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África do Sul devolve jato de combate MiG-21 para Angola

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Mikoyan-Gurevich MiG-21bis ‘C340’

Sob um manto de sigilo, o governo sul-africano devolveu à Angola um avião de combate MiG-21 que capturou durante o conflito da Guerra das Fronteiras, em 1988.

Uma possessão premiada do Museu da Força Aérea da África do Sul (SAAF) e colocado em exibição na Base da Força Aérea Zwartkop, o MiG-21bis Fishbed com a matrícula C340 da Força Aérea Popular de Angola (FAPA, Força Aérea Angolana) foi adquirido em dezembro 1988, quando o jato pousou no norte do Sudeste da África (agora na Namíbia) depois de se perder e ficar sem combustível.

O general Francisco Afonso, comandante da Força Aérea Angolana, anunciou na Rádio Nacional Angolana (ARN) que o MiG-21 foi devolvido à Angola no domingo, 17 de setembro. Isto foi, disse ele, um gesto de boa vontade do presidente sul-africano, Jacob Zuma, para marcar a abertura oficial naquele dia do monumento de Cuito Cuanavale.

O caça foi removido silenciosamente da sala de exposições do Museu da SAAF, onde era exibido ao lado de um Mirage F1CZ, seu adversário da SAAF durante a Guerra das Fronteiras, na sexta-feira, 15 de setembro, antes de ser transportado para a base de Waterkloof. Em seguida, foi levado para Angola dentro de uma aeronave de transporte angolana Ilyushin IL-76TD Candid (série T-911).

Não se sabe se Angola solicitou especialmente o retorno da aeronave, mas Angola possui muitas aeronaves MiG-21 antigas disponíveis localmente para exibir.

A notícia não foi recebida com entusiasmo por historiadores militares da África do Sul e entusiastas da aviação. A aeronave tinha um lugar privilegiado no Museu SAAF e era uma exibição importante, atraindo muitos visitantes locais e estrangeiros para ver e tirar fotos dos dois antigos adversários que se encontravam um ao lado do outro.

O caça foi capturado pela África do Sul durante a Guerra das Fronteiras, quando, em 14 de dezembro de 1988, o piloto da FAPA tenente Vinez decolou do aeródromo de Lubango para um voo de ferry de rotina para o aeródromo de Menongue. No percurso, ele se perdeu depois de entrar em uma nuvem e decidiu se desviar para o aeródromo em Cuito Cuanavale.

Voando em direção sudoeste, mas a oeste da rota planejada, ele ficou com pouco combustível e executou um pouso quase perfeito em um campo aberto fora de Tsumeb, na África do Sul (agora Namíbia). A aeronave sofreu pequenos danos na parte inferior.

Um ex-oficial da SAAF, que pediu para não ser identificado e estava presente na época, diz que, contrariamente à crença popular, o tenente Vinez não tinha intenção de desertar. Durante as discussões com ele no local do incidente, sua maior preocupação era se ele estava no território ocupado pela UNITA. “Levou algum tempo para convencê-lo de outra forma”, observou o oficial.

Como não houve pedido formal no momento do retorno da aeronave, foi reparado pela Atlas Aviation’s Apprentice School para ser exibido no Museu da SAAF, onde estave desde em 1991. Ele foi posteriormente pintado pelo Museu da SAAF.

Numerosos pedidos para comentários para o Museu da SAAF e à SAAF nos últimos dois dias não foram respondidos.

FONTE: defenceWeb

30 COMMENTS

  1. Se a moda pega, a Inglaterra terá que devolver um monte de aeronaves argentinas que estão em seus museus! rsrsrsr

  2. Uma bela perda para o museu da SAAF. Sou contra tais devoluções pois um troféu de guerra é um pedaço vivo tanto da história do país detentor quanto do país que o perdeu.

  3. Se todos os troféus de guerra fossem devolvidos a maioria dos museus militares perderiam metade de seus acervos, aliás muitos desses artefatos só foram preservados pois foram preservados como troféus. Se o El Cristiano não estivesse em um museu brasileiro é bem capaz que já tivesse virado sucada em algum lugar no Paraguai.

  4. Muitos aviões da Primeira e da Segunda guerra, assim como o tanque Mefisto ou Monitor Huáscar só chegaram até os nossos tempos pois foram tomados como troféus.

  5. Absolutamente nada a ver as relações entre países ser melhor ou pior com “trofeus” de guerras. Se fosse assim, o que dizer dos foguetes V2 em exibição no Smithsonian em Washington

  6. Uai… Walfrido Strobel, nao seria “de boa fe” entao, se o Paraguai primeiro nos devolvesse o navio brasileiro Anhambaí, que foi capturado pelos paraguaios???
    .
    Dois pesos, duas medidas…
    .
    Estude Historia primeiro e depois “debatemos”… 😉

  7. Este negócio de “tentar” reescrever a história nunca me “cheirou bem”.
    História é história!
    Há um infinidade de formas de se estabelecer, renovar ou melhorar laços diplomáticos, sem ter que recorrer a esse tipo de pieguice.
    Os fatos ocorreram e não podem ser modificados, sob, no mínimo, a pena de incorrer em imensurável desrespeito àqueles que lutaram pelo objetivo em si.

    “Vae victis!”

    Saudações

  8. jorge Alberto 22 de setembro de 2017 at 22:18
    Porque eles tem que dar o primeiro passo.
    A troca de todo material roubado pelo Brasil e Paraguai poderia ser trocado, basta uma negociação.
    E dispenso seus conselhos, não pedi nenhum conselho ou recomendação.

  9. Walfrido Strobel 22 de setembro de 2017 at 23:32

    E por que nós temos que haveríamos de dar o tal do “primeiro passo”, se eles é que nos invadiram?

  10. Vai virar lixo em Angola. Nem vai ter hangar pra aeronave. Vai acabar ao relento ou, se der sorte, será incorporada ou vendida para alguma coleção particular.

  11. Não tenho nenhum parente militar, nem passado relevante em uma guerra. Se tivesse, teria orgulho de quem defendeu o país. Guardo-o para queles que o fizeram, é minha maneira de honrá-los.
    Aguardo para saber o que está por trás da devolução do MIG à Angola, outras iniciativas diplomáticas devem estar a caminho. Do contrário, é um mero desperdício de um pedaço da História (com H maiúsculo mesmo), porque a devolução do avião não vai descaracterizar ou apagar o fato.
    Quanto à Guerra do Paraguai, ainda há o que discutir!? O Brasil foi invadido, navios e cidades tomadas, reagiu, lutou, ganhou e….. é o errado da História? Devolver o canhão porque? Qual o objetivo? O que muda no fato de que ganhamos a guerra? Não enxergo nisso nenhum ganho prático a não ser fazer a vontade de revisionistas paraguaios para quem o “ditador” foi um herói quase santo.
    Toda e qualquer guerra é um absurdo, um terror, um desperdício de vidas, materiais e recursos mas, com a mais absoluta certeza, posto que guerras parecem ser inevitáveis, ao menos no atual estágio da evolução humana, é melhor estar no lado vencedor. do que ser o perdedor Aliás, não conheço nenhuma filosofia de vida ou corrente de pensamento – ainda que me reconheça um ignorante – que pregue ser o correto perder uma guerra.
    Aceitaria alguma discussão sobre o tema se o Império do Brasil fosse o agressor, se o Império tivesse invadido o Paraguai ou se o Império almejasse tão somente conquistar territórios puramente para fins econômicos (causa de inúmeras guerras, aliás). Mas como foi o Império o invadido, nossas terras e nossa gente os agredidos, então não vejo razão para tal gesto ou qualquer outra “revisão” do que ocorreu. O Paraguai optou pela guerra e perdeu. O resto é História e como tal deve ser preservado.

  12. EParro 23 de setembro de 2017 at 7:15
    EParro, não, muito pelo contrário, meu bisavô saiu da Alemanha para não ver uma guerra de perto e foi morar em Curitiba, o que foi um bom negócio visto a o bombardeio que a cidade sofreu anos depois no fim da segunda guerra.
    Mas faria alguma diferença isso na minha opinião hoje? Com certeza não.

  13. Pedro Santos Jr 23 de setembro de 2017 at 21:09
    Enquanto for mantido um bom nível eu debato sem problema.
    .
    teropode 23 de setembro de 2017 at 23:47
    Teropode, vc ja bagunça outro blog, veio tumultuar aqui também.

  14. Sou terminantemente Contra a devolução do El Cristiano, nos causou muitas baixas, e foi dificílimo derrota-lo e conquistá-lo. Fomos invadidos, lutamos e vencemos. Meu querido antecedente lutou e lutou muito nesta guerra! Troféus e lembrança, são para preservar a história, aprendermos com ela e não repetirmos o mesmo erro no futuro, para isso, serve a história. Se há fatos falsos nao revelados desta guerra, não importa tanto, o que importa são as vítimas de todos os lados.

  15. Esse tipo de “iniciativa diplomática” geralmente é tomada por governos populistas, muito acostumados à propaganda e à reescrever a história. Na Argentina, os Kirchners chegaram a batizar um regimento como o nome de Solano Lopez. Não tem limite o meu desprezo por essa gente. É criminoso o desrespeito que eles tem pela memória dos que morreram defendendo seu país. Não é uma questão de cultivar ressentimentos, mas de deixar a história em paz, no passado, como lição para que seus erros não sejam repetidos de lado a lado

  16. Essa reivindicação do El Cristiano é puro artifício retórico paraguaio.
    Se nós o devolvêssemos, acabaria a chiadeira dos paraguaios, e eles teriam que buscar outra dor de corno para compor nova guarânia chorosa contra o “imperialismo” brasileiro sobre o coitadinho Paraguai.
    Mas uma coisa eles estão conseguindo: fomentar a discórdia entre os frequentadores deste espaço.
    Não aceitemos a isca, cavalheiros!

  17. Certo governante do Brasil uma vez respondeu ao choro do seu par Paraguaio sobre El Cristiano, foi algo mais ou menos assim: “O canhão é nosso! Se quiser, venham buscar”
    E que os paraguaios devolvam tambem cada T-27 e Huey e outras cositas mas que o Brasil já deu para eles! Tenho dito!

  18. Se o objetivo é melhorar relações entre países, o Paraguai podia devolver os carros roubados que circulam por lá e todo mundo sabe.
    A Bolívia podia devolver o dinheiro pago pela refinaria de gás que nos foi tomada da Petrobrás sem nenhum esboço de reação de nossos governantes.

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