sexta-feira, junho 24, 2022

Gripen para o Brasil

O novo caça é bom, mas preço é preocupante

Destaques

Guilherme Poggiohttp://www.aereo.jor.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Reportagem do site da revista semanal India Today discute escolha do Rafale pela IAF

 

 De certa maneira, não há nada de surpreendente sobre a decisão do governo em iniciar negociações de preço com a empresa francesa Dassault para cumprir uma exigência da Força Aérea Indiana (IAF) sobre a compra da aeronave de combate Média Multitarefa (MMRCA).

Uma vez que a IAF decidiu que queria o melhor caça, não necessariamente os mais econômico, ficou claro que a escolha seria entre Eurofighter Typhoon e o Rafale.

De acordo com analistas, o Rafale é um caça multitarefa melhor que o seu concorrente mais próximo, o Eurofighter, e ligeiramente mais barato. Então, seguindo o critério que o governo segue geralmente, de aceitar a proposta de menor preço, o Rafale foi escolhido.

Atendendo aos rigorosos critérios técnicos da IAF, não deve haver nenhuma dúvida de que o Rafale será um caça de primeira classe e que é tão bom quanto o Eurofighter na função ar-ar, e um pouco superior a ele na função ar-solo. A questão, ao contrário, vai se relacionar com os custos.

O montante a ser gasto no MMRCA original, que era inicialmente avaliado em US $ 10,4 bilhões para a compra de 126 caças, inchou para US $ 20 bilhões. O projeto final só será conhecido após o processo de negociação de preços a ser feito na etapa seguinte.

A competição MMRCA foi um tanto peculiar. Como é possível conciliar aviões pequenos e monomotores como o JAS 39 Gripen e o F-16 contra o pesado bimotor Eurofighter e o Rafale? Inicialmente, a exigência parecia ser para satisfazer as necessidades dos aviões de combate leve, que tinha sido adiada.

Mas, claramente, incluindo caças multitarefa pesados, a competição mudou de rumo. Desde o início, a força aérea tinha falado sobre a necessidade de se preocupar com “os custos do ciclo de vida” (LCC) do caça que iria comprar.

Mas como poderiam comparar o LCC dos caças leves com o de caças pesados? Somente no final é que a IAF decidiu que precisava de um caça pesado e bimotor, selecionando os dois finalistas no ano passado. E decidiram pelo Rafale.

A questão dos custos do ciclo de vida não desaparecerá. Quando o Rafale chegar, ele integrará a frota juntamente com os Su-30MKI, MiG-29, Mirage 2000, Jaguars e outras aeronaves. Ao longo dos anos, a IAF se deu conta do alto preço que tiveram de pagar por esta multiplicidade de tipos.

Esta é uma época em que as forças aéreas estão reduzindo drasticamente seus tipos de aeronaves para manter os custos baixos.

Não é segredo que a Índia será o primeiro país, depois da França, a ter optado pelo caça. Isto significa que uma parte substancial dos custos de desenvolvimento da aeronave será suportados pelos indianos. O Rafale ainda está no estágio inicial do seu ciclo de desenvolvimento.

Três países ainda consideram a possibilidade de adquirir o Rafale, e chegaram perto dela, mas depois desistiram: Brasil, Emirados Árabes Unidos e Suíça. A Suíça decidiu que o Rafale era muito caro e procurou uma alternativa mais barata.

Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), em novembro passado, o Sheikh Mohammed, responsável pelas forças armadas dos Emirados, disse que a oferta da Dassault era “não competitiva e impraticável em termos comerciais”. Os EAU ficaram irritados com as exigências francesas de US$ dois bilhões para desenvolver o caça.

Agora, os franceses têm os ricos indianos para fazer o que os pobres árabes e os pobres suíços não puderam.

O que a Índia precisa se preocupar é com o custo para colocar a sua força aérea em funcionamento. Ela já tem um grande número de caças bimotores e vai incorporar, no futuro, mais caças de quinta geração (FGFA) da Rússia.

De fato, com a entrada em serviço do Rafale, a força aérea terá apenas caças pesados praticamente, porque não haverá caças leves em número suficiente para a realização de patrulhas de combate aéreo a baixo custo.

A Força Aérea está fazendo sua cama, mas é o contribuinte do país que tem que dormir nela.

FONTE: India Today

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO: Poder Aéreo

COLABOROU: DrCockroach

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Nick

Análise interessante. De certa forma, a questão dos custos foi ignorada pela Índia, por uma maior capacidade do caça selecionado. Agora se o orçamento da Força Aérea Indiana não for aumentada, resultará em menos horas-vôo e manutenção deficiente. É só lembrar como eles deixam seus SU-30MKI ao relento, enquanto outros países ao menos deixam eles em hangaretes. Será que daqui 10 anos leremos notícias do tipo “semana sim, semana não, um Rafale no chão?” Sobre o Rafale estar em estágio inicial de desenvolvimento, discordo. Ele estaria no momento exatamente no meio de seu ciclo de vida como produto. Mas sem… Read more »

Marcos

Já assinaram o contrato? Não!
Só quero ver, lá na frente, os indianos dizerem: “não foi possível prosseguir nas negociações devido as intransigências dos franceses”.
Lembrando que do orçamento previsto à proposta, o custo dobrou.
Mais: como diz o texto, vão ficar sem uma aeronave leve.
E sabe-se lá o custo operacional de uma força com tantas aeroanves diferentes: Jaguar, Mig29, Su-30, T-50 e mais o delta deles.
O que é bom para a Índia é bom para o Brasil? Nunca foi! Mas parece que na mão de quem não entende de nada passa a ser.

Antonio M

E o jornal nem é dos zamericanumalvado ou dos suécobobão ……

RA5_Vigilante

“Mais: como diz o texto, vão ficar sem uma aeronave leve.”

FYI:

*ttp://www.youtube.com/watch?v=UkM0ZHMv7Gk

MMRCA: MEDIUM Multi-Role Combat Aircraft, o texto tem falhas. Caça pesado é o MKI e futuramente FGFA.

Saudaçoes

masadi45

SE VOCÊ QUER UM PRODUTO BOM, A PREÇO DE BANANA . VAI ACABAR LEVANDO UMA………………BANANA

Almeida

Haja grana pra tirar 126 Rafales do chão…

Renato Oliveira

Caro masadi, o problema é comprar bananas – ou no caso da Índia e da PeTralhada, jacas – a preço de produto bom.

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