terça-feira, abril 20, 2021

Gripen para o Brasil

Tornados e Typhoons da RAF, há 70 anos Parte 1

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Ontem (26 de setembro), publicamos a matéria “RAF na Líbia: vão-se os Typhoons, ficam os Tornados, sobre as últimas decisões do Ministério da Defesa do Reino Unido referentes a seus dois principais vetores da RAF (Força Aérea Real Britânica) na atualidade.

É um bom momento, então, para saber que a história desses dois nomes na RAF, “Tornado” e “Typhoon”, vai muito além dos jatos que operaram nos últimos meses sobre a Líbia.

No final dos anos 1930, a empresa Hawker já tinha acumulado uma história de considerável sucesso na produção de caças para a RAF, embora o início tenha sido um tanto desapontador. Seu primeiro caça como Hawker Engineering foi o Woodcock, que voou pela primeira vez em 1923, um protótipo que falhou nas avaliações, sendo profundamente revisto e gerando o Woodcock II, que finalmente conseguiu um modesto contrato de produção (62 exemplares) para a RAF. Vale lembrar, porém, que a história da Hawker  pode ser traçada ainda mais para trás quanto ao sucesso de seus caças, pois ela foi a sucessora da Sopwith Aviation, cujo caças Triplane, Camel e Snipe foram ícones da Primeira Guerra Mundial e do imediato pós-guerra.

Mas voltando à Hawker Engineering, o design de caças da empresa nas décadas de 1920 e 1930 foi se impondo, e novos ícones surgiram, como os biplanos Fury (primeiro caça a atingir mais de 200 milhas por hora – 322km/h), Osprey e Nimrod (caças embarcados bipostos e monopostos) e Demon (primeiro caça biposto introduzido na RAF desde a Primeira Guerra).

Em meados dos anos 1930, voou o maior de todos esses ícones, o Hurricane, que foi o grande cavalo de batalha da RAF nos dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial (e serviu até o final do conflito). O Hurricane respondeu pela maior quantidade de caças britânicos disponíveis na Batalha da Inglaterra (1940) até ser sobrepujado de vez,  na primeira linha, pelo Supermarine Spitfire.

O Hawker Tornado

O nome Tornado batizou o caça seguinte a ser desenvolvido pela Hawker (à parte o Hotspur, biposto com asas de Hurricane que disputou contrato com o Boulton Paul Defiant, sendo até mais rápido que este). Tratava-se de um novo projeto, para atender à especificação F.18/37 para um interceptador monoposto, que poderia ser equipado com dois tipos de motores, um deles o  Rolls Royce Vulture (basicamente a união de dois motores V12 Peregrine V gerando um 24 cilindros em X), sendo denomidado o “Tipo R”.

O protótipo equipado com o Vulture II, de 1760hp, recebeu o nome de Tornado, e voou pela primeira vez em 6 de outubro de 1939 (quase 72 anos  atrás), tendo seu radiador instalado na posição ventral, como o Hurricane. O caça poderia ser armado com nada menos que 12 metralhadoras 7,7mm nas grossas asas ou quatro canhões de 20mm. Os canhões foram testados no segundo protótipo, que voou em 5 de dezembro de 1940, já com o radiador deslocado para sob o motor, no “queixo”.

Uma linha de montagem começou a ser instalada na Avro, e o modelo de produção deveria receber um motor ainda mais potente, o Vulture V de 1980hp. Com essa motorização, o caça de peso carregado de 4.839 kg, envergadura de 12,77m e comprimento de 10m podia atingir 640km/h a 7.010m de altitude, um desempenho competitivo para o primeiro ano da década de 1940. Porém, o motor Vulture estava sofrendo problemas diversos de desenvolvimento numa época em que o motor Merlin era a prioridade absoluta, o que levou a Rolls Royce a abandonar esse motor em X.

Assim, o primeiro lote de produção do Tornado (201 unidades) foi cancelado e apenas uma aeronave de produção voou, em 29 de agosto de 1941, assim como um terceiro protótipo, que voou em 23 de outubro daquele ano equipado com um motor radial de 18 cilindros Bristol Centaurus, de 2.210hp.

Na próxima parte, conheça o outro modelo desenvolvido pela Hawker para a especificação F.18/37 , o Typhoon, que ao contrário do seu “irmão” Tornado foi produzido em quantidade e operado pela RAF na Segunda Guerra Mundial.

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Roberto F Santana

Boa matéria.
Aguardando sobre o Typhonn, que no IL-2 é bem temperamental de se voar.

Franco Ferreira

A 1ª foto é de um Tempest V, não é de um Typhoon

Roberto F Santana

Prezado Franco Ferreira.
É um Typhonn.
Vê-se isso pelo contorno do leme, a hélice tripá, os longos canos dos canhões, além dessa famosa foto original em cores da hépoca.
http://en.wikipedia.org/wiki/Hawker_Typhoon

Obs.As últimas séries usaram as cabines bolhas.

Roberto F Santana

Digo: época

Franco Ferreira

É um Tempest V. Sugestão ao Autor: Não tira a foto… É da melhor qualidade!!! Explicação: Em http://www.aviastar.org/air/england/hawker_tempest.php, “THE TEMPEST V PROTOTYPE FIRST FLEW ON 2 SEPTEMBER 1942, AND THE FIRST PRODUCTION AIRCRAFT APPEARED ON 25 JUNE 1943; THIS VERSION WAS CHOSEN WITH THE SABRE II, A WELL-TRIED POWER UNIT AVAILABLE IN QUANTITY. The Tempest V first entered RAF service in April 1944, and was the only version to be used operationally during World War II. Early utilization was largely in the train-busting role, but their high speed made them an ideal interceptor of V-1 flying-bombs, which were launched against… Read more »

Roberto F Santana

Caro amigo Franco,
Fiquei intrigado sua veemente afirmação.
O que faz você ter tanta certeza?
A foto não lhe é uma evidência?

Sugestão ao autor: Coloque uma foto de perfil de um Tempest V.

Roberto F Santana

Uma caracteristica única no Typhoon(exeção P-39) era sua porta “tipo automóvel”, os Tempest já não usavam esse tipo.

Observar bem a foto.

Roberto F Santana

“(…)The Tempest V first entered RAF service in April 1944, and was the only version to be used operationally during World War II.”

A frase pode ter causado alguma confusão.
Vale lembrar que tanto o Vulture, Typhoon e Tempest eram modelos completamente, ou quase completamente, distintos.
Muitas vezes com seu desenvolvimento foi de forma quase que paralela.

Clésio Luiz

A foto é de um Typhoon mesmo. Apesar dos primeiros Tempest terem saído com os canos dos canhões protuberantes, a hélice tripá e a deriva curta indicam ser um Typhoon, como o Roberto F. Santana disse.

shipbuildingbr

Oiaahhhh

Gostei dessa discusão….

Isso sim é muito bom e é uma pena que no Poder Naval nunca chegou-se a esse nivel.

Franco Ferreira

Roberto F Santana disse: 27 de setembro de 2011 às 11:40 “Caro amigo Franco, Fiquei intrigado sua veemente afirmação”. Meu companheiro; Foi uma cópia exata da SUA afirmação lançada às 10:38, quando: Roberto F Santana disse: 27 de setembro de 2011 às 10:38, “Prezado Franco Ferreira. É um Typhonn”. Depois, às 11:44, Você “matou a cobra e mostrou o pau!” Nenhum Tempest teve “porta” para a cabine. Ao Autor-Editor – Talvez, quem sabe, u’a matéria sobre o Tempest V nomeado “Le Grand Cirque” e operado por Pierre Clostermman na IIGG. Aos outros leitores – Por favor, desconsiderem a minha afirmação… Read more »

Roberto F Santana

Tudo bem Franco.
Não vamos fazer um “Tempest” num copo d’água.

Clésio Luiz

Esse é simplesmente o melhor livro que eu já li de um piloto daquele conflito. A edição em português disponível é bem antiga, dos anos 60, lançada com uma série de livros sobre a Segunda Guerra pela editora Flamboyant. Existem alguns dados que eu julgo serem erros de tradução pela editora, mas o texto em si é hipnotizante, daqueles livros que dá vontade de ler de uma tirada só.

Existe para vender uma edição expandida e corrigia pelo próprio autor, disponível no site Amazon, mas é em inglês.

Clésio Luiz

Já que o Cláudio Lucchesi está publicando livros estrangeiros traduzidos, bem que ele poderia trazer este, com certeza seria um best seler.

Clésio Luiz

Eu tenho os 3 livros do Clostermann, o do Galland e o do Knoke.

shipbuildingbr

Esse vai ser o nome do FX-? no Brasil “TEM PESTE” cabra ruim do c@#@#$ kakakakakaa

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