domingo, agosto 1, 2021

Gripen para o Brasil

MD indiano diz que negociação do Rafale levará mais oito meses

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Após os oito meses de negociação do preço, o acordo ainda deverá passar por várias fases de exames minuciosos, antes da assinatura

 

Nesta quinta-feira, 29 de março, o ministro da Defesa da Índia A.K. Antony deu declarações à imprensa que repercutiram na mídia indiana e internacional. O ministro respondeu a perguntas de repórteres quando visitava uma feira indiana de material de defesa, a “DefExpo-2012”, e a maior parte do que disse diz respeito às negociações para a aquisição do Rafale no programa MMRCA (avião de combate multitarefa de porte médio), no contexto de alegações de corrupção e problemas em outros programas indianos – e a questão do prazo refere-se ao cuidado para checar todos os detalhes do acordo.

O Poder Aéreo selecionou trechos de matérias que saíram nos sites do Wall Street Journal, Asian Age e  Times of  India (escolhidos entre diversos outros meios que repercutiram as declarações) para o leitor ter uma visão geral sobre o que saiu na mídia.

Segundo o Wall Street Journal, o ministro disse que somente as negociações de preço do acordo do Rafale poderão levar aproximadamente oito meses, e haverá “vários outros estágios de escrutínio” antes da finalização para a compra do caça da Dassault. A declaração vem dois meses após o Governo Indiano, em 31 de janeiro, declarar a Dassault como o ofertante de menor valor em um dos maiores contratos do mundo para a compra de aeronaves militares, envolvendo 126 caças. Um dia depois (1º de fevereiro), o Governo Francês disse que tinha esperança de que o acordo seria selado entre seis e nove meses.

Segundo o ministro, o Governo Indiano será mais vagaroso na finalização dos acordos para modernização da Defesa do país, porque quer eliminar qualquer possibilidade de propinas e subornos. “Nós temos tolerância zero em corrupção”, disse A.K. Antony a repórteres, na exibição de produtos de defesa que ocorre na Índia entre hoje e 1º de abril, com diversos países participantes (entre eles, EUA, França e Rússia).

O vice-ministro da Defesa (junior defense minister) M.M. Pallam Raju disse que questões críticas como onde o jato será montado na Índia, assim como a transferência de tecnologia por parte da Dassault, ainda estão sendo discutidas.

Os sinais de atrasos aparecem em meio a alegações, na Índia, de que outros acordos de defesa podem estar envolvendo o subordo de burocratas e oficiais superiores, enquanto intermediários recebem comissões dos fabricantes de armamentos. O próprio comandante do Exército Indiano, general V.K. Singh, disse há poucos dias que lhe foi oferecido um suborno de 140 milhões de rúpias (2,75 milhões de dólares) para fazer um acordo relativo a compra de caminhões.

Sobre acordos questionados pela imprensa, o ministro da Defesa disse que a Índia “não vai hesitar em cancelar qualquer contrato em qualquer estágio”, se qualquer infração for encontrada.

O jornal indiano Times of India foi ainda mais enfático em relação às declarações do ministro, com uma matéria cujo título é “Antony fala grosso, e diz que vai cancelar acordos ‘sombrios'”. Se corrupção ou práticas erradas forem encontradas em qualquer acordo, mesmo que esteja nas fases finais após as avaliações técnicas e comerciais, ele será cancelado sem hesitação, segundo o ministro.

Especificamente sobre o MMRCA, Antony disse que um inquérito estava sendo conduzido em resposta à reclamação de um parlamentar, que alegou irregularidades no processo de escolha. O ministro disse que o Governo deve ser “cuidadoso” em cada estágio para garantir que “não há jogo sujo”.

A respeito das informações de que dois dos quinze membros do Comitê de Negociação do Contrato (CNC) do Ministério questionaram os métodos adotados para concluir, na escolha, que o Rafale era mais barato que o Eurofighter Typhoon nos custos do ciclo de vida, uma autoridade de alta patente disse: “Mas o assunto foi resolvido, com observações dos dois sendo registradas… todos os comitês enfrentam divergências de um ou mais membros… isso não significa que o processo vai sofrer uma parada.”

Segundo o Times of India, o ministro disse que o CNC iria levar pelo menos seis meses para concluir (lembrando que o Wall Street Journal falou em aproximadamente oito meses). A partir daí, serão vários níveis de escrutínio em diferentes níveis, de finanças ao Comitê de Segurança do Gabinete, para examinar o acordo. Ainda segundo Antony, “nós não jogamos nenhuma reclamação no lixo. Há um inquérito paralelo também em andamento para investigar as reclamações do parlamentar… Nós só prosseguiremos se tudo estiver limpo.”

O Asian Age também repercutiu a declaração de que as autoridades indianas só prosseguirão no acordo do MMRCA, segundo o site estimado em 18 bilhões de dólares,  se estiverem “satisfeitas de que não há jogo sujo na seleção do L-1 (ofertante de menor valor)”. Ainda segundo o site, o ministro disse que há necessidade de acelerar as aquisições de defesa, devido à velocidade na qual alguns vizinhos da Índia (numa óbvia referência à China) estão modernizando suas Forças Armadas. Mas, ao mesmo tempo, ele disse que o Governo tem o dever de examinar qualquer alegação de corrupção, o que leva tempo. As declarações do ministro vêm na onda de recentes apelos do comandante do Exército ao Primeiro Ministro, destacando o ritmo lento das aquisições e a escassez crítica de equipamentos no Exército.

O ministro também destacou, segundo o Asian Age, o significativo aumento do orçamento de defesa deste ano, mas acrescentou que o Ministério queria mais fundos para as aquisições capitais (de armas e equipamentos). Mas ele também destacou as restrições financeiras encaradas pelo Governo, embora declarasse que, nos próximos anos, “os gastos em defesa, em termos absolutos, estão sujeitos a aumentos.”

FONTES: Wall Street Journal, Asian Age e Times of India (compilação, tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTOS: Força Aérea Francesa (Armée de l’air)

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Marcos

Madame Min disse que iria decidir a compra das vassouras ainda este semestre. Mas acho que vai ter de adiar para o ano que vem. Sabe, a crise e coisa e tal.

edcreek

Ola,

Muito boa as informacoes, principalmente onde ele diz que os dois membros do comite de escolha que foram contra, sao minoria absoluta e que isso nao impedira nada, e que em qualquer concorrencia isso ocorre…

O resto e apenas para apagar arresta de suspeitas de suborno dizendo que ira examinar e tal, coisa que qualquer pais faria…

E pelo visto a Índia deve manter o prazo de fechar esse ano o contrato.

Abracos,

DrCockroach

Nome e cargo de quem discordou: – Kumar Kataria: conselheiro financeiro; – R.K. Arora : gerente financeiro Talvez nao entendam de financas… Mas eh claro que isto serah abafado, com o risco de perderem a carreira; quando saiu a denuncia, mais de um mes atras, o Min da Def antecipou que nada mudaria a escolha do Rafale…mas agora ele diz que tudo serah esclarecido. Afinal, uns bilhoes a mais ou a menos, who cares? O mesmo Ministro que na briga com o Chefe das Forcas Armadas sobre a omissao sobre uma denuncia de suborno (mencionado na materia) se orgulhou de… Read more »

ricardo_recife

A rica e honestíssima Índia escolheu o Rafale. A corrupta e pobre Suíça o Gripen. Índice de corrupção (Do mais honesto para o menos) Suíça = 8ª posição Índia = 87ª posição IDH (Do melhor para o pior) Suíça = 11ª Posição Índia = 134ª Posição Dívida Pública em % do PIB. Suíça = 38% Índia = 56% O mais divertido foi “Nós temos tolerância zero em corrupção”. Tem um certo governo de uma certa presidenta que diz o mesmo, já caíram oito ministro e têm mais dois que simplesmente não conseguem convencer ninguém, a não ser o Mino Carta… Read more »

Mauricio R.

Independente de serem somente 2 pessoas, de serem minoria, ao notartem indícios de algo errado, fizeram-se notar por suas opiniões; não se calaram.

DrCockroach

“Outra proposta de cooperação antecipada pela presidente seria entre a Embraer e a DRDO (sigla em inglês para Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa). Serviria para fabricar aeronaves com sistemas de radar desenvolvidos pela Índia, segundo Dilma. A DRDO, vinculada à Força Aérea indiana, é responsável pelo desenvolvimento de tecnologia para uso militar. Se houver cooperação com a Índia no caso da compra dos caças franceses Rafale pela Força Aérea Brasileira, ela se dará por meio da DRDO. A Índia acaba de fechar contrato para a compra de 126 Rafales, mas o programa está sendo criticado por oficiais superiores,… Read more »

Ivan

Amigos, Com ou sem corrupção o Rafale foi escolhido muito antes do M-MRCA. A Índia fez uma opção pelos aviões franceses ainda na década de 80 e 90 quando o vizinho Paquistão comprou e recebeu os ágeis F-16 americanos, o que iria desequilibribar a balança de poder regional, na visão hindu. A experiência da Bhartiya Vāyu Sena com o Mirage 2000H é muito positiva, apesar do custo, sendo inclusive usado no Kargil (1999) com sucesso. Claro que a comparação era com aeronaves russas, com o pós venda que já conhecemos. Outro ponto que deve ser levado em consideração. A Força… Read more »

Ivan

Dr. Barata,

Aguardo o amigo no Nordeste com uma caipirinha (de cachaça pernambucana ou paraibana)… ou melhor, com várias caipirinhas.

Abç,
Ivan. 🙂

Marcelo

ricardo_recife disse:
30 de março de 2012 às 8:35

Extremamente arrogante e deselegante este tipo de comentário. Quando falamos de nós mesmos (brasileiros falando do Brasil) é uma coisa, todos nós temos esse direito, até assegurado pela nossa Constituição. Mas falarmos de como outros países são governados e fazem suas escolhas acho totalmente fora do escopo. Melhor mantermos as nossas discussões no campo técnico, como o Nunão algumas vezes gosta de lembrar. Nunão cadê você??? dá um help aqui…
🙂

edcreek

Olá,

Legal ver o desespero da tropa anti-frança, não devem nem dormir denoite, a realidade é que a India vai sim comprar mais de 100 Rafales, e isso sim influenciará diretamente por aqui….

Mais coisas para vcs pensarem antes de dormir, kkkk

Abraços,

Ivan

Dr. Barata, “Outra proposta de cooperação antecipada pela presidente seria entre a Embraer e a DRDO (sigla em inglês para Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa). Serviria para fabricar aeronaves com sistemas de radar desenvolvidos pela Índia, segundo Dilma.” Mas a FAB, em conjunto com a Embraer, já fez isso ao criar o R-99A com sistema de radar sueco Erieye da SAAB Electronic Defense Systems. E o DRDO também já fez a mesma coisa com a Embraer na plataforma EMB 145 AEW&C, como já foi noticiado no AEREO. http://www.aereo.jor.br/2011/02/21/novidades-da-embraer-apresentacao-da-plataforma-emb-145-aewc-para-a-india/ A intenção é fazer de novo o que já foi… Read more »

Ivan

Mas focado seria desenvolver em conjunto uma aeronave de patrulha marítima de médio porte, possivelmente baseado no R-99 / EMB-145 ou mesmo no Legacy 650, para concorrer na Índia como futuro substituto dos 12 (doze) Britten-Norman Islander que hoje operam em patrulha de médio alcance, complementando os Poseidon P-8.

Talvez o MD não esteja acompanhando as notícias.

Sds,
Ivan.

Hamadjr

Marcos vc esqueçeu que antes disso ela vai falar com o Sombra que esta em tratamento médico, CA. na garganta de tanto mentir para garantir que os metralhas acertem o valor da caixinha pela escolha de qualquer coisa que voa

Ivan

Ops!!!
A Embraer já desenvolveu um P-99 MR…
Então basta customizar para a Índia, talvez com sistemas hindus semelhantes ao que já usam no EMB-145 AEW&C e um radar de busca que eles escolham e vender antes que a Dassault coloque um Falcon com ‘ToT’.

Sds.

DrCockroach

“Dilma não tratou da questão dos Rafale com dirigentes indianos” http://noticias.r7.com/economia/noticias/dilma-nao-tratou-da-questao-dos-rafale-com-dirigentes-indianos-20120330.html Ivan, tb nao entendi nada dos radares, mas algum colega deve explicar. Na verdade 60 empresarios acompanharam a comitiva, imagino que alguns da Embraer estavam lah. A proposito, o Celso Amorim nao estava… foi castigo pela ultima visita? De novo a questao de esperar a eleicao da Franca… mas por que? Isto significa que jah escolheram, ou nao, o Rafale; No mais, respeito pelo dinheiro publico sempre. []s! P.S.: Sou fa de caipirinha, com kiwi fica muito bom tb. PPS: Dizem que as praias de Goa sao muito bonitas… Read more »

Magal

Acho que as vezes nós esquecemos que essas negociações demoram muito mesmo, mas só para refrescar a memória aqui no Brasil por míseras 36 aeronaves a previsão era que se o F-X fosse selecionado ‘hoje’, o que foi divulgado era que as negociações demorariam entre 6 meses e 1 ano para serem concluídas. Na Índia eles vão fabricar alguns pedaços e montar mais de 100 aeronaves localmente e estão dizendo que a coisa toda vai demorar 8 meses, ou seja, isso é mais do que normal diante da complexidade da empreitada. Eu nem sou ligado no Rafale porque acho que… Read more »

Marcelo

Fernando “Nunão” De Martini disse:
30 de março de 2012 às 12:28

OK. Mas continuo achando o comentario arrogante e deselegante.
Abracos.

[…] MD indiano diz que negociação do Rafale levará mais oito meses […]

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