terça-feira, junho 22, 2021

Gripen para o Brasil

Cooperação franco-germânica: general da Luftwaffe voa no Rafale

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Eurofighter Typhoon e Rafale em formação - foto Força Aérea Alemã

Segundo notas divulgadas pela Força Aérea Francesa (Armée de l’air) e pela Força Aérea Alemã (Luftwaffe), o comandante da primeira visitou o comandante da segunda na Base Aérea de Nörvenich, próxima a Colônia, a convite deste. A visita, ocorrida nos dias 6 e 7 de março, incluiu voo conjunto, simbolizando a cooperação entre os dois países.

Na França, o comandante das Forças Aéreas (commandant les forces aériennes – CFA) general Guillaume Gelée  – não confundir com o chefe do estado-maior da Força Aérea Francesa, que está acima deste – é responsável pelo treinamento e formação especializada das forças, o mesmo se dando com sua contraparte alemã, o tenente-general Peter Schelzig (Luftwaffenführungskommando – LwFüKdo).

Os generais em seus trajes para o voo conjunto Rafale - Typhoon em Colônia - foto Luftwaffe via Força Aérea Francesa

Ambos os generais, na ocasião, trataram da cooperação franco-alemã no setor de aviação e, em especial, discutiram as preparações que foram feitas para operações no Mali, para onde os alemães recentemente enviaram um Airbus A310 MRTT (Multi Role Tanker Transport – avião multitarefa de reabastecimento aéreo e transporte) em acréscimo a dois transportes Transall alemães que já operam no país africano.

O general Schelzig voou no Rafale biposto que visitou a base de  Nörvenich, pilotado pelo comandante Thierry Kubiak, que comanda o esquadrão 2/92 “Aquitaine” de conversão operacional, estacionado na Base Aérea 113 de Saint-Dizier. Kubiak, um dos mais experimentados pilotos de Rafale, demonstrou ao general alemão a versatilidade da aeronave que atualmente realiza operações em Mali.

General Gelée francês se acomoda no cockpit do Eurofighter - foto Força Aérea Alemã

General Schelzig da Luftwaffe se acomoda no cockpit do Rafale - foto Força Aérea Alemã

Por sua parte, o general Gelée voou num Eurofighter Typhoon da Ala 31 “Boelcke” de caças-bombardeiros. Nesse voo, o general francês pôde conferir a alta razão de subida da aeronave, quando o piloto alemão no assento dianteiro apontou o jato agressivamente para o céu, com os pós-combustores ligados. O voo em conjunto durou 80 minutos e ambos os generais declararam-se bastante impressionados, após o pouso, com o desempenho das aeronaves.

Estão programados encontros regulares entre os dois generais neste ano, por ocasião do 50º aniversário do Tratado de Elysée assinado pelo general de Gaulle e o chanceler Adenauer. Os países vêm treinando em conjunto seus controladores aéreos avançados, especialidade que vem mostrando suas capacidades na operação Serval, no país africano.

Rafale e Typhoon em patrulha conjunta - foto Luftwaffe via Força Aérea Francesa

Eurofighter Typhoon e Rafale em formação - foto 2 Força Aérea Alemã

FONTES / FOTOS: Força Aérea Francesa e Força Aérea Alemã (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de originais em francês e alemão)

NOTA DO EDITOR: se você se interessa em saber mais sobre o nome “Boelcke” que batiza a Ala 31 da Luftwaffe, clique nos três últimos links da lista a seguir. Para saber mais sobre o Eurofighter Typhoon, o Rafale e outras cooperações entre países que os operam, clique nos demais links.

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Clésio Luiz

Interessante como um segundo assento arruína a beleza da maioria dos caças monopostos. Quando os engenheiros decidem por assentos lado a lado, como no BAC Lighting e no Convair F-102 então…

Mas alguns bipostos se salvam, como o Hornet, AMX e o Mirage F1.

Marcos

Pois eu acho o Eurofighter biposto o máximo.
Tem mais: se o Eurofighter no solo é um bicho feio de doer, parecendo um verdadeiro Frankenstein todo remendado, em vôo é para mim um belíssima aeronave.

Luis

O Eurofighter é bonito dependendo do ângulo pelo qual é visto, especialmente o biposto.

Esforço duplicado à toa na Europa. A França poderia ter ficado no projeto do EF2000, e este seria um avião melhor, e a Dassault continuaria vendendo Mirage 2000. Mas não, quiseram fazer sozinhos.

Clésio Luiz

Aqui no Brasil, muito do que se leu na época da criação dessas aeronaves, vinha da mídia britânica, que obviamente defendia o lado deles. A Dassault queria sim a liderança do projeto, até porque era na época muito mais experiente em caças. A liderança inglesa no Tornado deve ter assustado os franceses, já que o que deveria ser uma aeronave multifuncional (que era até o nome do projeto) acabou se transformando num F-111 menor, sem qualquer serventia na missão de superioridade aérea e que foi um fracasso no mercado de exportações (para o nível da época e fundamental para a… Read more »

Roberto F Santana

Isso é porque vocês nunca viram o TU-128UT ou o Yak-38U.

paulofvj

A foto lado a lado não nega: “Irmão separados no berçario!”

Roberto F Santana

O piloto francês, para explicar o cockpit de trás para o alemão, não precisa de escada, se apoia no próprio avião.
O alemão, se for fazer o mesmo no Typhoon escorrega e cai.
O Rafale é melhor! 🙂

Clésio Luiz

O Yak-38U é hediondo, mas o de Havilland Vampire biposto também não fica muito atrás não 🙂

Mauricio R.

O Tornado ADV era adequado a ameaça da época, bombardeiros “Backfire” portando misseis ASM, supersônicos de longo alcance, operando sobre o Mar do Norte.
O Eurofighter hoje, é adequado a ameaça atual, “Flankers” e “Fulcrums”.
E qnto ao Tornado ser um fracasso de exportação, bem foram fabricados 998 exemplares, contra 700 M-2000.

glaison

Eu acho a maioria dos aviões bonitos, mesmo os feios. Talvez só não tolere o Saab J29, aquilo parere que não vai voar.
Porem, o Typhoon é o pior, pois não é feio nem bonito, é simplesmente, sem graça demais.

Clésio Luiz

@Mauricio R.

O Tornado ADV teve um desenvolvimento problemático. Muitos voaram com contrapesos no nariz até que os radares estivessem prontos. Ao tempo que ele ficou operacional os MIG-29 e Su-27 já estavam em esquadrões de linha de frente, e aí ele não tinha muita chance.

Quanto as unidade produzidas, elas se devem as encomendas dos países fabricantes. O Tornado só encontrou um cliente externo, embora este tenha feito uma compra substancial, foi muito menos do que o Mirage 2000 vendeu em exportações. Embora sejam aeronaves de categorias completamente diferentes.

Ivan

Clésio, Foram os franceses que abandonaram o EuroFighter. Os ingleses, como vc mesmo escreveu, continuaram e aceitaram muitas das solicitações/necessidades dos parceiros, no caso os alemães que precisavam dar ênfase (com razão) a superioridade aérea. Assim sendo, os ingleses tiveram “humildade” suficiente para entender as necessidades alemães e entender que seriam suas também. Ainda bem para o EuroFighter, pois os alemães estava certos. Mas os franceses, que precisavam de um caça que coubesse no seu novo porta-aviões, que por sua vez teria dimensões limitadas, tinham que impor limitações de dimensões ao EuroFighter que poderia reduzir seus parâmetros. Isto sem falar… Read more »

Ivan

http://www.aereo.jor.br/2010/06/22/muito-antes-do-eurofighter-parte-9/

“Ainda durante a Feira de Paris de 1983 o presidente da Dassault, Breno-Claude Vallieres, afirmou que sua empresa era favorável à cooperação com alemães e britânicos na produção de um caça comum europeu, mas que a Dassault deveria atuar como líder de um eventual consórcio por possuir mais experiência no desenvolvimento de caças com asas em delta. E, caso não houvesse um entendimento, a França estaria preparada para seguir sozinha.”

Interessante exercício da “humildade” em uma negociação.

Sds.

Clésio Luiz

@Ivan Sim com certeza a França saiu do consórcio Eurofighter, eu lembro disso, mas o que eu queria enfatizar é que o resultado final, os dois caças, é praticamente o mesmo. O Eurofighter não tem uma grande vantagem em desempenho sobre o Rafale, como os motores fariam supor. A aceleração supersônica, por exemplo, é praticamente a mesma nas duas aeronaves, só para citar um exemplo. O radar é um pouco maior, mas mesmo assim ainda menor que o Surper Hornet, e bem inferior ao oferecido pelo Eagle e pelo Flanker. O que eu enfatizo é que eles fizeram questão de… Read more »

Clésio Luiz

Ivan, só na década de 80 os franceses projetaram o 2 versões do Rafale (o avião todo, motores, radar, armamento de cano), duas do MICA e um porta aviões nuclear. Eles estavam mesmo prontos para seguirem sozinhos. Uma colaboração com outros países seria muito benéfica, mas como esses não gostaram do “nariz empinado” do franceses, acabaram gastando mais com o Eurofighter do que a França gastou com 2 versões do Rafale. E os dois são praticamente a mesma coisa. Será que valeu a pena?

Mauricio R.

Até parece que os ADV voaram tda sua vida operacional c/ o bloco de concreto no lugar do radar Foxhunter. E os Flankers e Fulcrums não operavam sobre o Mar do Norte, talvez sobre o Báltico, mas aí o problema seria de alemães, suecos e dinamarqueses. No mais mesmo tendo somente 1 único cliente externo, o consórcio Panavia vendeu quase 300 aeronaves a mais, do que a Dassault c/ o M-2000. E apesar de diferentes entre sí, cumprem funções análogas em suas respectivas armas aéreas, os Tornado GR 1/1A aos M-2000D/N e F-1CR e os Tornado F-2/-3, hoje Typhoon aos… Read more »

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