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Desenvolvimento de caça furtivo japonês pode custar US$ 40 bilhões

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Demonstrador X-2 do Japão

Por Dan Darling

O Ministério da Defesa do Japão está enfrentando um dilema em sua missão de desenvolver uma aeronave de combate furtiva autóctone que substituiria a frota de caças F-2 da Força Aérea de Autodefesa do Japão (JASDF) por volta de 2030.

Reportagens que emanaram na mídia japonesa em 5 de março sugeriram que o Ministério da Defesa está tentando desfazer planos para o desenvolvimento doméstico do caça devido aos obstáculos de engenharia e custos crescentes envolvidos em um projeto local.

O MoD, por sua vez, foi rápido em negar tais reportagens no dia seguinte, em 6 de março, em um artigo publicado no Jane’s Defence Weekly, insistiu que todas as opções sobre como avançar no programa permanecessem sobre a mesa. Essas opções incluem o desenvolvimento completo de um novo caça, a produção licenciada de um projeto existente (ostensivamente o F-35), o desenvolvimento conjunto de um novo caça com um fornecedor estrangeiro ou simplesmente um programa de atualização e renovação dos caças F-2 (a opção menos provável).

Independentemente disso, os obstáculos que o Japão enfrenta no desenvolvimento de seu próprio caça são realmente reais. O principal desses desafios é o preço estimado: cerca de US$ 40 bilhões (JPY 4,24 trilhões). Essa projeção de custos levou o Ministério da Fazenda a questionar a lógica financeira do projeto e o Ministério da Defesa teria optado por ignorar as solicitações de financiamento para o projeto na próxima proposta de orçamento com vencimento para 2019.

Por sua vez, o ministério está buscando solicitações de informações (RFIs) e propostas para um novo caça a jato avançado baseado em uma plataforma ocidental existente e vai pedir aos Estados Unidos e ao Reino Unido para ajudar no desenvolvimento do seu caça. Tal arranjo com Washington não seria sem precedentes, já que os EUA ajudaram o Japão a desenvolver seu F-2, que é baseado no Lockheed Martin F-16 e começou a entrar em serviço em 2000.

Caça F-2 da JASDF

O Japão busca reter e ampliar seu know-how em indúsria aeronáutica através do projeto do novo caça, batizado de F-3, com a Mitsubishi Heavy Industries (MHI) desempenhando um papel de liderança. A MHI ajudou a construir um pequeno demonstrador de tecnologia de fuselagem, o Advanced Technology Demonstrator-X (ATD-X) Shinshin (“Coração de Deus”) lançado em 28 de janeiro de 2016. Os voos de teste do agora renomeado X-2 começaram com um primeiro voo em 22 de abril de 2016.

Financiado através da Agência de Tecnologia de Aquisição e Logística (ATLA) do Ministério da Defesa, o desenvolvimento do protótipo X-2 custou ao governo mais de US$ 360 milhões, permanecendo um projeto de pesquisa e desenvolvimento na infância e nada remotamente próximo a uma aeronave furtiva de quinta geração.

Tendo que subir uma curva de financiamento mais íngreme para ir além do X-2, o Ministério da Defesa está ansioso para sondar os governos dos EUA e do Reino Unido em relação a acordos cooperativos para substituir o F-22 e o Typhoon, respectivamente, nos inventários de caças desses aliados. O Japão esperava adquirir o F-22 de quinta geração dos EUA, mas Washington se recusou a vender o caça para seus aliados mais próximos.

Conceito do futuro caça japonês F-3, de 5ª geração

Agora, com os EUA e a Grã-Bretanha olhando para o futuro, o Japão espera convencer esses parceiros potenciais do valor de trabalhar juntos em um caça conjunto de nova geração, a fim de obter economias de escala e reduzir os custos. A Lockheed Martin e a BAE Systems são vistas como potenciais parceiros de fabricação.

Mas o governo japonês deve avançar rapidamente nas discussões sobre tal colaboração, se quiser encaixar os custos do F-3 em seu próximo plano de equipamentos de defesa de cinco anos (chamado de Programa de Defesa de Médio Prazo, que cobrirá os anos fiscais de 2019 até 2023) , começando em abril de 2019. O planejamento para o Programa de Defesa Intermediária começou no primeiro semestre de 2017 e o Ministério da Defesa esperava ter seu relatório final na primavera.

Essa data pode agora precisar ser adiada por vários meses, enquanto um plano é formulado sobre a melhor forma de substituir a frota de F-2 até 2030, como inicialmente previsto. A outra opção – atualizar os F-2 e adiar sua data de desativação para conseguir mais tempo – proporcionaria ao Japão espaço para respirar financeiramente para comprar gradualmente mais F-35s (uma opção sob consideração) ou um pouco de latitude para forjar o arranjo colaborativo desejado com um parceiro aliado para desenvolver um caça avançado.

FONTE: Forecast International

30 COMMENTS

  1. Se as relações políticas e a confiança melhorarem, seria interessante juntar com a Coréia do Sul. O objetivo dos dois é o mesmo: resistir aos caças chineses.
    Sei que o objetivo em procurar um parceiro é outro: encontrar alguém que entenda do assunto.

    • Dificilmente isso vai acontecer, além de pedir desculpas pelo que fez na segunda guerra mundial com devidas indenizações, o Japão teria que abdicar de ilhas no mar que separa os dois países e que estão sob jurisdição Sul Coreana, mas o Japão insiste que são suas.

      • Vi um estudo interessante sobre as capacidades furtivas do KFX- C-107 Coreano:
        https://forum.keypublishing.com/showthread.php?143712-Clean-Rafale-amp-Gripen-RCS-is-5-m2-and-3-m2-Not-05-amp-03/page2
        Em um dos comentários ao que parece o RCS frontal dele é de 0.06 sqm e armado com 4 AMRAAM’s, 2 Sidewinders e um tanque externo de 300 Galões o RCS é de 0.26 sqm. O que mostra que a configuração de armas para superioridade aérea não aumenta tanto o RCS quanto eu imaginava.
        Claro que o estudo apresentado carece de fontes mais confiáveis, mas serve de referência, como o Gripen tem um RCS frontal de 0.1sqm ou menor podemos esperar números bem próximos. O Gripen armado tem um RCS comparável a de um Rafale ou Typhoon limpo!

  2. Não vale a pena um pais sozinho desenvolver um caça de 5+ geração pois os preço são proibitivos,40 bi ^se compra quase 400 aparelhos de outros países é não necessita ter essa trabalheira que o EUA,Rússia é a China estão tendo,claro que graças aõ alinhamento com os americanos é o f-35 ,raptor acho difícil eles cederem mas se o negocio for bom,a Boeing irá exercer suas influencia junto aõ congresso.Tinha em outro comentário que poderiam fazer um consorcio com a coreia do sul mas pelo montante acho difícil a coreia aceitar.Para os países mais sem recursos como brasil é algo impensável,terá que operar 4+ geração, é apostas em misseis antiaéreos de defesa de área,pois quando os caças avançam os misseis avançam também sua capacidade.

  3. Tadinho do Japão, o typhoon não vai da RAf antes 2035 nem aqui nem na China, o f-22 então vai operar 2040 adentro, é claro os dois ainda vão receber muitas modernizações.
    Agora o Japão não querer modernizar seus cacas de 4 geração para um padrão equivalente ao typhoon tranche 3 ou rafale f3+/f4 é um tanto arrogante.
    É duvidoso que antes de 2040 haja uma forca aerea full stealth.

    • Não penso que seja arrogância.
      A China está logo ali… E ver seu inimigo histórico incrementando de maneira feroz suas forças armadas em números e em qualidade deve dar uns bons calafrios no alto comando nipônico.
      Penso que se trate de dissuasão e sobrevivência. Pura e simples.

  4. Não tem, q fazer tempestade em copo d’agua. Forca aerea é pra ser hi-low mix, ou seja uns f-15j/f-2 turbinados + f-35. Com isso da pra JASDF respirar com alivio ate 2030s e poucos.

  5. Só eu que não gostei do conceito artístico apresentado? O RCS traseiro dele deverá ser bem alto. Seria melhor se eles seguissem as linhas do Shinshin, mas quem sou eu para falar algo deles.
    40 bilhões para esse programa é uma merreca comparado ao que a tríade está pagando nos seus projetos. É um valor que o Japão pode e deve pagar.

  6. Pois é se os americanos não fossem tão pé atrás com seus aliados, poderiam ter se unidos e em conjunto reaberto a linha de produção do Raptor. Com os custos divididos a nave voltaria com uns upgrades, tunada e fortalecida podendo ser a espinha dorsal dessas forças aéreas por muitos anos sem oponentes a altura! Mas é isso aí vão gastar dinheiro mesmo fazendo do zero então!

  7. Duvido muito que o Japão levará esse projeto adiante. Pelo simples motivo que eles não tem mais TEMPO. Um projeto como esse levaria, pelo menos, uns 10 anos para ficar pronto e, mais alguns 1 a 2 anos para serem fabricadas e entregues unidades o suficientes para formar um esquadrão. Sem citar o tempo de necessário para formar uma doutrina com essas novas com aeronaves.

    Imagine o quanto a China terá de material bélico daqui a 12 anos. Nesse tempo ela terá, pelo menos, mais um porta-aviões e suas escoltas completamente operacionais. O Dragão acordou e está com fome de devorar toda a Ásia. O Japão não possui mais TEMPO, simples assim.

    Eu vejo isso mais como uma tentativa dos Japoneses de pressionar o Congresso Americano a reabrir a linha de montagem e liberar a venda dos F-22. Até os valores desse projeto e da reabertura da linha de montagem do Raptor estão próximos. Esse projeto é mais um blefe mais do que qualquer outra coisa.

    • Concordo com sua opinião. Não há tempo, nem fundos para tal desenvolvimento só pelos japoneses. Pelo ressentimento histórico, eles também não podem contar com vizinhos aliados. Há dentro do Japão movimentos pacifistas muito ativos.
      Portanto, a solução para o momento é continuar com essas cortinas de fumaças, que são os desenvolvimentos autóctones defasados no tempo, e manter o alinhamento com os americanos, como maneira de conter as ameaças reais da China, Rússia e Corea do Norte.
      Para o futuro e considerando a tecnologia que dispõe, deveriam investir em radares mais possantes e capacidade anti-stealth, satélites de detecção e mísseis de defesa e ataque.
      Alguma capacidade nuclear, como bem lembrado pelo Gen Etchegoyen, seria de bom tamanho. Ou alguém duvida que emcaso de uma guerra nuclear o Japão seria um dos primeiros alvos?

        • O F-22, apesar de ser um projeto inacabado e ter seus problemas, é o melhor vetor de superioridade aérea já construído. Ele está muito a frete de seus rivais. Mas o bicho é caro, muito caro. Não existe alternativa ao F-22. O F-35 está muito aquém do prometido e muito além do custos planejados.

          • O maior problema do F-22 foi uma lei que veta sua exportação! Não haveria problema nenhum a meu ver se fosse exportado para Austrália, Israel, Japão, que são aliados confiáveis dos EUA.

  8. Por o Japão não fala com a SAAB com o seu FS2020? Eles já tem tecnologia de AIP da SAAB nos seus submarinos com ToT e tudo que tem direito; devem ter um bom relacionamento com o governo sueco.

    • A Saab tem o conceito, mas teria que desenvolver também e aparentemente a Suécia não está com disposição para entrar em um projeto de caça de 5ª geração, pois parece já estar satisfeita com o Gripen E/F.

  9. Se eu fosse o Japão, faria um concurso especialmente para seus engenheiros, universidades e empresas apresentassem conceitos de um caça stealth. Talvez um grande e um pequeno.
    Poderia também aceitar conceitos/, projetos preliminares também de outros países.
    Tais conceitos deveriam se provar de baixo RCS e capacidade de vôo.
    O mesmo valeria para outras tecnologias necessárias como tintas RAM.
    Solicitassem sugestões de novos materiais, e se possível um revestimento RAM resistente e que não precisem ser refeitos após cada vôo.
    As pessoas subestimam a capacidade incentiva de pessoas e profissionais comuns.
    Após uma seleção inicial, os selecionados poderiam ser convidados para auxiliar no desenvolvimento de suas ideias.
    Essa idéia poderia valer para vários outros sistemas tais como radar aesa, sistema de oxigênio, IRST.
    Tentar-se ia unir os conhecimentos das equipes que já trabalharam no projeto com profissionais e leigos diversos.
    Fabricar um avião stealth não é difícil.
    Até a Embraer, caso recebesse o aporte devido, poderia auxiliar.
    Com 5 bilhões de dólares na mão fariam miséria…

    • “Fabricar um avião stealth não é difícil.”
      .
      Tintas RAM… Design para baixa reflexão radar… entre outras… São tecnologias q envolveram décadas de investimentos e estudos. EUA e URSS as tratavam como prioridade em seus estudos e programas de espionagem industrial militar…
      Ai fabricar um avião stealth não é dificil…
      .
      Ainda tenho dúvidas se vc escreve isso de sacanagem, ou se vc realmente gosta de um mato fresquinho

  10. Pega este dinheiro ajunta com a USAF e retorna a linha de montagem do Raptor! pronto, se fizerem isso ate a Rainha vai querer uns destes.

    sds
    GC

  11. O Japão poderia se juntar a Suécia por meio de uma parceria tecnológica, tal como nós, juntando o conceito do ATD-X mais o FS2020, criando um caça de 5ª Geração sem igual, claro que o Brasil seguiria junto, 40 Bilhões repartido entre 3 nações (Japão, Suecia e Brasil) daria para armar as 3 nações com o melhor caça stealth da história.

  12. O Japão tem dinheiro, engenheiros e cientistas com o que poderia desenvolver seu avião stealth com sucesso, mas não sei com que rapidez isso seria alcançado.
    Agora, tenho uma pergunta que gostaria de propor aos demais foristas:
    – Porque investir na tecnologia stealth se os russos e chineses já anunciaram ao mundo que eles já tem um radar capaz de detectar tais aeronaves?

    • Todos os radares modernos conseguem detectar aviões stealth, a questão é a que distância eles fazem isso. Detectar quando o avião está a 20 km de distância é não detectar dá quase na mesma. De fato, os únicos que alegam ter conseguido um radar eficiente contra aviões stealth a distâncias maiores que 50 km foram os chineses.

  13. Lembrei da matéria dos ‘alemão’.

    Os japas já orçaram em uns 40 bi um caça de 5a geração. Vão acabar tendo de ir de F35, um caça estrangeiro.

    Os europeus tem zero projeto em andamento. Com muita sorte custará uns 15 ou 20 bi de doletas.

    Mas nem europeus nem japas têm um recurso ainda mais escasso para quem quer uma solução própria: TEMPO. Leva no mínimo uns 15 anos entre a ideia nascer e ter avião voando. China e Rússia, com contratempo e problemas e tudo, já estão na estrada a uns 15 anos e um dia acertarão.

    O Ocidente vai ficar todo na mão dos EUA no fim das contas.

    • Obs.: não que eu ache que os EUA são bicho papão dos asiáticos ou europeus. Os EUA já são a décadas seu grande protetor. Mas como nações desenvolvidas fica complicado ter no horizonte de 30 a 40 anos sua defesa toda atrelada a um único fornecedor.

  14. Estes meus amigos e amigas, são os custos reais de PiD de um caça 5ºG qnd vc não pode “adquirir por outros meios” a tecnologia necessaria para construí-lo, como o irmão dragão do sol nascente, fez recentemente.

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