sábado, maio 15, 2021

Gripen para o Brasil

Futuro avião de combate europeu: Alemanha exige acesso às tecnologias da Dassault

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Ofuturo avião de combate europeu está avançando, mas as tensões persistem em Paris e Berlim. A Alemanha exige livre acesso aos segredos industriais da Dassault.

A França e a Alemanha pretendem validar “até a primavera” o acordo industrial que levará em 2026 à produção de um demonstrador de voo do Sistema de Combate Aéreo do Futuro (SCAF – Système de combat aérien du futur).

Mas até lá, novas disputas terão que ser resolvidas. Em primeiro lugar, a Alemanha gostaria de colocar as mãos em certas tecnologias desenvolvidas pela Dassault para uso em outros programas. Para a Dassault Aviation e a Airbus, isso está fora de questão.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea Alemã, Ingo Gerhartz, chegou a mencionar a recusa de Berlim em lidar com “caixas pretas” tecnológicas sobre as quais não poderia ter controle por falta de propriedade intelectual.

Outro ponto a acertar, a distribuição de tarefas. Angela Merkel acredita que esse compartilhamento é a favor da França.

“Sabemos que é um projeto de direção francesa mas deve ser um projeto onde os dois países jogam em pé de igualdade e ainda há muitas questões a esclarecer”, declarou a chanceler em videoconferência com Emmanuel Macron durante o conselho franco-alemão de defesa na semana passada.

Confiante, o presidente francês explicou que um acordo poderá ser alcançado nos próximos dias.

“Nas próximas semanas, teremos levantado os últimos pontos restantes e tenho esperança de que, na primavera, possamos chegar às validações administrativas e políticas que devem manter o calendário e nossas ambições”, disse o presidente francês Emmanuel Macron depois da conversa com a Angela Merkel.

Os dois países, associados à Espanha, esperam validar antes das eleições alemãs de setembro e da eleição presidencial na França na primavera de 2022 os contratos de estudo industrial (fase 1B) para a realização de um demonstrador de voo do SCAF. No entanto, isso pressupõe um acordo entre executivos, a votação do orçamento no Bundestag e a assinatura de contratos com os fabricantes.

A validação do acordo complicaria sobremaneira qualquer eventual inclinação futura de abandono do projeto, pelo montante então investido: um bilhão de euros para a fase 1B de um total de 6 bilhões para levar ao demonstrador, segundo fonte próxima do pasta. Nesta fase, os dois países comprometeram igualmente 150 milhões de euros em fevereiro de 2020 para os primeiros estudos de demonstrador (fase 1A) programados ao longo de 18 meses.

FONTE: BFM Business

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Gustavo

Europa unida, sempre!

MFB

Unida, mas nem tanto pelo visto…

Marcos10

Pelo que está escrito no texto, o titulo “Alemanha exige acesso às tecnologias da Dassault” não estaria muito correto. Seria mais correto dizer que eles querem “acesso aos códigos fontes”.

Doug385

Códigos fontes são referentes a software. O que ocorre aqui parece ser algo referentes ao hardware mesmo (tecnologias de materiais compostos, aeroestruturas, motores, etc).
O futuro disso aí parece ser a mesma treta de outros tempos.

Tomcat4,2

Pode vir a acabar, como no caso Rafale/Thypoon, resultando em duas outras aeronaves bem similares , mas , como a quebradeira $$$ anda por todo lado, tocar um projeto deste sozinho(no caso francês), por hora, ficará difícil .

Teropode

Se venderem mais um lote de Rafales para a Índia ou melhor ; se ganharem a concorrência para os 144 caças , vai ter grana para o 5g francês .

Barak MX para o Brasil

Eurofighter 2 vindo aí…

Marcelo Bardo

Começou o racha…

Carlos Campos

Começou, bora ver se vai dar certo, se não der, a Alemanha vai ter que correr para o colo do UK, se não os EUA vão enfiar F35 neles.

CESAR ANTONIO FERREIRA

Chegou o momento onde a Dassault diz preferir seguir sozinha…

Fernando Turatti

Imagina se isso aí dá certo, aí a França vai vender pra Índia… e a Alemanha veta porque os indianos querem meter mísseis nucleares no brinquedo.
Ou vão vender pra algum país árabe, aí os alemães vetam porque não pode usar pra cometer genocídio com os vizinhos menores…
Essa parceria não tem nada pra dar certo.

Gilmar

E aí, sozinha, fabrica uma maquina incrível como fizeram no caso do rafale.

Thiago A.

Sinceramente os franceses na época fizeram o certo. Cada um tem seus interesses e prioridades, nesse sentido os franceses foram sempre lúcidos e muito comprometidos com a própria autonomia e soberania.
No caso francês optar por continuar o EFA significaria abortar o Snecma M88. Pois todos os outros optaram pelo turbofan britanico da Rolls-Royce. Para os parceiros europeusfazia sentido. Mas na visão francês comportaria um prejuízo e degradação de suas capacidade industrial nesse setor que é estratégico e dominado por pouquíssimas empresas.

Thiago A.

De primeira , observando como leigo, pode parecer briga de egos. Mas observando as razões mais atentamente veremos que são questões cruciais e graças a essa decisão francês hoje temos mais uma opção no mercado europeu. Após o brexit a decisão se mostrou ainda mais acertada. os europeus não ficaram refém da Rolls-Royce . Apesar disso existem outras empresas ( na Itália e Alemanha) com potencial e capacidade de desenvolver essa tecnologia na Europa mas seria um caminho bem mais longo e demorado, cheio de obstáculos.

Teropode

Sozinhos criaram uma máquina muito mais capaz do que o eurofazdeconta fighter .

Marcelo

discussoes normais…segue o jogo. Fico na duvida se a Suecia vai mesmo de Tempest ou se usara as tecnologias para um caca proprio monomotor.

Davi Pinheiro

Também pensei nisso. O F-16 está ficando velho. Se continuar desse jeito, o Gripen será o único caça monomotor acessível no mercado. Faria sentindo substituí-lo por outro monomotor, mais avançado e com tecnologias incorporadas desses novos projetos.

Alexandrr

O F-35 não é monomotor e “baratinho”?

Fernando Turatti

O F-35 tem um só motor, mas é um motor absurdamente caro e forte. O peso do F-35 é tão grande que ele nem conta como monomotor para efeitos econômicos. Pra piorar, a hora de voo dele custa mais que a de um F-15.
No mais, pra comprar ele é mesmo barato, até mais barato que o Gripen E.

Douglas R.J.Santos.

Baratinho eu não diria….

Teropode

O Gripen será o último caça projetado e construído na Suécia , o Gripen EF , não vende nada .

Maurício.

“A Alemanha exige livre acesso aos segredos industriais da Dassault.”
Se for esse o caso, esquece, esse caça nunca sairá do “papel”.
Nem a Lockheed Martin dá livre acesso de seus segredos industriais para os ingleses no F-35, e isso que americanos e ingleses são “unha e carne”.

Adriano

Estava demorando!! Eurofighter 2.0 vem aí!

V12 aero

Alguém tinha alguma dúvida que poderia acontecer isso? Eurofighter 2 a volta dos que não foram.

Filipe Prestes

Mas já começaram a tretarem assim logo de cara? Pobre da Espanha que fica no meio dessa luta

leonidas

Não foi assim que nasceu o Rafalle?
kkkkkkk

Altair Ignez

É por estas e outras razões que hoje existe o Rafale e Erofighter, e está acontecendo de novo, Europa unida é só no papel, na prática, é outra história.

Welington S.

The Giripoca Go Pew Pew

Gabriel BR

Está na Hora dos franceses saírem da “Parceria”

Sérgio Luís

Se for feio assim nem vai voar!

nonato

Ambos têm razão

nonato

A França tem orgulho da sua indústria de defesa.
Não vai querer repassar…
A Alemanha, considerando-se um parceiro, não quer investir em algo sobre o qual não detenha propriedade, acesso…
Ou é parceira ou nao é .
Ambos têm razão…

Nick

Como comentaram, Rafale 2.0 a caminho…

Emerson

No fim das contas, França fará o caça sozinha. Foi assim que nasceu o Rafale. A França é um país que domina todas as fases de projeto e construção de um caça, armamentos, etc. A Dassault não entregará nada a ninguém, e se fosse eu no caso também não entregaria. Esse tipo de tecnologia não é baralho para ficar distribuindo assim na mesa…

Renato

Europeu tem um talento pra desenhar aeronave feia. Chama um italiano que desenha ferrari ou lamborghini pra ajudar. Quem sabe sai algo mais agradável aos olhos.

BENTO

Á França de hoje não é a mesma que fez o Rafale naquela época de vacas gordas!
No decorrer do Projeto tenho certeza que o lado financeiro Alemão vai pesar, creio que os alemães estão exigindo certas coisas por que sabem disto.

Douglas R.J.Santos.

Talvez arrumar parceiros que fiquem com partes menos complicadas do caça e os franceses focarem nas mais sensíveis/complexas.

Roberto.

Momento Concorde* novamente! Essa união França e Alemanha tem tudo para revolucionar o mercado aeronáutico. Lembrando que já está em curso uma união para o sucessor do Leopard 2!
*união da Inglaterra e França.

Leonardo M.

Eurofigher 2 vindo ai
E Rafale 2050 também(alusão ao Mirage 2000-5)

DanielJr

Daqui a pouco essa discussão vai chegar nos blindados, e aí teremos a segunda “geração” de leclerc x leopard e eurofighter x rafale.

Marcelo

acho que poucos perceberam, mas há um vídeo do DGA com a recapituação das atividades de 2020, em que o SCAF/NGF aparece em uma renderização mais atualizada, em 5min37s:
https://www.youtube.com/watch?v=YlKGs9OYW8M&list=WL&index=2

Marcelo M

E foi assim que um avião dos anos noventa virou dois: Rafale e Thyphoon!

Rogério Loureiro Dhierio

O filme se repete.

Typhon e Rafale.

Acho que a França terá que desenvolver um Rafale 5/6G sozinha.

As demais nações irão para o Tempest.

Jakson de Almeida

O futuro “rafale” nascendo!!!

Zorann

Isto aí é bem simples. Sozinha a Dassault não dá conta. A aeronave seria absurdamente cara. O que os Franceses conhecem bem e sofrem até hoje com o Rafale, cuja nova versão F4 é ainda mais cara. Fora que não haveria escala de produção.

A França precisa da Alemanha e sabe disso. A Alemanha controla a UE, é a dona do dinheiro. Sem a Alemanha e a UE, este caça nem nasceu e já está condenado ao fracasso.

Ricardo Junges

Entre um bate-boca e outro, a Alemanha vai “readquirindo” know-how. Daqui um pouco estará caminhando sozinha no desenvolvimento de qualquer máquina voadora. Bufunfa para isso tem.

Last edited 3 meses atrás by Ricardo Junges

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