domingo, dezembro 5, 2021

Gripen para o Brasil

Dassault agora está em negociação exclusiva para o MMRCA

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Ações da companhia subiram 21%, segundo a Reuters – total do contrato deverá chegar a 15 bilhões de dólares

Notícia do site da Reuters na Índia traz mais informações sobre a vitória que se configura do Dassault Rafale sobre o Eurofighter Typhoon no programa MMRCA indiano. Fontes do Governo da Índia disseram, nesta terça, que a Dassault está agora em conversações exclusivas para o programa multibilinário, que visa fornecer 126 aeronaves de combate multitarefa de médio porte à Força Aérea Indiana.

“A Dassault francesa emergiu como o ofertante de menor valor, e novas negociações comerciais terão lugar com a empresa antes da assinatura formal do acordo”, disse uma fonte do governo. Segundo a fonte, ambas as companhias foram informadas (nota do editor: o Poder Aéreo procurou verificar se o site da Dassault confirma que a companhia foi informada a respeito, mas o mesmo está aparentemente “fora do ar”, talvez pela quantidade de acessos que deve estar recebendo).

As ações da empresa subiram praticamente 21% nesta terça, segundo a Reuters.

O contrato será um grande impulso para a Dassault, que vinha se esforçando para encontrar um comprador estrangeiro para o Rafale, considerado um dos mais efetivos caças do mundo, mas também um dos mais caros.

Mais cedo, nesta terça, o ministro da Defesa A.K. Antony disse que nenhum acordo será assinado antes do final de março: “É um longo processo. O arquivo ainda precisa chegar à minha mesa”. Ele acrescentou que o Ministério das Finanças e um painel liderado pelo Primeiro Ministro precisará analisar qualquer acordo após ele.

Uma fonte do Ministério da Defesa disse que o custo do programa a longo prazo, incluindo treinamento e manutenção, poderá atingir 15 bilhões de dólares, o que está acima das estimativas anteriores, de 11 bilhões. A fonte disse que o Rafale foi preferido devido aos seus custos menores, e também porque a Força Aérea Indiana já tem familiaridade com aeronaves francesas como o Mirage.

A fonte, que pediu para não ser identificada, disse que “no custo unitário, a aeronave francesa é muito mais barata que o Eurofighter. Além disso, a Força Aérea Indiana, que está bem equipada com caças franceses, está favorecendo-os”. No ano passado, a Dassault ganhou um contrato de 1,4 bilhões de dólares para modernizar a frota de Mirage indiana.

Em dezembro, o ministro da Defesa Francês alertou que a Dassault iria parar a produção do Rafale em 2021 se não vencesse nenhum contrato de exportação. No ano passado, um acordo em negociação desde 2008 para vender 60 caças aos Emirados Árabes Unidos sofreu um tropeço quando o Sheikh Mohamed bin Zayed disse que as condições da Dassault eram ” não competitivas e impraticáveis.” Os Emirados também procuraram detalhes do Typhoon.

Ainda sobre o MMRCA, a notícia da Reuters relembra que as propostas de outros competidores do contrato, ofertadas por fabricantes dos Estados Unidos, Rússia e Suécia, foram rejeitadas em abril.

FONTE: Reuters India (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTO: Dassault

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DrCockroach

“Ele acrescentou que o Ministério das Finanças e um painel liderado pelo Primeiro Ministro precisará analisar qualquer acordo após ele.”

Eh impressao minha ou este povo (governo) faz tudo errado… 🙂

Alo, Alo marciano, aqui quem fala eh da Terra…

[]s!

LuppusFurius

Dinheiro é azeite, onde passa “amole$$e” tudhuoooo……

Clésio Luiz

Esse contrato da Índia pode acabar adocicando o contrato com os EAU, já que agora a Dassault tem como fornecer um bom desconto no preço unitário da aeronave. Se brincar, isso pode até surtir efeito na concorrência daqui.

edcreek

Olá,

Lá nos EAU como aqui a noticia será boa para o Rafale, o tempo dirá!

Abraços,

Almeida

U$ 15 bilhões por 126 aeronaves na Índia, com direito a ToT e fabricação sob licença = U$ 119 milhões por aeronave.

U$ 2,9 bilhões por 18 aeronaves na Suíça = U$ 163 milhões por aeronave.

U$ 7 bilhões por 36 aeronaves, mesmas condições que na Índia, dobro das aeronaves da Suíça = U$ 194 milhões por aeronave.

Melhor a dASSAULT arrumar um descontinho pro FX-2 também ou vai ficar difícil pro Governo Federal justificar uma vitória do Rafale por aqui.

Observador

Caro Almeida:

Concordo com você. O problema é que a Dassault agora vai se achar “a rainha da cocada preta” e não vai baixar o valor.

E ainda usarão o argumento da tal “transferência de tecnologia” para tentar convencer que o Rafale é um bom negócio.

Eles vão inverter o seu pensamento e dirão: “Ora, o Brasil está adquirindo a mesma tecnologia que a Índia, mas sem ter que comprar tantos caças e desembolsar tanto dinheiro”.

Esperem e verão.

Mauricio R.

A Dassault enfiou feio o pé na jaca (sic), lá nos EAU.
E aquele povo não esquece, tão fácil assim uma desfeita.

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