sábado, dezembro 3, 2022

Gripen para o Brasil

A arte do combate aéreo – parte1

Destaques

Alexandre Galante
Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

mig-29-pipper

Barra de Cinco Pixels

Depois da invenção do radar e do míssil guiado, ainda há espaço para a habilidade do piloto definir o resultado de um combate aéreo? A história e as estatísticas mostram que sim

Barra de Cinco Pixels

vinheta-destaque-aereoOs registros de milhares de pilotos de todas as nações envolvidas em conflitos armados no passado revelam que somente uma parte deles realmente se destaca e apenas um pequeno percentual são considerados ases.

Isto se deve à experiência pessoal dos pilotos, em como eles foram treinados e como suas aeronaves são superiores em relação ao inimigo. Basicamente, o que sempre diferenciou os ases dos outros foram os resultados que eles atingiram, grandemente desproporcionais em número.

Em todas as guerras, somente 5% de todos os pilotos atingiram 40% do total das vitórias aéreas, enquanto 20% dos pilotos de caça conseguiram outros 40%. Conclui-se com isso que a grande maioria dos caças ficou apenas ocupando espaço no céu. As análises dos combates revelam três fatores que ocorrem em sequência: o primeiro é a oportunidade.

A maioria dos pilotos voou missões completas de combate sem a chance de encarar um inimigo. Um exemplo é o 1o. Grupo de Caça da FAB que voou na Itália em missões de ataque, mas nunca teve a chance de encontrar um caça alemão no ar.

Uma comparação interessante é a 8a. Força Aérea da USAAF, que em junho de 1944, tinha 1.709 pilotos, que voaram 24.035 missões de combate, com média de 3,75h cada. Destas, apenas 436 resultaram em combate (2%), com 268 vitórias.

A probabilidade de matar

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namira

A Guerra da Coréia apresentou um padrão semelhante. Dos 520 pilotos que voavam com a 4a. Ala de Interceptação, somente 69 pilotos (13,26%) tiveram 15 ou mais encontros com o inimigo.

Destes encontros, menos da metade foram convertidos em oportunidades de tiro e somente 1/3 das oportunidades de tiro foram convertidas em kills.

Quando se analisa os dois últimos fatores é que a real diferença aparece. Alguns pilotos converteram 80% dos encontros em oportunidades de tiro e 60 a 70% destas oportunidades em kills. Outros converteram apenas 15% dos encontros em passes de tiro, com um máximo de 10% de sucesso em cada passe.

Existiu no passado muito debate sobre o papel da sorte nesses combates, que certamente teve seu lugar, enquanto o piloto ia ganhando experiência. Mas numa visão geral, o combate aéreo na época do canhão e da metralhadora era um processo muito ineficiente diante do esforço dispendido.

A ineficiência vinha da dificuldade de forçar os encontros e na inabilidade do piloto mediano em capitalizar o encontro. Nas últimas décadas, porém, a tecnologia vem ajudando a diminuir o gap entre os pilotos medianos e os ases.

O problema dos encontros tem sido resolvido com o emprego de sofisticados equipamentos de detecção, comando e controle, baseados principalmente no radar, baseados em terra, orgânicos da aeronave ou em aeronaves específicas (AEW/AWACS).

O segundo problema, da conversão dos encontros em abates, tem sido enfrentado com o emprego dos mísseis, que espera-se cheguem aos seus alvos sem falhar. Com estes novos meios muitos acreditam que todo piloto mediano virou um ás! Toda detecção ocorre sem falha e cada míssil lançado não erra.

Mas as experiências recentes têm demostrado que a verdade está bem longe disso…

>>>CONTINUA EM PRÓXIMO POST…

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23 Comments

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Marine

Galante,

Excelente post e quero so adicionar que no “chao” tambem nao e muito diferente…Alias acho que ja te falei, procure ler o livro “On Killing” de David Grossman.

Mais uma vez, otima materia!

Francisco AMX

Na foto 1 parece ser um Mig-29 engajando um F-16… deve ser no exercício de 92… Acho que o Artigo deve se referir, também, ao que eu sempre venho falando… Dog fights irão acontecer mais do que muitos acreditam… e com as tecnologias furtivas mais ainda…, claro que o que deve predominar é o uso do míssel IR de curtu/médio alcance…, acredito que isto se dara´, também, por doutrina… Ver, confirmar, antes de atirar… o usos dos sistemas IRST serão bem comuns e eficientes… complementando de forma igual o uso do radar… Mísseis falham, principalmente os de longo alcance… o… Read more »

Storm

Acredito que sempre haverá espaço p/ o piloto mais hábil, ou seja, o melhor piloto ainda faz a diferença. Pois é assim em todas as áreas. Agora essa habilidade diferenciada pode ser puro talento, pode ser fruto de maior treinamento e também de maior experiência ou ainda dos três fatores juntos. No post foi citado a II guerra e a Coréia onde os combates eram todos na raça, ou seja, dependentes de metralhadoras e canhão, e pergunta-se com a introdução do radar e dos mísseis pilotos medianos poderiam se tornar ases??? Mas é importante lembrar que no Vietnã os americanos… Read more »

Giovani

Não ponho muita fé nos Combates BVR, os Misseis de Médio alcance ainda tem muito que provar, tanto que as taticas da USAF, são engajamento BVR e em seguida preparar para combate aproximado se necessario, sem falar que os fabricantes de armas estão investindo mais no desenvolvimento de misseis WVR do que BVR.
O consorcio Europeu pensou em abandonar o canhão no Eurofighter Typhoon, mas acho que depois eles mudaram de ideia.

Cmte.Felix

Equipamento + treinamento = As

Lucas Calabrio

equipamento+treinamento+talento= AS

Francisco AMX

futuro próximo: equipamento + treinamento + talento + sorte = ficar vivo para executar nova missão! 🙂

Harry

Excelente artigo.
Cada vez mais tecnologia embarcada, muitas variáveis.
Francisco,equipamento + treinamento + talento + sorte, acho que é pouco tá se tornando coisa para os imortais, gênios, super atletas.
ABs

Marcos T.

O que acontece é que não tem acontecido conflitos entre nações que tem algum equilibrio no poder aéreo, então se torna dificil avaliar o fim ou não do dogfight.
Geralmente um dos lados é muito superior ao outro e arrasa a força aérea inimiga ainda no chão.

Lucas Calabrio

Francisco AMX realmente vc tem razão tem que ter sorte e como disse o Harry superatleta superinteligente

Marine

Galante,

Excelente post e quero so adicionar que no “chao” tambem nao e muito diferente…Alias acho que ja te falei, procure ler o livro “On Killing” de David Grossman.

Mais uma vez, otima materia!

Francisco AMX

Na foto 1 parece ser um Mig-29 engajando um F-16… deve ser no exercício de 92… Acho que o Artigo deve se referir, também, ao que eu sempre venho falando… Dog fights irão acontecer mais do que muitos acreditam… e com as tecnologias furtivas mais ainda…, claro que o que deve predominar é o uso do míssel IR de curtu/médio alcance…, acredito que isto se dara´, também, por doutrina… Ver, confirmar, antes de atirar… o usos dos sistemas IRST serão bem comuns e eficientes… complementando de forma igual o uso do radar… Mísseis falham, principalmente os de longo alcance… o… Read more »

Storm

Acredito que sempre haverá espaço p/ o piloto mais hábil, ou seja, o melhor piloto ainda faz a diferença. Pois é assim em todas as áreas. Agora essa habilidade diferenciada pode ser puro talento, pode ser fruto de maior treinamento e também de maior experiência ou ainda dos três fatores juntos. No post foi citado a II guerra e a Coréia onde os combates eram todos na raça, ou seja, dependentes de metralhadoras e canhão, e pergunta-se com a introdução do radar e dos mísseis pilotos medianos poderiam se tornar ases??? Mas é importante lembrar que no Vietnã os americanos… Read more »

Giovani

Não ponho muita fé nos Combates BVR, os Misseis de Médio alcance ainda tem muito que provar, tanto que as taticas da USAF, são engajamento BVR e em seguida preparar para combate aproximado se necessario, sem falar que os fabricantes de armas estão investindo mais no desenvolvimento de misseis WVR do que BVR.
O consorcio Europeu pensou em abandonar o canhão no Eurofighter Typhoon, mas acho que depois eles mudaram de ideia.

Cmte.Felix

Equipamento + treinamento = As

Lucas Calabrio

equipamento+treinamento+talento= AS

Francisco AMX

futuro próximo: equipamento + treinamento + talento + sorte = ficar vivo para executar nova missão! 🙂

Harry

Excelente artigo.
Cada vez mais tecnologia embarcada, muitas variáveis.
Francisco,equipamento + treinamento + talento + sorte, acho que é pouco tá se tornando coisa para os imortais, gênios, super atletas.
ABs

Marcos T.

O que acontece é que não tem acontecido conflitos entre nações que tem algum equilibrio no poder aéreo, então se torna dificil avaliar o fim ou não do dogfight.
Geralmente um dos lados é muito superior ao outro e arrasa a força aérea inimiga ainda no chão.

Lucas Calabrio

Francisco AMX realmente vc tem razão tem que ter sorte e como disse o Harry superatleta superinteligente

robert

cade a parte 2?

to na angustia aqui a meses esperando a parte dois 😀

[…] A arte do combate aéreo – parte 1 […]

luiz camacho

COMO OS MISSEIS ESTAO CADA VEZ MAIS CAROS…. PENSO NOVAMENTE EM CANHOES , METRALHADORAS .

E VEJO AINDA LANÇA-GRANADAS E FOGUETES … O QUE ESTA ACIMA E NESTE PARAGRAFO É UMA FORMA DE SE ATACAR NO AR, EM TERRA E NO MAR .

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