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Base Aérea de Santa Catarina está na mira de cortes da Aeronáutica

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Base Aérea de Florianópolis - foto divulgação STI-BAFL via Diário Catarinense

Para comprar caça suecos de R$ 4,5 bilhões, instalações militares podem ser fechadas

ClippingNEWS-PAA compra de 36 caças suecos Gripen anunciada esta semana pelo governo federal durante a última semana pode ter implicações no futuro da Base Aérea de Florianópolis. Ela estaria numa lista de instalações militares que seriam fechadas para que a Aeronáutica levante os R$ 4,5 bilhões a serem usados na compra das aeronaves de última geração. A informação foi veiculada na imprensa especializada e apareceu na edição deste domingo do jornal O Globo.

A possibilidade foi negada pela Força Aérea Brasileira (FAB) por meio de uma nota enviada pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em Brasília. Mas o texto admite que existe um plano de reestruturação em curso que inclui estudos a respeito de Florianópolis.

A revista especializada Poder Aéreo, editada pelo ex-militar Alexandre Galante, publicou informações diferentes e acrescentou que as sete aeronaves existentes em Santa Catarina seriam enviadas para Canoas (RS), onde também há uma base aérea. A estrutura existente em SC seria desativada. O comandante da Base Aérea de Florianópolis, coronel-aviador Claus Kilian Hardt, refutou o fechamento.

No entanto, duas unidades militares que estavam no plano de restruturação foram esvaziadas de acordo com O Globo. O argumento de redimensionar a frota fez o esquadrão que operava em Fortaleza ser transferido para Natal.

A estrutura existente na capital cearense é bem semelhante à catarinense. Ambas contam com aeronaves do mesmo modelo, o Bandeirante. O tamanho do contingente é igual ao da Base Aérea de Florianópolis, cerca de mil militares.

O hangar de Natal também absorveu a estrutura de Santos (SP). Os helicópteros Esquilo que operavam no litoral paulista foram para o Nordeste. Trata-se de outra unidade que está no plano de reestruturação da FAB.

A eventual saída removeria de Santa Catarina dois grupamentos conhecidos como Esquadrão Phoenix, que tem função de patrulhar todo o litoral da Região Sul. A decisão também acarretaria prejuízos financeiros. Estudos realizados em Fortaleza revelaram que a cada ano a instalação injetava R$ 200 milhões na economia local.

“Não tem nada no curto prazo”

Diário Catarinense – A Base Aérea de Florianópolis será desativada?

Coronel-aviador Claus Hardt – Não está na programação oficial da Aeronáutica. Não tem nada oficial, não tem nada no planejamento de curto prazo e, pelo que eu li (na imprensa), essas desativações que estão acontecendo, uma em Santos e outra em Fortaleza, já estavam num planejamento que vem sendo executado há alguns anos.Quando foi feito esse planejamento em 2006, a Base de Florianópolis estava lá. Naquela primeira versão, saiu sim que a Base de Florianópolis seria desativada. Mas depois, o assunto saiu de pauta, não foi mais o caso, desistiram…

DC – Por que o comando desistiu de desativar Florianópolis?

Coronel-aviador – Eu não sei. Esse tipo de decisão é do alto comando, não é compartilhada. O que posso dizer é que hoje não tenho informações oficial com relação à desativação de Florianópolis. Pelo contrário.

DC – Mas se no passado a Aeronáutica planejou desativar Florianópolis, a situação não pode ser reavaliada?

Coronel-aviador – Olha, quem sabe… Mas hoje eu posso te dizer que realmente não há nada mesmo. Se o alto comando vai, num próximo estudo, colocar de novo a Base de Florianópolis para eventualmente ser desativada, não sei e não posso dizer, mas acho extremamente improvável porque estamos até ampliando.

DC – Ao que o senhor atribui as especulações?

Coronel-aviador – Justamente porque, no planejamento realizado em 2006, a Base de Florianópolis tinha entrado na lista das bases a ser desativadas. Inclusive, de todas as bases que estavam na lista, a nossa era a última. Se não estou enganado, no planejamento inicial, a Base de Florianópolis era para ser fechada em 2019. Mas no início de 2013, quando estive em Brasília, o comando disse que a Base de Florianópolis não será desativada. É a posição oficial que eu posso passar.

DC – Mas a FAB está cortando gastos…

Coronel-aviador – Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra… Essas desativações (Santos e Fortaleza) já estavam previstas, mas não tem nada a ver com a compra do Gripen.

DC – E a contenção de gastos, até que ponto interfere no trabalho?

Coronel-aviador – Hoje a gente tem mil homens. Para manter o destacamento funcionando, só para manter as instalações e servir de base para pousos técnicos, a gente conseguiria trabalhar com 100 homens.

DC – O planejamento inicial era reduzir a Base de Florianópolis para 100 homens?

Coronel-aviador – Isso. Seria o mesmo que acontece em Santos. Só que não é o caso. Isso não existe mais.

DC – Em caso de desativação, esses militares seriam transferidos?

Coronel-aviador – Vou te dizer que 80% a 90% do pessoal.

DC – Quantos aviões há em Florianópolis?

Coronel-aviador – São Bandeirante de patrulha usados no patrulhamento marítimo, o que passa a ter uma importância muito grande agora com o Pré-sal.

DC – E com sete aviões é possível fazer um bom patrulhamento?

Coronel-aviador – Sim, claro…

Base Aérea de Florianópolis - foto Agencia RBS via Diário Catarinense

Base Aérea de Florianópolis foi o assunto desta segunda-feira na Tapera

Vizinhos se dividem quando perguntados sobre a desativação da instalação militar

O futuro da Base Aérea de Florianópolis virou o assunto do dia entre os vizinhos da unidade militar nesta segunda-feira.

Quem concorda com a desativação das instalações fala da possibilidade de encurtar em cerca de 10 quilômetros o trajeto entre o Centro e a Tapera. Sem falar nos congestionamentos que poderiam ser evitados com a nova alternativa. Aqueles que têm autorização para cortar caminho e transitar pela unidade diariamente, ainda que com restrições de horário, não gostam da ideia de perder a segurança proporcionada pela simples presença dos militares.

– Não tenho do que reclamar. São os melhores vizinhos do mundo e ninguém me incomoda. Apesar das restrições no trânsito, a presença deles garante tranquilidade – fala o policial militar Pedro Adelino da Rosa, 51 anos, que nasceu e cresceu na Rua do Sol Nascente, na Tapera, e não acredita que a Base Aérea de Florianópolis venha a ser desativada pela Aeronáutica.

Nas guaritas de acesso à Base nenhum militar falou sobre o futuro. Extraoficialmente, disseram que ouviram falar da desativação pela imprensa, mas não têm mais detalhes e nem podem comentar o assunto.

Nessa segunda-feira, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica em Brasília negou a desativação das instalações em Florianópolis, apesar das notícias de que cortes de despesas serão necessários para garantir os R$ 4,5 bilhões que serão gastos na compra de 36 caças suecos Gripen. A informação é de que as atividades feitas hoje em SC seriam transferidas para a Base Aérea de Canoas (RS), que continuaria a realizar o patrulhamento do mar do litoral Sul. Em nota, a Aeronáutica esclarece que realiza estudos constantes para concentrar meios e otimizar custeio, mas neste momento não há definição específica para a unidade em SC.

Apesar da declaração oficial, está em andamento um plano de reestruturação das Forças Armadas para superar o “estado de penúria”, como diz Alexandre Galante, ex-militar e consultor. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

“É correto e necessário cortar gastos”

Diário Catarinense –  A possível desativação da Base Aérea de Florianópolis é reversível?

Alexandre Galante – Não acredito. Faz algum tempo que as Forças Armadas convivem com dificuldades básicas, como treinar pilotos e manter aviões voando. Já houve mudanças em Santos (SP), Afonso (Rio de Janeiro) e Fortaleza.

DC – O senhor acha correta a decisão de cortar despesas fechando ou transferindo unidades?

Galante – Sim. É inteligente, correto e necessário cortar onde se pode.

DC – O senhor acredita que essa decisão em relação à Base Aérea de Florianópolis está relacionada a compra dos caças suecos?

Galante – Independentemente da compra dos caças isso aconteceria. É preciso cortar para não permanecer no estado de penúria em que se encontram as Forças Armadas, o que vem acontecendo há bom tempo.

Infográfico Base Aérea de Florianópolis - Diário Catarinense

FONTE / FOTOS / INFOGRÁFICO: Diário Catarinense – as duas matérias foram publicadas no dia 23 de dezembro, uma delas pela manhã e outra à noite (clique nos links para acessar os textos originais de cada uma)

NOTA DO EDITOR: é importante lembrar que, em entrevistas a jornais, normalmente parte do conteúdo é editado para se adequar aos formatos e espaços disponíveis. Assim, deixamos claro que a opinião do editor-chefe do Poder Aéreo e da revista Forças de Defesa, mostrada no jornal, é apenas parte de um contexto maior de discussão. A opinião sobre fechamento de bases tem como apoio informações que temos de diversas fontes da FAB, e não decisões finais de cada caso, pois se trata de um processo em discussão há anos e em andamento, como bem lembrou o comandante da Base Aérea de Florianópolis.

Deve ser lembrado que há estudos da FAB para diminuir ou até encerrar atividades em algumas  bases no Sul e Sudeste do país, que acabam se mostrando redundantes num momento em que se expande a presença no Norte e no Oeste, como são exemplos bases e núcleos de base sendo construídos e ampliados, como São Gabriel da Cachoeira, Eirunepé, Vilhena, Tiriós e outras localidades. Também deve ser lembrado que tanto o programa F-X2 quanto os estudos para fechamentos de algumas bases no Sul e Sudeste, ao mesmo tempo em que são expandidas no Norte e Oeste, são processos existentes há muitos anos, então o fechamento de bases não pode ser considerado consequência direta da compra de caças, e sim de um planejamento global de evolução da FAB para atender a novos cenários (assuntos que já foram objeto de diversas matérias no Poder Aéreo) e enxugar custos.

Assim, discordamos da relação direta expressa na matéria do alto, que diz que “para comprar caça suecos de R$ 4,5 bilhões, instalações militares podem ser fechadas”, e o editor-chefe Alexandre Galante deixou isso claro quando afirmou que “independentemente da compra dos caças isso (fechamento de bases) aconteceria.” Sejam esses caças de procedência sueca, francesa ou americana. É certo que verbas economizadas com fechamento de bases podem ser aplicadas em outras áreas e até mesmo em caças, como opinou outro colaborador do Poder Aéreo, o coronel Franco Ferreira, afinal, tanto bases quanto caças fazem parte da Força Aérea, como tantos outros bens e equipamentos, e dependem de um mesmo orçamento.

Por fim, é importante considerar que mudanças de esquadrões, relacionadas ou não a fechamento de bases / redução para núcleos de bases, não são atividades que reduzem custos num primeiro momento, e sim a longo prazo, pois é necessário alocar verbas para a própria mudança.

20 COMMENTS

  1. É evidente o reducionismo do raciocínio apresentado no subtítulo. Não é refinamento crítico que se espera da média geral do jornalismo, em especial do não especializado.

    No mérito, não só a FAB deve realizar sua reengenharia de custos. Ora, as FFAA americanas, a créme de la créme do poder militar, estão reduzindo esquadrões, descomissionando navios de linha ! O que se esperar de “nosotros”…

    A EB tb deveria buscar a sua reengenharia, não somente com fechamento de quartéis, deveria excluir de uma vez os conscritos, a MB por sua vez, pra começar, deveria descomissionar o que nunca foi comissionado, “aquele que não se deve nomear, pois todos já sabem…”

    Na veradde, como é cediço, nossas FFAA ainda pensam de forma isoladas. Apesar do Min. Defesa, não há pensamento unificado de defesa, até porque não há, nem nunca houve, um Ministro da Defesa, apenas um nome político para preencher e satisfazer os altos escalões militares em seus interesses, em troca da manutenção da tropa controlada.

    E nas FFAA, não há efetivo interesse nessa revolução de doutrina. A média dos oficiais superiores quer terminar a carreira aos 45 anos e “cair fora”, buscando complemento de renda na vida civil, e os oficiais-generais não querem alterar o status quo vigente no fim da carreira, aguardando uma diretoria de estatal ou uma vaguinha no STM, um cargo comissionado em algum ministério, ou ainda uma comissão no exterior…

    E vamos seguindo a mesmice, da mesmice, da mesmice, nas ffaa (com letra minúscula mesmo), como aquelas notas e declarações enfadonhas e repetitivas de fim de ano… Como as da “Guarda Costeira” do Brasil… Marinha já deixou de ser há muito tempo…

  2. A FAB tem mais é que racionalizar e repensar as necessidades de suas bases.

    Entendo que menos bases, mas com mais aeronaves, inclusive de diferentes tipos de esquadrões, pode reduzir seus custos operacionais, especificamente aqueles dedicados às atividades de apoio (administrativo, manutenção, logística, etc)

    E claro pode sobrar mais recursos para novas aquisições, mas o FX-2 nada tem a ver com isso.

    []’s

  3. Uma coisa que não consigo entender.

    A FAB está fechando bases para cortar custos.
    Pouco tempo depois que o congresso autorizou o aumento de efetivo da força?!?!?!!?

    Que diabos de planejamento é esse?

    • Requena,

      O que vejo sobre fechar bases é só onde algumas delas são aparentemente redundantes, no Sudeste, Sul e até Nordeste.

      Em compensação, outras estão sendo abertas no Norte e no Oeste. Não vejo incoerência no planejamento. Há muito ainda a se deslocar ou expandir para o Norte e Oeste, processo que começou em Boa Vista e Porto Velho, prossegue em São Gabriel e várias outras.

  4. Algumas coisas que precisam ser repensadas, para de fato cortar custos:

    1) Mandar os inativos para outra conta, que não defesa;
    2) Cortar custos em pessoal;
    3) Parar de comprar coisas velhas;
    4) Acabar com o GTE. Sei lá, esse pessoal gosta tanto de criar estatal, que transfiram para a Aerotransportobráis!

  5. Tem mais é que repensar a existência, para poder incrementar a disponibilidade. Afinal a FAB é uma força viva, dinâmica e não pode ficar estática diante das realidades que surgem e se impõem.

    Seria muito bom que a mídia colocasse repórteres especializados para tratar das diferentes matérias. O Grippen é um caça de última geração? O Coronel Comandante informou quantos Bandeirantes existem na BAFL? Também o Coronel poderia ajudar, citando ‘Banderulhas’ em lugar de ‘Bandeirantes’ e não respondendo coisas que permitem a fofoca.

  6. P.L. no congresso ou medida provisória mesmo:

    “Áreas colocadas em disponibilidade em função de desativação ou readequação das forças armadas do Brasil irão a leilão público federal(normalmente estas pertencem a união) e os recursos arrecadados serão destinados a Força que ocupava a área remanescente. Será considerado o maior lance com pagamento exclusivo em moeda corrente nacional, dólar ou euro. Poderão participar empresas de qualquer natureza privada nacionais, estrangeiras e consorciadas. Pagamento em até 48 meses corrigidos pelo IPC + 6% aa, exigida as fianças de instituições financeiras de 1ª linha com atividade no Brasil, vedada fianças de instituições públicas brasileiras em qualquer modalidade instância e atividades financeiras ou não, ou sob controle do governo, direta ou indiretamente.

    Avaliação do m2 a maior do mercado + um plus de 25% no mínimo.

    Os recursos obtidos somente poderão ser utilizados para modernização e atualização dos equipamentos existentes nas FFAA’s.”

    Já notaram que as áreas estão sempre em local nobre para desenvolvimento imobiliário. Não eram, mas em seu entorno foram tornando-se por diversos motivos.

    Sugestões são muito bem vindas.

  7. Eu acho que no Brasil há muitas instalações militares….

    Nunca houve um projeto de reduzir o número……como nos EUA (bracs).

    O Exército por exemplo; creio que ficou na Guerra do Paraguai…..há um número absurdo de quartéis no RS, PR ou SC……como se em breve a Argentina fosse invadir o Brasil…

    Para cada quartel existe um comandante, um vice-comandante, um outro oficial responsável pelas finanças, outro pela saúde, outro por relações públicas e etc…..

    Na FAB é a mesma coisa……só no RJ existem 3 grandes bases……podiam muito bem fechar o Campo dos Afonsos e o Galeão…….ficariam muito bem com Santa Cruz e em conjunto com a MB, seria melhor ampliar São Pedro da Aldeia e colocar lá os aviões de transporte…….

    Existe apesar da penúria, ainda muita gordura nas Forças Armadas…..

    • “O Exército por exemplo; creio que ficou na Guerra do Paraguai…..há um número absurdo de quartéis no RS, PR ou SC……como se em breve a Argentina fosse invadir o Brasil…”

      cvn76,

      O que sei é que essa concentração no Sul levou em conta durante muito tempo uma hipótese de conflito (mesmo que pequena, mas ainda assim entre as mais plausíveis) com o país vizinho, a segunda potência econômica e militar da América do Sul (e em muitos momentos a primeira), o que é algo natural. E não estamos falando só da época da Guerra do Paraguai, pois a Argentina após aquele conflito só cresceu em poder militar, por décadas a fio.

      No início do século, nsso reequipamento da Marinha e do Exército (lembrando que para este houve uma Missão Alemã antes da Missão Francesa para ajudar na reorganização) respondia a um incremento argentino ligado à sua rivalidade com o Chile, sendo que, na área naval, argentinos e chilenos estavam numa corrida de aquisição de poderosos cruzadores numa época de absoluta penúria da Marinha (pós-Revolta da Armada de 1893). Daí veio a nossa famosa “Esquadra de 1910”, que gerou respostas da Argentina e do Chile às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

      Já na metade da década de 30, um segundo surto de reequipamento brasileiro tinha como medida muito mais o reequipamento constante da Argentina após aqueles primeiros impulsos da virada do século (enquanto o nosso praticamente ficou parado) do que o aumento das tensões mundiais (importantes, mas nossa preocupação regional era obrigatoriamente mais forte). A Argentina estava desequilibrando a balança com navios novos em folha e compras de canhões etc, desde meados da década de 20. Até a Segunda Guerra Mundial, a Argentina conseguiu se manter mais poderosa militarmente do que o Brasil, ainda que nós estivéssemos a duras penas construindo novos navios e adquirindo armamento alemão, antes de recebermos uma quantidade maior de navios e armas dos EUA.

      Pulando para a década de 70, é fato que a Base Aérea de Santa Maria foi inaugurada para reforçar a defesa no centro do Rio Grande do Sul, equilibrando um reforço da Força Aérea Argentina (FAA) que vinha desde a década de 1950 (vale lembrar que a FAA foi mais poderosa, quantitativa e qualitativamente, do que a FAB durante toda a década de 60 e por metade da década de 70).

      Como decorrência do mal-sucedido conflito nas Malvinas e da queda do governo militar, a partir de meados dos anos 80 a capacidade bélica argentina só decaiu, o que deu margem ao Brasil mudar suas prioridades há tempos acalentadas (numa década que também marcou o início de uma aproximação maior e mais efetiva entre os países, nos mais diversos níveis, o que também vinha ocorrendo lentamente desde as décadas anteriores).

      Foi então, chegando aos anos 90, que novas bases passaram a ser estabelecidas no Norte do País, como Boa Vista e Porto Velho, e esquadrões foram estabelecidos por lá, inicialmente com aviões de transporte de pequeno porte, depois com AT-27 Tucano, e agora com A-29 Super Tucano. Ao mesmo tempo, pelotões de fronteira se multiplicavam gerando mais necessidade de transporte para a FAB nas regiões Norte e Oeste, o SIVAM era implantado e tudo o mais.

      Só que tudo isso leva tempo, e muito mais tempo ainda quando se pensa nas dificuldades orçamentárias constantes, e encontra sempre resistências corporativas (e até políticas) no Sul e no Sudeste, pois tanto as cidades não querem abrir mão da renda proporcionada pela presença militar quanto muitos militares não querem se mudar das grandes cidades. Toda essa discussão agora, em Florianópolis, é um reflexo disso. Evidentemente, falta de orçamento não é a única desculpa, pois há gargalos e resistências a mudanças.

      Mas, de fato, concordo que há muita gordura para ser cortada ou, pelo menos, mudada de lugar para que o Sul / Sudeste fique menos “barrigudo” quanto à presença militar, e o Norte / Oeste fique menos “magro”. É preciso fazer uma lipoaspiração seguida de lipoescultura…

  8. Nunão

    Na verdade essa história tá mal explicada.

    Concordo que a FAB faça como o EB, que deslocou brigadas inteiras para Amazônia e até pra Goiás(Operações Especiais). Acho natural que isso seja feito. O famoso “remanejamento”.

    O que falta é a FAB explicar melhor isso. Do jeito que estão colocando na mídia fica parecendo que as bases serão fechadas porque a FAB tá “passando fome”.

    Quando na realidade estão fazendo o que você disse, “transferindo” bases para regiões oeste e principalmente norte.

    Quando a grande mídia se mete a falar sobre Defesa é um perigo…

  9. Oi Nunão

    Concordo com voce…..somente sinto falta no Brasil de um debate sobre o número e o local das instalações militares……

    Não podem ficar sempre implorando por mais verbas e ao mesmo tempo não procurar reduzir em outras áreas…..

    Há um excesso de oficiais…..de quartéis……de base aéreas…

    Eu preferia ver as Forças Armadas com um efetivo menor, porém melhor equipado, melhor treinado, melhor alimentado, melhor renumerado e mais motivado…..:-)

  10. Só complementando os apontamentos do Nunão, recentemente foi divulgado um estudo do Estado Maior das Forças Armadas que data da década de 40 e que concluía que, há época, a Argentina poderia ter conquistado metade do RS em 03 semanas, tal era a defasagem.

    Na década de 70, os argentinos nutriam plenos de formular reivindicação territorial sobre região do oeste catarinense concedida ao Brasil no início do século pelo presidente dos EUA que serviu de árbitro. Era a Operação Rosário, primeiro Malvinas, depois Beagle e por fim o Brasil. Dai o motivo de concentração de forças por aqui.

    Outro motivo para concentração de forças no sul é que aqui estão as forças mecanizadas, que encontram terreno ideal.

    Hoje o foco sera o norte e oeste, mas não vejo conveniência de reduzir forças terrestres na região sul. A Brigada de infantaria motorizada do Rio é que deve ser movida, pois nada tem a fazer lá.

    Quanto à base de Florianópolis, pode a área ser coberta por Canoas. No norte bases são mais necessárias, sobretudo na região leste do Pará e Amapá.

  11. Tem que acabar com essa redundância (e desperdício) mesmo. Só no RJ temos 3 bases quando uma poderia dar conta de todos os esquadrões estacionados naquele estado. Como já disseram acima, a situação geopolítica mudou (e muito), o TO regional mudou, tem que repensar e otimizar.

  12. Prezado Nunão,

    No seu comment às 13h 58min do dia 24/12/13, respondendo ao cvn76, você informa que a Fuerza Aerea Argentina foi mais poderosa quantitativa e qualitativamente than a Força Aérea Brasileira.

    Pergunto: o que fez a FAB reverter (ou equilibrar) o poderio aéreo portenho? A chegada dos F-5 Tiger II mais os EMB 326 Xavantes, já que os Mirage IIIE não contam muito porque eles também compraram e até antes do Brasil e a quantidade deles lá era maior do que os de cá.

    Feliz Natal para você e família.
    GUPPY

    • “ivanildotavares em 25/12/2013 as 10:27”

      Ivanildo,

      Qualitativamente, o fato da FAB ter adquirido 36 F-5 Tiger II ajudou a contrapor uma quantidade ainda maior de jatos A-4 Skyhawk que a Argentina vinha incorporando desde meados da década de 60 (embora no caso deles fossem todos usados, e não novos). Apesar da diferença em desempenho supersônico / subsônico, os dois tipos tinham funções aerotáticas semelhantes, com o desempenho superior do F-5 equilibrando um pouco a quantidade (e capacidade de bombas) maior dos A-4.

      Os Mirage IIIE nossos eram equilibrados pelos deles, recebidos quase à mesma época.

      A grande quantidade de AT-26 Xavante da FAB ajudava um pouco a equilibrar mais as coisas, embora não chegassem perto do desempenho dos A-4, mas a aquisição de mais jatos da família Mirage (os Dagger de Israel no final da década de 70) ainda deixava o peso maior para o lado argentino.

      Isso tudo é só um resumo bem grosseiro, deixo claro.

      Feliz Natal pra você e sua família também!

  13. Respondendo ao amigo cvn76, não acredito qua há um ¨excesso de oficiais¨. Cabe lembrar que a FAB possui, hoje, 78 mil homens e mulheres, num País de 190 milhões de habitantes. O efetivo deveria ser maior (bem como a quantidade de aeronaves, é lógico!).
    A restruturação das FFAA está prevista na END, todos sabem, e que o remanejamento de Unidades e fechamento de Bases, devem mesmo ocorrer. Essa história do fechamento de Floripa eu ouço a vários anos.
    Estarei lá no próximo dia 8, dia da passagem de comando, quando o Cel Francalacci, meu operações no Guardião, estará assumindo. Quem sabe notícias atualizadas sejam divulgadas na oportunidade…

  14. Senhores, parece que a BAAF vai mesm ser fechada. O GTT está de mudança para o Galeçao, vai dividir a estrutura de manutenção e logistica com o GT, bem como as aáreas de hangaragem e estacionamento.
    O 3º do 8º vai para BASC.

    Termos novidades em breve com a asa fixa do EB.

    Grande abraço

  15. Fechar totalmente é impossível, tanto que mantiveram como grupamento de apoio. Mas seria de se esperar talvez que pudesse atender também a helicópteros da Marinha, Exército, PMSC e Corpo de Bombeiros.

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