sábado, junho 12, 2021

Gripen para o Brasil

Esquadrão Joker recebe a visita do Vice-Almirante Noriaki, filho de piloto de caça da Marinha Japonesa na Segunda Guerra Mundial

Destaques

Redação Forças de Defesa
redacao@fordefesa.com.br

Comandante do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Noriaki Wada, visita instalações do Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5º GAV)

O Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5º GAV – Esquadrão Joker) recebeu, no dia 22 de abril, dia da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB), a visita do Comandante do 3º Distrito Naval (3º DN), Vice-Almirante Noriaki Wada. Na ocasião, o Almirante teve a oportunidade de conhecer as instalações da Unidade Aérea e acompanhar uma série de palestras sobre a história e o contexto atual da Aviação de Caça Brasileira.

O Vice-Almirante Noriaki participou, ainda, de um voo a bordo de uma aeronave A-29 Super Tucano durante uma instrução da fase de formatura básica do Curso de Especialização Operacional na Aviação de Caça (CEO-CA), voando como líder com o Comandante do Esquadrão. Na ala, com seu instrutor, estava o CT Bessa, estagiário da Marinha do Brasil que realiza o curso este ano no 2º/5º Grupo de Aviação.

Após o pouso, o Comandante do 3º DN foi recebido pelo Comandante da Ala 10, Brigadeiro do Ar José Virgílio Guedes de Avellar, e pelo Comandante do 2º/5º GAV, Tenente-Coronel José de Almeida Pimentel Neto, além dos instrutores e estagiários da Unidade, aos quais dirigiu algumas sábias palavras e agradeceu pela deferência.

Filho de um piloto de caça da marinha japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, o Vice-Almirante Noriaki comentou que a visita o fez relembrar das histórias contadas pelo seu pai acerca dos momentos pelos quais passou, uma vez que se assemelham em alguns aspectos quando relacionados à abnegação diária dos estagiários do CEO-CA para seguir em busca dos seus objetivos.

“Foi uma sensação indescritível voar a bordo dessa aeronave e poder viver algo próximo daquilo que meu pai fazia por amor. Isso me trouxe um pouco de tudo aquilo que meu pai nos contava quando eu e meus irmãos éramos crianças. São essas histórias que nos incentivaram a seguir os mesmos passos dele”, disse o Oficial-General.

Segundo o Brigadeiro do Ar Avellar, a presença do Vice-Almirante Noriaki nas comemorações do Dia da Aviação de Caça no Esquadrão Joker ganha um significado distinto à medida que se conhece suas origens. “Além de um grande amigo, recebemos um filho que traz sempre consigo a história do seu pai, repleta de valores de coragem, lealdade e dever para com sua pátria, características que estimulamos diariamente nos nossos pilotos de combate”, considerou o Brigadeiro.

Um jovem aviador da Marinha Japonesa

Takashi Wada

O pai do Vice-Almirante Noriaki Wada, Takashi Wada, foi aviador naval da Marinha do Japão durante a Segunda Guerra Mundial e voluntariou-se para ser um “kamikaze”, ou seja, realizar uma missão suicida na qual mergulhava com sua aeronave em direção a um alvo. Contudo, a guerra findou antes que cumprisse sua última missão. Anos depois, imigrou para o Brasil, onde constituiu família.

Escreveu duas cartas para serem abertas após sua morte. Em uma delas, expressava o seu desejo de que seus restos mortais fossem jogados no oceano Pacífico, pois dizia que lá morreram os melhores amigos de sua juventude (confira aqui). Todavia, encontraram um cortador de unhas que continha em um compartimento alguns pedaços de unhas e na escova de cabelo alguns fios de cabelos dele. Os familiares colocaram as partes em um envelope e combinaram que o primeiro que fosse ao Pacífico levaria os restos para lá serem atirados, como era o desejo do amado pai.

Por coincidência do destino, quando o então Capitão de Fragata Noriaki foi Comandante da Escola de Aprendizes de Marinheiros em Olinda (PE), ocorreu a visita de um grupo tarefa da esquadra japonesa, que estava passando pela costa brasileira e aportou em Recife. Ao contar a história de seu pai ao cônsul japonês e ao comandante do navio, prontificaram-se de imediato lançar ao mar aqueles pedaços de unha e fios de cabelo, e assim se cumpriria o desejo manifestado pelo seu pai.

Quase um ano depois, o Vice-Almirante recebeu as fotos da cerimônia realizada pela Marinha japonesa no Pacífico, com parada naval, formatura geral em uniforme de cerimonial, guarda de honra e salvas, tudo em respeito a um militar que lutou pelo seu país, e estava pronto às últimas consequências em defesa da sua pátria.

Takashi Wada

FONTE: Força Aérea Brasileira

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737-800RJ

Muitas famílias têm estória pra contar, mas essa aí tem história! Muito bacana a homenagem da Marinha do Japão!

angelo

Filho de piloto q vira vice almirante….muita persistência. Muita historia a contar aos filhos e netos….É isso aí

Mauro

Os pilotos da Marinha Imperial do Japão eram escolhidos entre os melhores dos melhores das outras forças. Havia uma proporção absurdamente pequena entre a quantidade de pilotos que ingressavam no curso e os que concluiam e eram aceitos como pilotos navais, não sei se é isso mesmo, tem erros de tradução e informações não totalmene corretas, mas em um documentário ouvi que era de um entre mil. Seu treinamento era o mais rígido dentre todos os pilotos, sua quantidade de horas de voo em treinamento envolvendo disparos e lançamento de munições também era absurdo, provavelmente muito maior que qualquer outra… Read more »

Bruno

História de honra! Nações de verdade honram seus heróis!

Salomon

Demais! Emocionou.

Teropode

Uma História muito bonita 💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐💐🇧🇷🇯🇵

pangloss

Essa história é de arrepiar!
Parabéns ao Sr. Vice-Almirante Wada, por preservar a história de seu pai.
Um pai que merece tamanho afeto do filho cumpriu com brilhantismo sua missão.

carcara_br

muito boa história, a relação dos militares japoneses com o passado é algo complicado, mas existem valores que são perenes, não são dominados.

Nilo

A reverência aos antepassados, uma tradição na cultura japonesa.

Adriano

Que belo roteiro para um filme.

Rinaldo Nery

O VA Noriaki é irmão do Cel Av R1 Kaneaki Wada, da minha turma. Eu e Kaneaki servimos juntos por alguns anos na AFA. Creio que em 1992, levamos , ele um T-25 e eu um T-27, para os Portões Abertos do PAMA-SP. Almoçamos na casa dos pais do Kaneaki, onde pude conhecer o Sr Takashi pessoalmente, com direito a várias histórias da Segunda Guerra, acompanhadas de um bom sakê. A conversa entre ele e a mãe do Kaneaki era só em japonês. Mostrou-nos várias fotos da época, do seu arquivo pessoal. Dizia que o T-27 lembrava o Shinden. Anos… Read more »

Antonio Palhares

Cel Rinaldo Nery.
Parabens por fazer parte de uma história linda conhecendo os tres.

Marcelo M

História emocionante. Esses jovens pilotos eram, na maioria, vitimas de um regime brutal e de enorme pressão social para darem sua vida a esse projeto de poder insano do Japão. Pelo contexto, sendo jovem e candidato e Kamikaze, é provável que o pai nessa história tenha sido um dos pilotos treinados às pressas pela Marinha Imperial, que não contava nem mais com as melhores aeronaves nem com os melhores pilotos do Pacífico, ao contrário de dez. de 1941.

Luiz Trindade

Poxa… Que história heim…

raul Vieira

Muita honra nessa historia, emocionante e fascinante!

JOSE CARLOS MESSIAS

Uma história de honra e dever a pátria!

José Claudio Mourão

Exemplo de Nação que Honra e jamais esquece seus Heróis. Emocionante.

F-5

Eu registrei a vinda da frota japonesa ao Recife. Foi justamente do centenário da imigração japonesa.

Antonio Palhares

Uma história linda e emocionante com os mais altos sentimentos da honra e do patriotismo. O Almirante tem, com certeza, um ótimo DNA. Descendente deste valoroso e honrado piloto japonês provado em batalhas contra uma grande inimigo.

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