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O Phantom das cinco

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O conflito Irã – Iraque (1980 a 1988), assim como qualquer outro conflito da história, produziu diversos relatos e lendas que adquiriram um caráter folclórico pelas suas peculiaridades.

Uma dessas histórias mencionava um teimoso Phantom (F-4 Phantom II) iraniano que insistia em aparecer todos os dias sobre o Iraque, sempre no mesmo horário. Esta história foi narrada por Lincoln J. Tendler, na época funcionário da Engesa (empresa nacional que fabricava blindados militares e veículos fora-de-estrada) que visitou aquele país árabe, e foi publicada na revista ‘Comando’ em 1990. A seguir, um dos trechos da matéria que trata exatamente deste episódio.

(…) Entre o pessoal da Engesa residente em Bagdá, havia o costume de convidar os recém-chegados a dar uma olhadinha no tal Phantom. É que todo o dia, exatamente às 17:00, surgia uma dessas tão conceituadas aeronaves com as marcas indicativas da Força Aérea Iraniana. Vinda sempre do mesmo lugar, rota imutável, quase que se podia acertar o relógio por ele.

Com grande estardalhaço (rompendo a barreira do som), passava o avião, perseguido pelo fogo anti-aéreo das baterias iraquianas que nunca o derrubavam, tanto na ida como na volta (e isso já se sabendo o horário e a rota do inimigo com antecedência!).

Por vezes o Phantom lançava mísseis que nada atingiam, retornando em tão para o seu ponto de partida… (…)

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betoholder
betoholder
8 anos atrás

Parece a historia do Cavaleiro Fantasma… Eu hein!!

Giordani RS
8 anos atrás

Pra mim é estória, mas se for verdade, que AAA incompetênte a iraquiana…

Vader
8 anos atrás

A guerra às vezes é surreal… 🙂

Observador
Observador
8 anos atrás

Isto me lembra um episódio da Guerra de Canudos.

Entre os sertanejos, havia Timotinho, o sineiro que, sempre pontualmente às seis horas, tocava o sino da igreja anunciando a hora da ave-maria.

Fez isto todos os dias, indo à igreja em meio aos corpos espalhados nas ruas, sob uma saraivada de balas e tiros de canhões.

Sempre às seis horas.

Até o momento em que as torres da Igreja foram derrubadas pela artilharia do exército, com o destemido Timotinho dentro.

Giordani RS
8 anos atrás

Pode parecer estória, mas é história. No vietnã os EUA também, sob ordens da Casa Branca, executavam missões nos mesmos horários e mesmas rotas! Adivinhem aonde os vietnamitas concentravam suas AAA´s?

cristiano.gr
cristiano.gr
8 anos atrás

Nos loucos e fanáticos dos iranianos eu acredito que se botavam com tudo nessa empreitada ultra-arriscada em que as baterias de AAAé (servi na 3ª BiaAAAé) já sabiam a rota e o horário, mas nos americanos, só posso imaginar que se um piloto fizesse isso se estivesse usando drogas. O heroísmo que vemos nos filmes é pura propaganda e o que acontece realmente e, nunca se verá em filmes, é a imagem negativa deles urinando nos afegãos mortos e humilhando os prisioneiros iraquianos.

cristiano.gr
cristiano.gr
8 anos atrás

Uma coisa que podia acontecer com a AAAé iraquiana é que o tempo de reação dos canhões estivesse atrasado e com isso o caça passando acima de 1200 km/h ficasse apenas com um rastro de projéteis voando por trás, mas sem risco ao avião. Ouvi um comentário de um militar que os pilotos temem mais os canhões operados manualmente que os canhões operados por radar, até porque esses, além do atraso na interceptação e reação do radar e do canhão, respectivamente, sofriam muitas vezes a interferência das contramedidas eletrônicas da aeronave e já o operador humano atira a vontade e… Read more »

tiagobap
tiagobap
8 anos atrás

No seriado televiso M.A.S.H. , da decada de 70, teve um episódio com esta mesma história… Só que era um biplano norte coreano que tentava bombardear um depósito de armas que ficava próximo ao hospital de campo. Não havia AAA’s no local, então… (segue link pra wikipedia)

http://en.wikipedia.org/wiki/5_O'Clock_Charlie

Abraços,
Tiago

Marcelo
Marcelo
8 anos atrás

talvez missão de reconhecimento fotográfico, armado, já que dava uns pipocos de vez em quando…