segunda-feira, maio 23, 2022

Gripen para o Brasil

F-16: cresce o inventário do Chile, diminui o da Holanda

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Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Na segunda-feira, 29 de agosto, o Ministério da Defesa da Holanda divulgou nota sobre a partida, no mesmo dia, de cinco caças F-16 para entrega ao Chile. Os planos eram de que seis caças deveriam deixar a Base Aérea de Volkel para o traslado, mas um não pôde decolar a tempo, devendo deixar a base nesta terça-feira.

Os seis caças são os últimos de um total de 18 aeronaves adquiridas pelo Chile num acordo assindao pelos dois governos em 8 de junho de 2009. Os dois lotes anteriores foram entregues em novembro de 2010 e abril deste ano.

A venda desses 18 caças ao Chile é resultado de medidas de defesa decididas em 2007, que visam liberar verbas adicionais à defesa, procedentes da venda de equipamentos – especialmente peças de artilharia, carros de combate e aviões de caça. Medidas anteriores de cortes, tomadas em 2003, já haviam resultado na venda de outros 18 caças F-16 ao Chile, concretizada em 2006.

O inventário de aviões de combate na Holanda deverá ser diminuído, com essa última venda, de um total de 105 para 87 aeronaves, 14 das quais dedicadas a treinamento.

A vida útil restante dos F-16 na Holanda

O F-16 entrou em serviço na RNLAF (Força Aérea Real Holandesa) no final da década de 1970. No total, 213 caças F-16s foram adquiridos, com o primeiro entregue na Base Aérea de Leeuwarden em6 de junho de 1979 e o último em 27 de fevereiro de 1992.

Segundo o Ministério da Defesa do país, os caças estão se aproximando do fim de sua vida operacional, técnica e econômica. O envelhecimento operacional significa não estar mais apto a enfrentar as novas e futuras circunstâncias operacionais (ameaças diferentes).

O envelhecimento técnico refere-se à dificuldade crescente de se obter peças de reposição, assim como de reparar o desgaste, acarretando mais horas de trablho intensivo, o que coloca pressão na disponibilidade. E, por fim, o envelhecimento econômico significa que os custos para prevenir as duas formas anteriores de envelhecimento estão em ascenção.

A vida útil dos F-16 original era de 20 anos, mas em 1998 o Ministério da Defesa da Holanda decidiu fazer um MLU (Mid-Life Update – modernização de meia vida) para a extensão da vida útil. Em 2008, após diversas reorganizações, mantiveram-se os seguintes esquadrões da aeronave na RNAF: esquadrões 322 e 323 em Leeuwarden e esquadrões 306, 311, 312 e 313 em Volkel.

Espera-se que, por volta de 2015, a mais antiga das aeronaves modernizadas atinja o final de sua vida útil, levando a uma desativação gradual até pelo menos 2023, quando o mais velho F-16 terá aproximadamente 40 anos.

F-35 e a sua escolha como substituto

Como substituto, foi escolhido o F-35 norte-americano, após dois processos de comparação, em 2001 e 2008. No primeiro, competiram seis candidatos, o Rafale F4, oEurofighter Typhoon Tranche 3, o F-35 (JSF), o F-16 avançado, o Saab Gripen C/D e oF/A-18 E/F Super Hornet. Os dois últimos foram rejeitados logo no início e, entre os restantes, o F-35 foi escolhido como a melhor opção pelo melhor preço e a Holanda entrou, em 2002, na fase de desenvolvimento e demonstração de sistema (SDD) da aeronave, embora sem nenhuma decisão de quando adquirir o caça.

Mas continuou-se a analisar os demais candidatos e outra comparação foi realizada em 2008. Estudou-se a volta do F-18 Super Hornet à competição mas, após várias discussões, ele não voltou a figurar oficialmente como um competidor. Já a Saab ofereceu uma nova versão, a NG, e juntou-se aos demais competidores da edição de 2001, respondendo a um questionário focado em preço, qualidade e prazo de entrega. A Dassault e o Consórcio Eurofighter decidiram retirar suas propostas, deixando candidatos apenas o F-35, o Saab Gripen NG e o F-16 avançado. Destes, o F-35 saiu o vencedor, levando-se em conta que, por volta de 2015, seria capaz de realizar todas as missões que os demais candidatos, com sucesso.

FONTE / FOTOS DE BAIXO: Ministério da Defesa da Holanda

FOTO DO ALTO: Força Aérea Chilena (FACh)

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Vader

Pronto, agora o Chile já pode começar a pensar no futuro mais distante.

Será que vem F-35 por aí?

Mauricio R.

Enquanto isso, nós perdemos definitivamente o bonde, ao insistirmos em reformar os F-5.
Um update semelhante, aplicado em aeronaves F-16 ou F-18, seria bem mais adequado.

Joker

Essa compra do F16 pelo Chile deve ser analisada com atenção.Os substitutos dessas aeronaves já devem ser analisados no mercado, haja a idade das mesmas e o contexto do Chile que ainda possui pendencias territoriais com alguns de seus vizinhos. Por mais que seus vetores em sua totalidade não sejam os mais novos do continente,exceto o lote de 10 F16 de fabrica adquiridos,existem celulas com menos horas e anos de voo.A racionalização da sua primeira linha em torno de um vetor extremamente capaz, gerando um unica linha logistica tanto em avionicos quanto em estrutura deve ser exemplo as nossas FFAA.… Read more »

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