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Sem margem para acidentes

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Planejadores militares canadenses estão preocupados com o pequeno número de caças F-35 que o governo Harper pretende comprar, pois desta maneira não haverá margem para qualquer perda de caças durante toda sua vida, de acordo com briefings internos do Departamento de Defesa.

“O Canadá é o único país que não considera taxa de atrito” na sua proposta, conforme um briefing distribuído para um grupo de oficiais seniores no final do ano passado.

O custo exorbitante de cada uma das aeronaves, que ficará entre US $ 75 milhões e US $ 150 milhões dependendo da estimativa, limitou a capacidade de compra em apenas 65 aeronaves. Informações obtidas pela The Canadian Press mostram que quando o Joint Strike Fighter foi proposto, há quase uma década, a Força Aérea tinha recomendado uma frota de 80 aviões.

No entanto, o ministro da Defesa Peter MacKay tem insistido que 65 é um número adequado para atender às necessidades militares do Canadá. Mas um outro documento datado do início de 2010 mostra que o país está comprando “uma quantidade mínima aceitável” e que a Força Aérea deveria “estar preparada para gerenciar o risco operacional de uma frota abaixo de 65 aviões causadas por eventuais perdas. ”

O F-35 substituirá cerca de 77 caças CF-18, um número que equivale a pouco mais de metade do número original de 138 aviões comprados há quase 30 anos. Alguns dos CF-18 originais foram aposentados pelo governo Chretien para poupar dinheiro na década de 1990, enquanto outros foram perdidos devido a acidentes.

Planejadores da Força Aérea começaram a suar após analisarem eventuais taxas de atrição para o futuro jato furtivo no outono passado. Eles olharam para a taxa de atrição do CF-18 a cada 100.000 horas de vôo e concluíram que o F-35 pode ser capaz de fugir do radar, mas não pode escapar do destino.

“O Canadá vai perder aviões e isto não uma questão de ‘se’, mas ‘quando'”, informava um relatório datado de 14 de setembro de 2010. O lado positivo é que os planejadores acreditam que a elevada automação do F-35 levará a uma menor quantidade de erros humanos.

Houve um aumento do número de acidentes com caças CF-18 logo depois que eles foram introduzidos em serviço principalmente devido à pouca familiarização das tripulações com a aeronave e isto é algo que preocupa a Força Aérea e fatalmente  acontecerá com os novos jatos.

A preocupação tem despertado a atenção do governo Harper, que “vai considerar a aquisição de aeronaves de substituição”, disse o briefing. Mas há um problema nesta conta.  A Lockheed Martin espera fechar sua linha de produção de caças F-35 em 2035, enquanto o Canadá tem o compromisso de voar o caça furtivo até, pelo menos, 2050.

Ninguém no Departamento de Defesa estava disponível para comentar o assunto nesta terça-feira. Mas o diretor-executivo da Associação da Força Aérea do Canadá disse que o governo Harper está comprando o que ele pode pagar.

“Os custos controlam tudo a todo tempo”, disse Dean Black, um tenente coronel da reserva. “O pessoal nos mais altos cargos do país colocaram na  balança todas as considerações e que estejamos vivendo em tempos de economia instável. Entende-se que estes são tempos difíceis.”

Dado o momento econômico e uma vez que a questão disparou para a estratosfera política, as chances de o governo Harper convencer alguém de que precisa de mais jatos furtivos é improvável, disse Black. Ele também disse que há muito tempo já se sabe que, em caso de guerra ou de emergência grave, mesmo com os CF-18 a Royal Canadian Air Force não tem caças suficientes para manter cobertura aérea contínua sobre cada uma das grandes cidades do país.

Um documento diplomático dos EUA destacou recentemente a preocupação de Washington da necessidade da Força Aérea dos EUA defender o espaço aéreo canadense. “Eu espero que este relatório atraia a atenção dos nossos representantes eleitos e  militares do mais alto escalão sobre o que faremos para proteger os canadenses no Canadá.”

O relatório da força aérea observou que os testes dos aviões em paralelo à linha de produção dos primeiros  modelos é uma proposta arriscada de acordo com os críticos.

O primeiro F-35 do Canadá está previsto  para ser entregue em 2016 para o centro de treinamento de pilotos nos EUA. Outros três anos serão necessários antes de o avião furtivo entrar em atividade no primeiro esquadrão operacional, a 4ª Ala Aérea em Cold Lake.  O esquadrão seguinte não verá o seu primeiro avião até 2020, de acordo com documentos internos.

O cronograma de entrega dos F-35 está empurrando a frota atual de CF-18 para o limite de sua vida operacional. Mesmo depois de uma modernização de bilhões de dólares, o carro-chefe da comunidade de caça, projetado na década de 1980, deverá ser aposentado em 2020.

(Nota do Poder Aéreo: finalizamos a matéria com uma imagem dramática de um CF-18 canadense recentemente acidentado, para deixar claro que  taxa de atrito é algo que precisa ser visto como inerente à atividade da aviação de combate em tempo de paz, e não somente à época de introdução de um novo tipo, como citado no texto original)

FONTE: medicinehatnews.com

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aéreo

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jacubao
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jacubao

Esses F/A-18 iriam ficar lindos no convés do nosso Opalão, assim do jeito que estão. 😀

sergiocintra
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sergiocintra

Embora seja algo “muderno”, o 35 é mono. Se der um perereco no engine, não tem como se “atritar” com o solo. Lembrando que as grandes extensões continentais e o clima severo canadenses é de se pensar na estratégia, envolvendo treinamentos, operações e manutenções. Recentemente o canal 56 (assinatura) passou um seriado, com pilotos reais em formação – Escola de pilotos. As retrições atmoféricas são fatores severos nas operações, assim voa-se pouco realmente e mais em simuladores, não achei salutar, pois para graduar-se várias oportunidades tinham que ser concedidas, após colegiados dos instrutores para aprovações. Agora não conheço a estrutura… Read more »