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Prognósticos sombrios a favor do F-35 na Austrália – parte 2

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Defendendo o futuro (Defending the future) – segunda parte


Para ler a parte 1 da tradução desse artigo escrito por David Ellery para o jornal Canberra Times, clique aqui.

O planejamento de defesa é baseado em capacidades militares emergentes e ameaças potenciais; não é limitado a quem você gosta ou não em uma dada época. Além disso, leva em conta problemas emergentes como o possível impacto político da mudança climática.

”As relações mudam”, disse ao Canberra Times o vice marechal do ar Kym Osley, o homem que gerencia o programa de aquisição do F-35 JSF pela Austrália. 

Ainda segundo Osley, “o risco estratégico de ter uma lacuna na capacidade de combate aéreo (entre a Austrália e outros poderes regionais) é algo que o Governo já indicou que não irá aceitar. A Austrália sempre se posicionou para ter uma vantagem nessa capacidade (dentro da região)”.

É por essa razão que, para substituir os Hornets “clássicos” e os F-111, muito amados, porém muito controversos a seu tempo, é que foi escolhido o F-35 para ser a espinha dorsal da força de dissuasão aérea da Austrália para a primeira metade do século XXI – e não foram escolhidos para esse fim o Super Hornet e nem mesmo o caça furtivo F-22 Raptor, mais rápido e mais poderoso e recentemente defendido pela Air Power Australia.

Diferentemente de caças inimigos que poderiam se unir contra eles na nossa hipotética batalha de Port Moresby, os F-35 deverão oferecer a seus pilotos uma consciência situacional sem rivais. Esses caças inimigos poderiam ser uma mistura de envelhecidos F-16 fabricados nos EUA, versões do Sukhoi 30 construídos na Rússia ou na Índia, caças russos MiG 29 e MiG 35 e os chineses Chengdu J-10s e J-20 – esse último furtivo porém propenso a acidentes. 

Essa consciência situacional é a chave para sua habilidade de operar no que é chamado de ambiente de combate centrado em redes, um conceito que tem sua origem na “super ala” (super wing) desenvolvida pela RAF (Força Aérea Real Britânica) durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, sob a direção de Douglas Bader, pesadas concentrações de caças lutavam como uma só unidade para esmagar as formações de bombardeiros da Luftwaffe (Força Aérea Alemã).

A doutrina estratégica, que pode ser tão válida em 2030 quanto foi há 71 anos, é que controladores recebam informações de muitas fontes para tomar decisões estratégicas que podem ser comunicadas para os caças. O que coloca o F-35 JSF numa classe à parte é que qualquer piloto tem toda a informação e pode também atuar como um controlador.

Na ordem do dia, estarão respostas coordenadas, permitindo que o F-35 utilize sua capacidade de comunicar-se em rede para desenhar o quadro, contando com uma ampla gama de recursos que inclui mísseis superfície-superfície (SAMs), lançados de terra ou de navios, e até mesmo outras aeronaves.

Um F-35 ameaçado por qualquer caça inimigo poderia, por exemplo, responder de modo que esse inimigo fosse derrubado por outra aeronave ou por uma bateria de SAM que o atacante não esteja alerta sobre a existência.

Isso oferece o que é chamado de efeito multiplicador de força.

O piloto poderia até lançar um míssil em um inimigo posicionado à sua ré (posição das seis horas) ou em um de seus lados, sem ter que mudar de direção.

O vice marechal do ar Osley, um declarado entusiasta do F-35, disse que enquanto a aeronave teria um desempenho praticamente igual ao de um “legacy” F-18 Hornet em um combate clássico (dog fight), suas outras capacidades, incluindo tecnologias furtivas, fariam com que ele não tivesse que entrar nesse tipo de luta.

Ele disse que, diferentemente de pilotos que lutaram a Batalha da Inglaterra e as Guerras da Coreia, Vietnã e do Golfo, os seus sucessores na RAAF (Força Aérea Real Australiana) pilotando F-35 estarão sentados no coração de uma excepcional “bolha” de dados, do tipo nunca antes visto.

Apesar do alcance exato dessa “bolha” ser um dado secreto, ela deverá se estender por centenas de quilômetros em qualquer direção. Os pilotos saberão o que está acontecendo no solo, incluindo quais veículos pertencem a quem; o que está acontecendo no ar, incluindo quem é amigo ou inimigo e, caso estejam sobre o mar, que navios estão lá, onde se localizam e em que direção se movem.

Em resumo, essa é a extensão da revolução da informação no combate aéreo.

Os poderosos computadores embarcados no F-35 têm a capacidade de receber imagens de radar e de infravermelho, de câmeras ao vivo e até o visual de outras aeronaves e juntar tudo isso numa só imagem, coerente. As informações e as mudanças nas imagens são mostradas ao piloto por meio de telas instaladas em seu capacete.

Se o piloto move a cabeça, a imagem também o faz, de forma que ele pode olhar para baixo e “ver” através do chão da aeronave.

O uso de tantos sensores externos sofisticados significa que o F-35 não precisa nem apontar o nariz para onde quer disparar seus mísseis, uma vantagem que o distingue da maioria ou mesmo da totalidade dos aviões de combate existentes.

Tecnologia de reconhecimento de voz também deverá ser utilizada para permitir ao piloto, pela primeira vez, utilizar comandos de voz em uma aeronave de asa fixa de origem norte-americana.

O vice marechal do ar Osley complementa que, “no passado, você teria que estar voando em um AWACS (Aircraft Warning and Control System – sistema de alerta antecipado e controle) ou em um centro de operações no solo para ter todas essas informações”.

Ele não está preocupado com o fato de que o F-35 não pode voar tão rápido ou tão longe quanto as aeronaves que ele substituirá. Tanto o F-111 quanto o F-18 Hornet foram projetados para operar com tanques de combustível instalados sob as asas. Apesar desses tanques externos poderem ser instalados num F-35, o avião deixa de ser furtivo com os mesmos, e é por isso que a principal carga de combustível e as armas são acondicionadas dentro da fuselagem.

Essas limitações de projeto também existirão para seus futuros competidores, atualmente em desenvolvimento na China, Rússia e Índia.

Sendo um ex-navegador de F-111, que acumulou quase 2.000 horas de voo nessa aeronave carinhosamente chamada de “Porco”, Osley disse que a comparação da respeitável velocidade máxima de Mach 2,5 do caça-bombardeiro de asas de geometria variável, frente aos Mach 1,6 do F-35, é basicamente uma questão acadêmica no ambiente operacional da atualidade.

O vice marechal afirmou que “só um par de vezes eu voei num F-111 a Mach 2,5, e não foi uma experiência confortável. Naquela velocidade, você só tem 11 ou 12 minutos de tempo de voo.”

A alta velocidade tinha um único propósito: permitir ao grande caça-bombardeiro fugir das ameaças o mais rápido possível após completar sua missão. “Ninguém combate a Mach 2”, completa Osley.

De acordo com a organização de material de defesa, o F-35 substitui velocidade por furtividade, possui contramedidas para guerra eletrônica reservadas (secretas) e uma capacidade do tipo do iPhone para se comunicar em rede com seus amigos.

E, se chegar o momento decisivo, sua velocidade e capacidade de manobra são tais que ele pode, numa metáfora, entrar numa briga de faca portando um revólver.

A esse respeito, o vice marechal do ar Osley afirma que “a manobrabilidade do F-35 em combate aéreo é considerada excelente por operadores seniores de armas e de táticas. Ele pode brigar com qualquer aeronave atualmente em serviço, mas seu ponto forte real é a sua habilidade de atuar como um nódulo de informação.”

Essa capacidade, que se espera ser a maior força do F-35 quando ele entrar em serviço, está provando ser sua maior fraqueza durante a fase de desenvolvimento. Isso porque, tal qual o F-111 há quase 50 anos, o F-35 está ampliando as atuais fronteiras e introduzindo novas tecnologias de forma pioneira.  

Ele tem mais linhas de código de computador do que qualquer outra aeronave já construída e o seu excepcional capacete, sem o qual esse pássaro não voa, está levando mais tempo do que o esperado para ser desenvolvido.

O vice marechal do ar Osley disse que esse é um risco de cronograma, mas não de capacidade. Ele, que é um entusiasta de carros de alta performance e, obviamente, alguém que teve a oportunidade de aproveitar voos a bordo de ums das mais rápidas aeronaves já construídas, disse ao Canberra Times que a discussão sobre o F-35 foi extraordinariamente similar à vivenciada pelo F-111 há duas gerações: a questão da lacuna na capacidade de poder aéreo em relação a potenciais rivais na região. 

Soluções de compromisso, que incluiriam diminuir as compras de F-35 ou a aquisição de mais Super Hornets, simplesmente não são opções. “Eu estou aqui para entregar o F-35 JSF, não uma frota misturada de aeronaves. Uma frota mista poderia ser mais barata de adquirir, mas, no fim das contas, seria mais cara para manter”, disse Osley.

FONTE: Canberra Times  FOTOS: jsf.mil e Ministério da Defesa da Austrália

NOTA DO EDITOR – E O NOSSO BOM E VELHO F-X2?  Nos comentários da primeira parte dessa matéria, diversos leitores do Poder Aéreo já discutiram sobre a validade dos prognósticos mostrados no texto, e também debateram um pouco sobre o próprio F-35 (além de questões econômicas e políticas relacionadas à matéria). É interessante continuar aqui a discussão com base nas qualidades que o autor confere à aeronave, baseadas em informações do vice marechal do ar que é um dos maiores defensores do caça na Austrália, além da comparação histórica com o caso do F-111, décadas atrás.

Mas vale a pena também propor uma discussão local, a partir desse tema “prognósticos futuros versus poder aéreo futuro” (embora comparações devam ser feitas sempre com bastante cuidado, pois os contextos costumam variar muito geograficamente e temporalmente). 

Vejamos: a Austrália planejou a substituição de seus F-111 e F-18 Hornet por aeronaves F-35. Mas teve que preencher, no curto e médio prazos, a lacuna na desativação dos F-111 com a aquisição do F-18 Super Hornet. Como solução de longo prazo, o F-35, um autêntico caça de 5ª geração, deverá substituir o F-18 Hornet e, posteriormente, até o Super Hornet. Por volta de 2030 (ano que o autor do texto acima usa como baliza temporal), deverá haver tanto caças F-35 de quinta geração quanto F-18 Super Hornet da geração 4,5 no inventário da RAAF, com o primeiro cumprindo claramente a função de ponta de lança e de principal fator de dissuasão frente aos vizinhos da Austrália.

E aqui, no Brasil? A lacuna gerada pelo envelhecimento da frota de caças e aviões de ataque da FAB vem sendo preenchida, no curto e médio prazos, por programas de modernização do material existente (programas F-5M e A-1M), aquisição de turboélices (A-29, substituindo os AT-26 Xavante) e de “caças-tampão” (F-2000 / Mirage 2000 substituindo emergencialmente os F-103 / Mirage III).

No longo prazo, planeja-se que todas essas aeronaves (à exceção do A-29) sejam substituídas por caças adquiridos pelo programa F-X2, podendo a nova frota ser constituída por aeronaves Boeing F-18 Super Hornet,  Dassault Rafale ou Saab Gripen NG (aqui colocados em ordem alfabética do fabricante). Todos eles considerados caças da geração 4,5 independentemente dos “plus” ou da quantidade de sinais de “+” que se possa colocar após o número 4,5.

Por volta de 2030, é de se esperar que nenhum dos caças e aviões de ataque a jato atualmente em uso pela FAB esteja em serviço. Só o caça de 4,5 geração F-X2, acompanhado do A-29, respeitada a talvez remota possibilidade de alguns A-1M ou mesmo F-5M remanescentes ainda poderem voar em tarefas secundárias, aguardando a mais do que merecida aposentadoria. Os prognósticos da Austrália para daqui a quase duas décadas, segundo a matéria, justificariam um caça de 5ª geração por lá (os leitores podem concordar ou discordar disso).

Mas e por aqui? Caças de 4,5 geração bastariam para nosso poder aéreo de dissuasão em 2030, daqui a 19 anos? Isso se forem efetivamente  obtidos, é claro, mas é fato que a atual frota de jatos da aviação de caça da FAB não vai durar até lá, ao menos como uma frota efetiva, e algo deverá ser adquirido para subsitituí-la.

Será que precisaríamos de caças de 5ª geração em 2030? Que prognósticos justificariam isso? Ou que prognósticos justificariam os nossos futuros caças da geração anterior (4,5), cuja aquisição estamos levando tanto tempo para decidir, como fator válido de dissuasão?

40 COMMENTS

  1. Olhem, eu virei um desiludido: acho que virão mais Mirages em 2012, que se arrastarão ate 2020…

    Quanto a Austrália, acho que está exagerando: Ninguem no mundo está preocupado em ataca-la.

    Mas o F 35, se for tudo isso que tão falando ( do jeito que falam, só falta ele assar uma pizza para o piloto), tá ótimo. Em tese ele irpa combater os J 20 chineses.

    Daí é todo mundo stealth e um esquadrao vai passar do lado do outro sem se verem…

  2. Olá,

    Os caças Suecos citados pelo amigo DrCockroach não tem qualquer prognostico de futuro muito pelo contrario, ou mesmo de avanço de projeto, seria sem duvida o AMX-2….

    Sobre o texto, será que ele serve café? me parece que a qualidade do caça no texto está super-estimada.

    Sem falar que o autor diz que o J-20 é propenso a quebras, como eles sabem disso? Vamos tomar por base o J-10 que em mais de 120 unidades produzidas teve perda de 5 unidades, não é uma maravilha, mas não é pessimo.

    No texto de descrito o F-35 é exagero sim, a Australia está em uma posição totalmente privilegiada e o Vespão da conta do recado com sobra.

    Abraços,

  3. Baseado no ditado “Espere pelo melhor, mas se PREPARE para o pior”, eles estão certos. Planejamento tem de ser feito sobre as tecnologias emergentes e ameaças potenciais. Nesse aspecto, o F-35 se não é o supra-sumo em termos aerodinãmicos, será o supra-sumo em termos de capacidade eletrônica embarcada, aliado à capacidade furtiva. Possíveis ameaças de caças de 4ª e 4.5ª geração, como o F-16, F-18, MIG-29, SU-30 MK, SU-35S, Rafale, J-10 e Typhoon não serão páreo para o F-35 A. Agora, o PAKFA(SU-50?) e J-20 são ameaças potenciais para a década de 30. Caças que se conseguirem atingir um bom nível de furtividade, igualam as coisas em termos táticos e o fator quantidade começaria a pesar. Portanto, manter o foco do reaparelhamento no F-35 e considerar o F-18 E apenas como um GAP filler, está correto.

    Aqui, em 2030, poderemos ter quem sabe, o F-35 no Chile/Colômbia e o PAKFA ou J-20 na Venezuela. Se ficarmos apenas no 4.5ª geração do FX-2, nos condenará novamente a termos equipamentos inferiores por 15 anos. No PEMAER, não consigui ver que estão planejados caças de 5ª geração, mas na END consta…. então resta torcer para que não fiquemos apenas no FX-2, o que seria um erro.

    Minha solução seria a mesma apresentada pelo Dr Barata: Gripen NG agora, e entrar de cabeça no FS-2020 (um 5ª geração de custo mais acessível), com uma participação maior no desenvolvimento e adequação às necessidades da FAB.

    []’s

  4. Obviamente, Ed, isso tudo é porpaganda industrial para justificar o injustificavel.

    Não tem guerra na Australia, não tem nada disso, os caras tem que falar sobre ASTRO INTRUSO E NIBIRU para justificar a compra dessa piramide voadora !!

  5. E pior: ta todo mundo equivocado sobre as ameaças futuras.

    Fala sério: Quem que vai ter interesse em brigar com a Austrália ?? Vão pegar o que lá ? Cangurus ?

    O F 35 é simplesmente fruto de propaganda industrial. Fabricaram o mito antes mesmo da primeira aeronave sair do chao, e agora invetam ameaças para justificar a grana enorme que gastaram.

    Nova Batalha de Mar de Coral ??? A China não vai brigar com a Austrália. Primeiro, a MB precisa de Porta Aviões para ganhar de Kirovs chineses. Depois é preciso F 35s para deter Nibirú. O que vão dizer agora ? Marte ataca e por isso precisamo0s de caças de 8ª geração ??

    A FAB nao vai ter dinheiro para nada, isso tudo é ilusão…

  6. Quem não entende o que é o F-35 deveria ler e reler esse texto, atentamente. É a palavra de um veterano piloto de F-111.

    Parabéns ao Aéreo por traduzir e divulgar. Destaco:

    “e nem mesmo o caça furtivo F-22 Raptor, mais rápido e mais poderoso e recentemente defendido pela Air Power Australia”

    Como se verifica, o Air Power Austrália do Sr. Carlo Kopp não tem credibilidade para falar do F-35, pois é um site lobbysta descarado do F-22. E o comando australiano sabe disso.

    “Diferentemente de caças inimigos que poderiam se unir contra eles na nossa hipotética batalha de Port Moresby, os F-35 deverão oferecer a seus pilotos uma consciência situacional sem rivais. Esses caças inimigos poderiam ser uma mistura de envelhecidos F-16 fabricados nos EUA, versões do Sukhoi 30 construídos na Rússia ou na Índia, caças russos MiG 29 e MiG 35 e os chineses Chengdu J-10s e J-20 – esse último furtivo porém propenso a acidentes”

    Perfeito. Acrescentaria aí um ou outro T-50.

    “Essa consciência situacional é a chave para sua habilidade de operar no que é chamado de ambiente de combate centrado em redes, um conceito que tem sua origem na “super ala” (super wing) desenvolvida pela RAF (Força Aérea Real Britânica) durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, sob a direção de Douglas Bader, pesadas concentrações de caças lutavam como uma só unidade para esmagar as formações de bombardeiros da Luftwaffe (Força Aérea Alemã).

    A doutrina estratégica, que pode ser tão válida em 2030 quanto foi há 71 anos, é que controladores recebam informações de muitas fontes para tomar decisões estratégicas que podem ser comunicadas para os caças. O que coloca o F-35 JSF numa classe à parte é que qualquer piloto tem toda a informação e pode também atuar como um controlador.

    Na ordem do dia, estarão respostas coordenadas, permitindo que o F-35 utilize sua capacidade de comunicar-se em rede para desenhar o quadro, contando com uma ampla gama de recursos que inclui mísseis superfície-superfície (SAMs), lançados de terra ou de navios, e até mesmo outras aeronaves.

    Um F-35 ameaçado por qualquer caça inimigo poderia, por exemplo, responder de modo que esse inimigo fosse derrubado por outra aeronave ou por uma bateria de SAM que o atacante não esteja alerta sobre a existência.

    Isso oferece o que é chamado de efeito multiplicador de força.

    Trecho sensacional!!! Multiplicação de forças: é isso que os detratores do F-35 não entendem, ou não querem acreditar. Ele trabalha em esquadrilha, com várias aeronaves e a defesa em solo funcionando como uma só arma. Ele não precisa ser o mais rápido, o que carrega mais carga-paga, o que vai mais longe, nem mesmo o mais furtivo (embora o seja).

    É uma REVOLUÇÃO no modo de se combater. O F-35 não é um lobo solitário: ele é uma MATILHA!

    “suas outras capacidades, incluindo tecnologias furtivas, fariam com que ele não tivesse que entrar nesse tipo de luta”

    Ou seja: contra o F-35 os atuais caças estarão OBSOLETOS! Estes não conseguirão nem chegar perto dele, ao passo que serão atingidos de longe por este, sem sequer notá-lo.

    “os seus sucessores na RAAF (Força Aérea Real Australiana) pilotando F-35 estarão sentados no coração de uma excepcional “bolha” de dados, do tipo nunca antes visto”

    É exatamente isso. Consciência situacional 100%. As habilidades de combate do piloto aproveitadas em 100%. O piloto deixando de ser um mero piloto, para virar um verdadeiro combatente estratégico e tático.

    “Apesar do alcance exato dessa “bolha” ser um dado secreto, ela deverá se estender por centenas de quilômetros em qualquer direção.
    Os pilotos saberão o que está acontecendo no solo, incluindo quais veículos pertencem a quem; o que está acontecendo no ar, incluindo quem é amigo ou inimigo e, caso estejam sobre o mar, que navios estão lá, onde se localizam e em que direção se movem. Em resumo, essa é a extensão da revolução da informação no combate aéreo”

    De fato, uma R E V O L U Ç Ã O !!! Só isso para qualificar o que o F-35 proporcionará de capacidade bélica para quem o tiver.

    “Ele não está preocupado com o fato de que o F-35 não pode voar tão rápido ou tão longe quanto as aeronaves que ele substituirá”

    Se voar rápido fosse prioridade em combate, o MiG-31 seria o melhor caça do mundo. Se voar longe fosse prioridade, os caças teriam o tamanho de um B-1. Perfeito.

    “a comparação da respeitável velocidade máxima de Mach 2,5 do caça-bombardeiro de asas de geometria variável, frente aos Mach 1,6 do F-35, é basicamente uma questão acadêmica no ambiente operacional da atualidade”

    Ou seja: velocidade final por si só não serve para NADA.

    “só um par de vezes eu voei num F-111 a Mach 2,5, e não foi uma experiência confortável. Naquela velocidade, você só tem 11 ou 12 minutos de tempo de voo.”

    E, pior:

    “Ninguém combate a Mach 2″, completa Osley

    Taí!!! O cara voava de F-111!!! Velocidade final de per si não serve para nada em combate aéreo.

    “possui contramedidas para guerra eletrônica reservadas (secretas)”

    Imaginem, caros amigos, que tipo de ECMs possui o F-35. Só imaginem. Lembrando que o radar do F-35 já conseguiu “jamear” os radares do F-22…

    “E, se chegar o momento decisivo, sua velocidade e capacidade de manobra são tais que ele pode, numa metáfora, entrar numa briga de faca portando um revólver”

    É isso!

    “A esse respeito, o vice marechal do ar Osley afirma que “a manobrabilidade do F-35 em combate aéreo é considerada excelente por operadores seniores de armas e de táticas. Ele pode brigar com qualquer aeronave atualmente em serviço, mas seu ponto forte real é a sua habilidade de atuar como um nódulo de informação.”

    BEHOLD THE FUTURE AND TREMBLE!!! ahuahuahuahuahua… 🙂

    Obrigado ao Aéreo por esse ótimo post.

  7. Proximo capitulo “: A Ameaça de Botswana e da necessidade de mais 40 BIlhoes de dolares para substituir os caças de 5ª geração pela 6ª geração…”

  8. “Vader disse:
    7 de junho de 2011 às 15:55
    …“a comparação da respeitável velocidade máxima de Mach 2,5 do caça-bombardeiro de asas de geometria variável, frente aos Mach 1,6 do F-35, é basicamente uma questão acadêmica no ambiente operacional da atualidade”

    Ou seja: velocidade final por si só não serve para NADA.

    Vader,
    Neste ponto discordo. Na moderna guerra aérea, ambientada em redes e BVR´s, a velocidade será essencial. Vencerá o “Dog-BVR-fight” quem atirar primeiro e só atira primeiro quem vê primeiro e quem vê primeiro é quem chegou primeiro. Sobreviverá quem manobrar para fora do envelope primeiro. Resumindo: Tudo será velocidade.
    Acredito que os caças, lá por 2050/2060 deverão ser do tamanho do B-1 ou do 747, armados com laser´s e dúzias de mísseis…a exceção é claro, será uma certa nação sulamericana que ainda contará com seus F(orever)-5M³…

    No mais, muito bom o artigo. Eu salvei ambos em PDF e vão pro arquivo.

    Sds,

  9. Olá,

    Hehehe e segue o Mon Calamari Cruiser, dos caças….

    Imagino que o F-35 será uma maquina de guerra fantastica, a segunda ou primeira já construida, mas terá seus problemas como qualquer outro avião e a baixa manobrabilidade será um, com a entrada de caça de baixa assinatura ele terá problemas sim, querendo ou não os Americanos, ou a torçida do caça.

    Abraços,

  10. Giordani RS disse:
    7 de junho de 2011 às 16:31

    “Sobreviverá quem manobrar para fora do envelope primeiro”

    O loco Giorda, vc acredita mesmo que um caça não-stealth será capaz de escapar de um míssil que viaja a Mach 3 ou 4?

    Sobreviverá quem não for visto. O resto, como diria Dona Armênia é “chom”… 😉

    Abraço.

  11. A cada novo projeto, novo orcamento e nova revisao de custos mais chego a conclusao de que os paises ocidentais devem se lembrar do exemplo da Alemanha nazista. O foco (a meu ver exagerado) em terem o supra-sumo de qualidade de sistemas de armas em detrimento dos numeros disponiveis foi uma das grandes razoes pela sua eventual derrota.

    Os custos de sistemas hoje supra-sumos e a insistencia de possuir somente o melhor tera apenas dois resultados:

    1- Quebrara os paises insistindo nisso ou
    2- Simplismente os deixara com numeros disponiveis muito menores do que rivais com meios mais distribuidos entre High e Low.

    Apesar de sistemas como o F-35 e F-22 serem muito mais capzes do que os sistemas os quais estao substituindo e serem forcas multiplicadores, eles nao podem estar em dois lugares ao mesmo tempo e nem tampouco e sensato possuir todos os F-35 que o pais desejar ao detrimento do resto de seu poder aereo.

    Chego a conclusao hoje de que paises que podem possuir cacas de 5th Geracao devem te-los em quantidades suficientes para dissuassao e para eventuais conflitos convencionais de alta intensidade, mas a tendencia mundial e que o poder aereo da OTAN por exemplo continue sendo exercido contra forcas aereas muito menos capazes como tem sido desde o fim da guerra fria.

    Sendo assim, comeco a defender a ideia de que 187 F-22s sao suficientes para o cenario atual americano e que milhares de F-35 sejam mais do que o orcamento militar americano possa pagar e ate mais do que o necessario. Defendo a ideia hoje de que paises que irao possuir o F-35 devem tambem possuir um vetor mais barato e ainda muito capaz para ser seu “workhorse”, “pau pra toda obra” – quer sejam SH, Rafale ou Typhoon. Ou seja uma volta ao conceito “Hi-Low” da Guerra Fria.

    Ja para com o Brasil, fica dificil supor o que a America do Sul teria como vetores em 2030 mas partindo da necessiade de que para se obter meios, precisamos primeiramente de analisar a missao desses meios.

    Olhando para um mapa do Brasil com as posicoes da FAB fica claro a minha pessoa que os 8 esquadroes de avioes a jato da FAB hoje ainda sao suficientes. O que e necessario a meu ver e a relocacao desses esquadroes: 3 no Sul, 3 no Norte e 2 no Centro-Leste (complementados pelo unico esquadrao da MB) seria suficiente para conter qualquer ataque inicial contra o pais ate que os outros possam ser relocalizados a area de conflito.

    36 quer sejam SH, Rafale ou Gripen no Sul sao dissuassao contra qualquer aventureiro (quer seja Argentina ou Chile, mesmo que remotas situacoes), assim como 36 tambem seriam suficientes contra uma remota incursao Venezuelana ou ate guinada populista peruana. Mesmo numa extremamente remota chance que tivessemos que defender o espaco aereo de ambos o Sul e Norte ao mesmo tempo, nos restaria outros 36 avioes para reforcar o teatro necessario.

    A situacao complica se algum pais vizinho no futuro adquirir avioes mais avancados. Hoje acho que so o Chile teria qualquer chance de possuir F-35s mas se esse for o caso poderiamos apelar pela nao venda dentro do argumento da balanca de poder militar na regiao ou dezenas de outras medidas podem ser tomadas. Ja com os paises que hoje se aproximam da China e Russia, acho prematura a ideia de que podem adquirir T-50 ou J-20.

    Semper Fidelis!

  12. Completando,

    Sorte do pais que poder ter toda sua frota de cacas composta por F-35, mas do que adianta ter so eles se nao sobrar dinheiro para a aviacao de Revo, AEW, Transporte, Patrulha e Helis?!

    Sds!

  13. Marine disse:
    7 de junho de 2011 às 17:13

    Sou também um defensor da estratégia Hi-Low. Nas poucas discussões a respeito do FX2 em que opinei, sempre defendi T50/Su35 ou F35/SH ou Gripen como ideal ou uma de menor envergadura: SH/Gripen.

    Sobre disposição geográfica das nossas bases e esquadrões, considero o número de 12 esquadrões como ideal sendo as bases: 2 no S (SM e CO), 2 no SE (SC e algum em SP), 3 no CO (AN, Campo Grande e uma no MT), 2 no NE (Salvador ou Fortaleza e Natal) e 3 no N (PV, BV e Manaus). Acredito que com um Hi-Low dá pra atender a este número de esquadrões. Se não fosse possível, por qualquer fator, considero equivocada a sua concepção de retirarmos todas as bases do SE e NE.

  14. Marco Antonio,

    Tiro minhas colocacoes partindo do numero de esquadroes que a FAB possui hoje. Se estamos na situacao que nos encontramos hoje, a criacao de outros esquadroes com todo o requerimento de pessoal, treinamento, meios e infraestrutura necessarios seriam um esforco herculeano a FAB no orcamento e efetivo atual.

    Sendo assim nao retirei esquadroes do NE ja que eles atualmente nao existem e peco desculpas se no meu comentario anterior nao deixei claro que manteria um esquadrao da FAB no RJ somado ao esquadrao da MB que continuaria na BAN Sao Pedro da Aldeia. Sendo assim o Leste-Sudeste ainda teria 2 esquadroes a jato.

    Ou seja, na minha visao apenas mudaria 2 dos esquadroes hoje presentes para provavelmente Manaus. Porto Velho e Boa Vista ja contam com esquadroes de A-29 e na minha opiniao sendo suficientes para o monitoramento do espaco aereo contra incursoes ilegais que hoje ja acontecem.

    Prefiro concentrar a aviacao de caca do norte em Manaus, num ponto central provendo defesa “in depth” seguindo o principio de que aquele que procura defender tudo, na verdade nao defende nada. Tambem vale lembrar que a aviacao de caca do Peru, Colombia e Venezuela (maiores ameacas na regiao Norte) estao presentes longe de nossas fronteiras, praticamente todos concentrados nas costas e capitais dos paises citados.

    Alias na fronteira Norte do pais, forcas vizinhas presentes proximas da fronteiras sao quase inexistentes – tanto aereas quanto terrestres valor batalhao.

    Sds!

  15. Marine,

    Bem percebido o equívoco meu na hora da redação. Leia-se retirar base do SE e não realocar/criar no NE.

    Sobre o número de esquadrões, a sua frase :

    “Olhando para um mapa do Brasil com as posicoes da FAB fica claro a minha pessoa que os 8 esquadroes de avioes a jato da FAB hoje ainda sao suficientes.”

    Diz claramente que a sua opinião é de que 8 esquadrões são suficientes. Eu divirjo disto, apesar de concordar com o fato de que limitações orçamentárias impedem este incremento a curto prazo. E exatamente pq levo em consideração as limitações orçamentárias eu disse que seria o ideal.

    Porém, se o governo considera a hipótese de aquisição e operação de rafales, me permito propor que se cogite, no lugar disto, reduzir a compra uniforme por meio do FX2 (que pode chegar a 120 aviões do mesmo tipo, podendo ser o rafale), Diante disto, proponho comprar, por exemplo, 60 SH e 120 Gripen (chamem o Vader pra fazer as contas comparativamente :). Com esta quantidade, é possível criar até mais de 11 esquadrões. E todos com o mesmo motor e muita comunalidade.

  16. Marco Antonio,

    Concordo quando diz que 8 nao sao ideais mas acho que sejam suficientes ate porque nos tem sido ate agora. De qualquer forma partindo do numero ja regurgitado inumeras vezes pela net e midia de possiveis 120 (numero do qual tenho minhas duvidas ja que ate hoje nao escolhemos 36), diria que o possivel dentro do cenario atual seriam 9 esquadroes ativos de linha de frente e 1 esquadrao de exclusividade para treinamento – cada um com 12 avioes, totalizando os 120 propostos.

    Mas nao adianta termos X numeros de esquadroes de caca se nao houver Revo, Transporte, AEW, Patrulha e Helis condizentes.

    Sds!

  17. Senhores

    O F35 é um ótimo conceito e, se corresponder a ele será um ótimo avião, porém corre o risco, como todos os projetos engendrados nos setores de planejamento dos estados maiores, de se tornar uma equação com excesso de requisitos muitas vezes contraditórios, o que acaba criando um avião que é tudo e faz tudo, mas não consegue fazer bem nada. Se todos os requisitos forem realmente atendidos, será uma máquina incrível, porém se o forem com restrições será, mais uma vez, um tiro no pé dos planejadores e projetistas. Oxalá que seja um ótimo avião.

    O conceito da super ala de Bader só funcionou uma vez na Batalha da Inglaterra e tardiamente pois o agrupamento demorou e a super ala chegou aos alemães depois que estes já tinham bombardeado Londres. Apenas agora, com a comunicação em rede, finalmente tal conceito poderá se efetivar.

    O custo dos aviões (e dos armamentos em geral) no estado da arte (e nem tanto) está tão elevado que, logo, será impossível, mesmo para os países ricos, manter uma frota de caças adequada em número, o que resultará que, ou eles fazem uma inflexão forçando a queda dos custos ou ficam vulneráveis, pois, por mais que um avião seja capaz, se ele for em número muito pequeno por custar muito caro, será derrotado simplesmente por um número muito superior de aviões menos capazes, porém mais baratos.

    A história humana e das guerras mostra que para cada nova arma criada logo se desenvolve uma nova capaz de superá-la ou anulá-la Por exemplo, a nossa atual dependência em em computadores e equipamentos eletrônicos em geral abriu a possibilidade para um novo tipo de arma baseada nos efeitos de pulsos eletromagnéticos de alta intensidade (PEM). Se tal tipo de arma tiver um desenvolvimento eficaz, os equipamentos eletrônicos que equipam os aviões, hoje, precisarão ser substituídos por equipamentos muito mais robustos, capazes de sobreviver a ação de tal arma; particularmente aqueles que operam com antenas e dispositivos associados com a comunicação ou captação de sinais de rádio.. Observe-se que há boatos de que tais armas já existem, pelo menos a nível de protótipo.

    Sds

  18. Marine,

    Concordo que com 120 não teremos 11 esquadrões, como aventei. Quando cogitei 11 esquadrões, o fiz como uma derivação da ideia de aquisição de caças no conceito Hi-low, levantada por vc, com a qual concordei. Portanto, os 11 esquadrões fazem parte do meu devaneio de que o FX2 resultaria em um Hi-low SH/Gripen (esta hipótese, infelizmente, é ainda mais remota do que as outras que coloquei). Colocaria SH em bases estrategicas (esquadrões de 15) como CO, SC, AN e Manaus e Gripens nas outras. isso seria o ideal dentro do plausível para o brasil no horizonte 2030. E, claro,participação no desenvolvimento conjunto de uma aeronave de geração 5.

  19. Não concordo com a alegação de que é ilusão a perspectiva de acirramento de conflitos futuros em todo o mundo, inclusive na Austrália. As FFAA devem estar preparadas a todo momento e devem ter em perspectiva os piores cenários, exceto no Brasil, onde sempre se espera pelo melhor, eternamente. Não fosse assim, o que justificaria países organizados como Alemanha, França, Inglaterra, etc. insistirem tanto em se equipar militarmente? Estariam errados? Então devemos presumir que países desorganizados como os africanos e a maioria dos sulamericanos é que estão com razão. A Austrália está correta, pensar no futuro e na segurança de seu território é coisa de país sério e respeitado. O Brasil não faz isso porque se diz um país pacífico. Mas se esquece que um eventual país hostil não agirá pacificamente. Bom mesmo é ficar deitado ad eternum em berço esplêndido.

  20. Senhores,

    O debate está ficando muito bom mas faço apenas uma pequena observação a respeito do quantitativo de esquadrões e de aeronaves.

    Não se esqueçam de que deve haver alguma reserva técnica. Por exemplo, não basta dividir os números hipotéticos de 120 aeronaves por 10 esquadrões.

    O ideal é que o número mínimo de aeronaves à disposição de cada esquadrão seja de 12 aviões (particularmente prefiro menos esquadrões, porém com mais aviões por esquadrão do que isso), a maior parte desses 12 disponível na linha de voo e uma parte sofrendo manutenção de rotina (nível esquadrão). Algo como uma relação 9 para 3, ou 8 para 4.

    Mas não podemos esquecer que, a um dado momento, certo número de aeronaves estará sofrendo manutenção pesada, nível parque, com desmontagem da célula para verificar desgaste etc. Se o número de aeronaves no total for exatamente o que dê apenas 12 por esquadrão, esse número nunca estaria 100% disponível para os mesmos, quem sabe 10 aeronaves disponíveis por esquadrão, num programa bem feito e sem erros.

    Isso sem contar a reserva que deve haver para o atrito operacional. Acidentes sempre acontecem.

    Assim, talvez dividindo 120 aeronaves pelos 8 esquadrões atuais (o que dá 15 caças por esquadrão) possamos ter cada um com 12 caças e uma razoável reserva técnica.

    Sem esquecer também que um esquadrão com a função específica de conversão operacional precisaria possuir um número um pouco maior do que 12 aeronaves, idealmente, porque acabaria sendo a unidade com mais necessidade de horas de voo (e mais desgaste das aeronaves).

    Assim, algo como 7 esquadrões de linha de frente equipados com 14 caças a jato de alto desempenho cada um (total de 98 aeronaves), mantendo 12 operacionais e 2 estocados para a reserva técnica, e um oitavo esquadrão de conversão operacional (no caso, supondo que esteja equipado com o mesmo tipo de aeronave, mas poderia também ser um lift) com 20 aviões (16 operacionais e 4 estocados como reserva).

    Nosso total chegaria então a 118 e sobrariam dois aviões dos 120. Isso é proposital: ainda precisa de um ou dois disponíveis para ensaios de armas etc, lá em São José dos Campos.

    Ainda assim, deixo claro mais uma vez que só fiz um exercício com o número mínimo de aeronaves necessárias por esquadrão, e que prefiro (visão técnica / histórica estritamente pessoal) mais caças por esquadrão, mesmo que fossem menos esquadrões, porém com maior folga de aeronaves para poder desdobrá-las com muito mais frequência, sem prejuízo dos treinamentos do dia-a-dia.

    Bom, o que escrevi lá no começo que seria uma pequena observação acabou ficando grande… Hora de mudar o foco e ver o jogo da Seleção.

    Saudações!

  21. Nunao,

    Obrigado entao pelo esclarecimento. Havia esquecido de e necessario tambem algumas aeronaves a disposicao de testes e ensaios de armas.

    Esta explicado entao como os numeros principalmente nos EUA as vezes nao batem (sobram aeronaves nos esquadroes), como por exemplo no USMC que conta hoje com cerca de 99 AV-8B para 7 esquadroes mais 1 de adestramento.

    Semper Fidelis!

  22. Nunão disse:
    7 de junho de 2011 às 21:59

    Exatamente, nunão. Por isto, “propus”:

    Marco Antônio disse:
    7 de junho de 2011 às 19:11

    “Diante disto, proponho comprar, por exemplo, 60 SH e 120 Gripen (chamem o Vader pra fazer as contas comparativamente . Com esta quantidade, é possível criar até mais de 11 esquadrões.”

    Concordo com o número de 15 por esquadrão.

    Marco Antônio disse:
    7 de junho de 2011 às 19:40

    “Portanto, os 11 esquadrões fazem parte do meu devaneio de que o FX2 resultaria em um Hi-low SH/Gripen (esta hipótese, infelizmente, é ainda mais remota do que as outras que coloquei). Colocaria SH em bases estrategicas (esquadrões de 15) como CO, SC, AN e Manaus e Gripens nas outras.”

  23. Vamos falar de prognósticos?

    Segundo vários estudos de organizações governamentais e financeiras privadas, em 2030 o Brasil terá a 5a maior economia do Mundo, atrás apenas da China, EUA, Índia e Japão e na frente de todos os países desenvolvidos europeus.

    Em 2030, ainda segundo previsões de várias fontes confiáveis, o preço do barril do petróleo estará próximo de U$ 300 e seremos um dos principais fornecedores mundiais. Também teremos as maiores reservas naturais de água doce, além de enormes reservas de minérios (ferro e bauxita), urânio e gás natural, além da biodiversidade. Isso sem falar na produção de biocombustíveis e alimentos, dos quais seremos o primeiro ou segundo lugar (atrás dos EUA) por volta desta data. Todos esses recursos estão com sua produção em queda e demanda em alta, e serão eles que irão freiar o enorme e rápido crescimento das economias emergentes como China e Índia.

    Com uma população estimada de 250 milhões de brasileiros espalhados pelo Mundo em 2030, além de ter 95% de nosso comércio internacional feito pelo mar, é pensar pequeno que nossa defesa dependa apenas do cenário regional sul americano. A defesa da soberania nacional vai além da manutenção da integridade de nossas fronteiras, ela engloba a defesa de nossos interesses dentro e fora do país.

    Peço desculpas à alguns colegas, especialmente ao Wagner, por acharem o cenário em 2030 tranquilo para nós e assim sendo desnecessário pensarmos em ter forças armadas de primeiro mundo, aptas a intervir em qualquer cenário. Estão falando besteira e o futuro lhes mostrará isso.

    Quantos aos demais, pensem fora do contexto sul americano, pensem em como seremos capazes de retirar cidadãos brasileiros de áreas de conflito, ou como ajudaremos as demais potências a manter a paz mundial ou, pior ainda, como seremos capazes de ir de encontro aos interesses dessas mesmas potências e manter o diálogo entre os diplomatas e fora dos militares. Pensem fora da caixa. Ficar dividindo 120 possíveis caças anunciados entre 8 esquadrões existentes ou 11 futuros é microgerenciamento. Estamos tratando aqui de questões macroeconômicas e geopolíticas.

  24. Algo que eu gostaria de saber de alguém que tenha noção de custos de aquisição e operação é o seguinte:

    Considerando a hipótese de que o Brasil, por meio do FX2, pretende adquirir 120 aeronaves a médio prazo e que, dentre os concorrentes, apresenta-se o Rafale: que composição (em termos de qtde) seria possível fazer em um mix hi-low SH/gripen ao custo de aquisição/operação de 120 rafale? Algo que se aproxime da ideia de 60 SH e 120 gripen?

  25. Almeida disse:
    7 de junho de 2011 às 23:28

    Eu acredito em hipóteses plausíveis. Penso que uma qtde de 165-180 aeronaves de caça, divididas em 11-12 esquadrões, em um mix SH/Gripen (60/105-120) é uma hipótese plausível e que nos daria uma envergadura respeitável em termos de poder de aviação de caça, considerando o nosso posicionamento geográfico.

    Pensar maior do que isto em um horizonte de 29 anos é um pouco fora da casinha pelo simples motivo de que uma aquisição neste horizonte demandaria um início imediato deste processo e do seu planejamento, o que, sabemos, não existe, infelizmente. É só olhar o planejamento da FAB para este período. Na verdade, temos é que torcer para uma hipótese como a que levantei se realize…..isso já será difícil.

  26. Re: Marco Antônio disse em 7 de junho de 2011 às 23:43

    O que eu quis dizer é que não podemos pensar apenas em posicionar esquadrões pelo nosso território nacional de acordo com as ameaças regionais, mas pensar também em como desdobrar essa capacidade de combate fora do nosso território, com ou sem aliados, em áreas de nosso interesse pelo Mundo.

    Exemplo? Temos 2 esquadrões de caça no RJ porque eles foram enviados à Itália na Segunda Guerra Mundial. Talvez não seja interessante manter esses 2 esquadrões ali, para que um possa ser desdobrado, dentro ou fora de nosso território, sem diminuir a capacidade defensiva na região SE?

  27. Almeida disse:
    7 de junho de 2011 às 23:49

    Aí eu já considero complicado, neste horizonte (2030). Capacidade de desdobramento, sem aliados, em áreas longínquas de nosso interesse pelo mundo……..é algo que me parece impossível. Em um contexto de operação conjnunta com aliados até vai. Mas me parece que a preocupação é garantir algum poder dissuassório e alguma capacidade de defesa territorial e de áreas adjacentes (América do Sul e Atlântico Sul). Fora destes limites, é muito duvidosa a possibilidade brasileira neste horizonte (2030).

  28. Levando em conta o que escrevi acima e falando agora de microgerenciamento que é a parte mais legal de se discutir aqui, 8 esquadrões e 12 aeronaves por esquadrão é pouco.

    Com 8 ou 9 esquadrões de 12 aeronaves cada conseguimos manter um guarda-chuva em cima das áreas sensíveis dentro do nosso território. Mas se precisarmos mandar reforço para alguma região quente, dentro ou fora do país, o cobertor fica curto. Não podemos deslocar um dos esquadrões nem dispor de parte de algum deles sem descobrir alguma área.

    Por isso tem-se, em países com alguma relevância mundial e sérios quanto aos seus interesses internacionais, esquadrões com 20 ou mais aeronaves ou mais esquadrões do que o necessário para proteger seu território. Podem assim mandar um esquadrão inteiro para treinar ou combater fora ou dispor de algumas aeronaves e pilotos extras para uma força tarefa, sem ter de deslocar tudo. Como estão fazendo EUA, França, Inglaterra e até mesmo Suécia e EAU neste exato momento na Líbia.

    Como também sou ligado aos problemas econômicos e financeiros, claro, penso que dá para fazermos tudo isso com as mesmas 120 aeronaves pretendidas pelas FAB. Teríamos 10 esquadrões em 8 áreas de interesse, dispondo assim de 2 esquadrões extras de 12 aeronaves cada para emergências. Ou os mesmos 8 esquadrões atuais, reposicionados de acordo com as necessidades atuais e não do século passado, mas cada um com pelo menos 15 aeronaves cada. Para assim poder dispor de 4 à 6 aeronaves para expedição, sem perder a capacidade dissuasória local de 2 caças em alerta 24/7.

    Esticando um pouco mais o cobertor, poderíamos ter também mais um esquadrão, dedicado ao treinamento e conversão, com aeronaves LIFT supersônicas modernas, para aliviar a pressão na frota de combate. Uns 24 M-346 Masters ou TA-50 Golden Eagles dariam conta do recado, sem onerar demais os cofres públicos.

    Problema é que, pelo andar da carruagem, chegaremos em 2030 com 36 caças a jato de segunda linha (para a época em questão) e olhe lá!

  29. Re: Marco Antônio disse em 8 de junho de 2011 às 0:01:

    Opa, bem colocado Marco. Quando me referi sem aliados, queria dizer fora de uma aliança militar e não sem o apoio de alguma nação no teatro de operações. Capacidade de dispor de meios para ajudar algum aliado distante e não de intervir sozinho, apenas com meios próprios, em qualquer região do globo. Hoje só quem pode fazer isso, e mesmo assim limitadamente, são os EUA. Em 2030, talvez China, Índia, Japão e quem sabe uma Coréia ou Europa unificadas.

    No caso que eu levantei, basta ter um ou dois esquadrões de combate extras (ou esquadrões maiores capazes de dispor de aeronaves para forças tarefa expedicionárias), aeronaves de transporte e REVO de longo alcance, meios de reconhecimento como UAVs e aeronaves AEW, um punhado de helicópteros CSAR e vontade política. E sim, tá faltando trazer a aquisiçao de alguns A-330 MRTT e até mesmo C-17 Globemaster pra conversa, além de aumentar as encomendas de KC-390.

  30. Primeiramente gostaria de parabenizar a todos pelo nivel do papo hoje, faz tempo que nao falamos sobre isso enquanto a maioria fala so dos brinquedinhos e cita ficha tecnica.

    Almeida,

    Divido sua paixao e vontade vermos o Brasil com uma FAB da maneira que voce cita mas infelizmente posso ser pessimista mas nao vejo uma FAB expedicionaria em 2030 independente de nossa posicao economica ou geopolitica. Discordo quando diz:

    “basta ter um ou dois esquadrões de combate extras (ou esquadrões maiores capazes de dispor de aeronaves para forças tarefa expedicionárias), aeronaves de transporte e REVO de longo alcance, meios de reconhecimento como UAVs e aeronaves AEW, um punhado de helicópteros CSAR e vontade polítca.”

    Esse “basta” e carissimo e mais uma vez nao vejo (baseado na experiencia historica nossa e falta de planejamento para tal) todos esses meios sendo possiveis nas quantidades necessarias com os orcamentos atuais e a mentalidade da classe politica. Se fossemos termos capacidades expedicionarias em meros 19 anos ja teriamos que estar levando muitos outros projetos a serio mas infelizmente tem mais de 10 anos que nao conseguimos comprar 36 avioes…

    Temos hoje em numero razoavel de C-130 e C-295, nao sei do estado dos C-130 principalmente mas nao vejo da onde saira a vontade politica para se gastar com C-17 e A-330 se ja iremos gastar com 28 KC-390 para a aviacao de transporte. Helicopteros CSAR de primeiro mundo tambem sao carissimos e essa maldita compra de EC-725 ira ser suficiente por muito tempo na cabeca dos politicos. Aeronaves AEW ja temos e tambem nao vejo grandes gastos na area, sobrando apenas e finalmente um nucleo sendo criado agora para um esquadrao de UAVs.

    Pessoalmente prefiro muito mais termos uma FAB respeitada a nivel de adestramento e equipamento mundial do que termos capacidade expedicionaria em meros 19 anos. Concordo que devemos ter capacida de para resgatar em ambiente permissivel cidadaos brasileiros fora do pais e ate em ambiente hostil no cenario regional mas dai a ter capacidade expedicionaria acho muito dificil nesse pouco tempo.

    Nunao,

    Concordo que seria preferivel esquadroes maiores como sao os de F-15 na USAF (24 aeronaves) mas realmente acho que no cenario atual 8 sao suficientes para nos, apesar de nao ser ideal. Gostaria de ressaltar que os futuros esquadroes da USN com F-35 contarao apenas com 10 avioes cada e os de SH com 12.

    A questao agora passa a ser o que e plausivel e possivel vide o nosso historico e o que e desejavel vide nossa possivel posicao geoestrategica.

    Devemos pensar grande mas mantendo os pes no chao e sendo realistas.

    Vale lembrar que fora a aviacao de caca e possivelmente o nivel dos meios, temos hoje tantos avioes de transporte, AEW e Revo que possui a FA da Coreia do Sul e ate a Israelense. Sem saber o status desses meios, a FAB pelo menos no quesito de numeros de meios Revo, Transporte e AEW nao esta muita atras de muitas Forcas Aereas consideradas de primeira linha. O que nos falta de grande peso e a aviacao de caca.

    Sds!

  31. “FAB enfrenta contingenciamento inédito”
    http://veja.abril.com.br/noticia/economia/fab-enfrenta-contingenciamento-inedito

    E o que tinha de comentarista dizendo qye $$ nao era problema… (alguns brasileiros de ontem sao os indianos de hoje).

    Muita coisa errada, muita gente errada na posicao errada, mas enfim…

    []s!

    P.S.: Prezado Nick, na verdade vc concorda comigo por uma razao simples, eu “copiei” sua ideia do FS2020; assim, vc concorda com vc mesmo… 🙂 Um abraco!

  32. Uma pergunta p/ os amigos do ramo:

    mas seu ponto forte real é a sua habilidade de atuar como um nódulo de informação.”

    Em que medida o Avenger (http://www.ga-asi.com/) o Phamton Ray (http://en.wikipedia.org/wiki/Boeing_Phantom_Ray) e o Pegasus (http://en.wikipedia.org/wiki/Northrop_Grumman_X-47A_Pegasus) nao poderiam cumprir esta funcao de “nodulo de informacao”?

    []s!

    P.S.: materia muito boa mesmo, mas tb ficaria muito legal se o Blog publicasse uma sinopse do relatorio do GAO que postei… 🙂

  33. Pois é Caro Dr Barata,
    Mas convenhamos, que a combinação Gripen NG+ FS2020 faz sentido….hehehehe..

    O Gripen NG viria agora, e renovaria boa parte da frota da FAB, e ao mesmo tempo, haveria ganhos nos aspecto de nacionalização do caça. Para um prazo médio, a entrada no FS2020, daria uma perspectiva para a FAB e ainda mais ganhos em termos de desenvolvimento do know-how brasileiro. Mas é claro que existem alternativas, como por exemplo, o AMCA Indiano, ou o FX -5G Turco. O que não pode haver é uma descontinuidade, a criação de um novo gap com a aquisição dos FX-2.

    Sobre a quantidade ideal de caças, 120 faz sentido em 10 esquadrões desde que com uma taxa de disponibilidade de 100%. 🙂 Mas como sabemos que isso é impossível, uma quantidade maior seria necessária. Consideraria o ideal mínimo de 190 caças, para uma disponibilidade de 65%.

    []’s

  34. Em 2030 estaremos com 20 F5, 25 AMX, nenhum Mirage, NADA de FX2 e nosso principal vetor será os cento e poucos super tucano.

    Nossos vizinhos terão aviões chineses, e nosso governo vai ficar todo dia falando ” NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS ”

    A MB continuará sonhando com Nimitz-BR e teorizando com inimigos como Moçambique Maputo…

    E segue a vida…

    Não que eu seja pessimista… ah ah ah !

  35. Nick disse:
    8 de junho de 2011 às 8:15

    Para o Gripem NG vir agora, o que precisaria ser renovada é a mentalidade.

    Infelizmente parece que isso pode ficar para a eternidade pois a prioridade é copa do mundo e olimpíadas que inflará os egos ufanistas até explodirem!!!

    E temos três anos para corrigir problemas seríssimos de infraestrutura e segurança e acho que a tal prioridade é essa. E convenhamos em três anos gastaremos os tubo em “maquiagem”!

    E que se dane a educação, saúde, FAs …..

  36. Re: Marine disse em 8 de junho de 2011 às 0:56

    Acho que o amigo pulou o último e mais importante item da minha lista de necessidades para uma FAB minimamente expedicionária: a tal “vontade política”.

    Segundo os planos de reaparelhamento da FAB em curso, teremos todos os meios necessários citados no meu comentário. 120 caças de 4.5 geração, armamentos modernos para eles, 28 KC-390, 2 ou 3 Boeing ou Airbus MRTT de longo alcance, dos 16 Super Cougars 8 deverão vir no padrão CSAR completo além da previsão para se adaptar alguns UH-60 para esta missão também, mais A-29 dando cobertura pros helos, e já temos os E-99 (que precisam de uma sonda de reabastecimento) e pelo menos 2 VANTS Hermes 450, num plano de 3 esquadrões completos. Havendo vontade política e com esses planos de aquisição, bom frisar nada absurdos economicamente, se tornando realidade, teremos uma FAB com esta capacidade tão necessária hoje e no futuro para o Brasil.

    Considero o planejamento da FAB muito, mas muito mais austero e plausível do que o PREAMB da MB. E tendo hoje a 7a maior economia do Mundo e em 2030 a 5a maior, ter uma força aérea MENOS DA METADE do tamanho da RAF ou Armée de l’Air DEPOIS DOS CORTES, países que iremos ultrapassar economicamente em breve, não me parece NADA absurdo.

    Não falta dinheiro, nosso PIB é enorme e arrecadamos mais impostos que a grande maioria das nações. Para ter essa FAB não precisamos nem aumentar o orçamento, basta parar de contingenciar as verbas aprovadas todos os anos para o Ministério da Defesa. O que falta é VONTADE POLÍTICA.

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