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Atrasos no F-35 não afetarão primeiras entregas à Holanda, mas preocupam

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Ministro da Defesa da Holanda disse que duas primeiras entregas de aviões de teste ao país não serão afetadas. Mas chefe do programa do F-35 nos Estados Unidos declarou que ritmo de produção do caça deveria ser diminuído

Um possível atraso nas primeiras séries do F-35 não afetará, necessariamente, as entregas das duas primeiras aeronaves de testes destinadas à Holanda, de acordo com o ministro da Defesa do país. É esperado que a Lockheed Martin entregue o primeiro F-35 holandês, para testes, em agosto de 2012. A segunda aeronave tem previsão de entrega em março de 2013.

Por outro lado, o chefe do programa do F-35 nos Estados Unidos, vice-almirante David Venlets, declarou recentemente ao site AOL que a produção do caça deveria diminuir o ritmo. Isso devido a testes realizados nos últimos 12 meses, que revelaram fissuras potenciais e pontos fracos na estrutura.

Segundo Venlet, “a maioria (das potenciais fissuras e pontos fracos) é pequena, mas se você coloca tudo junto num pacote, vê onde elas estão na aeronave e como seria difícil acessá-las depois de ter comprado o jato. Então os custos decorrentes disso fazem perder o fôlego.”

O vice-almirante destacou que a segurança e o desempenho não foram comprometidos, e que as irregularidades não significam que partes da estrutura vão durar menos. Ele considera um erro o fato das primeiras aeronaves já estarem sendo produzidas enquanto os modelos ainda são testados.

O Pentágono encomendou 30 caças F-35 para 2011. O número deverá crescer a cada ano, de forma que em 2017 um total de 200 aeronaves do tipo serão entregues à Força Aérea dos EUA (USAF). Os Estados Unidos deverão comprar mais de 2.400 F-35 a um custo de 283 bilhões de euros. Já a Holanda espera tomar uma decisão final sobre substituir sua frota de F-16, que está envelhecendo, por novos F-35 após 2015.

A parlamentar Angelin Ejisink, doPartido Trabalhista Holandês, quer mais clareza sobre um possível atraso: “Há problemas com os sensores e o assento ejetor e eu posso listar outros dez.” Ela disse que já estava sabendo dos problemas com a estrutura.

O ministro da Defesa Hans Hillen deverá visitar o Pentágono e a Lockheed Martin no ano que vem, quando saberá mais sobre outros desenvolvimentos desse programa que vem sendo afetado por atrasos e problemas técnicos.

FONTE: Radio Netherlands Worldwide (tradução, adaptação e edição: Poder Aéreo)

FOTO: jsf.mil

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Marcos
Marcos
8 anos atrás

Bom… operam os F-16 e vão substituí-los integralmente pelos F-35, com crise e tudo.

Ou seja, mais uma disponibilidade de equipamentos velhos para o Brasil comprar, embora não acredite muito que o Brasil possa interessar-se por essas aeronaves. Por quê? Porque há um antiamericanismo em andamento em terra brasilis.

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

A ultima vez que uma caça teve o desenvolvimento tão problemático assim foi o F-111. Curiosamente, também fruto dos devaneios de um secretário de defesa mais interessado em cortar custos do que nas necessidades das forças armadas americanas.

Marcelo
Marcelo
8 anos atrás

Clesio, bem lembrado. Inclusive o F-111 teria uma versão interceptador para a US Navy, que acabou comprando o F-14 (para o bem deles)…
Engraçado como a história se repete. Essa história de 1 “design” para 3 funções/serviços só fica bem no papel.

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

Eu tenho pra mim que esses problemas poderiam ter sido evitados se escolhessem outro fabricante como vencedor do programa JSF. Quando a Lockheed começou a trabalhar no seu candidato ao JSF, ela estava no meio de uma reformulação do que viria a se tornar o F-22A. Foram dois gigantescos projetos de engenharia comandados por uma empresa que não vendia caças para a USAF desde os anos 50 (e o F-104 já teve um desenvolvimento conturbado). Quando a casa caiu para cima do F-22, a Lockheed nem esboçou uma reação, pois já tinha embolsado o dinheiro do projeto do Raptor e… Read more »

DrCockroach
DrCockroach
8 anos atrás

“Ele considera um erro o fato das primeiras aeronaves já estarem sendo produzidas enquanto os modelos ainda são testados” Ou seja o modelo chamado “concurrency”, ou a simultaniedade da producao com os testes. Aqui vai a explicao do erro: porque a Lockheed Martin mamav…digo, ganhava o dela conforme a producao, e quanto mais custosa, melhor por causa do famoso contrato cost-plus. Como diria o ministro do STF: “Eiitaaa” Embora a Holanda seja participante do programa, nao estah confirmada a decisao em favor do F-35, isto vai depender do novo governo e de como estiver a economia da Holanda nos proximos… Read more »

Giordani RS
Giordani RS
8 anos atrás

A busca pelo 3 em 1 parece que só deu resultado na eletróla…mas os “especialistas” querem uma nave que seja caça/interceptador/bombardeiro/nave espacial ao preço de um A-7…aí só pode dar coisa errada mesmo…o atual secretário repete os mesmos erros do McNmara, um executivo de carreira(ford), que só via gráficos a sua frente…o F-111 queimou e requeimou as verbas e com o pouco que sobrou a marinha desenvolveu o TF-30 e o F-14…e a história se repete…não se surpreendam se a USN aparecer com o seu A-12…

Observador
Observador
8 anos atrás

Pois é. Já faz mais de ano quando comparei o F-35 com um marreco (voa, nada e anda, mas faz tudo de forma ruim) e fui virtualmente linchado. Até acho bem factível um avião cumprir as funções de interceptação/caça/bombardeio, de forma a substituir os F-15, F-16, F-18 e AV-8B e, ainda por cima, ser stealth. Mas somado a isto tudo, substituir até mesmo os A-10 sempre achei demais. Sem modificações extremas no projeto (como foi com a versão “B” do F-35), é difícil O f-35 substituir o A-10, que tem um GAU/8-A cujo conjunto é do tamanho de um fusca,… Read more »

Vader
8 anos atrás

Clésio Luiz disse:
5 de dezembro de 2011 às 13:17

“A ultima vez que uma caça teve o desenvolvimento tão problemático assim foi o F-111.”

Me desculpe, mas me parece que problemático é o desenvolvimento quando os caças caem. Só com o F-16 consta que foram 6 mortes até a entrada em operações.

O F-35 ainda não teve um único acidente.

Sds.

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

Atraso de vários anos na entrada em serviço e custos de desenvolvimento subindo pelo teto são qualidades agora? Temos que avisar os europeus envolvidos com o A400M que está tudo bem, eles não estão enfrentando problemas, mas as benesses do programa… Pela sua definição, o projeto do F-111 teria sido um sucesso, já que as primeiras mortes ocorreram em serviço no Vietnã. A única coisa que (ainda) não parece ser problemática no projeto do F-35 é a aviônica, e isso porque ainda não estão testando para valer, porque a parte estrutural é um pesadelo de engenharia para fazer funcionar corretamente.… Read more »

RA5_Vigilante
RA5_Vigilante
8 anos atrás
Vader
8 anos atrás

Clésio Luiz disse: 5 de dezembro de 2011 às 22:41 Não falei que atrasos e aumento de custos são qualidades, você quem está dizendo isso. São problemas, que não podem ser ignorados – como não são – e que devem ser equacionados. O F-111 foi uma aeronave muito menos revolucionária que o F-16, e está a anos-luz das TRÊS aeronaves F-35 em termos de inovação. Não compare laranja com melancia: comparar o processo de produção de um caça americano dos idos de 60 com o atual é mais ou menos como comparar a pedra polida à liga de titânio. Voltando… Read more »

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

Ou seja, o F-35 tem vários problemas mas isso não torna seu projeto problemático, entendi…

Vader
8 anos atrás

Ah sim, se você quer discutir a semântica do termo “problemático”, fique à vontade: qualquer dicionário lhe satisfará a curiosidade. Uma boa definição do google é “de resultado duvidoso”. Bem, ocorre que o F-35 não é de resultado duvidoso: é uma realidade. O fato de se ter vários problemas não torna um caça em “problemático”. Até porque, se assim fosse, todos o seriam, pois todos tem “problemas”. Já dei o exemplo do F-16, e você mesmo citou o F-111, mas os há aos montes: Rafale, Eurofighter, Tejas, Su-35, e etc. ad infinitum… Mas fique à vontade para se divertir com… Read more »

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

Daqui a trinta anos, em qualquer livro sobre o F-35, vão constar os numerosos problemas no seu desenvolvimento. Não importa a palavra empregada: problemático, turbulento, conturbado. Que o desenvolvimento dele está com um nível de problemas acima da média é um fato. Mas fique a vontade para negar, quem sabe algum político americano se convence e libera umas verbas.

Tadeu Mendes
Tadeu Mendes
8 anos atrás

Nao adianta chorar…o F-35 vai entrar para a historia.

E uma aeronave extremamente sofisticada a nivel de software/firmware.

Nao existe PAK-FA ou J-20 que chegue perto de tal complexidade.

Vader
8 anos atrás

Clésio Luiz disse:
6 de dezembro de 2011 às 21:44

Não estou negando nada não caro Clésio, assumo totalmente que o F-35 tem problemas. Quem não assume que ele é uma REALIDADE é o amigo.

O que eu estou lhe oferecendo é uma outra visão. Uma visão em perspectiva: compare o “problemático” F-35, que até agora, em alguns milhares de vôos de teste, não teve um único acidente grave, com o desenvolvimento de outras aeronaves a jato, em que pilotos morreram e aeronaves inteiras foram perdidas, por falhas técnicas e de projeto.

É isso o que quero dizer.

Sds.

Antonio M
Antonio M
8 anos atrás

Os problemas com o F35 são inerentes ao pioneirismo ….. Obviamente que o F22 já deu muitas lições mas sempre surgem novos problemas que demandam novas soluções, que por sua vez nem sempre são baratas ….

Grifo
Grifo
8 anos atrás

Senhores, se usarmos como critério o principal foco do programa JSF – baixo custo de desenvolvimento, produção e operação – não dá para dizer que ele foi bem sucedido. Além disso, os sucessivos atrasos permitiram que as outras aeronaves no mercado alcancem ou mesmo ultrapassem o F-35 em vários cenários. Por exemplo, a minha impressão é que com as melhorias planejadas pela Boeing e pela GE o Super Hornet tende a continuar sendo melhor aeronave disponível no mercado para a função de superioridade aérea. Trazendo aqui para o Brasil, é por isso que eu defendo que o FX-2 seja escolhido… Read more »

Antonio M
Antonio M
8 anos atrás

Por isso que acho interessante Gipen NG deveria ser uma única versão, navalizada, como é o F18, pois para tal não precisa de tantas modificações e o custo da aeronave não seria muito alterado e a FAB e MB como seus usuários ajudaria a cortar/melhorar custos de manutenção; Creio que o F18 não possa operar no PA São Paulo mas o Gripen poderia. Mas essa estória para dar certo, precisariamos do tempo a favor e já se perdeu muito. E sei que demanda de outros fatores como o caça já estar desenvolvido e, principalmente, a escala mas, com nossas compras,… Read more »

Clésio Luiz
Clésio Luiz
8 anos atrás

Existe uma corrente que diz que o programa do F-35 “é grande demais para falhar”. Na verdade o futuro dele não está garantido, nenhum programa militar está. de vinte anos pra cá muitos programas importantes foram cancelados, e nesses tempos de crise econômica, o F-35 pode muito bem acabar sendo um bode expiatório, sendo cancelado. São poucas as possibilidades de isso acontecer, porém. Ou então, a quantidade encomendada ser reduzida drasticamente. Foi o que aconteceu com o F-22. Quando chegam as eleições, vai ter muito candidato soltando aos quatro ventos o quanto ele economizou o dinheiro dos contribuintes (como eles… Read more »

Tadeu Mendes
Tadeu Mendes
8 anos atrás

Prezado Clesio,

Upgrade nao significa inovacao. Tudo bem que os futuros F-18 Mega Hornet(rsrsrsrs) e F-15SE se constituam em um tremendo facelift, provavelmente serviriam somente como cacas tampao.

Tanto o novo Super Hornet, quanto o novo F-15SE seriam uma maravilha se fossem comprados para a FAB, mas para a USAF, nao serviriam como substituto para as especificacoes embutidas nos F-35.

Pode ate ser que decidam manter os F-35 no fogo brando (LIRP) por mais 2 ou 3 anos, mas cancelar ou diminuir drasticamente a encomenda inicial para a USAF e US NAVY; acho muito dificil.