Clark Field: o ataque que paralisou a aviação de MacArthur nas Filipinas
Em 8 de dezembro de 1941, horas depois de Pearl Harbor, bombardeiros e caças japoneses encontraram parte decisiva da força aérea americana em terra. A destruição em Clark Field e na base de Iba abriu caminho para a invasão das Filipinas
Quando as primeiras bombas caíram sobre Clark Field, na ilha filipina de Luzon, as tripulações americanas já sabiam do ataque japonês a Pearl Harbor. Ainda assim, por volta de 12h30 de 8 de dezembro de 1941, os bombardeiros B-17 Flying Fortress estavam no aeródromo, sendo abastecidos e armados. Os caças P-40 também haviam retornado de patrulhas e se preparavam para decolar.
Clark era a principal base da Far East Air Force (FEAF), componente das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF) subordinado ao comando do general Douglas MacArthur. A FEAF dispunha de 35 B-17 nas Filipinas: 19 estavam vinculados a Clark e 16 haviam sido deslocados para Del Monte, na ilha de Mindanao, fora do alcance daquele ataque. Caberia aos bombardeiros atingir bases e forças japonesas antes que a invasão chegasse ao arquipélago.
Uma manhã de decisões e alertas

O mau tempo nas bases japonesas de Formosa, atual Taiwan, atrasou a operação e deu aos defensores horas para reagir. Pela manhã, os B-17 de Clark chegaram a voar para evitar que fossem surpreendidos em terra. Depois receberam ordem de regressar: seriam reabastecidos e preparados para uma possível missão contra aeródromos japoneses em Formosa. Enquanto isso, avisos sobre aeronaves inimigas se aproximando de Luzon não produziram uma defesa eficaz da base.
A razão pela qual o ataque americano a Formosa não ocorreu antes permanece controversa. Os relatos de MacArthur, do comandante da FEAF, Lewis Brereton, e do chefe do Estado-Maior de MacArthur, Richard Sutherland, divergem. A história oficial do Exército americano considera estabelecido que a operação foi proposta, adiada para permitir reconhecimento fotográfico e autorizada apenas no fim da manhã. A eventual eficácia de uma incursão de B-17 sem escolta contra as bases japonesas também é objeto de dúvida.
Bombardeiros em altitude, caças sobre a pista

A força japonesa enviada contra Clark e Iba reuniu 108 bombardeiros bimotores e 84 caças Mitsubishi A6M Zero, pertencentes à aviação naval baseada em Formosa. Sobre Clark, atacaram aproximadamente 53 bombardeiros Mitsubishi G3M “Nell” e G4M “Betty”, em duas formações, seguidos por 34 Zeros. Portanto, os 192 aviões frequentemente associados à operação não atacaram todos Clark Field: parte foi destinada a Iba.
As bombas atingiram hangares, alojamentos, depósitos e instalações de comunicação. Em seguida, os Zeros desceram para metralhar os aviões estacionados ou em movimento na pista. Segundo a história oficial da aviação do Exército americano, cinco P-40 do 20º Esquadrão foram destruídos por bombas quando tentavam decolar e outros cinco pelo fogo dos caças japoneses. Três P-40 conseguiram levantar voo e combater os atacantes.
O custo humano e a disputa sobre as perdas
Em Clark, morreram 55 militares e mais de 100 ficaram feridos. Considerando os ataques daquele dia a Clark, Iba e outros pontos, a contagem da história oficial do Exército sobe para aproximadamente 80 mortos e 150 feridos. Em Iba, a ofensiva destruiu também a instalação de radar e deixou apenas dois P-40 do 3º Esquadrão a salvo da destruição, segundo o mesmo levantamento.
A quantidade de B-17 perdidos exige uma distinção. O histórico do 19º Grupo de Bombardeio registra 12 dos 19 B-17 de Clark como destruídos, com a maioria dos sobreviventes seriamente avariada. Histórias oficiais mais antigas apresentam a cifra de 17 ou 18 bombardeiros destruídos ou retirados de condições de combate no ataque. As fontes, portanto, divergem quanto ao total que deve ser classificado como destruído, embora concordem que a capacidade de bombardeio baseada em Clark foi devastada.

No conjunto da FEAF, apenas 17 dos 35 B-17 permaneciam em condições operacionais depois do primeiro dia de guerra. O Exército americano contabilizou ainda 53 P-40 e três P-35 destruídos, além de cerca de 25 a 30 aeronaves de outros tipos, entre elas B-10, B-18 e aviões de observação. Esses números abrangem diferentes bases e incluem perdas em combate aéreo; não representam apenas aparelhos destruídos no solo em Clark.
O caminho aberto para a invasão
O golpe retirou da defesa das Filipinas boa parte dos aviões que poderiam atacar bases japonesas, vigiar movimentos navais e contestar desembarques. As forças sobreviventes continuaram a lutar, mas os bombardeiros preservados em Mindanao não bastaram para restabelecer a capacidade ofensiva planejada antes da guerra. Nos dias seguintes, novos ataques agravaram as perdas americanas.
Os japoneses realizaram os principais desembarques em Luzon em 22 de dezembro. Sem cobertura aérea suficiente e pressionadas em terra e no mar, as forças americanas e filipinas recuaram para a península de Bataan e a ilha de Corregidor. Bataan caiu em 9 de abril de 1942; Corregidor, em 6 de maio. Clark Field não decidiu sozinho a campanha, mas o ataque suprimiu, logo em seu início, uma das principais ferramentas com que MacArthur pretendia impedir a invasão.■


Tóquio já sonhando com os Estados Japoneses do Pacífico…
O Douglas MacArthur é provavelmente o mais superestimado general dos EUA. Errou na defesa das Filipinas, e abandonou seus homens ao destino da marcha de Bataan. Sua estratégia no Pacífico era canhestra, enquanto a do Nimitz estava correta, explico: a campanha das Filipinas não era necessária, e a tomada de Peleliu foi um desperdício completo. Por fim, na Coreia, embora o desembarque em Inchon fosse uma jogada boa, a campanha ao longo do paralelo 38 foi horrível. Os chineses pegaram ele de calça arriada.
Bom mencionar que ele era um narcisista meio psicopata. Inclusive, até onde sei, o julgamento de pena de morte do General Yamashita foi um jogo de vingança do MacArthur, mesmo que objetivamente o Yamashita não tenha sido responsável por cometimentos de crimes de guerra, na verdade era um dos poucos generais japoneses humanistas na guerra.
Apesar dos defeitos, era um gênio. Maior média de West Point, por muito tempo. Creio que até hoje, não tenho certeza.
Impressionante mesmo, média acadêmica de 98,14%
Nenhum general da historia da humanidade sofreu tantas ofensivas surpresas bem sucedidas como o Macarthur kkk Um mês depois dos chineses atravessarem o rio Yalu com 1 milhão de homens (onde toda a operação e mobilização ocorreu sem ser detectada por MacArthur), os chineses estavam cercando 1 divisão inteira dos marines no perimetro do reservatorio de Chosin. Detalhe q a infantaria dos chineses tinha pouca mobilidade por ser zero mecanizada. Agora, nao querendo tirar o merito da brilhante condução dos chineses, mas imagina se fossem os soviéticos com 3,4 mil tanques? kkk E sim, ele era apelão, no auge da… Read more »
Muito da biografia dele é marcada por “ego trip”.
MacArthur era o Monty Americano. Por mais que eu não discuta a liberação das Filipinas, porque foi mesmo uma decisão politicamente acertada, a decisão pelo retorno, feita por MacA na sua chegada à Austrália, já demonstra a natureza uma tanto ‘rebelde’ dele. Ele tinha uma máquina de propaganda absolutamente implacável, e mutios dos seus ‘pecadinhos’ ficaram longe dos holofotes. Um desses ‘pecadinhos’ inclui até um possível caso de pedofilia do brabo, ainda nas Filipinas. Muitos historiadores Americanos modernos o odeiam, para não falar no ódio que o USMC tem de MacArthur desde a queda das Filipinas quando ele condecorou todas… Read more »
Parabéns pela matéria aliás! Conteúdos desse tipo são muito legais. O Naval e o Poder Aéreo mandam bem nesses tópicos históricos. Tem muitos temas para abordar em campanhas aéreas.
Acho muito bonita essas artes militares!
No caso, a arte na abertura da matéria é IA da braba. Checa os detalhes.
IA? Nossa, pensei que era pinturas como muitas que existem na web…
As pinturas feitas por artistas de verdade são lindas, ricas em detalhes, feitas por gente não apenas talentosa, como também apaixonados pelo tema, que fazem pesquisas exaustivas antes de retratarem as cenas que pintam. Essa da abertura da matéria os Zero são do modelo errado, parece que são uma mistura de modelos. O que é aquilo na barriga deles? É um tanque de combustível descartável? Pequeno demais. Bomba? Formato e cor errados. E os bombardeiros? Lançando bombas sem as portas do paiol abertas. Parecem ser uma mistura de G3M com G4M… estranhos. Dá uma olhada nos B-17. Parece que alguém… Read more »
“Parecem ser uma mistura de G3M com G4M… estranhos.”
Já que você tocou no assunto, esses bombardeiros me lembraram outro avião japonês da época: o Ki-21 Sally.
“The Allies originally gave the Ki-21 bombers the code name of “Jean”, but Douglas MacArthur, whose wife’s name was Jean, did not like the designation, and the code name was quickly changed to “Sally”.”
(https://www.google.com/goto?url=CAEScQHrOzAV5laLAIxeAAaqGxHhV8ztQ6U5t84Gv-a3gWzh0wWArHHCZxYn9o3Yqt6sxBjc4tjXu2PZptQ4DAHNxBVz35TNyoIPzN1wCTxlUAFsDBHg0n9-h6cxaTorGrV3Xfg-50LE2WYC9wPqL6HL_eQL)