segunda-feira, maio 17, 2021

Gripen para o Brasil

Typhoon na Líbia: números da RAF são divulgados na RIAT 2011

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Novas informações sobre a participação da RAF (Força Aérea Real Britânica) no conflito da Líbia foram divulgadas no RIAT 2011 (Royal International Air Tattoo), evento realizado em Fairford, no Reino Unido. Os dados são das missões do Tornado e do Typhoon na Operation Ellamy, com destaque para os comentários feitos sobre este último pelo Wing Commander (Comandante de Ala), JJ Attridge, que comanda a força desdobrada de Typhoons. A Eurofighter divulgou nota com um resumo das declarações do comandante:

“Já completei 30 surtidas em apoio à Resolução do Conselho de Segurança da ONU 1973, com uma duração média de 5 horas por missão, então me considero qualificado para dizer que o Typhoon amadureceu. Em pouco mais de 3 meses já voamos aproximadamente 1.300 horas, o mesmo que um Typhoon dando a volta ao mundo 24 vezes.”

Segundo o consórcio Eurofighter, isso não tirou o foco da história operacional do Typhoon, que está a postos 24 horas por dia, 365 dias por ano, no alerta de reação rápida (Quick Reaction Alert) no Reino Unido e nas Falklands / Malvinas. Ainda assim, o rápido desdobramento para a base italiana de Gioia del Colle, 72 horas depois do mandato original das Nações Unidas (sendo que, 12 horas após o mandato  já foi realizada a primeira missão na Operação Odyssey Dawn), mostram a capacidade de desdobramento e a importância dessa aeronave de nova geração. O que mais tem impressionado é a mudança de missão do Typhoon e de seus pilotos de ar-ar para ar-solo. Voltando ao comandante Attridge:

“Da perspectiva do piloto, o avião é espetacular. Mesmo ficando em média 7 horas na cabine a cada missão, você não poderia encontrar uma aeronave mais confortável para voar. O cockpit é grande quando comparado aos padrões de caças a jato velozes, e as informações do radar DASS e Link-16 são mostradas de maneira fácil e acessível. Isso permite que você possa desempenhar suas capacidades em 100% durante a surtida, sem sofrer de fadiga ou de falta de consciência situacional.”

“Devido à grande sobra de potência do avião, pode-se voar de Gioia à Líbia, numa distância de aproximadamente 650 milhas, cruzando a 40.000 pés e a Mach 0,9, mesmo com uma carga de 4 bombas Enhanced Paveway II de 1.000 libras, um pod de designação de alvos Litening III, além de mísseis AMRAAM e ASRAAM (ar-ar).”

“Somando tudo isso, me considero afortunado por testemunhar a maturidade do primeiro avião de combate multimissão da RAF desde a Segunda Guerra Mundial. E mais: como um servidor das Forças Armadas Britânicas, venho tendo a sorte de ter à minha disposição uma aeronave que preenche o ‘mantra’ da RAF de ser ágil, adaptável e capaz. Como me disse um piloto norte-americano, trata-se de uma excelente escolha, um “faz-tudo” (‘that’s a lot of bang for the buck’). Isso é reforçado pelo fato de que a média de horas voadas por aeronave durante essa operação cresceu de 24 para quase 90 por mês, o que demonstra a impressionante disponibilidade da plataforma.”

“Junto com o Tornado GR-4, o Typhoon vem permitindo que o Reino Unido atenda a seu compromisso com omandato das Nações Unidas para manutenção de uma zona de exclusão aérea na Líbia, ao mesmo tempo em que continua provendo a defesa aérea do Reino Unido e de suas possessões.”

No briefing da RAF na RIAT 2011, foram divulgados alguns números relacionados à frota conjunta de Tornado e Typhoon:

  • Surtidas voadas: 1.114
  • Participação no total de surtidas completadas pela OTAN: 21%
  • Horas voadas: 2.395
  • Duração em média: 2,14
  • Porcentagem de ataques em relação ao total da OTAN: 15%
  • ATO do Typhoon: 97%*
  • ATO do Tornado: 97%*
  • Ataques realizados pelo Typhoon: 91
  • Ataques realizados pelo Tornado: 455
  • Taxa de sucesso global: 97%

FONTE / FOTOS: Eurofighter (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

*NOTA DO EDITOR: a sigla ATO, até onde sabemos, refere-se a ‘Air Tasking Order’, o documento formal para designar aeronaves à missão por determinado período, que nesse caso deve estar sendo utilizado no informe para dar a taxa de cumprimento de ATO.

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