segunda-feira, maio 17, 2021

Gripen para o Brasil

Brasil precisa formar 100 pilotos a mais por ano para atender à demanda

Destaques

Alexandre Galante
Jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Por trás das panes aéreas de 2010 está o déficit no setor, que aumenta com a saída de profissionais para outros países emergentes

Nataly Costa

Em 2010, duas panes aéreas por falta de tripulação revelaram o fantasma da aviação comercial: vai faltar piloto no País. Desde 2008, licenças emitidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para piloto de linha aérea caíram quase pela metade. Mas o transporte aéreo cresceu 27% em um ano. Em jogo, está a segurança do passageiro, já que a urgência de mão de obra força empresas a contratar profissionais com menos experiência, dizem especialistas.

A grande dificuldade do setor, segundo a própria Anac, é o alto custo da formação e a debandada dos pilotos para outros mercados emergentes, como Ásia e Oriente Médio. Só na Emirates, que tem sede em Dubai, mais de cem pilotos são brasileiros.

Coincidentemente, é o mesmo número de profissionais que vai faltar anualmente para o mercado nacional. “Pelo menos até a Copa de 2014, vamos precisar de no mínimo cem pilotos a mais por ano além do que temos hoje, em uma estimativa bastante conservadora”, afirma o superintendente de Capacitação e Desenvolvimento de Pessoas da Anac, Paulo Henrique de Noronha. “Se a aviação crescer 25% até 2014, vai faltar piloto, sim. E pode ser pior, pode crescer 50%.”

FROTA. Com o brasileiro viajando cada vez mais – os aeroportos da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) ganharam 20 milhões de passageiros em um ano -, empresas investem em novas rotas e aeronaves, o que demanda mais tripulação. Pelo menos 40 novos aviões foram incorporados às frotas das quatro maiores companhias do Brasil até setembro – TAM, Gol, Azul e Webjet.

Pelo Código Brasileiro de Aeronáutica, isso implicaria em no mínimo 200 novos pilotos, cinco para cada aeronave. A Anac emitiu apenas 192 licenças PLA (piloto de linha aérea) de janeiro a julho deste ano.

“AUTOESCOLA”. A necessidade de mão de obra esbarra no processo de formação de um piloto, que não é simples. “Demora, é cara e ele não entra na empresa do dia para a noite, precisa de experiência. Em certo ponto, é até uma atividade elitista”, explica o diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), comandante Ronaldo Jenkins.

“É como uma autoescola, porque ele tem de pagar pelas aulas práticas. E a hora de voo custa hoje, em média, R$ 350”, explica Mário Renó, dono da escola de aviação TAS, em São José dos Campos. “A Força Aérea Brasileira já foi responsável por suprir o mercado, hoje não mais. Depois vieram as escolas das empresas, como Varig e Vasp, que eram ótimas e forneciam gente para todo o mercado. Agora é por conta dos aeroclubes”, explica.

“Por baixo dos panos, sabemos que tem empresa contratando profissionais com experiência bem baixa”, conta Paulo Eduardo Santos, piloto de companhia aérea há 12 anos. “Se por um lado ajuda quem está em formação, por outro prejudica a segurança do passageiro.”

“Antes, ninguém entrava com menos de 4 mil horas de voo. Hoje, você já contrata piloto com mil horas”, diz Jenkins.

Roei Ganzarski

TRÊS PERGUNTAS PARA…
DIRETOR DE TREINAMENTO E SERVIÇO DE VOO DA BOEING

1. A Boeing diz que a América Latina precisará de 37 mil pilotos em 20 anos. Qual o papel do Brasil?
A aviação sul-americana vai crescer mais rápido que a média mundial e o Brasil será o protagonista do cenário.

2. O resto do mundo também enfrenta o problema de mão de obra?
Ásia e Oriente Médio têm o mesmo problema.

3. Como é o intercâmbio de pilotos?
Com a mão de obra mais móvel, cria-se uma demanda global versus uma demanda regional. Quanto mais flexível o trabalho, mais oportunidades de emprego no mundo.

FONTE: Estadão / FOTO: Patrick Lutz – Airliners.net

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M1

Isso está acontecendo até com motorista de caminhão.

Quanto mais de piloto.

Samuel B. Pysklyvicz "Jaguar"

Algumas áreas realmente esta faltando pessoas especializadas.

Nadim Chaachaa

Prezados srs., A Associação Asas para o Brasil, com inscrição municipal 459.943-8 e CNPJ 11.160.735/0001-07, é uma Organização não Governamental localizada na cidade do Rio de Janeiro e criada com o objetivo de desenvolver projetos culturais, educacionais, de proteção ambiental e de desenvolvimento tecnológico, sempre com foco na aviação e que teve suas atividades iniciadas em Janeiro passado. Com relação ao constante debate que vem ocorrendo a respeito da formação de pilotos e a contratação de pilotos estrangeiros, a Associação apresentou às empresas AZUL, TAM, Vale e EBX, para a Associação das Indústrias Aeroespaciais Brasileiras, ao Sindicato Nacional dos Aeronautas,… Read more »

Rodrigo

Eu agora no ano que vem vou checar o meu PPH e queria financiar o PCH para voar logo tudo e já começar a trabalhar, só que não existe uma linha de crédito com juros aceitáveis para formação em aviação.

Nadim Chaachaa

Prezado Rodrigo,

Se algum banco ou empresa de aviação tivesse interesse, nós poderíamos trabalhar junto com essas empresas para criar um crédito educativo para a aviação com juros reduzidos, já que elas teriam benefícios fiscais pela parceria com a nossa Associação.

Acredito que o “boca a boca” é uma ferramenta muito poderosa. Vamos usá-la para ajudar com que nossa aviação civil tenha o mesmo dinamismo de tempos passados.

Cordialmente,

Nadim Chaachaa
Diretor-Presidente
Associação Asas para o Brasil – Assistência Social.

Nadim Chaachaa

Prezado Rodrigo,

Uma outra possibilidade seria a criação de uma cooperativa de crédito cujo fundo seria formado pelo patrocínio dos funcionários das empresas de aviação. Essa doação seria descontada em folha de pagamento e daria aos funcionários em troca os benefícios fiscais previstos para apoio a projetos de ONG’s.

Nesse caso o juro seria zero, se comprometendo o beneficiado do empréstimo a devolver o valor recebido, apenas com as correções sobre a inflação, para que outros possam continuar sendo beneficiados com o fundo da cooperativa.

Cordialmente,

Nadim Chaachaa.

Rodrigo

Prezado Nadim, é bom saber que existem pessoas e instituições lutando para uma melhora da nossa condição como aviadores, pois esperar da ANAC demora demais. Cooperativa é bom para quem já está na profissão e não para quem quer entrar nela. Por coincidência a proposta de crédito que mais me interessou foi a do Santander, mesmo assim é uma taxa de juros alta e estou me preparando financeiramente para viver com migalhas e o resto pagar a formação 😀 😀 😀 O que precisamos de verdade é de uma linha de crédito ao estilo dos créditos educativos ou que se… Read more »

MatheusTS

Eu daqui a alguns anos ja vou começar o basico. O problema realmente é chegar nessas 1000H o geito é trabalhar em empresas menores ou particulares porque 350R$ a hora é muito caro. Bom saber que serão 37.000 não sabia que eram tantos….

Galileu

Rodrigo
Sim o que falta é uma espécie de ” fies” para a aviação, como tem pra facul…..

Ira

Que bacana, Rodrigo, parabéns, logo estará comandando asas rotativas. Também tenho muita vontade de pilotar, mas por enquanto, só flight simulator… pelo jeito também faltará mão de obra na área de manutenção, legal, pois estou quase me formando no curso de mecânico básico… e vou tentar tirar as 3 carteiras ( grupo motopropulsor, célula e aviônica). Tomará que nenhuma mardita crise econômica atinja o setor, como de praxe acontece.

1manauara

quem é míope pode ser piloto comercial ou privado?

Alexandre

Meu amigo, do jeito que as coisas vão até cego vai voar.

JZG_Pedro

Pessoal,

Pensem 20x antes de contrair dívidas p/ bancar o curso de piloto. Não pensem que vão fazer 150h rapidinho e já entrar de copila numa linha aérea. É uma área complicada, pequena, cara, em que as coisas mudam muito.

rafhael

Acho que pra quem não é filhinho de papai, deve fazer um técnico na área ou fazer uma faculdade primeiro, ai arrumar um trampo bom, economizar e com uns 25 anos começar a fazer os cursos todos, assim, com uns 30 anos voce já terá as horas de voo necessárias e poderá começar a procurar emprego de piloto nas grandes companhias. Eu estou fazendo Faculdade de Logística, pretendo ir pro setor aéreo, e tbm vou fazer o curso de piloto, primeiramente por paixão, não por dinheiro, por isso vou focar na parte de acrobacias aéreas, o que vier depois é… Read more »

Rodrigo

Galileu disse: 7 de novembro de 2010 às 19:05 É por aí. Eu não faço a menor questão que alguém pague para mim, somente quero pagar uma taxa de juros mais em conta. Uma coisa que também não será possível será uma massificação da profissão. Não é só tirar o CCF, fazer provas e as horas práticas. Aviação exige bem mais que isto e definitivamente não é para qualquer um. ——————————— 1manauara disse: 7 de novembro de 2010 às 19:50 Eu também sou míope, foi por isto que fui reprovado no exame da EPCAR. 😀 Só não da para voar… Read more »

Mario no japao

quanto custa para tira a abilita a carteira de piloto

Rodrigo

Depende da carteira…

PCH entre R$55 e 70mil

Avião eu não sei.

Glauber

Quero ser piloto também,só que não tenho grana no momento,então vou ter que trabalhar e ajuntar o dinheiro pra poder pagar o curso,e as horas de vôo,isso a longo prazo..

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