Primeira inspeção em voo completa 51 anos

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    O Brasil vivia o ápice desenvolvimentista dos anos JK. A seleção brasileira era campeã mundial. No pós-guerra, era intenso o crescimento da aviação comercial no país. Nesse cenário, decolava do Rio de Janeiro uma aeronave DC-3 da Força Aérea Brasileira (FAB), prefixo 2065, na verdade, um avião-laboratório que iniciaria de modo pioneiro a atividade de inspeção em voo na América Latina. O dia é 21 de fevereiro de 1959. A bordo do EC-47 seguia a primeira inspeção em voo tripulada e chefiada por brasileiros.

    Uma aeronave de inspeção em voo é um avião aparentemente comum, só que em seu interior há um laboratório eletrônico para aferição de equipamentos que auxiliam a navegação aérea. A tripulação é composta por profissionais de alta qualificação, com curso específico e treinamento adequado ao exercício dessa atividade. A missão é realizada até hoje pelo Grupo Especial de Ensaio em Voo (GEIV) unidade pertencente ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

    História – Nos anos 50, o então Ministério da Aeronáutica negociou com os EUA a transferência de conhecimento e tecnologia para a implantação de equipamentos de auxílio à navegação aérea para o Brasil e execução da atividade de inspeção em voo. Como a aparelhagem ainda era muito recente e desconhecida, foi preciso providenciar assistência técnica, apoio para instalações dos aparelhos e treinamento de pessoal especializado para as manutenções necessárias.

    Em julho de 1955, o governo brasileiro assinou o acordo que daria origem ao embrião do Projeto CONTRAF (Controle de Tráfego Aéreo). De 57 a 58, oficiais e civis brasileiros foram enviados aos EUA para formação de técnicos e pilotos-inspetores, que integrariam a primeira tripulação operacional brasileira para a atividade.

    Hoje – Para gerir o espaço aéreo brasileiro com segurança e eficácia, o DECEA precisa manter aferidos e operando seus equipamentos de auxílios a navegação aérea, aproximação e pouso.

    Jatos Hawker EU93A de alta performance e aviões Bandeirante são empregados hoje pelo GEIV na atividade de inspeção em voo e aferição de todos os auxílios à navegação instalados no Brasil.

    O GEIV voa todo ano, praticamente todos os dias, inspecionando periodicamente equipamentos de comunicação, de trajetória de aproximação visual (VASIS/AVASIS), de trajetória de aproximação de precisão (PAPIS), de recalada (VHF-DF), omnidirecionais em VHF (VOR), medidores de distância (DME), além de aferir sistemas de pouso por instrumentos (ILS), sistemas de luzes de aproximação (ALS), radiofaróis não direcionais (NDB), radares (primário e secundário) e radares de aproximação de precisão (PAR), perfazendo um total de aproximadamente 900 equipamentos de auxílio à navegação aérea.

    A unidade também realiza inspeções em voo, eventualmente, em outros países da América do Sul, por meio de contratos firmados internacionalmente.

    Atualmente, devido à crescente incidência de interferências nas faixas de freqüência dos serviços aeronáuticos, a unidade também atua na a monitoração, identificação e localização dessas interferências nas faixas de freqüência utilizadas pela aviação brasileira.

    FONTE: CECOMSAER, com informações do DECEA

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    vassili
    vassili
    10 anos atrás

    Poggio,

    O nome certo do GEIV é Grupo Especial de Inspeção em Voo, e não Ensaio em Voo.

    No atual momento, qual modelo de aeronave cumpre esta função, visto que os HS-125 ja foram desativados na FAB.

    Abraços.

    grifo
    grifo
    10 anos atrás

    “No atual momento, qual modelo de aeronave cumpre esta função, visto que os HS-125 ja foram desativados na FAB.”

    Hawker 800. Ainda esta seana decolei de SDU e dois deles estavam lá.