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General do Armée de l’air fala sobre negociações do Rafale com os Emirados

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Entrevista de Jean-Louis Prome com o General de Brigada Aérea Alain Silvy, Vice-chefe de planos-programas do estado-maior da Força Aérea Francesa (Général de brigade aérienne Alain Silvy, Sous-chef plans-programmes de l’etat-major de l’armée de l’air).

Para ver a posição do general no organograma da Força Aérea Francesa, clique aqui.

O governo francês assumiu o compromisso com o fabricante do Rafale de garantir, aconteça o que acontecer, uma taxa mínima de fabricação anual de 11 aeronaves. A taxa é estimada pelo fabricante como o piso abaixo do qual não seria possível ir sem pôr em questão a viabilidade do programa, incluindo o custo unitário das aeronaves. Como a LPM (Lei de Planejamento Militar) não fornece fundos para a compra destas máquinas para os anos de 2013 e 2014, ou haverá uma exportação muito oportuna para manter o compromisso com a indústria ou, no caso da falta de exportação, o Estado Francês deverá encontrar o necessário orçamento, reduzindo ou eliminando outros programas. Esse compromisso com base na obtenção de encomendas de exportação é uma aposta perigosa?

GDA Alain Silvy: Vamos ser honestos. Esta “aposta”, para usar sua palavra, ou seja, a obtenção a curto prazo de encomendas de exportação para o Rafale, em complemento à LPM, tem permitido o manejo de um grande buraco nas transferências para a Força Aérea e a Marinha, sem prejudicar a taxa de produção, já reduzida ao mínimo aceitável industrialmente pela Dassault Aviation. As entregas para as Forças Armadas francesas devem ser reduzidas para duas ou três máquinas/ano por um tempo, com a exportação trazendo assim o complemento para atingir o limiar de 11 Rafales produzidos por ano. Em caso de ausência de ordem de exportação, a situação seria, obviamente, complicada. […] Nós teríamos que encontrar um financiamento substancial de várias centenas de milhões de euros. […]

Mas como encontrar tais centenas de milhões de euros?

GDA Alain Silvy: As três Forças se beneficiaram da escolha feita pelos planejadores da LPM para reduzir a um nível muito baixo as entregas do Rafale. Os montantes poupados foram redistribuídos para as três Forças. Acho que ninguém questiona isso. Nós devemos encontrar os fundos fazendo um novo balanço da LPM [ …] Nós agora devemos ter esperança de que virá muito rapidamente uma primeira ordem de exportação. […] Mas a exportação não é neutra. Os clientes potenciais, incluindo os Emirados Árabes Unidos, têm requisitos específicos, com o desenvolvimento saindo do padrão francês e, portanto, com o orçamento para isso não sendo levado em conta pela LPM, uma vez que eles querem tudo co-financiado pelo Estado Francês. Isso pode exigir da França encontrar financiamento adicional para o programa Rafale […]

Qual seria o custo para a França financiar para um cliente em potencial, como os EAU (Emirados Árabes Unidos), esse co-desenvolvimento adicional?

GDA Alain Silvy: Ouve-se tudo e o seu contrário. Tudo depende do que se inclui. Pessoalmente, eu não posso dar números precisos. Mas isso é obviamente algo como centenas de milhões de euros pagos pelo Estado Francês.

A Força Aérea está interessada em alguns dos requisitos dos EAU?

GDA Alain Silvy: Do meu ponto de vista, depende de onde. Nós poderíamos estar potencialmente interessados pelo M88-X, com 9 toneladas de empuxo, porque seria, nas circunstâncias, mais um campo aberto. Mas, por outro lado, nós ainda não atingimos o estágio de maturidade – o que requer cerca de 150 mil horas de voo – com o atual M88, com 7,5 toneladas de empuxo. Isto significa que, com o M88-X, mesmo que presumivelmente desfrute de uma boa comunalidade com os M88 existentes, teríamos que acumular ainda mais horas para chegar ao estágio de maturidade do motor.

Muito claramente, em minha opinião, o M88-X não é para a Força Aérea uma necessidade imediata. Para vender o Rafale para os Emirados Árabes Unidos, a Defesa pode vir a ser solicitada a adquirir o M88-X em quantidade e condições ainda a definir. E nós talvez ficaríamos até mesmo felizes de usá-lo. Mas hoje não temos razões técnicas ou operacionais para disponibilizá-lo para nós. O ganho esperado pela chegada de um motor mais potente é menor do que os riscos que assumiríamos com a imaturidade técnica de novos módulos e a gestão em paralelo – tão complicada em termos de logística e de emprego operacional de aeronaves com diferentes desempenhos – de dois parques relativamente diferentes do M88. Tudo isto tem que ser cuidadosamente pensado.

Seria possível ver a Safran fabricando M88-X para os EAU e continuam a entregar o M88 “clássico” para o Rafale francês? E isto não obstante o governo francês ter de co-financiar o desenvolvimento do M88-X?

GDA Alain Silvy: Não é proibido imaginar isso. Com a condição, entretanto, de que manter a produção paralela de duas versões do M88 não custe mais do que produzir um único modelo. Os custos de suporte não devem explodir. A Safran deve dizer-nos muito rapidamente e muito francamente o que ocorreria. E, novamente, nada pode nos forçar a equipar (com o M88-X) toda a nossa frota de Rafale, Aérea ou Marinha.

E sobre a exigência dos EAU de ter um radar RBE2 mais poderoso, poderia isso responder a alguma expectativa para a Força Aérea?

GDA Alain Silvy: A Força Aérea está interessada em ter um RBE2 com uma antena ativa. Está agora interessada na poderosa antena AESA que irá equipar nosso Rafale Tranche 4. O que os Emirados estão pedindo é muito mais complexo: eles querem, além da AESA, ter novas funcionalidades no seu Rafale, como GMTT/GMTI (detecção e rastreamento de alvos móveis em terra), o entrelaçamento entre os modos ar/ar e ar/terra, etc. Mesmo que isso não seja para nós uma necessidade urgente, o ganho operacional obtido poderia eventualmente nos interessar. No entanto, a exigência fundamental dos Emirados é sobre o alcance do RBE2. E, com o mesmo diâmetro de antena, a única forma de conseguir o aumento de 10% de alcance (em comparação com o roteiro básico do AESA “F3”) pretendido pelos Emirados seria um grande impulso na potência do radar.

Mas mais poder ao RBE2, poderia ser um risco para a geração de graves interferências eletromagnéticas (EMI) com os receptores da SPECTRA?

GDA Alain Silvy: Há de fato um risco muito real de EMIs a lidar. Este é o caso, sempre que queremos mudar os sistemas de emissão de aeronaves. Existem soluções, obviamente, mas isso exigirá o reexame da SPECTRA. Mas o maior problema que nós identificamos é na geração elétrica, que pode ser insuficiente. Para aumentar o intervalo máximo de algumas milhas náuticas, teríamos que rever profundamente todo sistema de geração elétrica da aeronave.

Em suma, para conceber o que poderia ser um “Rafale-9”, ou seja, um novo avião a afastar-se da semelhança que é de se desejar com o Rafale francês.

GDA Alain Silvy: Os peritos dos Emirados que participam nas negociações estão bem cientes do problema. Mas eles (os Rafale) também são usados por terem sistemas de armas de alta qualidade. Eles querem evitar qualquer regressão com o Rafale, pelo menos no alcance do radar, em relação ao F-16 Block 60, tendo o Rafale também várias outras qualidades. Os Emirados não tem AWACS e, portanto, querem – é uma exigência fundamental – que o Rafale possa “enxergar” muito longe. Além do radar, eles estão mostrando requisitos relativamente fortes em relação ao desenvolvimento da SPECTRA como, por exemplo, a expansão de algumas bandas de frequência, um aumento da sensibilidade, a adição de funcionalidades, em suma, eles querem que nós melhoremos as tecnologias atuais. Claro que melhorar a suíte de guerra eletrônica de nosso Rafale mais rápido que o inicialmente previsto poderia ser uma vantagem operacional adicional para a Força Aérea. No entanto, nossa abordagem atual é consolidar as funcionalidades implementadas no SPECTRA, para torná-las mais robustas e mais fáceis para os operadores e programadores antes de querer ir mais além em termos de adição de novas capacidades. A SPECTRA atual está funcionando bem e mesmo muito bem. Em suma, o que nos separa, sobre o SPECTRA, é uma questão de timing e calendário […]. De um modo mais geral, partilhamos os mesmos desejos sobre capacidades, mas, às vezes, com prazos de maturidade muito diferentes no calendário. As restrições orçamentárias continuam a ser um fator de dimensionamento.

Os Emirados querem um visor HMD…

GDA Alain Silvy: É verdade. E nós o faremos, de uma maneira ou de outra. Por várias razões nós concordamos no passado em não usá-lo inicialmente, mas este equipamento é agora um elemento quase indispensável para aviões de combate modernos. Além disso vários interessados no Rafale – os Emirados Árabes Unidos, o Brasil e a Suíça – também o querem, o que confirma esta análise.

No final, o que acontece com a eventualidade de uma ordem do Rafale pelos EAU?

GDA Alain Silvy: Muito sinceramente, do meu ponto de vista, eu realmente acho que nós não estamos muito longe de sermos capazes de chegar a um denominador comum com nossos amigos dos Emirados Árabes Unidos. A única questão pertinente que se coloca é saber se a vontade de similaridade expressa pelos Emirados irá prevalecer sobre os seus requisitos de desempenho. Se o desempenho é o que importa, na verdade nós vamos ter dois Rafales completamente diferentes – como com o Mirage 2000-9 – porque o Estado francês não pode ou não quer segui-los. Se a comunalidade é fundamental, os Emirados terão de reduzir suas ambições em relação ao desempenho. A escolha está nas mãos deles. Eles devem ver se as suas necessidades operacionais permitem ou não a eles se contentar com um sistema de armas razoavelmente perto do roteiro-padrão francês do “F3”. Eles devem decidir se eles consideram mais importante trabalhar mais estreitamente com a gente. Eu sei que eles já manifestaram o desejo de, em caso de encomenda, poderem enviar seus pilotos muito rapidamente para nossas unidades de Rafale, nas quais eles poderiam treinar, conhecer o Rafale e nossa doutrina de emprego tático, para obter um rápido crescimento operacional da sua própria esquadra de Rafales. Nesse caso, sua configuração do Rafale não deve ser muito diferente da nossa. Mas isso ainda está por ser visto… Isso é onde estamos, eu acho.
Quanto tempo seria necessário para o desenvolvimento adicional exigido pelos EAU?

GDA Alain Silvy: É difícil responder com precisão essa questão, especialmente porque eu não tenho todos os elementos da problemática. A primeira aeronave dos EAU não seria entregue antes de 2014. Este período deverá ser suficiente para terminar de desenvolver um M-88 de 9 toneladas de empuxo. Sobre o radar, nós provavelmente não teríamos ainda, em 2014, todas as capacidades e desempenho esperado, mas creio, no entanto, que deveremos estar a essa altura já muito perto do alvo. O problema da geração de energia elétrica também requer tempo para ser processado. Esta será uma operação pesada para a aeronave. No caso de uma ordem assinada este ano, ainda teríamos, portanto, alguns anos para desenvolver os recursos adicionais. Esses anos não devem ser desperdiçados. Em todo caso, acho que as discussões com os Emirados estão tendo lugar numa base sólida. Os negociadores são peritos que sabem exatamente o que é um avião de caça e estão cientes do estado da arte e dos diversos condicionalismos. Conversar com pessoas deste nível é muito agradável para a Força Aérea. No entanto, agora a ordem deve materializar-se.

E sobre o Mirage 2000-9 dos EAU?

GDA Alain Silvy: As autoridades francesas têm sido muito claras sobre este assunto. Uma vez que o Rafale seja encomendado pelos Emirados Árabes Unidos, o Mirage 2000-9 será levado de volta à França, que irá enviá-los para uma agência de revogação encarregada de sua revenda para exportação. Isto significa que, nessa hipótese, não está previsto que equipem as Forças Armadas francesas.

Mas não seria interessante para o AdA, dado que estes últimos (Mirage 2000-9) são células com avançados sistemas de armas?

GDA Alain Silvy: Nós não podemos dizer que não sentimos nenhum interesse nestas máquinas, pois seu desempenho apresenta sistema de armas realmente surpreendentes. A Força Aérea poderia certamente se beneficiar. Entretanto, o indispensável trabalho para a compatibilidade com o padrão OTAN destes sistemas de armas seria muito pesado, com um custo provavelmente superior aos 700 milhões de euros previstos para a renovação dos nossos Mirage 2000D, o que é uma prioridade para nós.

Se os Emirados Árabes Unidos comprarem o Rafale, poderia o Esquadrão de Treinamento para Rafale (ETR) a ser criado em Saint-Dizier ser realocado para Al-Dhafra para ajudar os pilotos dos Emirados Árabes Unidos e beneficiar-se assim das excelentes condições climáticas locais?

GDA Alain Silvy: Por que não? Mas não estamos lá ainda. […] Para instalar o ETR – como um todo ou apenas uma parte – Al-Dhafra poderia ser um trunfo. Nossa primeira participação, no outono passado, no ATLC (Advanced Tactical Leadership Course) organizado pelo Centro de Guerra Aérea dos EAU, demonstrou mais uma vez a riqueza desses intercâmbios. Se os EAU adquirirem o Rafale, nós vamos ter de rapidamente assumir, de uma forma ou de outra, o treinamento de seus pilotos no nosso sistema de armas. Fazê-lo na Al-Dhafra seria – e esta é só a minha opinião – interessante.

FONTE: Défense et Sécurité Internationale (DSI)

NOTA DO TRADUTOR: a matéria acima foi postada já traduzida para o inglês no Fórum do Key Publishing e traduzida desta língua para o português. Como não tivemos como verificar a fonte original, pode haver erros na tradução primitiva.

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newton
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newton

Hahahaha.

Algo me diz que estes mirages recauchuatados vão parar por aqui.

Alguém gostaria de apostar?

Cristiano
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Cristiano

eh amigo…

e um otimo vetor, pena que eh muito caro. se para paises ricos mantelo e um problema, imagina para o brasil .

Gabriel T.
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Gabriel T.

Newton pior que não virão. Vamos ter mais F-5 modernizados na BAAN. Isso eu aposto.

Jakson Almeida
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Jakson Almeida

Olha que o “timoneiro sem rumo” vai botar o r…. no meio das pernas(de novo)e vai la na terra do outro “cara” e vai ficar com o vespão mesmo.

Marcelo
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Marcelo

não acharia de todo ruim se ficássemos com os Mirage 2000-9. Até o Scalp/Storm Shadow está compatibilizado…se viessem com umas AASM, seria uma força excelente. Mas aí adeus TT…mas como quase todo mundo aqui caha que não precisamos de TT mesmo…eu acho que precisamos, mas…

Colt
Visitante

Detalhe :

Emirados Árabes Unidos –
PIB Estimativa de 2008
– Total… US$ 185,287 bilhões
– Per capita… US$ 55.028

fonte: wikipedia.

Galileu
Visitante
Galileu

hahahaha os Frances não estão nem ai pro motorzinho e etc……

Uhum……acho que a JACA terá um breve fim.

Não sei se vocês concordam, mas a família mirage só deu “certo”, porque vivíamos numa outra época, hoje temos mais ofertas, e um mundo bem mais liberal político social……..ou seja a carroça do mirage só vendeu porque não havia outra escolha a altura, porque se fosse hoje, teria mesmo fim que o rafale

Rodrigo
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Rodrigo

Marcelo disse:
16 de agosto de 2010 às 18:36

O SCALP e o Meteor precisam da aprovação dos outros membros participantes para serem exportados.

Por isto não estão na proposta do Rafale ao Brasil. Nela estão somente o lixo Mica e o “faz tudo” AASM.

—————————————–

No fim o todo poderoso Rafale ” O destruidor de F22″, eletronicamente é ainda inferior ao F16 Block 60…

Se nem o Rafale é superior ao F16, imaginem o M2000.

LATINO
Visitante

Negoçio de risco ,,,por que sera tenho uma impressão que vamos entrar pelo cano com os custos do rafale ?

sds

zmun
Visitante
zmun

Percebam que apesar da tudo o que vem sendo dito sobre a maravilha que é o Rafale, o caça ainda está pelado. Até mesmo o futuro F4 sairá sem todas as capacidades necessários, principalmente no que tange ao radar. O caça precisa de um motor novo, um radar novo, mira no capacete, melhor integração entre os sistemas. Ou seja, quando o caça estiver terminado, ele ficará ainda mais caro que é hoje. Daqui a pouco eu vou achar que o Gripen NG está mais terminado que o Rafale. Meu Deus!!! Como os Franceses puderam errar tanto!!! Se ainda não tivessem… Read more »

robert
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robert

cada vez mais eu fico com dó do Rafale… coitado… tá igual doente terminal

Guilherme Poggio
Editor
Famed Member

Como projeto o Rafale é excelente.

O que ele precisa agora é de injeção de recursos para continuar se desenvolvendo. O problema é que estes recursos não estão chegando na quantidade certa.

zmun
Visitante
zmun

Detalhe, o Rafale voo pela primeira vez muito antes de eu ter vindo ao mundo. O caça caminha com passos de lesma. Se botem a pele dos franceses, que pipino!!! Imaginem o desespero deles.

Vader
Visitante
Vader

Algumas coisas muito interessantes se extraem dessa entrevista: 1 – Se não houver exportações do Rafale até 2013 o programa ficará seriamente comprometido. 2 – Mesmo que ocorram exportações, pode haver problemas de financiamento, dado que os clientes potenciais exigem especificações que não são parte do planejamento francês. 3 – O custo dos desenvolvimentos adicionais (exigidos pelos clientes potenciais – como os EAU) são da ordem de centenas de milhões de euros. 4 – O Armeé de L´Air não tem interesse imediato em promover para si as modificações exigidas pelos clientes potenciais do Rafale, e o fator custo é o… Read more »

zmun
Visitante
zmun

Repito, como os franceses puderam errar tanto!!!

grifo
Visitante
grifo

Caro Vaer, parabéns pela tradução desta desmistificadora e irrespondível entrevista. Fica mais que evidente o erro crasso da França em querer fazer um projeto desta magnitude totalmente “in house”. Pelas próprias palavras do general francês, o Rafale tem deficiências graves de motorização e de sistemas eletrônicos em comparação com as aeronaves americanas, e agora não tem dinheiro para tentar sequer se equiparar ao que os americanos já tinham há 10 anos atrás. Para recordar, os americanos tem um motor de 10ton de empuxo (F-414) em serviço desde 1999. Na melhor das hipóteses, se houver dinheiro, os franceses estimam ter algo… Read more »

Guilherme Poggio
Editor
Famed Member

Grifo disse: Fica mais que evidente o erro crasso da França em querer fazer um projeto desta magnitude totalmente “in house”. zmun disse: como os franceses puderam errar tanto!!! É preciso colocar tudo nos seus devidos lugares. Voltando a 1985, eles não erraram. Simplesmente fizeram o que a história anterior mostrava (e era uma história de sucesso). O desenvolvimento de caças próprios é (era) possível baseado em fartos recursos do Estado (motivo – Guerra Fria) e grande número de exportações. O mundo mudou e a França também. Sabemos hoje que a situação não é mais essa. Mas como prever isso… Read more »

Robson Br
Visitante
Robson Br

“”12 – Nas palavra do General francês o Rafale é simplesmente UM AVIÃO PROBLEMÁTICO. Assim sendo cabe perguntar: devemos comprar esse problema?””

Esta sua interpretação é simplesmente maliciosa. Do que ele disse não dá para concluir isto.

Como tenho certeza que a França terá, como tem, dificuldades de vender o caça, mas devemos dar os parabéns a ela pelo desenvolvimento do aparelho. Quem dera se o Brasil fosse assim.

Ela não fez como uma outra, que fez um rascunho, montou um demo e tenta fazer com propagandas, viajens e tudo mais que é o melhor avião.

kaleu
Visitante
kaleu

“No final, o que acontece com a eventualidade de uma ordem do Rafale pelos EAU? GDA Alain Silvy: Muito sinceramente, do meu ponto de vista, eu realmente acho que nós não estamos muito longe de sermos capazes de chegar a um denominador comum com nossos amigos dos Emirados Árabes Unidos. A única questão pertinente que se coloca é saber se a vontade de similaridade expressa pelos Emirados irá prevalecer sobre os seus requisitos de desempenho. Se o desempenho é o que importa, na verdade nós vamos ter dois Rafales completamente diferentes – como com o Mirage 2000-9 – porque o… Read more »

Fábio Mayer
Visitante
Fábio Mayer

Esses Mirages vivem ciscando no terreiro de terra brasilis…daqui há pouco, ficam!

Galileu
Visitante
Galileu

ahhahaha tem razão, tá mais “pronto” o Gripen NG do que a JACA.

Vader
Visitante
Vader

Robson Br disse: 16 de agosto de 2010 às 21:02 Sinto muito Robson, mas é a minha opinião no meu comentário. Eu concluo o que quiser. Ninguém é obrigado a concordar, obviamente. Mas como pra bom entendedor pingo é letra, a entrevista do General foi a mais honesta de uma autoridade francesa que já li em toda a vida. O que ele deixou claro é o seguinte: o Rafale tem problemas. Sérios. Gravíssimos. O projeto inteiro está no mínimo com uma luz alaranjada acesa. No mínimo. E a falta de grana não é nem o maior deles, ou você vai… Read more »

Vader
Visitante
Vader

Guilherme Poggio disse:
16 de agosto de 2010 às 21:09

“Mas como prever isso em 1985?”

Tem razão caro Poggio. A verdade é que SE (sempre ele, rsrs) o Rafale tivesse ficado pronto em 1990 estaria tudo certo.

SE…

Clésio Luiz
Visitante
Clésio Luiz

Eu notei um certo exagero e distorção do pessoal com relação as informações da notícia. Chegou ao cúmulo quando disseram “o Rafale tem deficiências graves de motorização”. Grifo, você já parou para dar uma olhada nas características do Rafale e do M-88? Esse motor, com a potência atual, é mais do que suficiente para a proposta do avião. O Rafala é uma caça fisicamente menor que o F/A-18C e o Typhoon. É quase duas toneladas mais leve que o Hornet e cerca de 1,5 tonelada mais leve que o Typhoon. O M-88 é menor e mais leve que o EJ200… Read more »

grifo
Visitante
grifo

É preciso colocar tudo nos seus devidos lugares. Voltando a 1985, eles não erraram. Simplesmente fizeram o que a história anterior mostrava (e era uma história de sucesso). O desenvolvimento de caças próprios é (era) possível baseado em fartos recursos do Estado (motivo – Guerra Fria) e grande número de exportações. Caro Poggio, concordo em parte com você. É muito fácil dizer agora que foi um erro e criticar quem tomou a decisão em 1985, e ninguém realmente em sã consciência ia achar que um caças franceses, americanos e russos estariam competindo no mesmo mercado. Mas, se você voltar ao… Read more »

Alexandre Galante
Visitante
Member

Hahahaha, sensacional sua última linha Grifo! Poético!

Clésio Luiz
Visitante
Clésio Luiz

E não se esqueçam que projeto inacabado é algo que se aplica perfeitamente ao Typhoon, que para muitos é um santo graal que salvaria a FAB do Rafale.

Nick
Visitante
Nick

Essa entrevista é bem esclarecedora. Para mim os pontos importantes são aqueles que podem ter impacto aqui: Os Franceses andam sem dinheiro para manter o programa de desenvolvimento e aquisição do Rafale. O radar RBE2 AESA não é lá essas coisas. Ser inferior ao AN-APG80 foi uma surpresa desagradável. E a falta dos modos GMTT/GMTI também foi uma surpresa. Se fabricarem o M-88 X, pode existir o risco dos custos de sobressalentes do M-88 4 oferecido ao Brasil aumentarem. O Spectra não é grande coisa também. Está devendo uma boa atualização. O General só faltou chamar o Rafale F3/F3+ de… Read more »

Tito
Visitante
Tito

Ó Rafale, como eu queria gostar de você!

A França está desesperada para tercerizar o prejuízo, mas logo a gente?

grifo
Visitante
grifo

Grifo, você já parou para dar uma olhada nas características do Rafale e do M-88? Esse motor, com a potência atual, é mais do que suficiente para a proposta do avião. Caro Clésio Luiz, isto depende do que seja a “proposta do avião”. Qual é ela? Para mim a proposta de um caça é vencer os outros caças. Se os outros caças que você irá potencialmente enfrentar estão todos com motores mais potentes e mais econômicos, talvez essa proposta não esteja sendo muito bem atendida. Notei que você não menciona o radar. Talvez porque seja difícil explicar como é que… Read more »

Justin Case
Visitante
Justin Case

Vader e demais amigos, No artigo: Os Emirados querem algo mais que o F3 “ROADMAP” (ou F3+). Sugiro ajustar a tradução para não causar desinformação. As diferenças significativas estão apenas no motor mais potente e no radar com maior alcance requeridos pelos EAU. É isto que os afasta da evolução planejada para os Rafale franceses. A configuração requerida pela FAB está bem semelhante à configuração do próximo lote de 60 aeronaves já contratado para as forças francesas. Quanto à comparação da capacidade produtiva e tecnológica francesa com aquela dos Estados Unidos todos sabemos qual o resultado. Todos os competidores ainda… Read more »

Rogério
Visitante
Rogério

Moral da história….. querem que paguemos pelo complemento do desenvolvimento do Rafale sem ao menos nos oferecer um desconto pelo dito, grande parceiro estratégico!!!!!!!

[]s

Jakson Almeida
Visitante
Jakson Almeida

Se ______________ vencer vamos de Super Hornet e se ______________vencer vamos de Super Hornet,entenderam como é simples,a proposito onde fica o anti americanismo mesmo.

COMENTÁRIO EDITADO

Baschera
Visitante
Baschera

Lembram que eu e o Rodrigo tinhamos avisado de suas limitações de geração de energia elétrica…… está no absoluto limite. Um amigo nos disse que, no Afeganistão, o problema já é frequente.

Outrossim, se o Spectra é uma jaca, um bom binóculos custa Us$ 100….

Enquanto isto, o que assinou a parceria caracú está mudo…..

Sds.

A7X
Visitante
A7X

Rodrigo, “Por isto não estão na proposta do Rafale ao Brasil. Nela estão somente o lixo Mica e o “faz tudo” AASM.” Com base no que o senhor chama o MICA de lixo? Desculpe, mas claramente sua implicância com produtos franceses faz com que o amigo tenha opiniões um tanto equivocadas. _________________________________ Grifo, “Para recordar, os americanos tem um motor de 10ton de empuxo (F-414) em serviço desde 1999. Na melhor das hipóteses, se houver dinheiro, os franceses estimam ter algo com 9ton em 2014, 15 anos depois. O radar AESA APG-80 usado pelo F-16 Block 60 entrou em serviço… Read more »

Guilherme Poggio
Editor
Famed Member

Qualquer país está em grande desvantagem em relação aos EUA quando o assunto é poder bélico.

Isso mesmo A7X.
É por essas e por outras que eles estão, pelo menos, 10 anos na frente da concorrência.

roberto bozzo
Visitante
roberto bozzo

Srs, uma dúvida: não seria possível integrar o motor F414 ao Rafale ? Quanto ao desenvolvimento final do Rafale, não acho de todo ruim nós entrarmos com o dinheiro, claro desde que possamos absorver este conhecimento adiquirido e instala-lo em nossos caças.

Guilherme Poggio
Editor
Famed Member

não seria possível integrar o motor F414 ao Rafale ?

Infelizmente não Roberto.

Se a França tivesse mantido as dimensões do Rafale A nos Rafale seguintes isto até seria possível, pois o Rafale A voou com o motor F404 (o M88 ainda não estava pronto) e onde cabe o 404 cabe o 414.

Porém, a França desejava uma aeronave menor e mais compatível com o seu porta-aviões. O Rafale foi “reduzido” e ficou mais leve, porém incapaz de receber o 414.

Francisco AMX
Visitante
Francisco AMX

Mas agora vale a palavra de um Francês, Vader? Quem dizia que francês não é confiável? Tem que se decidir! Eu sugiro ao Blog colocar uma tradução digamos “mais fiel” pois esta está meio que contaminada… eu li a original! foi passada por um francês… e, ao que pese, a suma caracteriza que o Rafale já é muito bom, e como diz o nosso amigo Bosco, a França não vê necessidade de um desenvolvimento extra, prematuro ao cronograma do Rafale… inclusive por escassos recurso depois da CM… que afetou todos… incluindo a Inglaterra e os USA… Engraçado que o Bosco… Read more »

BARCA
Visitante
BARCA

Bom no mais os mesmos comentários sem lógica e sem pé e nem cabeça,mas vamos a alguns argumentos,senhor grifo no que a frança errou em 1985 se o senhor diz em relação ao projeto do Typphon,cabe lembrar que a saida da frança do consórcio foi devido a visões de doutrina militares e não a vaidades,como muitos querem parecer,os demais membros do consorcio queriam um caça de superioridade aerea que faria frente ao Sukkoi 27 e seus derivados,já a frança queria um caça de multi role,esse foi o principal motivo,e tb o prototipo do rafale já estava em um estágio bem… Read more »

Rodrigo
Visitante
Rodrigo

A7X disse:
16 de agosto de 2010 às 22:50

Muito simples Xuxu..

Se fosse bom, não teriam descontinuado e partido para um novo míssil.

Mica é um mico para pegar trouxa, que acha que vai aprender alguma coisa com estes picaretas.

Francisco AMX disse:
16 de agosto de 2010 às 22:54

O cara é alta patente na AdLa e admite que o bagulho é meia-boca!

Duvidar para que ? Antes a opinião de um profissional, que do comercial da Dassault.

Gabriel T.
Visitante
Gabriel T.

a) Pela entrevista, deu para ver que o RAFALE não é Omnirole como o departamento publicitário da Dassault tenta passar. b) O radar do RAFALE sempre teve problemas de alcance porque na França também se usa o sistema de radares aéreos e em terra. Não há necessidade de um radar como do F-14. Porém isso é um problema para países de grandes dimensões e que não contam com sofisticados sistemas de monitoramento aéreo. Como o Brasil… c) O motor do RAFALE é ótimo e funciona muito bem nele. O fato do RAFALE não ter supercruise e não chegar a mach… Read more »

Nick
Visitante
Nick

Caro A7X, Sobre o RBE2AESA: A própria Thales já anunciou que iniciou a produção do primeiro lote de RBE2 AESA em Agosto/10. Eu tinha uma opinião que esse radar teria capacidades de alcance semelhantes ao AN-APG79 do SuperHornet… Ae vem esse general e diz que os EAU não querem que o RBE2AESA seja inferior ao AN-APG80 do F-16 Block60, que é um radar com menos alcance que o AN-APg79. Ou o general é desinformado(o que eu não acredito, visto sua posição dentro da AdlA), ou a Thales tem muito o que fazer no seu radar… O problema é se os… Read more »

bulldog
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bulldog

Sugiro convidar o Jobim para um chat conosco…rs

kaleu
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kaleu

Nick disse:
17 de agosto de 2010 às 0:42

Ou seja … a JACA é mesmo uma JACA … e se o Brasil quizer usar o dinheiro do povo brasileiro pra salvar a Dassault … então “arruma” uma desculpa MELHOR do que esse relatório paralelo … a tal “exposição de motivos” do Sr. MinDef …

Abc
kaleu

grifo
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grifo

Caro Grifo, já viu o tamanho da diferença entre orçamento de defesa dos dois países? Qualquer país está em grande desvantagem em relação aos EUA quando o assunto é poder bélico. Caro A7X, os EUA sempre estiveram a frente em poder bélico. O que eu disse é que os americanos estão a frente em *tecnologia*, e de uma forma que nunca estiveram antes. Os franceses não estão só atrás uma geração em relação ao estado da arte, os F-22/F-35. Eles estão atrás tecnologicamente também da geração *anterior*, a do Super Hornet e F-16 Block 60. E não só em motorização… Read more »

Bueno
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Bueno

uma ótima ideai bulldog, convidar o Brig Juniti Saito também.
Imaginem o que deve esta sendo comentado na caserna, cruzando os dados do primeiro relatório da FAB com as declaração deste General. Este general vai ter dor de cabeça depois desta

Vader
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Vader

Francisco AMX disse: 16 de agosto de 2010 às 22:54 Chicão, vc não tem assinatura do Aéreo? Vc teve acesso aos originais em francês? Ora velho, faça a tradução e poste aqui no Aéreo, no link ”administração” e “novo post”. Depois você clica em “enviar para revisão” e o Galante se encarrega do restante… Não tive acesso aos originais em francês. E meu conhecimento desta língua é muito parco. Mas para ajudar o amigo a se convencer, faça o seguinte: coloque o texto original em francês aqui como comentário que eu dou um jeito de fazer a tradução para derrubar… Read more »

Marcelo
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Marcelo

Realmente as gripetes ficaram loucas com essa entrevista. O fato do Rafale só ter um AESA em 2011, não quer dizer nada. por que os franceses deveriam ter um AESA antes dos americanos, cujo orçamento é sei lá, umas 100 vezez maior? O Typhoon tem? O Su-35 tem operacional? O Gripen tem operacional? é brincadeira ouvir isso…só dando risada mesmo…o fato é que o Rafale é muito mais avião que o Gripen e pau a pau com o F-18. Para mim, no FX-2, deve ser um dos 2. Fora Gripen !!!

Vader
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Vader

Marcelo disse: 17 de agosto de 2010 às 8:18 Marcelo, o problema não é o Rafale ter um radar em 2011. O problema é que em 2011 (?) ele terá um radar 10% menos potente que o radar do “velhinho” F-16, sem entrelaçamento de dados ar/ar e ar/terra e sem search and tracking de alvos móveis. E pior: sem poder ter sua potência aumentada, pois para isso ter-se-ia de rever TODA sua parte elétrica, além de se comprometer a SPECTRA, supostamente o grande diferencial do Rafale. Diante disso comparar o Rafale com o Super-Hornet é uma piada. Não caia nesse… Read more »

Buena
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Buena
Rodrigo
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Rodrigo

Peraí…

Até esta reportagem os franceses eram o supra-sumo da tecnologia, rivalizando com a Frota Estelar.

Agora que foi confirmado que é mais marketing que realidade, tem a desculpinha barata deles terem um orçamento menor que o dos gringos, por isto tem produto meia-boca!

Se é assim, vamos fazer o que eu sempre falei:

Compramos direto da fonte e evitamos o atravessador.

Pagaremos menos e com o troco desenvolveremos a nossa tecnologia.

antonio
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antonio

Ao que parece, as negociações com os EAU estão em patamar diferente. Além deles estarem exigindo uma série de melhorias de produto, os franceses demonstram mais interesse em atendê-los, desde que efetivamente remunerados.
Uma das informações presentes no texto é muito preocupante: o fato da França ficar recebendo 2 ou 3 aeronaves por ano, justamente da versão F3 que o Brasil se propõe a comprar. Certamente que isso prejudica o amadurecimento da aeronave como sistema integrado de combate.

eduardo
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eduardo

Acho que os principais problemas apontados na entrevista são: 1 – O Rafale de fato não é omnirole, como a propaganda diz. Avião multifunção cujo radar não suporta os modos GMTT/GMTI tem limitações importantes no cenário ar/terra. 2 – O radar, ainda em desenvolvimento, apresenta limitações em relação aos radares já operacionais em outras aeronaves. Superar essas limitações exigirá muito mais tempo e investimento. 3 – O avião não é submotorizado e atinge a performance estipulada, e embora um aumento de potência sempre seja bem vindo, os custos dessa remotorização podem ser muito grandes. Aliás, dizem que se os pilotos… Read more »