Home Armée de l´air Aeronave histórica em cerimônia de dissolução de base, na França

Aeronave histórica em cerimônia de dissolução de base, na França

250
5

Base Aérea de Reims encerra atividades, com direito a sobrevoo de caça Curtiss Hawk 75

Segundo informe do Armée de l’air (Força Aérea Francesa), no último dia 30 de junho foi realizada a cerimônia de dissolução da Base Aérea 112 “Commandant Marin la Meslée”, mais conhecida como base aérea de Reims. O evento foi presidido pelo chefe de estado maior da Força Aérea Francesa, o general Jean-Paul Paloméros.

Na cerimônia, foi dissolvido o esquadrão de apoio técnico aeronáutico da base, foram condecorados quatro aviadores por ações sobre a Líbia e o Afeganistão, e celebrou-se a saída do regimento de caça “Normandie-Niemen” e da 33ª esquadra de reconhecimento, que passam a operar a partir de Mont-de-Marsan. Vale lembrar que Mont-de-Marsan deverá ser a próxima base a receber um esquadrão de Rafale – veja matéria no topo da lista de links, mais abaixo.

Destaque para o sobrevoo de quatro jatos Mirage F1 CR e, principalmente, de um caça da Segunda Guerra: trata-se do Curtiss H 75, do comandante Marin la Meslée, que segundo o informe do Armée de l’air marcou a história daquela base.  

FONTE / FOTO: Armée de l’air

NOTA DO EDITOR – UM POUCO DE HISTÓRIA: o Curtiss Hawk 75 era a versão de exportação do Curtiss Model 75, projeto de Donovan R. Berlin criado para participar de uma disputa marcada para 27 de maio de 1935 pelo então USAAC (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos). O desenvolvimento desse caça monomotor, monoposto e monoplano, com trem de pouso retrátil e estrutura monobloco totalmente metálica, foi iniciado em outubro de 1934, e seu primeiro voo foi em maio do ano seguinte. Acabou perdendo a disputa do USAAC para o Seversky SEV-1XP (que se tornou o P-35), mas ainda assim teve seu desenvolvimento continuado pela Curtiss e recebeu uma encomenda em agosto de 1936, tornando-se o P-36. O USAAC encomendou 210 aeronaves, com a primeira entrega em abril de 1938.

Ao mesmo tempo, a Curtiss desenvolveu versões de exportação, tanto mais simples, com trem de pouso fixo, quanto dotadas de trem de pouso retrátil e opções de motores cada vez mais potentes em relação ao Pratt & Whitney R-1830-17 Twin Wasp de 900 hp que equipou a maior parte dos P-36 dos EUA. Foi o caso da versão encomendada pela França, o Curtiss Hawk 75A, em um contrato assinado em maio de 1938 para 100 unidades, com o sufixo “A” indicando tratar-se de modelo com trem de pouso retrátil.

Esses primeiros Hawk 75 A-1, entregues entre dezembro de 1938 e abril de 1939, eram equipados com o Pratt & Whitney R-1830-SC-G Twin Wasp de 950 hp, com armamento total de quatro metralhadoras 7,5mm FN Browning, duas sobre o motor e as outras duas nas asas. A maior parte dos 100 Hawk 75 A-2 encomendados em seguida, e entregues até julho de 1939, tinham como propulsão o motor R-1830-SC3-G de 1.050 hp e receberam duas metralhadoras adicionais nas asas, do mesmo calibre.

 

A versão seguinte, Hawk 75-A3, era equipada com um motor R-1830-S1C3-G de 1.200 hp, com as entregas de 135 aeronaves iniciando-se em fevereiro de 1940, poucos meses antes da ofensiva alemã contra a França. E foi essa ofensiva que interrompeu as entregas de 285 caças da versão Hawk 75-A4, cuja maioria foi parar na RAF (Força Aérea Real Britânica), com denominação de Mohawk IV. Posteriormente, a RAF recebeu grandes quantidades da versão de exportação do P-40, desenvolvido a partir da remotorização do décimo P-36A de produção, com um motor V-12 refrigerado a água. Mas isso já é uma outra história.

Voltando à aeronave da foto do alto da matéria, esta parece ser um Hawk 75 A-1, por ser equipada com apenas quatro metralhadoras (embora veja-se apenas uma instalada em cada asa, com nenhum cano projetando-se das protuberâncias da cobertura do motor). Pela foto do Armée de l’air, trata-se da aeronave pertencente à organização inglesa “The Fighter Collection”, em Duxdorf, mantida em condições de voo. Abaixo, vê-se foto da restauração da aeronave pela “The Fighter Collection”.

 

As versões francesas menos potentes deveriam ter uma velocidade máxima similar à do P-36 dos EUA: 500 km/h. As  mais potentes chegavam a aproximadamente 520 km/h. Desempenho inferior ao do Messerchmitt Bf-109 E alemão que enfrentaram, embora se mostrassem páreo duro nos combates e estivessem disponíveis em boa quantidade. O caça francês mais numeroso era o Morane Saulnier MS 406, com mais de 1.000 unidades entregues, porém com velocidade máxima de apenas 486 km/h. 

De desempenho  similar ao do Hawk 75A era o Bloch 152, com 482 unidades entregues ao Armée de l ‘air e equipados com motores Gnome-Rhône de 1.000 hp (seu antecessor, o Bloch 151, tinha desempenho inferior e encomendas de apenas 144 unidades, mas foi usado em combate ainda assim). Já o caça francês de desempenho mais próximo ao do alemão, o Dewoitine D 520, chegou muito tarde – teve apenas 403 unidades entregues ao Armée de l’air, sendo declarado operacional para combate (após a resolução de problemas iniciais) somente um mês antes da ofensiva alemã, com o grosso da produção já no mês do armistício.

VEJA TAMBÉM:

Subscribe
Notify of
guest
5 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Roberto F Santana
Roberto F Santana
8 anos atrás

Vale lembrar que esse Curtiss, se não me engano, foi o primeiro caça da FAB (Força Aérea Brasileira), acho que ele deve ter chegado antes mesmo dos P-40 e claro, não deve ter sido encomendado antes de 1941.
Na FAB, segundo alguns, ele usava pintura verde oliva, com a carenagem do motor vermelha ou amarela.

Roberto F Santana
Roberto F Santana
8 anos atrás

Prezado Nunão,
Obrigado pela dica do site, eu não conhecia.
Teve um esquadrão de P-51 que operou no teatro China-India-Burma que tinha uma pintura bem bonita.
Fazendo uma pesquisa rápida ahei uma foto de um de seus aviões, junto com umas coisas bem estranhas.E a foto que vem depois dos carros F-1.
http://www.whatifmodelers.com/index.php?topic=25862.30

Aqui tem uma pintura bem bonita também:

http://www.posart.com/index.cfm?page=ospreycovers

Grande abraço!

Guilherme Poggio
Editor
8 anos atrás

Esta sim uma verdadeira aeronave histórica.

Oxalá tivéssemos um preservado.

Wagner
Wagner
8 anos atrás

Os pilotos franceses apanharam feio, mas foram valentes.

Merecem toda a consideração histórica.

E como eu sou um fâ do D 520 ( minha mais recente maquete)…