FAB iria equipar pelo menos 4 esquadrões. Resumindo:eu imagino que a Boeing e os outros concorrentes nunca olharam somente os 36 aviões , mas sim o que poderiam vender a mais.” Agora a vaca foi pra o brejo.” Sobre o KC-390, imagino que a EMBRAER não está fazendo uma aeronave somente voltada para o mercado militar, mas sim, um avião que pode vender muito bem… Read more »

    Tadeu Mendes
    Tadeu Mendes
    7 anos atrás

    Caros Mauricio e Andrew,

    Se nao estou equivocado, os EUA ja participam de alguma forma no programa X-14.

    Esse projeto ainda vai levar; digamos outros 4 ou 6 anos para entrar em fase de pre-producao.

    A tecnologia Scramjet ja vem sendo testada nos EUA ja a alguns anos.

    Entao o que tem o projeto da FAB, que a USAF nao possui ainda?

    Mauricio R.
    Mauricio R.
    7 anos atrás

    mas sim, um avião que pode vender muito bem no mercado civil de carga, pois eu acredito que ele pode ocupar o lugar do Boeing 727 cargueiro

    O mercado de carga aérea usa versões cargueiras, das mesmas aeronaves transportadoras de passageiros.
    São questões de logística e custo/benefício.
    Mas experimente visitar a carga aérea, de um grande aeroporto e observe, quão poucas aernaves de asa alta vc irá encontrar.

    juggerbr
    juggerbr
    7 anos atrás

    Belo acordo, só faltou combinar com os russos (franceses, no caso….)

    Andrew Martins
    7 anos atrás

    Concordo que “O mercado de carga aérea usa versões cargueiras, das mesmas aeronaves transportadoras de passageiros.” , porque facilita a logística, pois desta forma as companhias tem o mesmo tipo de aeronave para fazer a manutenção. Mas, não é problema para a maioria operar aeronaves de até dois fabricantes ou vários tipos, e o fato de ser de asa alta também não e problema, a AZUL e a TRIP operam o ATR. Já a rampa de carga, eu acho que até facilitaria a operação nós aeroportos, principalmente os não preparados. Exemplo:Volga-Dnepr opera o Antonov An-124. O que acho que pode… Read more »

    Mauricio R.
    Mauricio R.
    7 anos atrás

    “..a AZUL e a TRIP operam o ATR.” O ATR é turbohélice e opera na aviação regional, há tanto a versão combí, como a cargueira, ambas c/ porta de carga lateral. “Já a rampa de carga, eu acho que até facilitaria a operação nós aeroportos,…” Eu creio que vc deveria mesmo visitar a carga aérea de algum grande aeroporto, pois me parece que vc não está lá mto familiarizado c/ a mesma no mercado civil. “…é o fato dele ser um birreator e não um quadrimotor, de transportar mais de 20t , de ser fabricado por uma empresa que trabalha… Read more »