domingo, maio 16, 2021

Gripen para o Brasil

Mais resfriadores de mísseis IR para os F/A-18

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

030403-N-9319H-012

Na terça-feira passada, 11 de maio, a Marotta Controls informou que a Marinha dos EUA (USN) fez uma encomenda adicional de um número superior a 350 M-PACT. Com a nova encomenda, cujo valor excede 6 milhões de dólares (10,6 milhões de reais),  segundo a empresa, a quantidade de M-PACTs adquiridos pela USN no contrato supera 1.000 sistemas, para uso em aeronaves F/A-18 das versões A a F (do Hornet ao Super Hornet).

O M-PACT é um sistema embarcado gerador de ar puro de alta pressão (high-pressure pure air generation systems – PAGS). Comprimindo e retirando a umidade do ar, ele fornece um fluxo contínuo e ar puro e seco para o resfriamento das cabeças de busca de mísseis ar-ar. O M-PACT pode ser instalado tanto no lançador LAU-7 quanto no LAU-127 dos F-18, servindo como uma substituição direta das garrafas de nitrogênio empregadas tradicionalmente para resfriar os mísseis.

A empresa também informou que a integração das tecnologias do M-PACT em outras plataformas está em andamento. Em conjunto com a Boeing, a Marotta está trabalhando para integrar o sistema nos P-8A Poseidon da USN, para fornecer o ar comprimido de alta pressão necessário para lançar armas dos pilones da aeronave, tanto os da fuselagem frontal quanto os debaixo das asas.mpact-ir-missle-seeker-cooling-systems - foto Marotta Controls

FONTE / FOTO DO M-PACT: Marotta Controls

FOTO DO SUPER HORNET: USN

NOTA DO BLOG: grosso modo, um sistema do tipo pode ser comparado, nas vantagens que traz para a capacidade autônoma de aeronaves de combate, ao OBOGS (On-Board Oxygen Generating System), que “produz” oxigênio para o piloto e dispensa a instalação e recarga de garrafas de oxigênio, permitindo missões de maior duração.

No caso, o sistema que dispensa as garrafas de nitrogênio, tradicionalmente utilizado para resfriar as cabeças IR dos mísseis, pode contribuir para uma maior capacidade de autonomia da aeronave em relação aos sistemas de apoio de bases, em situações de desdobramento, sem que essa dependa do fornecimento / recarga de garrafas .

Um interessante artigo que saiu originariamente no site da Associação Brasileira dos Pilotos de Caça (ABRAPC) e foi publicado também aqui no Poder Aéreo, discute justamente essa questão da autonomia, no escopo maior de emprego de mísseis ar-ar nos A-29 da FAB. Vale a pena ler o artigo mais uma vez, disponível no topo da lista dos links abaixo.

Vale lembrar que os lançadores LAU-127, que na USN estão recebendo o sistema M-PACT, fazem parte da proposta já divulgada do Super Hornet da Boeing para o F-X2 (total de 144 unidades – veja o último link da lista abaixo).

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Gerson Victorio

Ae Nunão,

Boa matéria…parabéns!!!

Gerson

Mauricio R.

“Vale lembrar que os lançadores LAU-127, que na USN estão recebendo o sistema M-PACT,…”

esse LAU-127 não é a sapata de missíl que serve tanto ao Sidewinder como ao Slammer???

Gutex

Seriam estes tipos de sistemas de resfriamento que nossos AMX não possuem? Já ouvi algo a respeito, porém a teoria mais difundida é a falta de cabeamento… Alguem saberia o real motivo da impossibilidade dos nossos AMX de disparar misseis? Tirando a ausência de radar é claro… hehe

Edcreek

Olá,
Uma pena o pacote Americano contemplar apenas:

– 28 AIM-120C-7;
– 28 AIM-9M;

Além do numero baixo vejo a adoção do “M” ao inves do “X” um limitador grave.
Sobre o numero o problema é da FAB, agora não faz sentido usar o “M” se já temos o “X” disponivel, pelo menos para os aliados Americanos, certamente o modelo mais avançado não esta disponivel para nós.

Abraços,

Rodrigo

Quem pediu o M foi a FAB, porque na época o X ainda não estava disponível para exportação.

Vader

Edcreek disse: 14 de maio de 2010 às 13:12 “Sobre o numero o problema é da FAB, agora não faz sentido usar o “M” se já temos o “X” disponivel, pelo menos para os aliados Americanos, certamente o modelo mais avançado não esta disponivel para nós.” Primeiro que o problema não é da FAB, é do Brasil. Se a FAB perde, perde o Brasil. Ou vc acaso está se referindo à Força Aérea Boliviana (FAB)? 🙂 Segundo que o AIM-9X ainda não está disponível sequer para os EUA (está em testes). E quando estiver, vai demorar para estar disponível para… Read more »

Edcreek

Olá, Vader

Me expressei mal no “circulo temporal”:

A proposta para entrega do Super Hornet é em 2014 até lá o “X” estará sim disponivel. E certamente não só para EUA como Inglaterra e Coreia por exemplo, até 2020 quem sabe não se libera para nós?

Sobre o problema ser da FAB fui parcialmente correto já que quem definiu o numero de unidades foi ela, ao meu ver um numero baixo, no fim todos perdemos como voçê bem disse.

Abraços,

Alex Nogueira

O número de mísseis do “pacote” que foi ofertado a Força Aerea Brasileira foi decidido pela Boeing, ou seja, pelo congresso americano, dúvido muito que um número muito maior de armas fosse liberado; só para constar, alguém aqui sabe como anda a encomenda de 100 AIM-120C do Chile?

Edcreek

Olá, Alex Nogueira

Questão interessante, eu vi que o Chile queria comprar mais 100 AIM para juntar aos outros já disponiveis, mas depois não vi mais nada, será que desistiram? os Americanos não liberaram? já compraram?

Abraços,

Paulo Rick

Gente, Duvido muito que a FAB tenha difinido o número e o tipo de armamento, ela no máximo deve ter definidos os armamentos que queriam e a quantidade mínima, ou seja, a classe do míssil, agora a versão do míssil que define isso são os concorrentes, como também a quantidade, que pode ser ou não acima do que a FAB pediu como mínimo. O AIM-9X não é para nós, e como estamos desenvolvendo o A-Darter, não tem sentido, porém, isso acrescenta custos e determina uma obrigatoriedade em ToT´s para a integração do novo armamento. Por sinal, a quantidade de AIM-120C… Read more »

Clésio Luiz

Vader, o -X entrou em serviço em 2003… A Ratheon disse que já entregou mais de 3.000 deles.

Vader

Alex Nogueira disse:
14 de maio de 2010 às 13:53

Alex, ao que consta o RFP emitido pela FAB sequer mencionava armamentos. A Boeing (assim como a Dassault em relação ao MICA) colocou “por conta”. E ao Congresso Americano cabe deferir ou não a venda, e não especificar quantidades.

Quanto aos AIM-120 da FACh, consta já haverem sido recebidos normalmente, após algum atraso da Raytheon (s.m.j.) por problemas puramente logísticos.

Sds.

Alex Nogueira

Penso que qualquer armamento seria interessante para o Brasil em termos de aprendizado, mesmo em pequenas quantidades poderiam ser usados para comparação com outros e para desenvolvermos nossos próprios meios.

Joca

Excelente matéria, sempre tive interesse em saber como era feito o controle térmico dos mísseis, pois como “curioso” da área de eletrônica, sei que o tipo de componentes sensíveis dos mísseis tende a aquecer, também é fato que a temperatura elevada nesses componentes reduziria e muito os níveis de precisão do míssil em sí.

Imaginei que a própria velocidade de vôo fosse capaz para refrigerar todos os sistemas…

Só um aviso para os editores do blog. Umidade não tem H no PT-BR.

NOTA DOS EDITORES:
JOCA, OBRIGADO POR AVISAR. JÁ ESTÁ CORRIGIDO.

Vader

Clésio Luiz disse:
14 de maio de 2010 às 14:01

Ops, verdade Clésio, estava a me referir ao Block II…

Obrigado pela correção.

Alex Nogueira

o.O !!!

Apesar de ter sido compra de prateleira, creio que o Chile, se realmente foi concretizado todas essas compras de armamentos, seja hoje a maior “potência” da AL, mesmo tendo menos vetores (em número) do que o Brasil, o Chile possui aeronaves com melhor desempenho e muito melhor armadas (número de armamentos/estoque) do que nós, em caso de um conflito, penso que teriamos poucas chances.

Até hoje acho que não foi divulgado o número oficial de misseis Python/Derby e bombas Lizard que temos, não é?

Bosco

Vader,
O Clésio está correto. O X já está em uso desde 2003.
A versão Block 2 é que ainda não está disponível e que terá um alcance de 40 km e data-link (NBVR/quase além do alcance visual).
O que também ainda não está homologado é o uso do AIM-9X contra alvos de superfície.
Um abraço.

Edcreek

Olá,

O pedido de aeronaves é de 36 isso da menos de 1 missel por caça, eu realmente não entendi esse numero, e custo a crer que foi somente a FAB que definiu esse numero tão baixo, apesar de ter esse informação que foi a FAB que definiu esse valor, sei lá…..

Abraços,

Bosco

Alex,
Já li em algum lugar que compramos 200 kits da Lizard.

Edcreek

Continuando

Me referi ao numero de AIM-120-C de apenas 28 para 36 caças…..

Abraços,

Bosco

Edcrreek,
com certeza foi a FAB/GF que definiu essa quantia.
Na minha cabeça e na de outros colegas do blog tudo leva a crer que foi uma encomenda inicial para armar as primeiras unidades até que os mísseis tupiniquins fossem integrados (incluindo os de origem israelenses Python e Derby ???).
O problema é que “tupiniquim” só teremos mísseis de curto alcance e que eu saiba não estamos desenvolvendo nenhum BVRAAM.
Também há o problema em se comprar muitos mísseis de um único lote e eles perderem o prazo de validade todos de uma vez.
Um abraço.

Edcreek

OLá, Bosco

Claro o problema da validade é serio porém alguns pontos levantados por voçê não deixam a conta fechar:

1) Não temos nenhum BVRAAM em construção e os misseis Israelenses não tem todo esse alcançe, e qualidade(?)….

2) Mesmo com o problema de validade o minimo razoavel seria pelo menos 1 por caça;

Mas todas informações que vejo são realmente que a FAB pediu esse “grande lote” de AIM-120-C….

Toda via com historico de embargos recentes, quem sabe…..

Abraços,

Alex

levei um susto com a foto…rsrsrrs pensei isso é montagem, como pode ter alguém ali pendurado num caça…rsrrsrsrsr logo ví que o caça esta provavelmente num porta=avião.

M1

Alex disse:
14 de maio de 2010 às 14:56

Tá mal mesmo hein…. mesmo que você não olhasse o mar, me explica outra coisa, como você acha que o caça estaria voando com a asa dobrada?

Hhehehe…. eita cachaça….

Tito

Alex disse:
14 de maio de 2010 às 14:56

http://www.youtube.com/watch?v=15AdDuiUW48

🙂

Nick

Equipamento interessante, especialmente para a FAB onde existem bases com apoio precário em terra. Se isso gera mais autonomia e economia(?) poderiámos instalar eles no F-5M??

Com relação à pouca quantidade ofertada inicial no pacote do F-18 E Super Hornet, eu entenderia aquilo mais como uma “amostra”. O que a FAB entender que é válido ter em seu inventário encomendaria à parte em quantidades necessárias.

Para combate não haverá necessidade do AIM9-X , visto que teremos nosso próprio missil de 5ª geração, o A-Darter. Agora, alguem sabe qual seria o alcance projetado do A-Darter??

[]’s

Francisco AMX

Se der Rafale, teremos o Mica IR, com alcance de 60km… mesmo custando um preço “pesadinho”, nos dará uma boa vantagem na AL, até mesmo contra F-16 armados com o AIM9x B1….

“Meteor e Mica IR uma dupla que tira o sono do inimigo!”

Sds!

MA

Como o Joca eu também pensava que a velocidade alta do ar em vôo já era suficiente para refriar os mísseis, instrutiva matéria.

Bosco, o argumento do Vader ainda é válido, mesmo possuindo uma fronta gigantesca de aeronaves os EUA só produziram pouco mais de 4000 unidades do AIM-9X até esse ano, a operação deste ainda é demasiadamente limitada! Até esse míssel representar a hegemonia no que se diz respeito a armamento de curto-alcance, mesmo dos estadosunidenses apenas, vai demorar “um pouco”.

Galileu

Ow Nick pelo amor de deus, daqui apouco vai ficar mais viável a FAB desmontar os f5 e montar com tecnologia atual ahahahah.

quanto ao Mica IR, eu não curto a idéia de velos por aqui, creio que a FAB tambem, so compraria mesmo, se o A-Darter demorar pra ser integrado.

Quanto ao missil BVR, to muito curioso, iriamos de R-Darter, caso for integrado a Jaca francesa, ou ficariamos com o Mica EM, porcaria que até a frança desistiu…..sim porque meteor por aqui nem a pau.

Alex

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

é a vacina da gripe suina…kkkkkk

Bosco

MA,
Concordo. Mas um dos motivos disso é o grande estoque da versão “M” que apesar de ser de “Terceira Geração” é um excelente míssil.
A maior capacidade “off boresight” e a cabeça de busca por formação de imagem da versão “X” foi um grande avanço mas não chega a desbancar de vez a versão anterior que satisfaz muito os americanos.
Mesmo porque a tônica dos americanos é tentar vencer fora do alcance visual e fugir do combate de curto alcance, ficando o míssil WVR para ser usado para autodefesa, tendo um papel secundário.

Mauricio R.

Quase um off topic:

+4 anos de F/A-18E/F e EF-18G, o DoD fechou a compra de mais 124 unidades.

“Se der Rafale, teremos o Mica IR, com alcance de 60km… mesmo…”

Essa é mesmo boa, seremos mesmo uns otários, ainda mais se podemos adquirir AIM-132 ASRAAM homologado p/ o SH, 50% mais de off boresight que o trambolho francês e capacidade de engajamento “over the shoulder” comprovada!!!
Alem do míssil A-Darter que estamos desenvolvendo c/ os sul-africanos.

Paulo Andrade

Sr. Rodrigo, creio que houve um equívoco de sua parte.
A versão X já estava liberada para esportação em março de 2009, quando houve o anúncio da venda para a Arábia Saudita.
Como depois disso a Boeing pode mudar sua proposta, poderia incluir o X se quisesse.
A questão não é a venda para exportação e sim, para quem eles querem exportar alguns dos seus produtos

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