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Trudeau ameaça travar compra dos caças Boeing F-18 por causa de disputa com a Bombardier

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Boeing F/A-18F Super Hornet

O primeiro-ministro Justin Trudeau diz que o Canadá não vai comprar aviões de combate da Boeing Co. enquanto a empresa persegue uma disputa comercial contra a Bombardier Inc., com sede em Montreal, por causa de suas aeronaves comerciais.

Trudeau fez sua ameaça para interromper o que ele chamou de “compras significativas” do Canadá de F-18 Super Hornets ao lado da primeira-inistra Theresa May na segunda-feira. Ambos os líderes estão pressionando a empresa dos EUA a abandonar a disputa com o programa C Series da Bombardier.

“Nós não faremos negócios com uma empresa que está ocupada tentando processar-nos e colocar nossos trabalhadores aeroespaciais fora do negócio”, disse Trudeau em uma coletiva de imprensa em Ottawa.

A dura discussão de Trudeau vem após a aprovação da Agência de Cooperação de Segurança e Defesa dos EUA na semana passada sobre a venda potencial de 18 Super Hornets, avaliada em US$ 5,23 bilhões, para o governo canadense. May levantou a questão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já que a Bombardier é o maior empregador privado da Irlanda do Norte. O embaixador do Canadá em Washington disse na semana passada que a Boeing se afastou das negociações com o governo.

A Boeing está agindo em seu próprio “interesse econômico limitado para prejudicar um potencial concorrente”, disse Trudeau, acrescentando que o desafio “não está de acordo com o tipo de abertura ao comércio que conhecemos que beneficia os cidadãos em todos os países”.

Preços e subsídios

O fabricante de Chicago lançou sua disputa contra a rival canadense Bombardier no início deste ano, alegando que o governo canadense está subsidiando ilegalmente o programa de aeronave comercial da série C da Bombardier e que os aviões estão sendo vendidos nos EUA a preços “absurdamente baixos”.

O governo provincial do Quebeque completou um investimento de US $ 1 bilhão no programa da série C no ano passado, que forneceu à Bombardier um alívio e abriu o caminho para duas novas encomendas — com a Air Canada e a Delta Air Lines. No início deste ano, o governo federal do Canadá prometeu C$ 372,5 milhões (US$ 302 milhões) no que chamou de “contribuições de programas reembolsáveis” para um par de projetos da Bombardier, incluindo a série C.

O departamento de comércio dos EUA está investigando se deve impor direitos compensatórios sobre os aviões Bombardier. Uma decisão preliminar é esperada em 25 de setembro, com uma decisão separada sobre os direitos anti-dumping esperados em 4 de outubro. As determinações e ordens finais provavelmente não serão feitas até 2018.

May minimizou o significado da decisão da próxima semana. “Isso será apenas um julgamento preliminar, e será possível para nós continuar trabalhando juntos para tentar trazer a resolução que queremos”, disse ela. Mais tarde, segunda-feira, o primeiro-ministro britânico reuniu-se com o presidente-executivo da Bombardier, Alain Bellemare, durante uma mesa redonda de negócios.

Bombardier C Series

‘Hipocrisia pura’

Em uma declaração enviada por e-mail, a Boeing disse que “não está processando o Canadá” e o assunto é uma disputa comercial com a empresa canadense.

“A Bombardier vendeu aviões nos Estados Unidos por milhões de dólares menos do que os vendeu no Canadá, e milhões de dólares menos do que custou à Bombardier para construí-los”, de acordo com o comunicado. “Este é um caso clássico de dumping, tornado possível por uma grande injeção de fundos públicos”.

Em uma declaração publicada em seu site, a Bombardier pediu ao governo dos Estados Unidos que rejeite o pedido comercial da Boeing.

“É pura hipocrisia para a Boeing dizer que o preço de lançamento da série C é uma violação do direito comercial global” quando a Boeing faz o mesmo por sua nova aeronave”, disse Bombardier. “As ações egoístas da Boeing ameaçam milhares de empregos aeroespaciais em todo o mundo, incluindo milhares de empregos no Reino Unido e nos EUA e bilhões de compras dos vários fornecedores do Reino Unido e EUA que fabricam componentes para a Série C.”.

Independentemente do resultado da disputa comercial, Quebec – que abriga a Bombardier – pretende continuar a apoiar a indústria aeroespacial, disse o primeiro-ministro Philippe Couillard nesta segunda-feira.

“Nunca deixaremos a indústria desaparecer”, disse Couillard em uma entrevista na sede da Bloomberg em Nova York. “Nesta nova economia do conhecimento, tanto o Canadá quanto o Quebec vão apoiar sua indústria. Nós nunca subsidiamos a Bombardier — investimos estrategicamente, assumimos o risco como qualquer investidor. Segundo o meu conhecimento, os EUA têm apoiado ativamente a indústria aeroespacial”.

Encomendas futuras

O primeiro-ministro citou a incerteza sobre o desafio da Boeing como fator nas vendas da série C, sugerindo que potenciais compradores estão adiando as compras.

“Alguns estão esperando para ver o que vai acontecer”, disse Couillard. “Mas quem está sofrendo mais agora? A economia dos EUA e o trabalhador dos EUA”.

A Bombardier estima que metade do valor do programa da série C provém de empresas dos EUA. O grupo inclui a unidade Pratt & Whitney da United Technologies Corp., que fabrica os motores turbofan que equipam a série C.

Como May, Trudeau levantou o problema com Trump.

“Vamos continuar a trabalhar juntos e pressionar a administração americana, incluindo o próprio presidente Trump, o quão importante é defender os empregos canadenses e o impacto das inovações positivas relacionadas às aeronaves da série C”, disse o primeiro-ministro canadense.

FONTE: Bloomberg

24 COMMENTS

  1. Como bem disse o ex-COMGAR, Brig. J. Costa, em uma brilhante entrevista à RFA, há alguns anos, “o que rege as relações internacionais é a fluidez dos interesses e as baixezas humanas…”

    O resto do discurso é blá, blá, blá protocolar…

  2. Imagine a sacanagem que seria eles optarem pelo Gripen e os que eles receberam são os que vão ser fabricados aqui no Brasil.

  3. Uai sô ?!?!!
    Não era o F35 que o Canadá iria comprar?!?!
    Mudaram de ideia!?!?!
    Por que será?!?!
    Será que o SH é melhor!?!?
    Ou será que o F35 é incógnita!?!?

  4. Esses ministros querem grana, são que nem ratazanas quanto mais proprina melhor, inventam fazem uma novela em prol dos trabalhadores, dinheiro que era para ser investido aqui não era para ali, e por aí vai… Com isso, a Boeing está entre a cruz e a espada, Trumpalhão de um lado e Vampiros de outro, isso é ruim para os negócios de verdade, lidar com megalomaníacos é difícil, uns querem ganhar para entregar outros querem ganhar para pagar com dinheiro público, a velha negociata política. A Boeing terá de matar a sede de alguns vampiros para conseguir vender o SH, infelizmente é assim, lá como cá.

  5. Isso é uma briga dos sujos contra os mal lavados.
    Façam uma pesquisa no Google colocando o nome da empresa e depois “condenada OMC”.
    Poderão ver que Airbus, Bombardier, Boeing e Embraer ja foram condenadas por subsídios recebidos.

  6. É tudo conversa pra boi dormir. Se eles estivessem realmente em clima de beligerância comercial, cairiam fora do F-35 e nem cogitariam o SH. Tem o Rafael e o EF2000 ali a postos.
    Logo se vê a retórica do indivíduo.

    Sds

  7. Que linda foto do SH.
    A despeito do (que parece ser) bem sucedido programa do G NG, com centenas de engenheiros fazendo o trabalho in loco lá na Suécia, será que ainda o veremos o SH na FAB, formando um Hi-Lo com o G NG ?
    Saudações

  8. É o famoso “quem pode mais chora menos”. E a defesa aérea canadense é quem sai perdendo. Vão melar o negócio. É a nova onda em todos os países: interesses políticos-corporativos bem acima dos interesses nacionais.

  9. Parece que a Bombardier vendeu o CS100 nos Estados Unidos por U$20 milhões a unidade. Convenhamos, se o governo canadense continuar bancando os prejuizos da Bombardier e ela continuar vendendo a esse preço a concorrência torna-se impossível

  10. A Boeing não vai mudar de ideia por 18 SH. Boeing fatura quase 100 bi por ano e 60% vem de aeronaves comerciais. Possibilidade ZERO de mudar de ideia.

    Quem mais esta lucrando nisso tudo é a Embraer com esse apoio de ocasião. Se a Boeing derrubar a venda do C-series para a Delta, o programa C-Series morre.

  11. Interessante que tinham (não sei se ainda têm, faz tempo que não entro) muitos canadenses pró Gripen nos sites de aviação deles. SH e F-35 não são unanimidade.

    O Ministro canadense mostra muita incoerência, pois hora quer defender empregos no Canadá, aí hora defende empregos nos EUA pelas compras de peças nos fornecedores americanos pela Bombardier. Só que nesta última hipótese, a compra do SH também vai ajudar nos empregos dos EUA, e até no Canadá com a logística que será gerada. Enfim, essa história de apelar para empregos aqui e lá não cola. Mas pelo visto este é o único argumento, fraco, da Bombardier e do Primeiro Ministro Canadense, para pressionar por vendas de jatos canadenses da Bombardier nos EUA. Só que… Contudo, qual seria o argumento, de empregos gerados, para vender jatos da Bombardier em países que não vendem peças para ela? Que arapuca em senhor Primeiro Ministro?

    Bombardier não deu conta de enfrentar em termos de qualidade a Embraer sozinha, então agora quer enfrentar Boeing e Airbus duas gigantes, então tá! Vamos ver como vai ficar quando acabar a cumplicidade do governo canadense.

  12. Vejam o que disse o Presidente da Embraer em uma entrevista ao site Defesanet:

    “A Bombardier cometeu erros estratégicos muito grandes no passado. Se fosse uma empresa operando apenas com capital privado não estaria mais no negócio”, afirmou Souza e Silva. “Mas o governo do Canadá tem essa estratégia de manter a indústria e agora competimos na prática com o Tesouro canadense.” Para o executivo, trata-se de uma “briga muito desigual”, na qual o concorrente não precisa dar retorno ao capital empregado, tem vantagens enormes e pode desequilibrar o jogo.

  13. Farroupilha o problema da Bombadier foi tentar inovar demais numa expectativa derrubar a concorrência e voltar a liderar o mercado com folga. Se tivessem sido pé no chão conseguiriam sim, acompanhar a Embraer. A bombadier não perder em nada em termos qualitativos, o problema é a administração.

  14. Só lembrando que o EMB-314 não levou uma concorrência nos EUA porque, segundo alguns senadores, “não gerariam empregos em solo norte-americano (estadounidense)”.

    Muitos aqui, na época, deram razão.

    Seria bom se esse artigo estive em “related articles”

  15. Também há uma questão, que o Canadá é rota de voo dos bombardeiros russos que avançariam no seu espaço aéreo a caminho dos EUA.
    E obviamente as bases aéreas canadenses também seriam alvos tatico/estratégicos, o que não deve agradar ao Canadá.
    Somando esta disputa comercial, as diferenças culturais e ideológicas e está formada a treta.
    Mas considerando as necessidades estratégicas de defesa dos EUA eu aposto que no final o Canadá vai ganhar a parada. Seja ganhando esta disputa ou comprando outros caças de outros países.
    .
    May não é boba em apoiar o Canadá. Afinal além dos empregos irlandeses pode vender dezenas de Typhoons à ex-colônia. A França também colonizou parte de Canadá e pode vender Rafales. A Suécia pode correr por fora.
    .
    Trudeau tem viés de esquerda, vai adorar fazer o Trump de idiota.
    .
    Trump está tratando os aliados desigualmente e isto não é bom.

  16. O Canada e bem nacionalista na questão industrial, o que tem de aberto na política ele tem de fechado na industria. Dito isso, mais fácil o Canada trocar de aeronave do que voltar atrás na questão, que a meu ver o PM esta agindo de forma muito correta.

    Esta usando uma compra para proteger a industria nacional de perdas, legítimo e interessante. Nada que o EUA já não tenha usado no passado, mas é ousados vindo de uma economia menor.

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