Índia lança concorrência de US$ 10 a 12 bilhões para comprar 60 aviões de transporte militar
O Ministério da Defesa da Índia emitiu em 12 de agosto de 2026 uma Request for Proposal (RFP) para a aquisição de 60 Medium Transport Aircraft (MTA) destinados à Força Aérea Indiana (IAF). Avaliado em aproximadamente US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões, o programa coloca frente a frente Airbus, Embraer e Lockheed Martin em uma das maiores concorrências atuais do mercado mundial de transporte militar.
O objetivo é substituir progressivamente a envelhecida frota de Antonov An-32 e assumir parte das missões atualmente executadas pelos cargueiros pesados Ilyushin Il-76. Na estrutura futura da IAF, o novo MTA ocupará a faixa intermediária entre o Airbus C295MW, mais leve, e o Boeing C-17A Globemaster III, empregado no transporte estratégico pesado.
A400M, C-390 e C-130J disputam contrato
Três aeronaves permanecem na competição: o Airbus A400M Atlas, o Embraer C-390 Millennium e o Lockheed Martin C-130J-30 Super Hercules.
Apesar de concorrerem pelo mesmo contrato, os três modelos pertencem a categorias de capacidade consideravelmente diferentes. O requisito indiano estabelece que a futura aeronave seja capaz de transportar cargas entre 18 e 30 toneladas, criando uma faixa bastante ampla.
O C-130J-30 situa-se no limite inferior, com capacidade máxima de carga próxima de 19 toneladas. O C-390, capaz de transportar aproximadamente 26 toneladas, posiciona-se próximo ao centro da faixa estabelecida pela Índia. Já o A400M, com capacidade de até 37 toneladas, supera de maneira significativa o limite superior indicado no requisito.
A decisão indiana, portanto, não será simplesmente uma escolha entre três aeronaves equivalentes. Cada concorrente representa uma interpretação diferente sobre como a IAF deverá estruturar sua capacidade de transporte aéreo nas próximas décadas.
C-130J aposta na experiência já existente na Índia

A Lockheed Martin conta com uma importante vantagem: a Força Aérea Indiana já opera 12 C-130J, dispondo de infraestrutura, treinamento, logística e experiência operacional acumulada com o modelo.
O Super Hercules também já demonstrou sua capacidade de operar a partir de aeródromos localizados em grandes altitudes, condição especialmente relevante para a Índia devido às características geográficas das regiões próximas às fronteiras com China e Paquistão.
Para fortalecer sua proposta industrial, a Lockheed Martin está oferecendo participação significativa da indústria indiana em parceria com a Tata Advanced Systems Limited (TASL).
Por outro lado, sua capacidade máxima de aproximadamente 19 toneladas deixa o C-130J-30 muito próximo do piso estabelecido pelo requisito MTA. Isso poderá limitar sua capacidade de substituir determinadas missões atualmente realizadas pelos Il-76.
C-390 aparece no centro do requisito
O C-390 Millennium apresenta, em termos de capacidade de carga, o encaixe mais próximo das exigências estabelecidas no programa.
Com capacidade máxima aproximada de 26 toneladas, o jato brasileiro oferece uma margem substancial sobre o C-130J, mantendo características destinadas ao transporte militar tático. Essa combinação poderá ser importante em uma concorrência que busca simultaneamente substituir os An-32 e absorver determinadas tarefas desempenhadas por aeronaves maiores.
A Embraer estabeleceu parceria com a Mahindra Defence para sua proposta à Índia. O pacote oferecido inclui produção local e transferência de tecnologia, aspectos particularmente importantes diante da política indiana de ampliar a participação da indústria doméstica em grandes programas militares.
Uma eventual seleção do C-390 colocaria a Índia entre os operadores do cargueiro desenvolvido pela Embraer e representaria um contrato de grande escala para o programa.
A400M oferece capacidade próxima do segmento pesado
O Airbus A400M apresenta uma proposta bastante diferente. Sua capacidade de carga, de aproximadamente 37 toneladas, supera claramente a faixa de 18 a 30 toneladas estabelecida no requisito.
Essa diferença, entretanto, também pode funcionar como vantagem. Entre os três concorrentes, o A400M é aquele que oferece o maior potencial para assumir uma parcela significativa das missões atualmente desempenhadas pelos Il-76.
A aeronave proporcionaria à IAF uma capacidade maior para transportar equipamentos pesados e executar missões de transporte tático de grande porte. Em contrapartida, significaria operar uma plataforma substancialmente maior do que o C-130J ou o C-390.
Assim, enquanto o C-130J oferece maior comunalidade com a estrutura existente e o C-390 apresenta maior aderência à faixa de carga especificada, o A400M representa uma alternativa de maior capacidade, aproximando-se do segmento de transporte pesado.
Índia quer uma frota única de 60 aeronaves
Apesar das diferenças entre os concorrentes, o programa está atualmente estruturado para selecionar um único modelo para toda a frota de 60 aeronaves, e não uma combinação de diferentes tipos.
A decisão terá consequências de longo prazo, já que o vencedor deverá tornar-se o principal avião de transporte médio da Força Aérea Indiana durante várias décadas.
Ainda assim, a necessidade de substituir ou complementar os Il-76 poderá futuramente levar Nova Délhi a considerar um programa separado para a faixa mais pesada do transporte aéreo militar, particularmente se o modelo escolhido no MTA tiver capacidade mais próxima do limite inferior da atual especificação.
Programa começou com previsão de até 80 aeronaves
A atual concorrência tem origem em uma Request for Information (RFI) emitida pela Força Aérea Indiana em 2022, que inicialmente avaliava a aquisição de até 80 aeronaves.
Após a análise técnica das propostas apresentadas pelos fabricantes, o requisito foi reduzido para 60 unidades e avançou agora para a fase formal de RFP.
Os próximos passos deverão incluir avaliações técnicas detalhadas, testes das aeronaves, negociações comerciais e aprovação final do governo indiano antes da assinatura do contrato. Com três concorrentes de capacidades bastante distintas, a escolha deverá definir não apenas qual cargueiro a Índia comprará, mas também qual filosofia de transporte aéreo militar pretende adotar para sua futura frota.■



Eu sei que nem toda a gente vai concordar, mas eu comprava 55 KC-390 e 5 A400M sendo estas últimas para missões especiais.
Pois eu concordo e ao ler a matéria não pensei em número de aeronaves, mas pensei nesse mix, com o C-390 sendo o vetor principal e o A-400M como vetor secundário para cargas onde o C-390 não comporte.
O negócio é que na matéria tem tópico específico dizendo que a Índia pretende adquirir um único tipo de aeronave.
Só esqueceu que eles já operam o C17 que supera os requisitos do A400. Logo esse mix já existe, sendo o motivo de não abrirem 2 processos de aquisição.
Exato. Parece que possuem 11 C-17 e + 17 IL-76 (ambos pesados).
Totalmente desnecessário adquirir o A-400, ainda mais em pequenas quantidades o que vai prejudicar toda a ideia de produção local, linha logística única, economia, etc.
Eu esqueci disso, então nem vale a Pena o A400
acharia isso também, desde que a Aibus me dê sem nenhum problema, e qualquer problema que surja eles concerte, o NH90 é uma bomba, A400M era porcaria e é caro de manter, pq só uma empresa faz os motores
Eu vejo o C390 como vencedor e com uma linha de produção localizada.
Isso pode motivar o blog abrir uma bet.
DefesaBet, a Bet dos entusiastas de defesa. O tigrinho vira soldadinho, o jogo do aviãozinho é feito com um Gripen e podemos incluir o Batalha Naval, onde você comanda uma Tamandaré e precisa acertar o inimigo que está oculto. Você paga por disparo.
Acho que a India vai comprar um mix. Pode ser C-390/A-400M nessa proporção que o David escreveu.
“- Vai que é tua Taffarel”. Torcendo para que a Embraer agarre essa bola.
Estou torcendo muito para a Embraer levar essa, tecnicamente é a melhor opção.
Seria interessante ter um comparativo de custos operacionais no ciclo de vida. Do ponto de vista do investimento, não sei se a NG está disposta a jogar o preço para baixo, pois pode ser somente isso a maior vantagem. Sobre o requisito de operação em autitude, seria interessante saber se o requisito de 18 toneladas também se aplica.
LM, não NG
Esqueceram do principal concorrente nessa disputa, o Il-76MD-90A que a Índia já demonstrou interesse, pois já opera e tem uma cadeia logística própria independente da aeronave.
Principal por que?
E se o A400 está sendo considerado acima da margem definida, image essa aeronave que possui capacidade de até 60 ton. Pra essa categoria a Índia já opera o c17.
II-76 é de outra categoria.
A Índia demonstrou interesse em atualizar 11 das 14 células operacionais de Il-76.
A extensão na vida útil dessas células, seria de 15 anos.
kkkkkkkkkkkkkk da onde tu tira essas coisas
Acho que vão abrir a licitação e depois vão decidir o que querem substituir.
Se for o AN 32 é o C130 ou o KC390.
Se for o Il76 é o A400.
Creio que a decisão vai depender dos argumentos.
De qualquer forma já tem justificativa para qualquer escolha.
Sendo transferência de tecnologia e um bom vendedor, faria uma proposta de desenvolvimento conjunto para um 390 Plus ( estica/puxa/alarga), mais robusto, motorização mais moderna – gear – e potente, para a faixa de 40/45 ton ( levar um Centauro II ou Leopard em uso por exemplo) enquanto produzia as 60 unidades, “matava” o turbohelice a400, e daria prosseguimento a linha de montagem.😏
A FAB tem direito a 3% sobre cada KC-390 Millennium, se der certo mais aqueles que a Embraer já vendeu da quase 3 Aviões desse de retorno para FAB, do jeito que anda daqui alguns anos essas vendas vão praticamente pagar uma boa parte dos nossos 19 encomendados, torcer para fecharem com a Embraer
A Índia vai comprar um pouquinho de cada um pra não ficar mal com ninguém.
É o tipo de concorrência onde vence não necessariamente o “melhor”, mas quem oferece melhores condições de financiamento, prazos, treinamento, atualizações, participação de fornecedores locais e aquele desconto “amigo” que tanto agrada autoridades civis e militares.
Financiamento é algo importante para o Brasil e outros países endividados. Não sei se é o caso da Índia.
Das vendas do KC-390 a única que o Brasil financiou via BNDES foi a do Uzbequistão, por exemplo.
Minha visão. Tendo lito (saúde guerreiro) como direção
Vai dividir os pedidos para 2 empresas.
Embraer como necessidade e a americana como submissão
Na torcida pelo nosso “gorducho”!
Se eles forem considerar apenas os aspectos técnicos , econômicos e capacidades de todos os concorrentes; o Millenium ganha com duas voltas de vantagem. Mas o problema é quando entra a geopolítica
Vamos ver se o BRICS vale alguma coisa.
A Índia tem as propostas de:
Airbus,
Embraer e
Lockheed-Martin.
Mas e a HAL vai oferecer o que?
Vai requentar a proposta do MTA anterior?
Ou vai assistir a banda passar, como no caso do C-295?
O próprio governo indiano escanteou a empresa do AMCA, vai faze-lo novamente?
(https://www.livefistdefence.com/hal-sidelined-private-giants-shortlisted-for-indias-amca-stealth-jet/)
A Índia ja nao e cliente da embraer com o equivalente ao nosso E99? Eles ja conhecem a capacidade da empresa brasileira.
O E-99 deles usa somente a célula do Erj-145, o radar e os demais sistema de missão são na maioria de origem indiana.
Com Bangladesh comprando J10 e se aproximando ainda mais da China, melhor a India abrir as pernas para o Tio Sam mesmo.
A Embraer é favorita.
Mais sabemos o poder de barganha americano para seu avião c-130 vencer a concorrência.
“60 aviões de transporte militar”
Não duvidaria que para agradar Gregos,Troianos e espartanos, os indianos fariam uma salada make in Índia.